A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 10 (19/10/2026)


 A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 10

CENA 01: CASA DE JURACI E MELINA/INT./TARDE


CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR.


INSTRUMENTAL: ANGÚSTIAS DA VIDA - DANIEL TAUSZIG


MELINA: Responde, tia! Porque ficou tão nervosa quando falei da Lubiju? 


JURACI (séria): Melina, você vai mandar mensagem pra essa mulher agora e recusar essa proposta.


MELINA: Como é que é? A senhora ficou louca? Essa festa é a nossa chance de crescer no mercado e expandir nossos clientes, tia! 


JURACI: Melina, eu já falei e não vou repetir de novo. Eu não quero e não vou fazer essa festa. Vai me desobedecer?


MELINA: Vou. Vou sim. Eu juro que não entendi essa sua ira… quer tanto fazer sucesso no buffet mas não quer ter clientes? Me poupe! 


JURACI: A questão não é essa, Melina. A questão é que eu não quero fazer essa festa e não vou fazer. Essa gentinha da alta sociedade acha que pode tudo. Acham que tem o rei na barriga e o direito de humilhar quem quiser… E essa tal Mimi aí vive se metendo em polêmica. Eu não quero chegar perto dessa mulher, e também não quero que você chegue. 


MELINA: Pois então, tá. Se não quiser fazer a festa, eu mesma faço ela sozinha. 


Melina começa a gravar um áudio. 


MELINA (gravando): Oi, Verônica, como vai, querida? Mas é claro que tenho interesse. Me ligue mais tarde pra gente combinar o orçamento. Beijos. 


JURACI (indignada): Mas você é mesmo uma teimosa, menina! Eu devia era te dar uns tabefes! 


MELINA: Pois dê. Eu não tenho medo da senhora mesmo… um dia vai me agradecer por eu ter aceitado fazer essa festa. 


Melina se vira e vai em direção ao seu quarto. Juraci se revolta e vai atrás dela, mas já é tarde demais quando Melina já bateu a porta e a trancou. 


JURACI (batendo na porta): MELINA, EU AINDA TAVA FALANDO COM VOCÊ! ABRE ESSA PORTA AGORA! MELINA! 

Juraci continua batendo na porta, cada vez mais irritada.

MELINA: Ai, meu Deus! Quanto exagero! 


JURACI: Exagero? Melina, eu só quero proteger a nossa reputação. Você não sabe com quem tá mexendo! Mimi é louca! 


MELINA: E você conhece ela tão bem assim pra ficar com esse medo todo? 


JURACI (gagueja): Não… não... mas não precisa conhecer, Melina. 

MELINA (do outro lado): Tá vendo? A senhora não tem argumento! Só quer que eu desista porque decidiu que essa mulher não presta!

JURACI: Eu sou mais velha, tenho experiência de vida! Tem coisa que a gente percebe antes de acontecer!

MELINA: Pois eu tenho vinte e poucos anos e tô percebendo que, se depender da senhora, o Buffet da Juraci vai continuar aqui na sala de casa até eu me aposentar!

JURACI: Ah, sua abusada!

Juraci ergue a mão para bater novamente, mas desiste. Ela começa a pensar e andar de um lado pro outro. 

JURACI (pensando): Eu não posso deixar com que a Melina chegue perto da verdadeira mãe… mas se bem que vai ser só uma noite, né? Será que estou sendo injusta, meu Deus? 

Do lado de dentro, Melina percebe o silêncio e decide abrir a porta. Ela caminha até lá e abre, mas se depara com Juraci.

MELINA: Mas o que é isso? Tá andando em círculos por que? 

JURACI (disfarçando): Eu tava aqui pensando, e eu acho que não será uma má ideia a gente promover esse evento… você venceu, Melina. Eu vou fazer essa festa. 

MELINA (sorri): Jura?!

JURACI (ainda séria): Juro. Mas tem uma condição!

MELINA (desconfiada): Ah, pronto! Sabia que tinha pegadinha!

JURACI: Não começa! Eu aceitei fazer essa festa, mas isso não significa que você vai sair por aí fazendo o que bem entender. Nós vamos cuidar do buffet, cumprir o contrato e receber o nosso dinheiro. Só isso!

