criada e escrita por SINCERIDADE
CENA 01: UNIVERSIDADE/INT./DIA
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR.
PAULINHA: Eu já falei pra vocês darem o fora daqui, não já? Sai! Vaza!
Os três encaram Paulinha por alguns segundos, mas saem em silêncio. Paulinha se vira e ao ver que Inverno está aos prantos, abraça a garota, acalmando-a.
PAULINHA: Vai ficar tudo bem. Não chora, eu tô aqui.
INVERNO: Sem você eu não sei o que teria acontecido… eu fico sem reação quando acontece isso, e quando mais eu tento me defender, mais eles me humilham…
PAULINHA: Agora não é a hora de ficar se lamentando. Eles são um bando de imbecis. Levanta a cabeça e enxuga o rosto, você é linda.
Inverno ergue o queixo e Paulinha limpa suas lágrimas, que escorrem.
PAULINHA: Vem, vou com você até o banheiro pra você se acalmar e depois vamos à cantina. De mim você não larga mais.
Em meio ao choro, Inverno abre um sorriso tímido, ainda receosa.
SONOPLASTIA: BONEKINHA - GLÓRIA GROOVE
Cortamos para imagens aéreas de São Paulo, destacando o trânsito intenso nas ruas e o sol brilhando alto no céu. Em seguida, vemos a fachada de um luxuoso hotel no centro da cidade: o Rosewood.
CENA 02: HOTEL ROSEWOOD/INT./DIA
A piscina do hotel é cercada por espreguiçadeiras, guarda-sóis e vegetação exuberante. Hóspedes aproveitam o sol, enquanto funcionários circulam oferecendo toalhas e bebidas.
Lili está esparramada numa espreguiçadeira, usando óculos escuros e um biquíni sofisticado e tomando um suquinho de laranja. Otávio sai da piscina sem camisa, passa as mãos pelos cabelos molhados e pega a toalha. Ele enxuga o rosto, senta-se na espreguiçadeira ao lado de Lili e rouba o copo de suco da não dela.
LILI: Você é um miserável mesmo.
OTÁVIO: Calma, bebê. No seu lugar eu não me estressaria assim. (P) Ah, o Rosewood… isso sim que é vida. Piscina, champanhe, serviço de quarto, comida de primeira…
LILI: Perfeito, mas não é bom a gente ir se acostumando…
OTÁVIO: Porquê? Acha que a velha caquética vai conseguir achar a gente?
LILI: Não sei, não… por mais que trocamos de identidade, de cidade e de vida, eu não me deixaria levar pelo dinheiro que roubamos dela. O banco pode acabar bloqueando a grana a qualquer momento.
OTÁVIO: E se a gente sacar o dinheiro?
LILI: Pode ser uma boa… mas a gente precisa pensar em outra hipótese, um plano B, talvez…
OTÁVIO: E então, o que você sugere?
Lili tira os óculos escuros e se vira para ele.
LILI: Primeiro, a gente precisa descobrir se a Cecília já tomou alguma providência. Depois, temos que garantir que não vamos ficar desamparados caso esse dinheiro desapareça.
OTÁVIO: E como você pretende fazer isso?
LILI: Arranjando outra fonte de renda.
Otávio a encara, desconfiado.
OTÁVIO: Você está falando de arranjar um emprego? Virar CLT?
Lili fica olhando para ele, horrorizada.
LILI: Um emprego? Você bateu a cabeça na borda da piscina?
OTÁVIO: Ué! Você falou em fonte de renda!
LILI: Eu falei em outra fonte de renda, não em destruir a minha dignidade!
OTÁVIO: Ah, claro! Porque viver às custas dos outros é muito mais digno.
LILI: Sim. (P) Nós precisamos de uma próxima vítima. Alguém que tenha dinheiro e seja vulnerável o suficiente pra confiar na gente.
OTÁVIO: Acabou de descrever a maioria dos idosos desse país. Já tem alguém em mente?
