VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 13


 VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 13


criada e escrita por SINCE, FAFÁ, NOVELEX e LARICE



(CENA 01: PRAIA/EXT./TARDE)


O tiroteio continua. Nô e Sin correm contra o tempo para chegar até algum abrigo. 


NÔ (ofegante): Corre vagabunda, corre!


Um tiro acerta a areia a 5 centímetros de distância do pé de Sin, a moça solta um grito agudo e desesperado.


Sin: SOCORRO! NÓS VAMOS MORRER!


As duas finalmente chegam em um quiosque à beira do mar e se escondem atrás do balcão da cozinha junto dos trabalhadores.


Cozinheiro: Que isso? Uma invasão? Meu estabelecimento virou bagunça agora?


Nô: É caso de vida ou morte, ô seu gari de quinta! Ou você preferia nos ver com a cabeça rachada por uma bala de fuzil?


Cozinheiro: Eu preferia sim, melhor do que sujar minha cozinha com esses pés cheios de areia.


Sirenes de polícia finalmente são ouvidas ao fundo.


Sin: Oh my god! Finally the salvação is comming!


Cozinheiro: Oh, mil desculpas pela falta de educação. Não tinha percebido que a moça era dos States.


Sin: Eu?


Cozinheiro: SAI DAQUI AGORA!


Sin: Quer dizer… I? Yes, but I’am from Inglaterra and not from States!


Os tiros começam a cessar depois do confronto com a polícia. Nô espia a praia por cima do balcão, e nota todo mundo voltando a normalidade.


Nô: Vamos embora daqui logo! (para o cozinheiro) E você, vou dar 1 estrela para essa bodega na avaliação do Google. Seu mal educado! Pobre


Cozinheiro: Pouco me importa, eu estou cumprindo aviso prévio mesmo!


Nô: Ah, vá pra porra. Eu vim do prazer!


Nô se levanta puxando Sin pelo braço, que ainda está receosa com a segurança do lado de fora.


Nô: Vem mulher! Vamos embora daqui de uma vez, antes que comece outro tiroteio!


Sin: Se eu morrer, eu volto pra te assombrar pro resto da vida, cadela!


As duas saem do quiosque, indo na direção do hotel onde estão hospedadas.


(CENA 02: AVIÃO/INT./TARDE)


Prefeita Aurélio voa sob os céus no seu jatinho particular, enquanto bebe uma taça de espumante. Um curativo estanca o ferimento em sua testa feito por Raquel.


Prefeita Aurélio: Essa viagem para New York promete ser maravilhosa, principalmente pelos ótimos negócios que estão previstos…


Ele alisa a mala que a bêbada da sua esposa jogou em sua cabeça horas antes, com um sorriso no rosto.


Prefeita Aurélio: Vamos ver se está tudo certinho…


O homem bota a mala em cima da mesinha a sua frente e a abre, levando um susto.


Prefeita Aurélio (assustado): O que que… Como?


Dentro do objeto só há roupas e partituras. Além de um dildo e um lubrificante sabor morango. Ele joga as coisas no chão, procurando o que realmente deveria ter dentro da mala. Seu sangue ferve, e o homem se torna vermelho pela raiva.


Prefeita Aurélio (furioso): CADÊ? CADÊ O MEU DINHEIRO? QUE TRALHA É ESSA?


Tomado pela fúria, ele joga a mala no chão e começa pular em cima dela.


Prefeita Aurélio: O QUE ACONTECEU COM O MEU DINHEIRO? O QUE ACONTECEU AQUI? TÁ TÁ TÁ TÁ!


Sua pressão abaixa, e Prefeita se senta na poltrona novamente, para se recompor. 


Prefeita Aurélio (recuperando a sanidade): Calma! Pensa, Prefeita… Pensa…


Ele olha para a mala que tentou destruir, espatifada no chão.


Prefeita Aurélio: Essa mala é idêntica à que o Rodnato emprestou pra baitola falecida. Acho que já sei o que aconteceu…


(CENA 03: CASA DE FRÉGIS/INT./TARDE)


Ao abrir a geladeira para pegar uma água, Maria de Fafá se depara com uma meia suja.


Maria de Fafá (com nojo): Mas o que é isso aqui? Quem deixou isso aqui, que porcaria é essa?


Frégis (se aproximando): Ah, isso aí é coisa minha… que cabeça a minha… Acho que nem foi no pé que usei isso


Maria de Fafá: Você ainda tem coragem de falar que foi você? Olha só o estado dessa meia, olha só o chulé que está saindo dessa geladeira! A solução é comprar uma nova, tá? E eu não tô falando da meia.


