A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 14 (26/10/2026)


 A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 14

criada e escrita por

SINCERIDADE 


CENA 01: RUA/EXT./TARDE


INSTRUMENTAL: ERIKA - DANIEL MUSY, RAFAEL LANGONI 

Sem prestar atenção ao caminho, Brígida esbarra com força em Melina. O celular quase escapa de sua mão, enquanto Melina dá alguns passos para trás.

MELINA: Ei! Olha por onde anda!

Brígida ergue os olhos e reconhece Melina. A expressão de susto logo dá lugar ao desagrado.

BRÍGIDA: Mê! Quanto tempo! Eu pensei e gostaria que você tivesse sumido da face da Terra.

As duas se encaram. A câmera intercala entre elas.

MELINA (séria): Dá licença que eu tenho mais o que fazer. 

Melina tenta passar, mas Brígida a agarra em seu braço.

BRÍGIDA: Mê… tá com medinho de mim, é? Cê sabe que eu não mordo.

Melina tenta se desvencilhar, mas Brígida continua segurando seu braço. Tiffany se aproxima, incomodada.

MELINA: Me solta, Brígida!

BRÍGIDA (soltando-a, com um sorriso debochado): Nossa! Que mau humor! Ainda tá estressadinha por ter sido demitida da minha casa? Só pra te avisar, eu não tenho culpa se você é uma mocinha temperamental que não sabe controlar sua inveja. (P) E eu ainda não esqueci daquele empurrão que você me deu na piscina, ouviu bem? Vai ter volta!

MELINA (irônica): Ah, é? Vai ter volta? Tô morrendo de medo! Brígida, você não consegue nem andar na rua sem falar com o celular. Vai fazer o quê? Gravar um vídeo me xingando e pedir pros seus Briguidinhos resolverem o problema pra você?

BRÍGIDA: Você continua a mesma insolente! Foi por isso que eu te demiti! Você não sabe respeitar ninguém, não sabe obedecer e ainda se acha no direito de me enfrentar dentro da minha própria casa!

MELINA Querida, você me contratou pra trabalhar, não pra ser sua escrava! Eu não ia ficar aguentando suas humilhações calada. 

TIFFANY: Melina, acho melhor a gente ir embora...

BRÍGIDA (ignorando Tiffany): Eu vou acabar com a sua raça, ouviu bem? Você não perde por esperar. Eu tenho contatos, tenho influência e tenho milhares de seguidores que me acompanham nas redes... você sabe. Basta eu abrir a boca pra acabar com essa sua vidinha medíocre!

MELINA (encarando-a): Então abre! Vai lá, faz um vídeo, um story, inventa uma história, chora pra câmera, usa camiseta branca. Você pode ter milhares de seguidores, Brígida, mas isso não muda o fato de que você é uma mulherzinha mimada que acha que pode comprar todo mundo. 

BRÍGIDA: Olha aqui sua...

MELINA: E sabe o que é melhor? Enquanto você perde seu tempo tentando me ameaçar, eu tô trabalhando! Eu e a Tiffany conseguimos uma oportunidade maravilhosa. Vamos fazer o buffet da festa de aniversário da Lubiju!

Brígida fica surpresa.

BRÍGIDA: Como é que é?

MELINA (com um sorriso provocador): Isso mesmo! Nós vamos preparar os pratos da festa da Mimi. Uma festa enorme, cheia de convidados importantes. E o nosso trabalho vai estar lá, sendo servido pra todo mundo ver!

BRÍGIDA (furiosa): Eu espero que essa festa seja um fracasso! Que a comida de vocês azedem, que os ratos mijem nas bebidas, que ninguém goste de nada e que você passe a maior vergonha da sua vida! Você não merece essa oportunidade nem aqui, nem na China!

TIFFANY: Olha o que você tá falando, garota!

BRÍGIDA: Eu falo o que eu quiser! E você, Melina, pode ter certeza de que eu não vou esquecer daquele empurrão. Você ainda vai me pagar por tudo!

MELINA: Pois espera sentada, porque em pé você já está me dando trabalho demais.

BRÍGIDA (aos gritos): EU VOU ACABAR COM VOCÊ!

MELINA: Então vem!

Melina, tomada pela raiva, dá um tapa no rosto de Brígida. Tiffany leva as mãos à boca, assustada.

TIFFANY: Melina! Você ficou maluca?! Meu Deus do céu!

Brígida leva a mão ao rosto, incrédula. Em seguida, encara Melina com ódio.

BRÍGIDA: Você me bateu, sua vagabunda?!

MELINA: Bati! E, se continuar me ameaçando, eu bato de novo!

Brígida revida com um tapa no rosto de Melina. Melina cambaleia um passo, mas logo avança contra ela.

TIFFANY: Parem! 

BRÍGIDA: Você vai aprender a não mexer comigo!