MELINA: Ué, tia, mas é justamente isso que eu quero! Trabalhar, mostrar nosso serviço e ganhar dinheiro! A senhora fala como se eu estivesse planejando entrar na vida da mulher!

JURACI: Melina, eu tô falando sério! Eu não quero intimidade com essa gente. Nada de ficar de conversinha com a Mimi, nada de se meter nos assuntos da família dela e, principalmente, nada de querer bancar a amiguinha da dona da festa!

MELINA: Meu Deus, tia! Eu vou trabalhar, não fazer parte da família Fontanari! A senhora acha mesmo que uma mulher milionária vai querer ser minha amiga?

JURACI (tensa): É melhor que não queira.

MELINA: quê?

JURACI: Nada! Eu disse que é melhor você se concentrar no serviço. A gente tem muito trabalho pela frente.

Melina abre um sorriso enorme e abraça a tia, que fica com os braços suspensos, sem saber como reagir.

MELINA: Ai, tia, obrigada! Você não vai se arrepender! A gente vai fazer uma festa linda, todo mundo vai elogiar e o nosso buffet vai ficar conhecido!

JURACI (tentando encerrar o abraço): Tá bom, tá bom! Já entendi! Agora me solta, que eu ainda tenho coisa pra fazer!

Melina se afasta, rindo. Focamos em Juraci, que permanece séria e pensativa. 

SONOPLASTIA: A LONG TIME - MAYER HAWTHORNE

Ao som da música citada acima, anoitece. Mostramos São Paulo vista de cima e em seguida cortamos para o exterior da mansão Fontanari.  

CENA 02: MANSÃO FONTANARI/INT./NOITE

Mimi está na mesa jantando ao lado de seus filhos Primavera e Verão, ainda comentando sobre a entrevista.

PRIMAVERA: Bom, só sei que a Eleonora ficou uma arara e postou um vídeo na internet falando mal da senhora e de toda a nossa família, mamãe.

MIMI: E você acha que eu ligo? Quero mais é que aquela galinha depenada lata o meu nome pra todo mundo saber quem sou eu.

VERÃO: Será que essa briga de vocês é um amor enrustido? 

MIMI: Me respeita, moleque!

Ao ver Inverno descendo a escada, Primavera se atenta.

PRIMAVERA: Olha, só! Vai acontecer o apocalipse. Inverno descendo pra comer com a gente, só pode ser uma miragem.

INVERNO (se aproxima da mesa e se senta): Não enche.

MIMI: O que foi que aconteceu, Inverno? Sentiu falta da gente? 

INVERNO: Será que eu não posso comer em paz? Vocês conseguem ser piores do que aqueles desgraçados da faculdade… 

PRIMAVERA: Ih, começou…

 INVERNO: Começou o quê, Primavera? Você não sabe de nada! Nenhum de vocês sabe!

VERÃO: Calma, Inverno. O que aconteceu?

INVERNO: O que acontece todos os dias, ué! Eu vou pra faculdade e tenho que aguentar gente me ridicularizando, fazendo piada da minha aparência, das minhas roupas, do meu jeito de falar. Pegam meus trabalhos, amassam meus desenhos e ficam rindo da minha cara!

MIMI: Mas você precisa aprender a não dar importância a esse tipo de gente. Você está na faculdade para estudar, não para fazer amizades.

INVERNO: Ah, claro! Como eu não pensei nisso antes? Amanhã vou chegar lá e explicar para os meus colegas que eles estão proibidos de me humilhar porque eu paguei pra estudar!

MIMI: Não precisa falar comigo desse jeito!


INVERNO: E como é que você quer que eu fale? Eu fiquei três semanas sem ir à faculdade! Três semanas! Você sabe disso, mas em nenhum momento quis saber o motivo. Não perguntou por que eu ficava trancada no quarto, por que eu chorava, por que eu não queria sair de casa. A única coisa que você fazia era reclamar que eu não descia para jantar e dizer que eu devia ser mais parecida com a Primavera!