LILI: Ainda não. Não vamos sair por aí escolhendo qualquer pessoa. Dessa vez, precisamos ser mais cuidadosos. (P) Bom, acho que essa piscina já saturou por hoje. Quero tomar um banho, trocar de roupa e sair pra dar uma volta pela cidade.
OTÁVIO: Procurar a próxima vítima?
Lili abre um sorriso dissimulado.
LILI: Quem sabe, querido? São Paulo é enorme. E gente rica, você sabe, nunca falta.
Os dois se levantam e deixam a área da piscina, ainda sorrindo.
CENA 03: ELEO/INT./DIA
CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA PENÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR.
INSTRUMENTAL: MARACATU WOLLINGER - RICARDO LEÃO
Mimi se aproxima de Eleonora, beijando sua bochecha com falsidade. Eleonora retribui o cumprimento.
MIMI: Que desprazer em revê la. MUAHH, MUAHH (simula o som dos beijos).
ELEONORA: Eu digo o mesmo, querida. Você está cada vez mais parecida com um gnomo obeso! MUAHH, MUAHH (simula o som dos beijos).
Mimi se afasta lentamente, examinando Eleonora de cima a baixo, abrindo um sorriso debochado.
MIMI: E você continua com essa cara de quem chupou um limão e descobriu que era azedo. Uma graça.
ELEONORA: Obrigada, amore. Mas e então, o que vocês vieram fazer na minha loja? Roubar minhas ideias?
MIMI: Talvez eu tenha vindo ver se você escondeu a Outono aqui rsrs.
PRIMAVERA (cutucando mimi): Mãe!
ELEONORA: Deixa ela falar o que ela pensa, querida. Mimi, vinte e cinco anos depois e você continua acreditando que fui eu quem roubou a sua filha? Sério mesmo que ainda tá nessa?
MIMI: Eu não acredito, Eleonora. Eu tenho certeza! Você sempre teve inveja de mim, da minha família, da minha vida…
ELEONORA: Da sua vida? Meu amor, eu tenho problemas suficientes com a minha! Não preciso cobiçar os seus.
MIMI: Ah, claro! Você prefere fingir que não sabe de nada. Conveniente, não?
ELEONORA: Conveniente é você ter encontrado uma culpada perfeita pra uma tragédia que nunca conseguiu superar. Já pensou que talvez esteja procurando a sua filha no lugar errado há vinte e cinco anos? Tem certeza que pagou milhões pros detetives certos?
MIMI: Você é uma cobra!
VERÔNICA: Chega vocês duas! A gente veio pra conhecer a loja, não pra ficar brigando.
MIMI: Vamos embora. Perdi completamente a vontade de conhecer essa loja de quinta. Eu queria um champanhe e uvas frescas, mas é bem capaz dessa daí colocar veneno pra me matar.
ELEONORA: Que pena! Eu estava prestes a fazer um desconto especial pra você.
MIMI: Eu não preciso de descontos, querida.
ELEONORA: Então compre sem os descontos. Quero ter o prazer de dizer que até você comprou alguma coisa aqui.
MIMI: Espere sentada! De preferência, cagando no vaso até suas he-
PRIMAVERA: Chega! Vamos embora, mãe.
Mimi se despede de Eleonora com beijinhos no rosto.
MIMI: Até mais, linda. Que o diabo te carregue! MUAHH, MUAHH (Simula o som dos beijos).
ELEONORA: Igualmente, princesa. Que a sua loja imploda com você dentro! MUAHH, MUAHH (simula o som dos beijos).
Mimi, Primavera e Verônica seguem até a saída, com Eleonora acompanhando elas.
CENA 04: UNIVERSIDADE/INT./DIA
Na cantina, Paulinha e Inverno estão sentadas à mesa, de frente uma pra outra.
PAULINHA: Então quer dizer que esses idiotas implicam com você por pura ignorância e só por diversão? Mas é muita maldade!