As duas se agarram, trocando empurrões e puxões de cabelo. Tiffany tenta separá-las, segurando Melina pelos ombros, mas as duas estão tomadas pela fúria. Pessoas passam olhando, mas não se metem.

TIFFANY: CHEGA! VOCÊS VÃO ACABAR SE MACHUCANDO!

BRÍGIDA: Me solta, garota! Eu vou acabar com essa infeliz!

MELINA: Eu já disse que não tenho medo de você!

Brígida tenta avançar novamente, mas Tiffany consegue afastar Melina e se coloca entre as duas.

TIFFANY: Acabou! Melina, vamos embora!

MELINA (apontando para Brígida): Isso não vai ficar assim, ouviu? Da próxima vez, pense duas vezes antes de abrir essa sua boca pra me ameaçar!

BRÍGIDA (arrumando os cabelos, furiosa): Você vai se arrepender amargamente, sua… sua pobretona! Eu vou fazer da sua vida um inferno!

MELINA (sarcástica): Ah, jura? Jura, Brígida? Então tá… eu vou fazer questão de esperar esse inferno.

Tiffany puxa Melina pelo braço e a conduz para longe. Melina ainda lança um último olhar de desprezo para Brígida, que permanece parada na calçada, fervendo de ódio.

BRÍGIDA: Desgraçada! Você vai pagar caro por isso, Melina. Vai pagar muito caro! Chega, cansei de bancar a boazinha!

Brígida pega o celular, mas, dessa vez, não consegue sequer pensar em gravar. Seu rosto está vermelho de raiva. Ela observa Melina se afastar e aperta o aparelho com força.

CENA 02: LUBIJU/INT./TARDE

SONOPLASTIA: PRA VOCÊ GUARDEI O AMOR - NANDO REIS, MARISA MONTE

Gael está sentado à mesa, analisando alguns documentos, mas logo se distrai ao lembrar do encontro com Melina na entrada da Lubiju. 

FLASHBACK - INÍCIO 

GAEL: Bom, você poderia me passar seu número?

MELINA (arregala os olhos): Oi?

GAEL: Pra encomendar salgados, ué! (ri) Você achou que eu tava querendo o quê?

MELINA (sem graça, ri): Nada! Eu não achei nada!

FLASHBACK - FIM

Um sorriso surge no rosto do mocinho. Ele pega o celular, abre o aplicativo de mensagens e, em seguida, acessa a foto de Melina. Pensa em enviar um simples “Olá”, mas acaba apagando a mensagem antes de enviá-la.

GAEL (para si, sorrindo): Melina, Melina... Essa garota é uma figura!

Ele desliga o celular e tenta voltar ao trabalho, mas o sorriso permanece em seu rosto. 

HORAS DEPOIS…

CENA 03: CASA DE JURACI E MELINA/INT./FIM DE TARDE 

Juraci está na sala, inquieta, andando de um lado para o outro. De vez em quando, olha para o relógio, esperando a chegada de Melina e Tiffany. Quando finalmente escuta a porta se abrir, corre para recebê-las, tentando disfarçar a ansiedade.

JURACI: Até que enfim! Pensei que vocês não fossem chegar nunca! E aí? Como foi lá? A tal da Mimi gostou dos pratos ou inventou alguma desculpa pra dispensar vocês?

Melina troca um olhar com Tiffany, que percebe imediatamente a intenção da amiga de provocar a tia.

MELINA: Olha, tia... Foi uma experiência e tanto…

JURACI: Experiência? Boa ou ruim? 

MELINA: A gente foi muito bem recebida, os pratos foram experimentados, todo mundo elogiou, principalmente ela, a Mimi...

JURACI: Mas vocês conseguiram ou não conseguiram?

MELINA: Conseguimos, tia! A gente passou na degustação! Vamos fazer o buffet da festa de aniversário da Lubiju!

Juraci fica imóvel. O sorriso desaparece de seu rosto, e ela se senta lentamente no sofá, com a expressão fechada.

MELINA: Eu já esperava que a sua reação fosse essa. 

JURACI: Eu não acredito que você fez isso comigo, Melina. 

MELINA: Fez o quê, tia? Conseguiu um trabalho? Porque, até onde eu sei, era justamente isso que a gente estava precisando. Não era?

JURACI: Você sabe muito bem do que eu tô falando! Eu pedi pra você não se aproximar daquela gente!

MELINA: Você não pediu, não! Você praticamente me proibiu! Só que eu não sou mais criança, tia. Eu tenho meus objetivos, tenho meus sonhos e não vou jogar uma oportunidade dessas fora porque você cismou com a dona Mimi!

JURACI: Cismou?! Você não sabe de nada, Melina! Não sabe quem aquela mulher é, não sabe do que ela é capaz e muito menos o que pode acontecer quando você começa a se aproximar demais de gente como ela!

