CENA 01: HOTEL ROSEWOOD/INT./DIA
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR.
INSTRUMENTAL: BROTHERS IN DANGER - IURI CUNHA
OTÁVIO: Que história é essa? O que que cê tá tramando?
LILI (olhando para a manicure): Vaza.
MANICURE: Mas eu nem terminei o serviço, senhora.
LILI: Não precisa, eu mesma término. Anda, sai logo daqui!
A manicure se levanta, recolhe seus equipamentos e se retira do quarto. Lili se levanta.
LILI: Querido, essa é a nossa chance perfeita pra conseguir o que queremos! Pelo o que parece, a filha dessa tal de Mimi está desaparecida desde 2001, e nunca foi encontrada nenhuma pista sobre o paradeiro dela… (P) A mulher é milionária, Otávio! Ela é dona de uma grande empresa de artigos de decoração de luxo. Escuta bem, essa oportunidade não vai bater na nossa porta de novo. É a nossa primeira e última chance.
Otávio pensa por alguns instantes.
OTÁVIO: Certo. Vamos dizer que eu compre essa sua ideia. Como é que a gente vai se aproximar dessa mulher?
LILI: Eu me aproximo da família. Descubro quem são os filhos, quem são os amigos, quem entra e sai daquela casa. E por último, a cartada final: eu me revelo ser filha perdida.
OTÁVIO (incrédulo): Como é? Você vai se passar pela filha desaparecida? Mas que ideia maluca!
LILI: Maluca? Meu amorzinho, não seja tolo. Enquanto eu me passo pela Outono Fontanari, você também terá um papel importantíssimo nesse plano: se tornar o marido da Mimi.
OTÁVIO: Marido?
LILI: Sim, sim. Nós vamos nos infiltrar na vida dessa mulher e vamos fazer com que o plano seja perfeito, sem ninguém desconfiar de nada, é claro. Eu faço o papel de filha bondosa, e você faz o papel de alguém que se importa com aquela velha.
OTÁVIO: Bom, na teoria o plano é perfeito. Mas e se essa tal filha decidir reaparecer? A gente vai tá lascado.
LILI: Se ela aparecer, nós tiramos ela do nosso caminho. Não se preocupe, Otávio, vai dar tudo certo. Seja por bem, ou por mal. Mas antes de me aproximar dela, vou pesquisar tudo sobre ela, a família, o que ela gosta, o que ela não gosta, com quem anda, enfim… a gente não vai chegar de mãos abanando.
OTÁVIO: Você é mesmo uma diaba.
LILI: E você adora, não é?
Lili olha para Otávio com um semblante maquiavélico e se aproxima dele lentamente. Os lábios deles se encostam, até que se beijam intensamente.
CENA 02: LUBIJU/EXT./DIA
Na entrada da empresa, Mimi continua cercada por repórteres e microfones, ainda sendo entrevistada.
REPÓRTER 1: Então a senhora acredita que Eleonora Valença tem a ver com o sumiço da sua filha? Isso é uma acusação muito grave, não acha?
MIMI (indignada): Grave é o que essa mulher fez comigo! Grave é uma mãe passar vinte e cinco anos sem saber se a filha tá viva, se tá morta, se tá com frio, com fome, se alguém tá cuidando dela…
REPÓRTER 2: Mas a senhora tem alguma prova de que ela esteja envolvida no desaparecimento de Outono?
MIMI: Prova? Meu amor, se eu tivesse uma prova, a Eleonora já estaria atrás das grades há muito tempo! Eu não sou delegada, não sou investigadora, não tenho distintivo pendurado no pescoço. Eu sou uma mãe desesperada que quer respostas!
REPÓRTER 1: A senhora não teme ser processada por calúnia?
MIMI: Processada? Por quem? Pela Eleonora? Ah, faça-me o favor! Aquela mulher vive me perseguindo há décadas. Se ela quiser me processar, que processe. Vai ser ótimo! Pelo menos a gente se encontra no tribunal, já que ela foge de mim em todos os outros lugares.
Os repórteres riem discretamente. Mimi ajeita os óculos escuros e encara as câmeras.
REPÓRTER 3: A senhora ainda mantém esperança de encontrar sua filha depois de tanto tempo?