PRIMAVERA: Não me coloca no meio disso!


INVERNO: Cê já tá no meio disso há muito tempo! Para você, tudo é fácil. Você fala, sorri, faz todo mundo gostar de você, é toda galera, toda do bem. Eu não sou assim!


MIMI: Ninguém tá exigindo que você seja igual à sua irmã!


INVERNO: Não? Porque é exatamente o que parece! E sabe o que é pior? Uma menina que mal me conhece teve mais consideração por mim do que a minha própria família.


VERÃO: Quem?


INVERNO: A Paulinha. Ela viu três pessoas me humilhando e foi a única que teve coragem de me defender. Me ajudou a juntar meus desenhos, ficou comigo e se ofereceu para ir até a cantina ao meu lado. Ela não me conhece direito, mas percebeu que eu estava sofrendo. Vocês convivem comigo desde que eu nasci e não perceberam nada! Ou melhor, percebem mas não estão nem aí. Só pensam no próprio umbigo.


MIMI: Ah, agora eu tenho culpa se você segura os seus problemas sozinha e não desabafa com ninguém? 


Inverno se levanta, com os olhos cheios de lágrimas.


VERÃO: Inverno, espera…


Ela sai da sala e sobe as escadas rapidamente.


VERÃO: Parabéns, mãe. Você conseguiu.


MIMI: Consegui o quê, meu filho? Eu estou tentando ajudar, mas ela não ouve!


Verão se levanta e vai atrás da irmã. Primavera observa Mimi.


CENA 03: MANSÃO FONTANARI/INT./NOITE


Inverno entra em seu quarto e se joga na cama, chorando. Verão bate à porta e entra.


VERÃO: Posso entrar?


Verão se aproxima, se senta na beirada da cama e olha para Inverno.


VERÃO: Você tá melhor?


INVERNO (se senta): Tô com cara de quem tá melhor? O que você veio fazer aqui? Veio jogar na minha cara que eu não me socializo com vocês e que só sei chorar?


VERÃO: Não. Eu não vim aqui pra te julgar. 


INVERNO: Então veio fazer o quê?


VERÃO: Ver como você tá. Você saiu da mesa chorando, Inverno... Eu fiquei preocupado. Odeio ver pessoas chorarem.


INVERNO: Se preocupou só agora? Eu fiquei três semanas sem sair de casa e ninguém quis saber o que tava acontecendo comigo!


VERÃO: A gente mal se vê, Inverno. 


INVERNO: Tudo bem, mas custava vir aqui no meu quarto pra ver como é que eu tava?


VERÃO: Cê tem razão… eu errei, me desculpa.


INVERNO: Tá tudo bem. 


Inverno enxuga o rosto, tentando conter o choro.


INVERNO: Eu tô cansada, Verão. Cansada de ser motivo de piada, de entrar naquela faculdade sem saber o que vão fazer comigo. Eu só quero estudar, mas nem isso me deixam fazer em paz.


VERÃO: E essa menina que você mencionou no jantar? A Paulinha?


INVERNO: O que tem ela?


VERÃO: Você disse que ela te defendeu.


INVERNO: Defendeu. Ela nem me conhecia direito e foi a única que enfrentou aqueles três. Enquanto isso, tem gente que convive comigo há anos e nunca percebeu que eu preciso de ajuda. Mas tá tudo bem. Eu dou dar a volta por cima.


Verão segura a mão de Inverno.


VERÃO: Só quero que você saiba que eu estou aqui pra tudo o que você precisar, tá? Eu sou meio louco, um pouco distante, mas a gente é irmão, e eu não quero que nenhum mal te aconteça. Se esse povinho mexer com você de novo, me fala. Me fala que eu mesmo vou lá dar um jeito nesses filhos da p-


INVERNO (interrompe): Não precisa. A Paulinha tá comigo agora. Mas eu agradeço a sua preocupação.


Verão se aproxima e abraça a irmã. Inverno resiste por um instante, mas acaba correspondendo ao abraço.


VERÃO: Vai ficar tudo bem.


INVERNO (se solta): Bom, a gente tá falando de mim faz tanto tempo… quero saber de você agora.