MELINA: Então me explica! Porque a senhora nunca explica nada! Só manda eu ficar longe, faz cara feia e espera que eu obedeça sem questionar. Eu tô cansada disso!

JURACI: Eu faço isso porque me preocupo com você!

MELINA: Eu agradeço, mas preocupação não pode virar uma prisão! Eu quero crescer, quero fazer o buffet dar certo, quero estudar Gastronomia e construir alguma coisa minha. Qual é a dificuldade de entender? 

JURACI: E precisa ser justamente com a Lubiju? Tem tantas empresas, tantos eventos, tantos clientes que vocês poderiam procurar.

MELINA: Foi a oportunidade que apareceu! E, sinceramente, a gente foi muito bem tratada. A dona Mimi gostou dos nossos pratos, elogiou nosso trabalho e nos deu uma chance. Não vou inventar defeito onde não tem só porque você não gosta dela.

JURACI: Pois eu não quero saber! Se depender de mim, não vou colocar os pés naquela festa!

MELINA: Tudo bem! Você não é obrigada a ir. Mas eu vou, e a Tiffany também. A gente dá conta de preparar os pratos e servir os convidados. Só tem uma coisa: se você não participar, o lucro vai ser exclusivamente nosso. Afinal, seremos nós duas que vamos trabalhar!

Juraci encara a sobrinha, ofendida com a resposta.

JURACI: Como é? Você tá usando o meu próprio buffet pra me desafiar?

MELINA: Sim. 

JURACI (respira fundo): Tá… está bem, eu participo. Não vou deixar vocês sozinhas. (P) Melina, olha pra mim! Você promete pra mim, que depois dessa festa, você nunca mais vai falar com aquela gente?

Melina franze a testa, sem acreditar no que acabou de ouvir.

MELINA: Não tô acreditando no que eu acabei de ouvir… é sério mesmo que a senhora insiste nisso? Tia, eu não sei o que vai acontecer depois dessa festa. Pode aparecer novas oportunidades, pode ser que aconteça da gente voltar lá de novo a trabalho… eu não vou prometer uma coisa que talvez não vou conseguir cumprir. 

JURACI: Então é isso? Você prefere aquela gente do que eu?

MELINA: Olha, eu não vou ficar aqui escutando essas asneiras não, tá? Dá licença.

Aborrecida, Melina pega a bolsa e segue para o quarto.

JURACI: Melina! Eu ainda não terminei de falar com você!

TIFFANY: Dona Juraci, respira um pouquinho. Não adianta ficar assim, você só vai acabar passando mal.

JURACI: Você não entende, Tiffany. Eu não tô preocupada com a festa, com o dinheiro ou com o trabalho… Eu tô preocupada com a Melina!

TIFFANY: Relaxa, dona Juraci. É uma só festa, não é o fim do mundo. A gente vai trabalhar, entregar tudo direitinho e voltar pra casa. Vai dar tudo certo.

JURACI (preocupada): É justamente isso que me assusta, Tiffany. Você não faz ideia do que essa festa pode mudar na vida dela.

UM DIA DEPOIS…

Ao som de “Bonekinha - Glória Groove”, são exibidas imagens de São Paulo, destacando o movimento intenso das ruas, os edifícios e o trânsito da cidade. 

CENA 04: PADARIA/INT./MANHà

Lili está sentada a uma mesa, aguardando por alguém. Ela olha o celular diversas vezes, disfarçando a impaciência, até que Mimi aparece apressada, ajeitando a bolsa no ombro.

MIMI: Ai, Lili, amore! Mil desculpas pela demora! Você não faz ideia do que aconteceu comigo essa noite!

LILI: Aconteceu algo grave, Mimi?

MIMI: Um desastre doméstico, minha filha! Eu fiz xixi na cama!

Lili arregala os olhos, surpresa. Mimi se senta diante dela.

LILI: Como assim?!

MIMI: Pois é! Eu estava sonhando que a Eleonora era um dinossauro! Mas não era um dinossauro qualquer, não, amoreco. Era um dinossauro normal, porém com a cara daquela criatura! Aí, no meio do pesadelo, aconteceu a tragédia. Acordei com a cama toda molhada! Você acredita numa coisa dessas?

Lili não consegue segurar o riso.

LILI: Desculpa, Mimi! É que eu nunca imaginei que alguém pudesse ter um pesadelo tão específico!

MIMI: Aquela mulher me persegue até nos meus sonos mais profundos, é impressionante. Se eu contar isso pra Bebel, ela vai rir até amanhã. Mas, enfim, não vamos desperdiçar nossa manhã falando daquela coisa. A Eleonora já ocupa espaço demais na minha vida!

Mimi ajeita os cabelos e abre um sorriso para Lili.

MIMI: E você, mocinha? Como está? Tudo pom?