Frégis: Fafá, você tem que entender o meu lado, pô…


Maria de Fafá: Entender o seu lado? Que lado? O lado dos porcos? Olha, eu cansei, tá? Da última vez eu entrei no banheiro depois de você, e você não se deu o trabalho de dar descarga! Já vou procurar outra casa pra morar pois aqui não tem condições. E se a Nô quiser ficar com você aí no meio dessa porqueira, ela que faça bom proveito.


Frégis: Ficou maluca? E você vai pra onde, hein? O dinheiro que você faz na agência não dá pra comprar um cupcake.


Maria de Fafá: Eu dou um jeito. Até me torno uma prostituta se for preciso, mas nessa casa eu não fico mais!


Frégis: E qual o problema de se tornar prostituta?


Maria de Fafá: Nenhum, mas o meu plano A não é esse, nem o B.


Frégis: É o C?


Maria de Fafá: Olha, Frégis, eu não vou ficar aqui de conversinha fiada com você não tá? Desde que cheguei nessa casa percebi muito cedo que você só tem olhos pra minha irmã. Eu sou só um zero à esquerda pra você. 


Frégis: Quanta bobagem!


Maria de Fafá: Só vou esperar a Nô chegar de Angra pra falar pra ela que aqui eu não fico mais. 


Frégis: Tudo bem, então… se é assim que você quer… só que eu acho um pouco ingrato da sua parte. Eu fui a primeira pessoa a te acolher aqui no Rio.


Maria de Fafá (ri, sarcástica): Por causa da Nô! Bom, eu tô de saída. Preciso espairecer, curtir um pouco… o velório daquele Cubinho me deixou com a cabeça péssima.


Maria de Fafá se retira, deixando Frégis pensativo. Ela pega sua meia que está dentro da geladeira para colocar para lavar.


Frégis (tapando o nariz): Meu Deus, tá podre isso!


(CENA 04: PRAIA/INT./TARDE)


SONOPLASTIA: SUPER GRAPHIC ULTRA MODERN GIRL - CHAPPELL ROAN


Andando pela praia, Maria de Fafá pega seu celular em sua bolsa e faz uma ligação.


Maria de Fafá: Alô? SOLange? Me desculpa te ligar agora, você deve tá descansando depois de um dia exausto em Angra, né? Mas eu queria conversar com você… não é nada demais.


SOLange: Pode falar, cherie, sou toda ouvidos 👂. Sou moderadamente surda igual o George Pig mas fale! Ande, fale! Pode falar, meu bem. Fale! 


Maria de Fafá: Então, é que aconteceu uma pequena discussão entre mim e Frégis hoje e…


SOLange (com sotaque nordestino): Dyga. 


Maria de Fafá: Você tá bem? Parece que ainda está bêbada. Essa sua voz aveludada…


SOLange: Só se for de prazeres, querida. Fala! 


Maria de Fafá (se vitimizando): Eu não moro mais na residência dele, virei uma sem-teto! Uma mulher da rua. Estou que nem andarilha, vagando pelo Rio. Eu realmente não tenho onde ficar, estou aos prantos, estou sem dinheiro para pagar uma casa de 50 reais! SOLange, você consegue me ajudar? Minha mãe não me mandou a mesada do mês, estou em prantos.


SOLange: Chérreca, posso ser sincera contigo?


Maria de Fafá: Claro que pode, minha linda. Você sabe que adoro te ouvir. 🙄

 

SOLange: Foda-se arruma um emprego!


Maria de Fafá (confusa): Oi?


SOLange: Vem morar comigo, lindinha!


SOLange peida e o som do celular faz a Maria de Fafá achar que foi um tiro. 


Maria de Fafá: Que barulho foi esse, SOLange? Foi tiro?


SOLange (constrangida): Nada, mulher. Foi um… simples pipoco de pipoca! Isso mesmo! Essas pipocas de hoje em dia fedem né!? Pensando em ver um filminho adulto. 


Maria de Fafá: Que desgraça de pipoca é essa? Radioativa? Enfim, tudo bem.


SOLange: Desgraça de Agatha Nunes? Desgraça? Crendesupai, fala isso não menina. 


Maria de Fafá: Cuidado para essa pipoca não explodir a sua casa antes de eu chegar. Me lembrou aquele filme Todo Mundo em Pânico, quando a pipoca cresceu e fez a casa explodir.


