O último uivo dos lobos: Capitulo 12 - 24/02/2026

 O ÚLTIMO UIVO DOS LOBOS 


escrito por Raquel Assunção 

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                                                         Capítulo 12

Cena 1- Casa em um bairro classe média. Sala. Int. Manhã.

Dona Mari e Miranda, cínicas como são, foram atrás da família de Jade da Costa. A mãe dela, Dona Tatiana, 76, uma mulher sofrida pelo tempo, as recebe muito simpática, oferecendo pães de queijo e um café.

Dona Tatiana (sorridente): Tá bom o café ?.

Dona Mari: Tá uma delícia, dona Tatiana.

Miranda: Arrasou, vovó. Mas nós não somos juradas de um reality de culinária, minha senhora. Nós viemos -.

Dona Tatiana: Eu sei pelo que vocês vieram.

Dona Mari: O quê ? A senhora sabe ?

Dona Tatiana: Exatamente. Sobre a Jade. Fui alertada pela Dra Helena.

Miranda: Ah, melhor ainda, vamos direto ao ponto então.

Dona Mari: Me perdoe pela indelicadeza da minha companheira… Sabemos o quão delicado esse assunto deve ser, mas o que nós queremos é relembrar esse caso para que nunca seja esquecido.

Dona Tatiana: Acho difícil… Eles conseguiram o que queriam. Viveram impunes. Criaram suas famílias. Minha filha, não. Sua vida foi interrompida após tanto sofrimento.

Dona Mari: A senhora lembra o que levou a desconfiarem deles ?

Dona Tatiana: Testemunhos de que eles estavam rondando a Jade numa festa da universidade. Muitas pessoas confirmaram. Depois eles entraram em contradição sobre onde estavam até chegarem na versão definitiva. Eles eram ricos, com exceção de um pobre diabo que estava metido com eles-

Dona Mari: O Lázaro Castanhari.

Dona Tatiana: Exatamente. O advogado que os defendeu afirmou que eles foram pressionados a contar o que estavam fazendo, que eles estavam bêbados e que era impossível lembrarem tudo que fizeram. Depois surgiu uma testemunha que afirmou ter visto um homem lá, e ele levou a culpa. Mas eu tenho certeza que foram eles.

Miranda: Como a senhora pode ter tanta certeza ?

Dona Tatiana: Porque a Jade me contou, já quando estava desequilibrada, que os reconhecia, que foram os três a abusarem dela.

Cena 2- Apartamento de Júlia. Sala de jantar. Int.

Júlia e Angélica tomam café da manhã.

Júlia (com a boca cheia): Oh mãe, esse caso dessa menina, tadinha, a tal da Jade, lá dos anos 90, voltou a repercutir, e parece que o Castanhari e o Vázquez estão envolvidos, ou foram apontados como possíveis culpados.

Angélica: Ah Júlia, come direito, parece um troglodita falando com a boca cheia.

Júlia: Estou com pressa, mamãe querida. Cheia de trabalho. Vou começar a investigar o assassinato da Loreta.

Angélica: Meu benzinho… Tenho que lhe contar algo muito importante.

Júlia: O quê ?

Angélica: Sobre o caso da Jade da Costa. Eu… Eu era amiga dela.

Júlia (chocada): Como assim ? Meu Deus…

Angélica: Pois é. E eu tenho pra mim que os culpados foram o Gregório, o Lázaro, e o Honório. Nada me tira da cabeça que foram eles.

Foco nas expressões de mãe e filha, enigmáticas.

Cena 3- Clínica Psiquiátrica Santo Expedito. Recepção. Int.

Safira fala com uma responsável pelo Hospital Psiquiátrico onde Jade ficou internada durante anos até sua morte. A funcionária já sabe que está a frente de uma policial.

Safira: Então o incêndio ocorreu em 2012 ? Meu Deus… Deve ter sido uma tragédia sem proporções, não é ? Lamentável… Eu queria saber se vocês tem registros dos antigos pacientes.

A atendente: Claro. De quando mais ou menos ?

Safira: Jade da Costa. Ela foi internada em 1997.

A atendente: Só um instantinho. (ela olha bem, pesquisa até que encontra algo) Sim, estão aqui alguns registros de Jade da Costa. Ela morreu no incêndio de 2012.

Safira: Ela morreu ? Quanta tragédia na vida dessa garota. Anh… Eu posso ver tudo ?.

A atendente: Claro.

Safira dá a volta no balcão e começa a mexer no computador.

Safira: Aqui tem tudo sobre ela, certo ?

A atendente: Aparentemente sim. Alguns documentos e arquivos foram perdidos no incêndio, mas tudo que conseguiram resgatar está aí.

Safira (lendo um relatório de uma psiquiatra): Um… Então essa Dra era a responsável por ela ? Interessante. 

Cena 4- Apart-Hotel de Miranda. Sala. Int. Tarde.

“Cobra- Rita Lee” toca ao fundo. A rua do Hotel onde o casal está hospedado tem movimento frenético, carros e motos passam em alta velocidade, o prédio se impõe com seus nove andares.