LILI: Tudo ótimo, Mimi! E você, tirando esse pequeno incidente noturno?

MIMI: Estou maravilhosa! Afinal, problemas acontecem, mas uma mulher como eu não pode se deixar abater por um colchão molhado. A vida continua, chuchu!

Lili sorri.

MIMI: Aliás, foi justamente por isso que eu quis te encontrar. Tenho um convite muito especial pra te fazer.

LILI: Um convite?

MIMI: Isso mesmo! Como você já deve saber, mocinha, eu vou fazer um festão pra Lubiju comemorar os vinte e cinco anos! Vai ser um acontecimento, uma noite de puro charme, glamour e sofisticação. Quero gente importante, imprensa, convidados tops de linha... Tudo do jeito que a minha loja merece!

LILI: Ah, eu ouvi falar por alto. Imagino que vá ser uma festa linda!

MIMI: Linda? Vai ser histórica, querida! E por você ter me ajudado aquele dia, acho que é mais do que justo ter você lá comigo. 

LILI (surpresa): Nossa, Mimi... Fico muito feliz com o convite, de verdade. Mas eu não sei se vou conseguir ir. 

MIMI: Como assim? Você tem algum compromisso?

LILI: É que eu não tô acostumada a frequentar esses lugares, sabe… mal tenho roupas…

MIMI: Ah, não, não, não! Nem ouse usar isso como desculpa. Você acha que eu vou deixar alguma convidada minha falar a uma festa por causa de roupa? Nunca! 

Mimi pega a bolsa e se levanta, decidida.

MIMI: Vem!

LILI (sem entender): Pra onde? Socorro!

MIMI: Você vai ver, linda.

As duas saem da padaria.

CENA 05: FACULDADE - PÁTIO/EXT./MANHà

Inverno está sentada no banquinho do pátio, mexendo no celular. De repente, Paulinha surge ao lado dela e se senta, animada.

PAULINHA: Inverno! Você não sabe o que eu tenho pra te contar.

INVERNO: O que foi? Aconteceu alguma coisa?

PAULINHA: Aconteceu!

Paulinha abre o bolso de sua mochila e retira dois papéis de tamanho pequeno. Sorrindo, ela mostra para Inverno, que fica sem entender.

INVERNO: O que é isso?

PAULINHA: É um ingresso. Aliás, dois! Eu comprei esses ingressos pra mim, e pra você.

INVERNO: Ingresso? Você gosta de teatro?

PAULINHA (ri): Ai, como você é ingênua, amiga! Esses ingressos são pra um show hoje à noite. Eu quero muito que você vá comigo. 

INSTRUMENTAL: TENSO 2 - SACHA AMBACK, ROGÉRIO VAZ

INVERNO: Hoje à noite? Não vai dar, Paulinha. Sinto muito.

PAULINHA: Como assim? Poxa, amiga, eu contei tanto com a sua companhia… não quero ir sozinha.

INVERNO: É que hoje tem a festa de aniversário da loja da minha mãe. A Lubiju vai fazer vinte e cinco anos, e ela está preparando um evento enorme. Eu não posso simplesmente desaparecer justo hoje.

PAULINHA: Ah, é verdade... A festa da sua mãe.

INVERNO: Pois é. Vai ter um monte de gente importante, imprensa, convidados... E, sinceramente, eu nem estou com vontade de ir. Mas, se eu não aparecer, minha mãe vai fazer um escândalo.

PAULINHA: Então você vai fazer o quê lá? Ficar trancada no quarto enquanto todo mundo se diverte?

Inverno olha para a amiga, incomodada.

INVERNO: Não é bem assim…

PAULINHA: Não? Inverno, você mesma me contou como sua mãe reagiu quando você tentou falar sobre o que estava acontecendo na faculdade. Você sofreu, ficou semanas sem aparecer nas aulas, e ela praticamente mandou você esquecer o assunto e seguir em frente como se fosse banal.

INVERNO: Eu sei, mas ela é minha mãe. Apesar de tudo, eu não quero arrumar outra briga com ela.

PAULINHA: E eu não tô dizendo pra você brigar com ninguém! Só acho que você também tem direito de se divertir. Você vive tentando agradar todo mundo, Inverno. Uma vez na vida, podia fazer alguma coisa por você mesma.

INVERNO: Mas eu nem sei que show é esse! Você ainda não me contou.

PAULINHA (sorrindo, misteriosa): Porque eu quero fazer uma surpresa! Só posso te garantir uma coisa: você vai amar!

INVERNO: Paulinha, você está me deixando curiosa. Pelo menos me diz quem vai cantar!

PAULINHA: Não! Se eu contar, perde a graça. Confia em mim, amiga. Vai ser uma noite incrível!