SOLange: Amo esse filme, amori. Bom, mas você não quer deixar esse assunto pra segunda? Estou exausta e ainda vou receber o João aqui depois…


Maria de Fafá: Pra segunda? Hoje é sexta, querida, eu não vou ficar morando na rua durante esse tempo todo não. Tá achando que sou o que? TRÊS DIAS? EU SOU O QUÊ?


SOLange: Oh, cherrie. Arranja um lugarzinho aí na beira da rua, ninguém vai perceber. 


Maria de Fafá: SOLange, meu bebê. Você quer que eu ajoelhe aqui no meio da praia para você aí do outro lado da linha do Equador? PELO AMOR DE DEUS!


SOLange: Ai, tá bom cherie. Venha para o meu apartamento, você já sabe onde fica. Traga as suas tralhas. 


Maria de Fafá: Tá bom, neném. Vou ir aí. Ignora a minha catinga e cuida bem da sua pipoca, se é que não envenenou essa desgraça.


SOLange: que-


Maria de Fafá desliga e joga o celular no mar. *Instrumental cresce*.


Maria de Fafá (vitoriosa): Tá dando certo, Fafázinha! Você vai conseguir! Falta isso aqui ó 🤏.


Maria de Fafá começa a rodar em câmera lenta, ela vira uma espécie de fidget spinner humano. Ela estende os braços e se permite a loucura, ela atinge o pico de sua alegria, uma mulher feliz, vencedora, ela comemora o início da carreira de sucesso, vivendo às custas do sofrimento de quem lhe rodeia.


Maria de Fafá (berrando feito doida): A FAFÁ TÁ VIVAAAAAA! 🙆‍♀️


(CENA 05: MANSÃO ROITMAN/INT./TARDE)


Susuana abana Tia Tolyna com um daqueles leques de faraó feitos de penas de rola do mato, enquanto a velha assiste dorama na televisão. O suor escorre pelo rosto de Susuana, enquanto seus braços tremem de tanto repetir o movimento.


Susuana (cansada): Dona Tolyna, a senhora não pensa em comprar um ar condicionado para essa sala não?


Tolyna: Pra quê? Para a Taís ficar reclamando nos meus ouvidos por mais um motivo? (imitando a voz da irmã de forma caricata) Ain Tolyna, deu pra torrar toda a herança do seu marido em energia elétrica agora? Ain Tolyna, eu boto meu dinheiro nessa casa pra você botar um ar condicionado em cada cômodo? Ain Tolyna, e suas finanças dão conta de tanto gasto inútil que você faz?


Susuana: Ué, e o que que tem o dinheiro dela ser gasto desse jeito? Os dois filhos dela moram de favor nessa casa e passam o dia inteiro tendo vida de blogueiro. Não movem uma palha pra botar dinheiro nessa casa, muito pelo contrário!


Tolyna: Não é bem assim, meus sobrinhos são como filhos para mim! Eu que fiz o papel crucial na criação dos dois, e adoro tê-los por perto.


Susuana: E a senhora acompanhou os dois desde o nascimento, foi?


Tolyna: É, desde que eles eram tão pequeninos eu já cuidava deles, uns amorzinhos!


Susuana: E como foi o parto deles, ou a senhora não acompanhou?


Tolyna: Acompanhei, sim! Lembro até hoje. O do Wintour, já falecido, infelizmente, foi uma rapidez. A Taís começou a sentir contrações, nem deu tempo de ir ao hospital. O menino já nasceu em poucos minutos, no quarto dela mesmo. O do João Mateus eu acompanhei ela até o hospital. O marido de Taís já era falecido, então ela, naturalmente, pediu que eu a acompanhasse.


Susuana: E o da dona Raquel?


Tolyna: Esse foi mais tenso, não acompanhei. A Taís se isolou na nossa casa de inverno em Campos do Jordão depois de ter complicações. Ela passou uns meses lá, e só voltou quando a menina já estava grande e saudável.


Susuana: Alguns meses… Então a senhora demorou a conhecer sua sobrinha.


Tolyna: Sim, mas me apeguei a ela ainda mais que os outros…


Susuana: E a senhora tem certeza de que ela é sua sobrinha, mesmo?


Tolyna (apavorada): Mas que tipo de pergunta é essa? Lógico que sim! Por que não seria?


Susuana: Nada não, dona Tolyna. Oi? Que? Já vou! Tá ouvindo o rapaz me chamando lá não? Melhor eu ir.


Tolyna: Que rapaz? Que papo furado é esse?


Susuana sai da sala em silêncio, Tolyna fica indignada com a audácia da moça 


Tolyna: Ô menina, vem cá!... Ai, vou aproveitar e bater mais um 🥴 fazer um squirt.