VERÃO: De mim?


INVERNO: É. Quando que você vai parar de fazer a Verônica de besta? 


Silencio. Verão não consegue segurar o riso. Inverno acaba rindo também. A cena corta para imagens de São Paulo ao som de “Mind Reader - Mimi Webb, Meghan Trainor”. Em seguida, mostramos a mansão de Brigida Marques


CENA 04: MANSÃO DE BRÍGIDA MARQUES/INT./NOITE 


INSTRUMENTAL: ÉRIKA - DANIEL MUSY, RAFAEL LANGONI 


Brígida está em seu quarto, diante de uma ring light. Seu celular está encaixado em um tripé, enquanto ela grava mais um vídeo para as redes sociais.


BRÍGIDA: Olá, Briguidinhos, como estão? Mores, como eu não sou boba nem nada, já fui correndo jogar aquele tigrinho bafônico e ganhei oitocentos reais em apenas uma rodada! Vocês tem noção do que é isso? Vou mostrar pra vocês na prática (ela pega um outro celular e começa a jogar, mostrando pra câmera) Ó, ó! Ganhei mais quinhentos! Chuchus, não percam essa chance… acesse já o meu link e joguem a vontade!


Ela desliga a câmera e posta o vídeo.


BRÍGIDA: Prontinho, hihi. Mal sabem eles que o que eu mostrei aqui é uma tela gravada… agora é só esperar a comissão chegar. 


Ela se aproxima do celular novamente e começa a gravar mais stories. Ela pega um potinho com frutas e um garfo, liga a câmera e começa a comer.


BRÍGIDA: Briguidinhos, vocês já pararam pra pensar que quando você come uma fruta, que isso daqui, essa maravilhosidade, já foi uma semente? Obviamente a semente da manga não era a mesma semente do mamão… são frutas diferentes, diversas… era uma sementinha e virou isso aqui. Que louco, não?


CENA 05: APARTAMENTO DE VERÔNICA/INT./NOITE


Verônica está no sofá, mexendo no celular, quando se depara com o story de Brígida divulgando o jogo do tigrinho.


VERÔNICA: Oitocentos reais numa rodada? Sério isso?


Curiosa, ela assiste ao vídeo até o fim. Em seguida, toca no link disponibilizado pela influencer e é direcionada à página do jogo.


VERÔNICA: Bom, não custa dar uma olhadinha, né?


Verônica faz o cadastro, deposita uma quantia e começa a jogar. Seus olhos se arregalam quando a tela anuncia o primeiro prêmio.


VERÔNICA: Epa! Temos um ganho aqui!


Ela sorri, empolgada, e continua jogando. Mais uma rodada, mais um prêmio.


VERÔNICA: Gente, não é possível! Ganhei de novo!


Verônica se ajeita no sofá, animada com os resultados. O saldo aumenta, e ela mal consegue acreditar no que está vendo. 


VERÔNICA (rindo): Meu Deus, eu tô passada!


A câmera se afasta.


AMANHECE.


Ao som de  “Proposta - Anitta”, mostramos imagens de São Paulo e em seguida, cortamos para o exterior da Mansão Garcia.



CENA 06: MANSÃO GARCIA/INT./MANHà


Ricardo e Letícia tomam café da manhã à mesa. Gael aparece já pronto para sair, pega uma maçã na fruteira e dá um beijo no rosto da mãe.


GAEL: Bom dia! Já tô indo, tá? Hoje tenho um monte de coisa pra resolver na Lubiju. Essa festa tá deixando todo mundo louco…


LETÍCIA: Você vai tomar café só com essa maçã?


GAEL: Sim, mãe. Beijo!


RICARDO: Vai com cuidado, filho.


GAEL: Pode deixar.


Gael se despede e sai. Ricardo acompanha o filho com o olhar até ter certeza de que ele não está mais por perto. Em seguida, pousa a xícara sobre o pires.


RICARDO: Letícia, eu preciso conversar com você.


LETÍCIA: O que foi? Vai implicar com a minha academia de novo?