Inverno hesita, olhando para o ingresso que Paulinha volta a lhe oferecer, mas sem conseguir ver os detalhes. Ela fica pensativa. Aos poucos, a curiosidade começa a vencer a preocupação.

INVERNO: Tá bom... Eu vou.

Paulinha abre um sorriso satisfeito.

PAULINHA: Sabia! Você não vai se arrepender!

INVERNO: Mas você vai me contar onde é esse show antes da gente sair de casa, né?

PAULINHA: Não, né, amiga. Eu quero fazer surpresa, já disse. Você não vai se arrepender.

Paulinha abraça Inverno, disfarçando a satisfação. Inverno sorri, sem desconfiar das verdadeiras intenções da colega.

CENA 06: LOJA DE ROUPAS/INT./MANHà

SONOPLASTIA: BONEKINHA - GLÓRIA GROOVE 

A loja é sofisticada, com araras de vestidos elegantes, espelhos enormes e atendentes circulando pelo ambiente. Mimi está sentada em um sofá, observando tudo com olhar criterioso é um champanhe em mãos, enquanto Lili sai do provador usando um vestido longo.

MIMI: Hum... Não! Ficou bonito, mas está faltando alguma coisa. Achei sem sal…

Lili se olha no espelho, um pouco insegura. No próximo take, ela aparece com outro vestido.

LILI: Você achou esse exagerado?

MIMI: Exagerado? Amoreca, isso não é um vestido. É uma cortina de banheiro. Olha só esses desenhos… horrível!

A atendente se aproxima com outra opção.

ATENDENTE: Talvez este modelo agrade à senhora. É uma das peças mais exclusivas da coleção.

Mimi examina o vestido e faz um gesto para Lili.

MIMI: Esse! Vai experimentar, amore. Quero ver como fica no corpo.

Lili volta ao provador. Alguns instantes depois, aparece com um vestido elegante, de corte impecável. Mimi se levanta imediatamente.

MIMI: Agora, sim! Olha isso! Lili, você está deslumbrante!

Lili aprecia o próprio reflexo, fingindo surpresa.

LILI: a senhora gostou mesmo?

MIMI: Se eu gostei? Eu estou apaixonada! Esse vestido foi feito pra você. Tem elegância, tem personalidade e não precisa dizer ‘cheguei’. É exatamente o que uma mulher precisa numa ocasião dessas.

LILI: Eu nem sei como agradecer. Você está fazendo tanta coisa por mim...

MIMI: Não precisa agradecer, amore.

No próximo take, elas estão passando a compra e saindo da loja, com sacolas chiques em mãos. Lili agradece Mimi pela paciência, se faz de vítima e vai embora.

HORAS DEPOIS…

A música tema de Lili continua tocando, enquanto mostramos várias imagens de São Paulo, cortando para a Brasilândia em seguida.

CENA 07: CASA DE JURACI E MELINA/INT./TARDE 

Melina, Juraci e Tiffany estão na cozinha, cercadas por travessas, panelas e caixas de ingredientes. As três se organizam para preparar o buffet da festa de aniversário da Lubiju. Melina confere uma lista de encomendas, enquanto Tiffany separa os utensílios e Juraci supervisiona o trabalho, atenta a cada detalhe.

JURACI: Tiffany, confere mais uma vez se não está faltando nada. Eu não quero chegar naquela festa e lembrar que esqueci ingredientes.

TIFFANY: Já conferi duas vezes, dona Juraci! 

MELINA (sorrindo): Deixa, Tiffany. Minha tia só tá nervosa porque quer que tudo saia perfeito.

JURACI: Eu não estou nervosa! Estou preocupada com o nosso trabalho. É diferente… já que você insistiu tanto, né…

MELINA: Insisti e sigo firme na minha decisão! Para de reclamar e vê o lado bom da vida tia. Amanhã estaremos com a conta cheia de grana.

Elas riem.

CENA 08: MANSÃO FONTANARI/INT./TARDE

A mansão está movimentada. Empregados circulam pelos corredores, enquanto roupas, sapatos e acessórios estão espalhados pelos quartos. A família Fontanari se prepara para o grande evento da Lubiju. No quarto, Mimi está diante do espelho, sendo auxiliada por uma maquiadora. Ela observa o próprio reflexo com satisfação, usando um vestido sofisticado e joias chamativas.

MIMI: Esse iluminador precisa aparecer, meu amor! Eu quero entrar naquela festa e fazer os flashes dos fotógrafos parecerem fogos de artifício!

A maquiadora sorri, continuando o trabalho.

MIMI: E vê se não pesa muito na sombra. Eu quero um olhar marcante, não um pré Carnaval.

MAQUIADORA: Claro, lindinha (pensamento) Essas maquiagens não tão dando resultado, socorro. Coitada.

Do outro lado da mansão, Primavera termina de se arrumar, enquanto Verão está jogado na cama, sem se preocupar com nada. Inverno, por sua vez, está diante do guarda-roupa, olhando as próprias roupas sem demonstrar entusiasmo.