Tolyna morde os lábios, excitada.


ABERTURA 




VINHETA DE INTERVALO (VOLTA):



(CENA 06: CASA DE DONA BUCÊ/INT./TARDE)


Larica da Paz se prepara para vender os seus bolos, Dona Bucê aparece escondida e pega um bolo de cocô, Viktney aparece e percebe o furto da velha.


Viktney: Que coisa feia, Bucê! Você não é mais criança pra pegar comida que não é sua!


Dona Bucê: Olha mas era só o que faltava! Você é quem para mandar o que eu devo e não devo fazer! E você mesma disse que não sou criança! Então sei muito bem o que eu estou fazendo, Viktney.


Larica: Tudo bem, Bucê! A noite te espera, vou fazer um banquete para a senhora.


Dona Bucê (infartando de alegria): Deus te ab. e. nç. oe. Linda 🥰😍


Viktney: Sério, Larica? Muito obrigada por essa gentileza, eu queria aproveitar para falar algo para você.


Larica: Desembuche, querida.


Viktney: Eu queria saber se eu podia vender bolo junto com a senhora!


Larica: Viktney, senhora tá no céu! Me chama de Larica, mulher. Pode sim, claro que pode! Mas você tem certeza?


Viktney: Óbvio que tenho.


Larica: Então troca esse pijama de oncinha e bota uma roupa decente, que nós vamos à luta!


SONOPLASTIA: CHEIA DE MANIAS - RAÇA NEGRA


(CENA 07: RUA/TARDE)


Pelas ruas da cidade e à beira da praia, Larica e Viktney passando vendendo seus bolos. As duas se dividem e fazem caminhos diferentes, enquanto seus gritos são ouvidos de longe.


  • Ó O BOLO DA PAZ! É O BOLO DA PAZ PASSANDO NA SUA RUA!


Larica passa em frente aos prédios com placas de “aluga-se” e “vende-se”, e os observa com um olhar sonhador.


Larica: Acho que eu estou cada vez mais perto desse sonho…


O Sol começa a se pôr no horizonte. Larica e Viktney se sentam em um banco para descansar, exaustas.


Viktney: Meu Deus, Larica! Como você aguenta fazer isso todo dia? Eu to morta já.


Larica: E normalmente eu fico mais tempo, viu? Mas, com a sua ajuda, hoje as vendas foram bem mais rápidas.


Viktney: Mas você pretende ficar vendendo bolo desse jeito ambulante por muito mais tempo?


Larica: Não, Viktney. Já já eu chego no meu objetivo de abrir um negócio fixo bem movimentado no centro da cidade…


Larica encara um prédio do outro lado da rua. Ela larga suas coisas no banco junto de Viktney e atravessa a rua, olhando o local mais de perto. É um prédio em bom estado, vazio, com uma grande vidraça na fachada e uma placa grande escrita “VENDE-SE OU ALUGA-SE”. Larica toca o vidro, olhando o interior do local.


Larica (sonhadora): É perfeito…


Seus olhos brilham enquanto ela imagina tudo: a vitrine com seus lindos bolos em exposição, as mesas cheias de clientes comendo suas delícias e os funcionários passando com bandejas ao mesmo tempo que ela cuida do seu negócio. Seu sonho é interrompido por uma buzina de carro ensurdecedora nas suas costas, assustando a mocinha.


Larica: PRA QUE ESSE ESCÂNDALO, IMBECIL?


Motorista: NÃO É COM VOCÊ, BOLEIRA DESGRAÇADA!


Larica: COMO É? AH NÃO, AGORA VOCÊ VAI VER!


Larica anda com raiva na direção do carro, mas ele acelera antes que ela chegue e vai embora.


Larica: FOLGADO!


Larica olha pro outro lado da rua e, coincidentemente, vê Maria de Fafá andando pela calçada.


Larica: MARIA DE FAFÁ! MARIA DE FAFÁ, MINHA FILHA, ESPERA AÍ QUE EU PRECISO FALAR COM VOCÊ!


Larica atravessa a rua correndo, se metendo na frente dos carros que freiam bruscamente e buzinam. Fafá nota sua mãe correndo em sua direção, esconde o rosto com a sua bolsa e começa a andar mais rápido.


Maria de Fafá: Ai meu Deus! Que vergonha pai amado.


Larica alcança a filha e a segura pelo braço.


Larica: Que isso, menina? Deu pra fugir de mim agora?


Maria da Fafá: Estou com pressa, tenho coisas a fazer.


Larica: Nem apareceu no velório do seu pai, filha desnaturada você, ein!