RICARDO: Não. É sobre a Brasilândia. A situação está começando a sair do controle. Aquela gente está se mobilizando contra o projeto, e eu preciso saber exatamente o que estão planejando.


LETÍCIA: E o que você pretende fazer?


RICARDO: Quero que você se aproxime de Antônio Carlos.


LETÍCIA: Antônio Carlos? O morador que está à frente das manifestações contra você?


RICARDO: O próprio.


LETÍCIA: Ricardo, ele não deve ser bobo. Se souber que sou sua mulher, vai desconfiar das minhas intenções.


RICARDO: Por isso mesmo você precisa agir com naturalidade. Você é uma mulher simpática, sabe conversar, sabe ouvir… Quero que conquiste a confiança dele e descubra o que está acontecendo naquela comunidade.


LETÍCIA: Você quer que eu me aproxime dele para espionar a população?


RICARDO: Não precisa usar uma palavra tão desagradável. Quero informações. Quem está organizando os protestos, quais são os próximos passos, se pretendem procurar a imprensa... Coisas que qualquer pessoa na minha posição precisaria saber.


LETÍCIA: E se esse tal de Antônio Carlos descobrir? 


RICARDO: Não dê motivos para desconfiar de você. Aproxime-se, converse, descubra o que ele pensa. O resto fica por minha conta.


Letícia pensa por alguns segundos.


LETÍCIA: Tudo bem… eu posso tentar…


Cortamos para o exterior da Lubiju.


CENA 07: LUBIJU/EXT./MANHà


Mimi sai da Lubiju falando ao celular, carregando sua bolsa e uma pequena sacola. Elegante e apressada, atravessa a calçada sem tirar os olhos da tela.


MIMI: Não, amoreco, eu quero tudo impecável! São vinte e cinco anos de Lubiju, não é aniversário de loja de bairro! 

Do outro lado da rua, Lili observa a empresária discretamente. Está bem-vestida e finge mexer no celular, mas não perde Mimi de vista.

LILI (baixo): Vamos lá, Mimi Fontanari. Me dá uma oportunidade…

INSTRUMENTAL: O GRANDE ASSALTO, PT. 2 - ROGÉRIO VAZ, RAFAEL LANGONI 

Como se o destino resolvesse colaborar, Mimi se atrapalha com a bolsa ao tentar guardar o celular. A bolsa cai no chão, deixando escapar um estojo de maquiagem, um lenço e uma embalagem de coxinha.

MIMI: Ai, meu Deus do céu! Minha bolsa!


Antes que ela consiga se abaixar, um cachorro que passeava com seu dono fareja a coxinha e se aproxima, abanando o rabo.


MIMI: Ei! Ei, você! Nem pense nisso! Essa coxinha não é sua! Sai!


O cachorro enfia o focinho na direção da embalagem. Mimi tenta afastá-lo sem sucesso, preocupada com a bolsa aberta e com seus pertences espalhados.


MIMI: Moço, pelo amor de Deus, segura esse cachorro! Eu não tenho nada contra os animais, mas também não vou dividir meu almoço com um animal!


Lili aproveita a oportunidade e se aproxima rapidamente.


LILI: Calma, senhora! Deixa comigo!


Ela se abaixa, recolhe o estojo de maquiagem e o lenço, enquanto afasta delicadamente a embalagem de coxinha do focinho do cachorro.


LILI: Sai daqui, rapazinho. Essa aqui não é pra você!


O dono finalmente puxa a guia e pede desculpas. Lili devolve os objetos a Mimi e a ajuda a fechar a bolsa.


MIMI: Minha querida, muito obrigada! Que susto! Por pouco eu perdia a bolsa e o almoço pra esse esfomeado!


LILI (ri): Ainda bem que deu tempo. Ele já tinha escolhido a coxinha.


Mimi se encanta com a ajuda de Lili e estende a mão.


MIMI (estende a mão): Prazer, Maria Mirtes Fontanari. Mas pode me chamar de Mimi.


LILI (retribui o cumprimento, sorrindo): Liliane. Prazer.


As duas apertam as mãos. A câmera intercala entre elas.


CONGELAMENTO EM LILI.