PRIMAVERA: Inverno, você ainda não escolheu o vestido? A gente precisa escolher logo! 

INVERNO: Estou escolhendo, Primavera.

PRIMAVERA: Pois escolha alguma coisa bonita! Hoje é uma noite importante pra nossa mãe.

Inverno não responde. Seu olhar se desvia para o celular, lembrando-se do convite misterioso de Paulinha para o show. No quarto de Mimi, a socialite se levanta e admira o resultado no espelho. Satisfeita, ela caminha até a porta.

MIMI: Agora, sim! A Lubiju vai comemorar vinte e cinco anos em grande estilo. E ninguém vai roubar o brilho da minha noite! Estou uma chuchuzinha. Olha só o que você perdeu, Santiago… Sorry.

CENA 09: HOTEL ROSEWOOD/INT./TARDE 

Vestindo a roupa que Mimi lhe deu, Lili se olha diante do espelho, satisfeita. Otávio aparece atrás, assoviando.

LILI (revirando os olhos): Para de ser idiota! 

OTÁVIO: Você tá de parabéns, uma verdadeira lindeza. Pena que é ordinária.

LILI: Ai cala essa sua boca! Gostou do vestido? Foi a Mimi que me deu.

OTÁVIO: Como é que é? 

LILI: Isso mesmo que você ouviu! A madame gostou tanto de mim que me convidou pra festa da Lubiju e ainda me levou pra comprar um vestido. Chique, né?

OTÁVIO: Peraí, você quer dizer que a mulher te deu essa roupa de presente? Assim, de graça?

LILI: Não, Otávio. Ela me cobrou uma fortuna e eu estou aqui experimentando porque adoro jogar dinheiro no lixo! Claro que foi de graça, seu imbecil!

OTÁVIO: E você vai fazer o quê nessa festa? Ficar sorrindo e agradecendo pelo vestido?

LILI: Vou fazer exatamente o que precisa ser feito: conquistar a confiança dela. Quanto mais próxima eu ficar, mais vou conhecer a família, os hábitos, os problemas, os meus irmãos (ri)... Tudo aquilo que pode ser útil pra gente.

Otávio cruza os braços, avaliando a companheira.

LILI: Aliás, você deveria aparecer nessa festa também. 

OTÁVIO: Ficou maluca? Todo mundo iria desconfiar que a gente tá junto nesse plano.

LILI: Para de ser frouxo. Você já foi na loja conversar com a velha, não já? Aparecendo lá, de surpresa, iria fazer ela resplandecer. Ninguém vai desconfiar de nada.

OTÁVIO: Ah, e você esperou até agora pra me dizer isso? Eu não tenho roupa!

LILI: Dá seu jeito. Eu só sei que hoje eu não saio daquele casa sem descobrir alguma coisa que nos beneficie.

Maléfica, ela olha para seu próprio reflexo no espelho, séria.

CENA 10: MANSÃO DE BRÍGIDA/INT./TARDE

INSTRUMENTAL: ÉRIKA - DANIEL MUSY, RAFAEL LANGONI 

Brígida está diante do espelho, terminando de se maquiar. Sobre a cama, algumas opções de roupas estão espalhadas. Ela pega o celular e abre uma foto de Melina nas redes sociais. Seu rosto se fecha ao se lembrar da briga que tiveram na rua.

BRÍGIDA: Ah, Mê... Você achou mesmo que podia me dar uma surra e sair por aí como se nada tivesse acontecido? Pois você vai aprender que não se mexe com Brígida Marques! 

Ela dá zoom na foto de Melina na tela e sorri, maliciosa.

BRÍGIDA: E nada melhor do que uma festinha cheia de gente importante pra você passar o maior mico da sua vida!

Brígida abre a agenda do celular e procura um contato. Em seguida, liga para Mimi. A chamada é atendida.

MIMI (ao telefone): Alô?

BRÍGIDA (mudando o tom): Mimi, minha linda, cheirosa! É a Brígida Marques! Tudo pom com você, amore?

MIMI: Brígida! Que surpresa, amada! Tudo ótimo! Estou numa correria danada por causa da festa da Lubiju… mas estou uma gata.

BRÍGIDA: Imagino! É justamente por isso estou ligando. Pensei que a gente pudesse fazer uma parceria, sei lá… Eu adoraria produzir algumas publis da festa, mostrar os bastidores, os detalhes da decoração, os looks dos convidados... Você sabe como meus Briguidinhos adoram acompanhar eventos exclusivos!

MIMI: Mas isso é uma excelente ideia! Uma divulgação nas redes sociais pode ajudar muito a Lubiju. E você tem um público enorme, não é mesmo?