Maria de Fafá: E o que isso importa.


Larica: Realmente… agora que ele se foi, não importa mais. Mas eu não te parei pra falar isso, o que eu tenho para te dizer é rápido.


Maria de Fafá: Então fala logo! Não quero ficar perdendo meu tempo aqui com você, no meio da rua.


Larica (encarando a filha): Como você é a única herdeira do seu pai, tudo que era dele passa a ser seu. Eu to com algumas coisas dele lá em casa e ainda tem a chave da casa dele.


Maria de Fafá começa a rir com desdém da cara de Larica.


Maria de Fafá (rindo): Herdeira? Herdeira de um monte de tralhas e trapos? Acha mesmo que alguma coisinha que tenha pertencido a ele me interessa?


Larica: Maria de Fafá, tem uma mala com algumas coisas-


Maria de Fafá: Mas era só o que me faltava. Vou te dar uma dica muito mais útil para dar um fim mais digno, taca gasolina e risca um fósforo. Nada do que ele tenha me interessa, eu já falei! Era só isso mesmo?


Larica (estupefata): Não… Era só isso mesmo.


Maria de Fafá: Então, passar bem!


Maria de Fafá coloca seus óculos escuros e segue seu caminho. Larica permanece estática no mesmo lugar, sem reação. Viktney chega por trás da mocinha.


Viktney: Vish, reencontrou a sucurizinha?


Larica: Acho que a memória de uma pessoa nunca foi tão desvalorizada como hoje. Ela não merecia um pai que nem o Cubinho. Que Deus o tenha… Vamos embora, querida.


As duas recolhem suas coisas e vão embora.


(CENA 08: CASA DE BUCÊ/INT./NOITE)


Larica chega em casa junto de Viktney, as duas exaustas. Larica se senta no sofá, passando a mão pela testa.


Larica: Ui, tô exausta! Os bico do peito estão até suados. 


Viktney: Ai, Larica da Paz… tô até agora pensando no que sua filha fez.


Larica: Bom, como eu disse um dia, não tenho mais filha. Aquelas duas lá morreram pra mim junto com meu pai. Eu prometi e tenho que cumprir. Se uma vez elas me renegaram, acho que é justo eu fazer o mesmo. Um dia elas vão voltar rastejando diante de mim, e eu não vou poupá-las. (Larica se levanta) Bom, vou tomar um banho. Se o Ivanlac chegar, peça a ele para subir, por favor. Preciso conversar com ele.


Dona Bucê: Claro, Larica, querida, suba, e tome seu banho. A gente avisa ele.


Viktney: É claro, eu falo pro gost- Quer dizer, pro seu namorado.


Larica anda em direção às escadas e sobe. Corta para ela no banheiro tomando banho e pensando em tudo o que aconteceu na sua vida nos últimos dias. Ivanlac abre a porta e observa a amada. Ele adentra e tira as roupas, entrando no box e surpreendendo Larica.


Larica: Credo, que delícia! O que é isso me cutucando?


Os dois começam a se beijar intensamente ao som de “Caju - Liniker”. Corte. No próximo take, os dois já estão se vestindo ao lado da cama, Larica acariciando os peitos de Ivanlac enquanto o pau dele fica duro. 


Ivanlac: Bora? 😏


Larica: De novo não! Ivanlac, tem uma coisa mais importante agora do que chupar seu amendoim. A mala que o Cubinho deixou, precisamos abrir ela. Queria ver se não tem alguma coisa para doação, sabe? Acho um pecado deixar as roupas abandonadas assim nas mãos do tempo. Se bem que o coitado só tinha consolo e dildo. 


Ivanlac: Ué, então vamos. Cadê essa mala? 


Larica (levantando e abaixando): Tá aqui ó, debaixo da cama. Me ajuda a pegar ela.


Os dois puxam a mala e se ajoelham perante ela. Eles ficam se encarando, enquanto olham a mala.


Larica: Tá um pouco pesada pra ter só dildo e consolo…


Ivanlac: Deve ser consolo de pedra.


Ivanlac pega uma coisa para quebrar o cadeado e consegue violar a mala. Larica abre, os dois começam a retirar o que tem dentro, até que…


A câmera foca nos rostos de Larica e Ivanlac. 


Ivanlac: Larica da Paz, isso é…


Os dois ao mesmo tempo, se encarando: DINHEIRO!!!


O instrumental cresce, a cuíca aparece, a câmera alterna entre eles e foca em Larica sorrindo.


CONGELAMENTO EM LARICA E IVANLAC.



ENCERRAMENTO