INVERNO: Pois é. Desde que entrei aqui, eu não tenho um dia de paz… e pra piorar, no ensino médio era bem pior. Chegaram a fazer montagens maldosas com a minha imagem beijando outra pessoa que eu sequer conversava…
PAULINHA: Eu entendo você. Bom, eu não cheguei a sofrer bullying, mas eu era bem odiada pelos meus colegas, justamente por defender pessoas que sofriam o que você sofre.
INVERNO: Você é a primeira pessoa que faz isso por mim.
PAULINHA: E sua família? Seus pais? Irmãos?
INVERNO (solta um riso sarcástico): Eu não tenho família. Minha mãe me odeia desde quando eu nasci. Ela acha que eu sou a culpada pelo desaparecimento da minha irmã, que sumiu quando tinha dois anos. E meus outros dois irmãos, nem ligam pra minha existência… eu sou um peso, sabe? Sinto que faço hora extra nesse planeta.
PAULINHA: Não fala assim. Você é bonita, jovem, estudiosa… tem a vida toda pela frente, e que se dane essas pessoas… quem sabe de você, é você.
INVERNO: Mas dói, sabe? Dói ter a consciência de que eu não tenho apoio de ninguém. Nunca fiz amigos, mal saio de casa…
PAULINHA: Pois eu prometo que a partir de hoje eu vou ser a sua amiga! Pode contar comigo pra tudo, tá?
INVERNO: Tá falando sério?
PAULINHA: Sim. Qual o seu nome mesmo? O meu é Paulinha!
Paulinha estende a mão.
INVERNO (retribui o aperto de mão): Prazer, Inverno.
As duas sorriem.
HORAS DEPOIS…
CENA 05: MANSÃO GARCIA/INT./TARDE
Ricardo está sentado no sofá, lendo alguns documentos de sua agenda política, enquanto toma uma dose de uísque. A televisão está ligada, exibindo uma reportagem sobre investimentos imobiliários em São Paulo.
A porta de entrada se abre. Letícia entra usando roupas de academia, com uma bolsa esportiva no ombro e os cabelos presos num rabo de cavalo. Ela está cansada, mas satisfeita, deixando a bolsa sobre uma poltrona e tira os tênis.
Ricardo ergue os olhos, sua expressão muda imediatamente.
RICARDO: Que roupa é essa?
Letícia olha para si mesma, sem entender a pergunta.
LETÍCIA: Roupa de academia, Ricardo. Acabei de voltar do treino.
RICARDO: Eu estou vendo que você acabou de voltar do treino! Estou perguntando por que você está vestida desse jeito.
LETÍCIA: Desse jeito como?
Ricardo larga os documentos sobre a mesa.
RICARDO: Letícia, não me obrigue a desenhar. Que história é essa de academia?
LETÍCIA: Que história? Eu me matriculei. Estou fazendo exercícios. Qual é o problema?
RICARDO: O problema é que você não me falou absolutamente nada!
LETÍCIA: Eu não sabia que precisava pedir autorização para me matricular numa academia.
Ricardo se levanta devagar.
RICARDO: Ah, não sabia? Então agora é assim? Você resolve fazer o que bem entende, sem conversar comigo, e eu que descubra quando você entra em casa vestida de... de...
Ele gesticula, procurando uma palavra que a ofenda.
RICARDO: Feito uma amostrada!
LETÍCIA: Eu não tô me amostrando! Estou vestida para fazer exercício físico. E, francamente, não vejo nada de errado nisso. Eu tô cuidando da minha saúde, coisa que você não faz.
RICARDO: Você tem cinquenta e cinco anos, Letícia!
LETÍCIA: E daí?
RICARDO: E daí que você não tem mais idade para ficar se exibindo por aí como se fosse uma menininha solteira procurando namorado!
LETÍCIA: Eu fui fazer ginástica, Ricardo, pelo amor de Deus!