BRÍGIDA: Enorme, Mimi! E N O R ME! Eu posso fazer stories antes da festa, durante e depois… vai ser um sucesso!

MIMI: Então está combinado, amore! Você está mais do que convidada. E faça suas publis à vontade, viu? Chame aquele pessoal da lacreplus também, adoro eles!

BRÍGIDA: Pode deixar comigo! Você não vai se arrepender.

MIMI: Um beijinho, minha querida! Até mais tarde!

BRÍGIDA: Beijo, Mimi!

Brígida encerra a ligação. O sorriso simpático desaparece de seu rosto imediatamente.

BRÍGIDA: Publis, é claro! Vou fazer a maior divulgação da vida da Mimi... E também vou garantir que a Melina nunca mais esqueça essa noite!

Ela se senta diante do computador e começa a pesquisar na internet. Depois de alguns instantes, encontra imagens de produtos que chamam sua atenção: laxantes e um spray de odor desagradável, anunciado como capaz de reproduzir cheiro de pum.

BRÍGIDA: Maravilha!

Ela abre uma página de compras e examina os produtos, soltando uma risadinha.Ela pega o celular e faz o pedido dos produtos. Logo depois, recebe a confirmação da compra e verifica a opção de retirada imediata.

BRÍGIDA: Prontinho! Vou buscar isso agora mesmo.

Ela se levanta, pega a bolsa e caminha em direção à porta, satisfeita com a ideia de se vingar de Melina.

BRÍGIDA: Aproveita enquanto pode, Mê. Hoje à noite, você vai desejar nunca ter mexido comigo. Uirrrr.

SONOPLASTIA: DREAM - JOHN PIZZARELLI, MARTIN PIZZARELLI, DON SEBESKY 

Ao som da música acima, cortamos para imagens aéreas de São Paulo e em seguida, para a mansão Fontanari.

CENA 11: MANSÃO FONTANARI - JARDIM/EXT./NOITE

O jardim da mansão está deslumbrante. Uma longa passarela de tapete vermelho conduz à entrada, rodeada por arranjos de flores, iluminação sofisticada e fotógrafos posicionados para registrar a chegada dos convidados. A música citada acima embala o ambiente, enquanto empresários, socialites, influencers e personalidades começam a ocupar o espaço. Os flashes se intensificam quando Mimi surge no alto da pequena escada da entrada, usando um vestido luxuoso. Ela acena para os convidados e desce sorridente, mas acaba tropeçando no próprio vestido. Sem que alguém veja, Inverno sai escondida da mansão, passando despercebida pelos convidados .

MIMI: Ai!

Mimi se desequilibra, sacode os braços e tenta se equilibrar. Por um instante, fica imóvel, tentando recuperar a pose. Logo, abre um sorriso e continua descendo como se nada tivesse acontecido. Os convidados aplaudem. Mimi chega ao tapete vermelho e manda beijos para os fotógrafos.

MIMI: Muito obrigada, amorecos! Obrigada! Tank you! Gracias! Merci! 

Ela para diante das câmeras, vira o rosto para um lado e para o outro e exibe o vestido, fazendo poses exageradas 

MIMI: Vinte e cinco anos de Lubiju! E olha só pra mim! Tô uma leoa, não tô? Se eu estou assim hoje, imagina quando a marca completar cinquenta anos? 

Cortamos para a cozinha da mansão. Melina e Juraci terminam de organizar as bandejas de salgados, enquanto Tiffany confere os últimos itens da lista e ajeita os pratos para a cerimônia. Melina observa a quantidade de comida preparada e respira aliviada.

MELINA: Acho que agora está tudo pronto. Os salgados estão separados, os pratos principais já estão encaminhados e as sobremesas estão aqui, quietinhas só esperando a hora da barriga pedir doce.

TIFFANY: Duvido que esse povo chique gostem de doce. Eu quero mais é que eles esnobem as sobremesas pra gente levar tudo pra casa.

JURACI (ri): Deus te ouça!

As três riem.

MELINA: Bem, já que tá tudo pronto, acho que a gente já pode levar as bebidas pro jardim e ajudar a servir os convidados.

TIFFANY: Então vamos logo!

Melina e Tiffany pegam as bandejas de bebidas. Juraci confere uma última vez a bancada e acompanha as duas até a saída.

MELINA: Vamos lá, galera mulheres! Girlpower porra!

As três deixam a cozinha, seguindo em direção ao jardim. Alguns instantes depois, Brígida aparece discretamente no corredor. Vestida de rosa e com a bolsa pendurada no ombro, ela olha para os lados, certificando-se de que ninguém está por perto.

BRÍGIDA (baixinho): Pronto. Agora é a minha vez de trabalhar.

Ela entra na cozinha e fecha a porta cuidadosamente. Ao ver as bandejas com os alimentos preparados, abre um sorriso malicioso e coloca a bolsa sobre a bancada.