Mari e Miranda encaram o notebook, seus olhos brilham.

Dona Mari: A ruína daquela família está só começando!

Corta para;

Mansão Castanhari Vasconcelos. Escritório de Lázaro. Int.

“Dangerous- Rodolpho Rebuzzi, Mú Carvalho” Nathália adentra no cômodo carregada de ódio e fúria contra Lázaro, o celular está na mão.

Lázaro: Nathália? Primeiro se bate na porta.

Nathália (aos gritos): Eu deveria era bater em você! Seu monstro. Você é igual a Mari. Até pior.

Lázaro: Do que você está falando? Me respeite!

Nathália: Disso!

Nathália mostra um vídeo à Lázaro. É uma filmagem antiga, Nathália aparenta ter seus 15 ou 16 anos, Gregório, também mais novo, aparece beijando-a à força, violento, brusco. Nathália sai da filmagem chorando. Num corte, Gregório e Lázaro aparecem conversando, a conversa é íntima, mas percebe-se que Lázaro está nervoso, furioso, ambos parecem estar numa negociação, assim o vídeo acaba.

Lázaro: Calma, Nathália! Eu posso explicar-

Nathália: Explicar que sabia dos assédios que eu sofria, mas mesmo assim se calou em troca de mais poder dentro daquela merda daquela empresa ? Você é um BOSTA. Doente. Isso que você é.

Lázaro: Não fala assim, minha filha. Eu fiz isso pelo nosso bem… O Gregório tinha dinheiro, tinha conhecimento, nessa época ele poderia voltar todos os acionistas contra mim, fizemos esse acordo porque era benéfico para nós dois.

Nathália: E onde eu ficava nessa história ? Você parou para pensar em mim por um instante ? Esse homem me destruiu. Ele foi o responsável por grande parte dos meus problemas… E agora vejo que você também!

Lázaro (eleva o tom de voz): Será que você não percebe que foi o melhor ? Eu fiz tudo por você! Para te dar essa vida confortável que você tem hoje, e vai ter pelo resto da vida!

Nathália saca uma arma da cintura e aponta para o pai.

Nathália (apontando a arma): Eu deveria… Matar você ? Ou… (aponta para a própria cabeça) Pôr um fim na minha dor de uma vez por todas ?

Lázaro: Nathália, para! Pelo amor de Deus.

Nathália abaixa a cabeça e sai do escritório encarando o pai.

Lázaro (enigmático): Eu sei quem está por trás disso…

Cena 5- Delegacia. Escritório de Investigações de Júlia e Safira. Int.

Júlia fala ao celular com o contato do advogado de Jofre, o acusado pelo abuso que Jade sofreu no passado. Safira está a seu lado.

Júlia (ao celular): Olá! Como vai… Que bom, eu vou bem também. O senhor já sabe que somos da polícia civil, certo ? Ótimo!

Safira (falando baixinho): Pergunta sobre o Jofre e o que aconteceu com ele.

Júlia: O senhor se lembra do caso Jade da Costa ?... Entendo… Mas nós só queremos algumas informações básicas… Sim. Soubemos através de pesquisas na internet que ele já morreu. O senhor poderia nos dizer a possibilidade dele ser inocente, era verídico ? (fica chocada) Meu Deus. Sei bem como funcionam essas coisas. Ele tinha família, esposa, parentes próximos ainda vivos ?... (p/ Safira) Anota aí rapidinho!

Safira anota o nome citado por Júlia.

Júlia: Ótimo! Muito obrigado pela sua colaboração. (desliga a ligação) Safira do céu.

Safira: E aí?

Júlia: Nós temos que ir atrás dessa mulher, ela quem vai nos revelar a verdade. E eu sinto que tem algo muito maior por trás dessa história.

Safira: Eu também consegui o contato da psiquiatra que cuidou da Jade na Clínica.

Júlia: Ótimo! Vamos atrás dela.

Cena 7- Asilo Público. Quarto. Int. 

Mari e Miranda entram no quarto da antiga enfermeira de Jade, indicada por Dona Tatiana. A idosa repousa na cama.

Miranda: É essa? Tá mais pra defunta.

Dona Mari: Xiu!

Ela abre os olhos, confusa.

A idosa: De novo com remédio? Já falei que não quero!

Miranda: Ihhh, olha, já passou da hora de morrer. Vamos embora que não vai dar em nada.

Dona Mari: A senhora se lembra da Jade da Costa?

A idosa arregala os olhos. O instrumental “Diabólica- Eduardo Queiroz” entra em cena.

Idosa: Vocês vieram a mando dela? Jade era boazinha, mas vivia dizendo umas coisas estranhas… Me assombram até hoje.

Dona Mari: Como o quê, por exemplo ?

A idosa: Que ia se vingar, que queria botar fogo em tudo, o ódio a possuía.

Antes que continue, a enfermeira responsável entra, irritada.

Enfermeira: Chega. Vão embora. Ela precisa descansar.

Miranda retruca, a enfermeira a empurra para fora. 

Miranda: Você sabe com quem está falando minha filha? Olha aqui, sua -.