RICARDO: Ah, claro! Você acha que eu sou idiota? Acha que não sei como essas academias funcionam? Um monte de homem olhando, mulher querendo aparecer, gente tirando foto na frente do espelho... E você no meio disso tudo, querendo provar o quê? Que ainda está em forma?
LETÍCIA: Eu não tenho que provar nada para ninguém.
RICARDO: Então por que começou com isso agora? Depois de tantos anos? Foi ideia de quem? Daquela sua amiga Eleonora? Aposto que foi! Ela vive enfiando essas bobagens na sua cabeça!
LETÍCIA: Não coloque a Eleonora no meio disso. A decisão foi minha.
RICARDO: Sua? Desde quando você toma decisões sozinha?
Letícia o encara, incrédula.
LETÍCIA: Você tá ouvindo o que está dizendo?
RICARDO: Estou. E você deveria ouvir também. Porque parece que perdeu completamente o juízo!
Ele caminha até a bolsa esportiva e a observa com desprezo.
RICARDO: Olha só isso. Bolsa de academia, roupa colada, tênis... Daqui a pouco vai querer sair com aquelas meninas de vinte anos, gravar videozinho com uma música besta, postar na internet e escrever que está vivendo a melhor fase da vida.
LETÍCIA: E se eu quiser? E se eu quiser viver uma fase diferente? Cuidar de mim? Fazer alguma coisa que me dê prazer? Qual é o crime nisso?
Ricardo solta uma risada seca.
RICARDO: Letícia, você não entende! Você é uma mulher casada, mãe de um homem adulto, esposa de um deputado. Não é uma menina que precisa ficar se amostrando por aí para chamar atenção!
O silêncio que se instala na sala é pesado. Letícia olha para o marido, com os olhos marejados.
RICARDO: Eu tenho vergonha de ver minha mulher se comportando como uma velha que não aceita a própria idade e precisa correr atrás de juventude dentro de uma academia!
Letícia leva a mão ao peito, ferida.
LETÍCIA: Uma velha?
RICARDO: Você quer que eu fale o quê? Quer que eu diga que está tudo maravilhoso? Você já não tem vinte anos, Letícia! Não precisa ficar tentando competir com mulheres que têm idade para ser suas filhas!
LETÍCIA: Eu não tô competindo com ninguém!
RICARDO: Então pare de agir como se estivesse!
Letícia respira fundo.
RICARDO: Você não vai mais a essa academia.
LETÍCIA: Você não manda em mim!
RICARDO: Repita.
LETÍCIA: Você não manda em mim! Pronto! Já deu essa conversinha. Eu não vou parar de viver sim porque você não quer.
Letícia pega a bolsa esportiva, atravessa a sala às pressas e sobe a escada, chorando. Ricardo permanece parado, acompanhando-a com os olhos.
CENA 06: MANSÃO DOS GARCIA/INT./TARDE
INSTRUMENTAL: VICTORIA - FELIPE MIU
Letícia entra no quarto e fecha a porta. Em seguida, atravessa o cômodo e se senta na beirada da cama. Ela olha para a bolsa de academia, caída ao lado dos pés.
Com as mãos trêmulas, abre o zíper e tira uma pequena toalha da bolsa e fica olhando para ela. Ela aperta a toalha contra o peito e chora em silêncio. A câmera se afasta lentamente.
SONOPLASTIA: A LAJE - BAIANASYSTEM, EMICIDA
Anoitece ao som da música citada acima.
CENA 07: MANSÃO FONTANARI/INT./NOITE
Mimi, Verão e Primavera estão sentados à mesa, jantando.
VERÃO: Festa? Mas pra que festa, mamãe? Não acha que tá gastando demais?
MIMI: Gastar pra mim não é problema, meu filho. Eu quero que essa festa comemore os vinte e cinco anos da fundação da Lubiju em grande estilo.
PRIMAVERA: Tudo isso pra renovar o contrato da sua guerrinha com a Eleonora pelos próximos dois anos?