BRÍGIDA: Vamos ver se a nossa querida Mê vai continuar com essa marra depois dessa festa.

Brígida abre a bolsa e retira os produtos que comprou. Ela observa as bandejas, escolhendo por onde começar, e volta a olhar para a porta, atenta a qualquer barulho no corredor.

BRÍGIDA: Por onde começo? Pelos salgados? Pela sobremesa? São tantas opções!

Ela se aproxima dos alimentos, pronta para colocar seu plano em prática.

CENA 12: MANSÃO FONTANARI - JARDIM/EXT./NOITE

Melina atravessa o jardim apressada, segurando uma bandeja com copos de whisky. Atenta aos convidados, ela tenta passar por um grupo próximo à entrada, sem perceber Lili, que caminha na direção contrária, admirando a decoração. Num momento de descuido, as duas acabam se esbarrando. A bandeja inclina perigosamente e os copos caem no chão, espalhando whisky pela grama e cacos de vidro.

MELINA: Ai, meu Deus! Não acredito!

Lili se assusta e imediatamente se abaixa para ajudar.

LILI: Meu Deus, me desculpa! Eu não estava olhando por onde andava. Você se machucou? 

MELINA: Não, não... tá tudo bem. Só preciso limpar isso antes que alguém pise nos cacos.

Lili se agacha para recolher alguns pedaços de vidro, tomando cuidado para não se cortar.

LILI: Deixa que eu ajudo. Foi culpa minha, me perdoe mesmo…

MELINA: Não precisa, moça. Você é convidada. Eu estou trabalhando aqui…

Lili ergue os olhos para responder, mas sua atenção é desviada para o pescoço de Melina. Por cima da gola do uniforme, ela vê o amuleto com o símbolo de uma fênix, o mesmo que viu nas notícias sobre o desaparecimento de Outono. Lili fica imóvel por um instante. O sorriso desaparece de seu rosto, substituído por uma expressão de surpresa e perplexidade.

LILI: Esse colar...

Melina toca no amuleto.

MELINA: O quê tem ele? 

As duas se encaram. A câmera intercala entre elas.

CENA 13: RUA/EXT./NOITE

Com uma venda nos olhos, Inverno é guiada por Paulinha por uma rua escura e pouco movimentada. As duas caminham lentamente, com Paulinha segurando a mão da amiga e conduzindo-a pelo caminho.

INVERNO: Paulinha, eu já tô começando a me arrepender de ter aceitado esse seu convite. Tô ficando com medo.

PAULINHA (rindo): Ah, para, garota! Você não confia em mim?

INVERNO: Confio, mas você me fez sair de casa sem me contar absolutamente nada, me colocou essa venda e agora está me levando sabe Deus pra onde! No mínimo, eu tenho o direito de ficar desconfiada.

PAULINHA: Ai, que exagero! Relaxa.

Elas continuam andando. Ao longe, é possível ouvir música e vozes, cada vez mais nítidas. Inverno inclina a cabeça, tentando identificar o som.

INVERNO: Peraí... Estou ouvindo música. É aqui que vai ser o show?

PAULINHA: Estamos quase chegando.

INVERNO: Paulinha, fala sério! Que show é esse? Você está me deixando nervosa!

Paulinha para de andar e se posiciona diante dela.

PAULINHA: Pronto, amiga. Chegamos!

Inverno permanece imóvel, enquanto Paulinha começa a desamarrar a venda. Ela finalmente tira a venda dos olhos da amiga. 

INSTRUMENTAL: CHASING 138TH FLOOR - IURI CUNHA

Ao recuperar a visão, Inverno depara-se com um baile funk lotado, cercados por luzes coloridas e por caixas de som que fazem o chão tremer. Uma multidão dança freneticamente, enquanto pessoas gritam e se empurram no meio da agitação. Inverno arregala os olhos, sem acreditar no que está vendo. Perto dali, alguns rapazes dançam exibindo metralhadoras, enquanto outros erguem copos e acompanham o ritmo da música. Moças com roupas curtas dançam em grupos, e casais se beijam por todos os lados, sem se importar com quem está ao redor.

INVERNO: Meu Deus do céu! Paulinha, que lugar é esse?!

Paulinha, ao contrário da amiga, parece completamente à vontade. Ela segura Inverno pelo braço e tenta conduzi-la para dentro da multidão.

PAULINHA: Um baile funk, amiga! Surpresa!

Inverno olha ao redor novamente. Um rapaz passa por elas dançando com uma arma na mão, e ela dá um pulo para trás, agarrando o braço de Paulinha.

INVERNO: Paulinha, aquele homem tá com uma metralhadora!

PAULINHA: Relaxa, querida. O show tá apenas começando! 

A câmera foca em Inverno, assustada.

CONGELAMENTO EM INVERNO.