A enfermeira reage expulsando-a do quarto, durante empurra-empurra, uma caixinha cai; uma foto escapa. Miranda pega.

Miranda: Acho que já vi essa mulher… é a Jade ?

Dona Mari vira a foto. No verso: “Jade da Costa, 2000.”

Dona Mari: É ela! E eu tenho pra mim que já estive com ela…

Cena 8- Consultório Particular da Dra Amanda. Noite. Int.

A noite chegou, o sol deu lugar à lua brilhante, imponente, iluminando a frenética capital mineira. O consultório da Dra Amanda é pequeno, mas bem decorado, ela é psicóloga e filha da psiquiatra que cuidou de Jade da Costa.

Júlia: Desculpe por incomodá-la, Dra Amanda. Mas nós precisamos da sua ajuda. 

Safira: Sabemos que a sua mãe já morreu, e na nossa investigação é imprescindível saber o máximo de informações.

Amanda: Sobre o quê ?

Júlia: Sobre o caso da Jade… A sua mãe ajudou essa moça, eram próximas na clínica em que ela foi internada. E encontramos um relatório bem antigo sobre o caso dela, escrito pela sua mãe.

Amanda fica estranha.

Amanda: Eu não sei como reagir sobre esse assunto… Sinceramente.

Safira: Porquê ?

Amanda: Já que vocês precisam, eu vou colaborar. Vai ser uma forma de tirar esse peso das minhas costas.

Amanda pega um diário numa gaveta de sua mesa e entrega às investigadoras. “Oculto- Guilherme Rios, Eduardo Queiroz” começa a tocar.

Júlia: O que tem nisso ?

Amanda: Toda a verdade.

Safira abre umas páginas aleatórias, Júlia lê um trecho. Uma expressão de choque a domina.

Júlia: Jade da Costa está viva.

Cena 9- Ruas de Belo Horizonte. Carro de Dona Mari. Ext.

Miranda e Dona Mari conversam e debatem sobre o que descobriram.

Dona Mari: Minha memória é boa, se o que eu estiver me lembrando for real, ah meu bem… Nós teremos ganhado uma aliada maravilhosa.

Miranda: Eu tenho impressão de já ter estado com ela, mas não lembro em que ocasião. Será que ela está viva ?

Dona Mari: Claro que está. Não lembra que a velha falou “ vocês vieram a mando dela ?”, porque ela diria isso se ela não tivesse viva ?

Mari recebe uma notificação no seu celular, Miranda pega o celular e lê a mensagem;

Miranda (lendo): Vocês vão pagar por se intrometer no que não deveriam… QUE PORRA É ESSA ?

De repente, um carro surge atrás do delas e inicia-se uma perseguição. O instrumental “Risco de Faca- Eduardo Queiroz, Felipe Alexandre” invade com brutalidade a cena.

Mari e Miranda se assustam, tentam despistar os perseguidores, um tiro acerta o retrovisor esquerdo, estilhaços voam pelo asfalto, a lataria do porta malas se afunda ao ser atingido.

A tensão é sentida por todos. Mais projéteis ecoam sobre o carro, Mari treme ao volante, Miranda segue desesperada e se curva temendo ser atingida, entre curvas e ruas desertas, elas passam aterrorizadas. A perseguição segue, e o medo de morrer se faz presente.

Cena 10- Garagem do Apartamento de Júlia. Int.

Júlia acaba de chegar em casa, desce de sua moto, carrega uma mochila nas costas e o capacete no braço esquerdo. A trilha “Arquinimigo- Eduardo Queiroz, Felipe Alexandre” dá um tom enigmático e ação à cena.

Sente uma pontada de medo, como se estivesse sendo observada. Uma figura de preto desponta atrás dela. A investigadora vira e dá de frente com o ser. Logo se arma.

Ela atira contra a pessoa misteriosa mas isso não é suficiente para impedir o avanço do ataque. Passos apressados se seguem. Então, uma luta corporal se inicia. Um mata leão a pega de surpresa, em seguida uma cotovelada nas costelas serve de contra-ataque por Júlia, que em resposta recebe uma rasteira e cai no chão, ela pega o capacete e acerta na cabeça em defesa.

Júlia: Socorro!

A respiração de Júlia é ofegante, dominada pela ação e euforia, ela pega sua arma, mas a pessoa entra em uma luta pelo objeto, jogando-a longe, dominada pelo ataque é arrastada pelos pés. Ela consegue se defender acertando um chute entre as pernas do agressor/a, numa distração da pessoa, Júlia se levanta e parte pra cima.

Júlia (gritando): Se revela seu covarde! Quem é você, filho da puta ?!

Uma cabeçada é sentida, desorientada, Júlia é jogada contra um carro. A lataria fica amassada pela pancada, ela segura o braço, aparentemente quebrado. Por fim, o/a atacante atinge a cabeça dela contra o carro por três vezes seguidas. Sangue escorre por seu nariz e uma ferida se abre na testa. O porteiro finalmente aparece e o invasor foge.

O capítulo se encerra com foco no filete de sangue que escorre pela face de Júlia, à essa altura, desmaiada no chão.


















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