MIMI: Sim. Eu acordo com a minha filha, eu almoço com ela, eu durmo com ela. Tem dias em que eu entro no quarto da Outono e fico olhando pras coisas que ela deixou. Tem dias em que eu tenho raiva de mim mesma por ainda acreditar que vou ouvir aquela menina me chamando de mãe outra vez. Mas eu acredito. Porque, enquanto eu estiver viva, ninguém vai me convencer de que a minha filha deixou de existir. (voltando à pose habitual) E, se alguém tiver alguma informação, por menor que seja, entre em contato comigo.
VERÔNICA: Gente, por favor! A Mimi tem uma empresa pra administrar, funcionários pra atender e uma festa de vinte e cinco anos pra organizar. Vocês podem dar um pouquinho de espaço, por favor? (cochichando com Mimi) Já deu, mimi, você já falou demais!
Mimi segura o braço de Verônica e abre um sorriso forçado para as câmeras.
MIMI: Meus amores, a entrevista acabou! A Lubiju agradece a presença de todos.
Agora, se me dão licença, eu tenho uma empresa para comandar.
Ela entra na empresa com Verônica, enquanto os repórteres continuam registrando tudo e conversando entre si.
CENA 03: LUBIJU/INT./DIA
INSTRUMENTAL: SOMEBODY IS HERE - IURI CUNHA
Verônica entra em sua sala, coloca uma pasta sobre a mesa e se senta diante do computador. Na tela, aparece uma planilha com os preparativos para a festa de vinte e cinco anos da Lubiju.
VERÔNICA: Bom… decoração, iluminação, convidados, imprensa... Tá tudo encaminhado. Agora, o buffet...
Ela abre uma página de pesquisa na internet e começa a procurar empresas especializadas em eventos. Ela abre algumas opções, observa os preços e fecha algumas abas.
VERÔNICA: Não. Eu quero um serviço bom, comida de qualidade e gente que cumpra o combinado. Não preciso vender o rim da Mimi pra servir um jantar!
Ela continua pesquisando. De repente, um resultado chama sua atenção: Buffet da Juraci. Verônica abre a página e começa a examinar as fotos de mesas montadas, pratos e eventos realizados.
VERÔNICA: Buffet da Juraci... Olha só! Tem umas apresentações muito bonitas. E os comentários são bons também.
Ela olha as avaliações, interessada.
VERÔNICA: Atendimento excelente, comida deliciosa, preço justo... Finalmente uma notícia boa nessa organização! Será que tem algum contato?
Verônica encontra o contato do estabelecimento e pega o celular. Ela abre uma conversa com Melina, cujo número havia recebido durante as pesquisas, e começa a digitar.
MENSAGEM: Oi, Melina! Tudo bem? Aqui é a Verônica, da Lubiju. Estou organizando a festa de comemoração dos 25 anos da empresa e encontrei o Buffet da Juraci durante uma pesquisa. Gostaria de conversar com vocês sobre a possibilidade de fazer o nosso evento. Vocês teriam interesse?
Verônica relê a mensagem e envia.
VERÔNICA: Agora é esperar.
CENA 04: CASA DE JURACI E MELINA/INT./TARDE
Juraci confere as anotações de uma encomenda. Melina entra apressada, com o celular nas mãos e um sorriso no rosto.
MELINA: Tia, tia! Aconteceu uma coisa que a senhora vai adorar saber!
JURACI: O que foi, menina? Fala logo que eu tô terminando de conferir essa encomenda.
MELINA: Uma empresa entrou em contato comigo! Eles estão procurando um buffet pra fazer um evento e mandaram uma mensagem perguntando se a gente tem interesse!
Juraci ergue a cabeça, curiosa.
JURACI: Sério?! Que empresa?
MELINA: A Lubiju!
Juraci para imediatamente o que está fazendo.
JURACI: Como é que é?
MELINA: É! Uma empresa de decoração de luxo. Eles vão comemorar vinte e cinco anos e estão procurando um buffet pra organizar a festa. Uma tal de Verônica, que trabalha lá, encontrou o nosso contato e mandou uma mensagem pra conversar sobre a possibilidade de a gente fazer o evento! É a sua chance de crescer ainda mais, tia!
Juraci fica imóvel por alguns segundos.
JURACI: Pera aí, você tá me dizendo que existe a possibilidade de fazermos a festa de vinte cinco anos da empresa da Mimi Fontanari?
MELINA: Isso mesmo, tia. Tá sabendo demais, hein? A senhora conhece ela?
A câmera foca em Juraci e intercala com Melina.
CONGELAMENTO EM JURACI.