MIMI: Talvez… já contratei vários repórteres. Amanhã vou aparecer em todas as televisões desse país! Quero que o povo me conheça, conheça a minha história ainda mais e que compareçam na minha festa. Quero a casa cheia!
INSTRUMENTAL: O GRANDE ASSALTO, PT 2 - ROGÉRIO VAZ, RAFAEL LANGONI
Amanhece ao som do instrumental
citado acima. Mostramos a área externa da Lubiju, que está repleta de repórteres aguardando a saída de Mimi da empresa.
CENA 07: LUBIJU/EXT./DIA
As portas de vidro se abrem. Mimi surge acompanhada de Verônica, Primavera e Verão. Ela usa um conjunto elegante em tons de rosa, óculos escuros enormes e joias que brilham. Ela para por um instante e observa a multidão.
MIMI: Amorecos! Um de cada vez, por favor! Eu sei que é difícil controlar a emoção diante de uma mulher que construiu um império, mas vamos manter a elegância.
Os fotógrafos disparam flashes.
REPÓRTER 1: Dona Mimi, parabéns pelos 25 anos da Lubiju! A senhora imaginava chegar tão longe?
MIMI: Imaginava? Meu bem, eu planejava! Imaginar é para quem fica esperando a vida acontecer. Eu fui lá e fiz acontecer. A Lubiju começou com um sonho, muito trabalho e uma visão estética que, convenhamos, esse país ainda está tentando alcançar.
REPÓRTER 2: A senhora está preparando uma grande festa para celebrar a data, não é?
MIMI: Uma festa à altura da Lubiju. Vai ser uma noite inesquecível! Gente bonita, decoração impecável, convidados selecionados... Porque não basta ter dinheiro, meu amor. É preciso ter bom gosto para gastá-lo.
REPÓRTER 3: Mas existe uma coincidência que chama a atenção. A comemoração acontece justamente quando se completam 25 anos do desaparecimento da sua filha, Outono. Como a senhora lida com essas duas datas?
O sorriso de Mimi desmancha por alguns segundos. Primavera se aproxima discretamente da mãe.
MIMI: Não existe comemoração que apague a falta que uma filha faz. A Lubiju é uma parte enorme da minha vida, mas a Outono... a Outono é uma parte de mim que desapareceu junto com ela. E eu vou provar pra todo mundo que Eleonora Valença está metida com o desaparecimento da minha filha!
CENA 08: HOTEL ROSEWOOD/INT./DIA
A televisão está ligada na suíte luxuosa. Na tela, Mimi aparece diante dos repórteres, falando sobre os 25 anos da Lubiju e o desaparecimento da filha. Lili está sentada numa poltrona, com as pernas esticadas sobre um pufe. Uma manicure termina de pintar suas unhas enquanto Otávio, de roupão, examina o cardápio do serviço de quarto.
Lili, que até então mal prestava atenção à televisão, vira o rosto na direção da tela.
MIMI (NA TV): Eu não vou parar de procurar minha filha, minha Outono! Não enquanto tiver forças, dinheiro ou um pingo de esperança dentro de mim.
Lili ergue as sobrancelhas. O olhar, antes distraído, fica atento.
OTÁVIO: Que foi? Você conhece essa mulher?
LILI: Não.
OTÁVIO: Então por que está olhando para a televisão assim?
LILI: Mimi Fontanari. Empresária rica, filha desaparecida há 25 anos, festa de aniversário da empresa chegando…
Ela pensa por um instante, analisando a imagem de Mimi na tela.
OTÁVIO: Lili, eu conheço essa sua cara. É a mesma que você fez antes de a gente conhecer a dona Cecília.
MIMI (NA TV): Eu só quero descobrir o que aconteceu com a minha filha. Quero saber onde ela está.
Lili sorri de lado.
LILI: Gostei de você, Mimi Fontanari… Você acabou de me dar uma ideia.
CONGELAMENTO EM LILI.
