Ao chegarem na sala, Mimi e Santiago percebem que tudo está em ordem e que o “ladrão” não roubou nada.
MIMI: Mas que ladrão de meia tigela é esse? Ele não se interessou pelo meu tapete persa?
SANTIAGO (preocupado): Mimi, pelo amor de Deus! Isso não é hora pra pensar em tapete. Vamos lá ver como estão as crianças.
INSTRUMENTAL: PERIGO IMINENTE - DANIEL TAUSZIG, JADECO
Eles sobem a escada apressadamente. No próximo take, já estão entrando e vasculhando tudo quanto é cômodo do andar de cima. Ao verem que tudo está em ordem como no primeiro andar, finalmente Mimi e Santiago chegam até o quarto onde estão as crianças. Ao ver que Verão e Primavera estão na cama, Mimi se alivia.
MIMI: Uh… eles estão aqui.
Santiago se aproxima do berço, e vê que Outono não está ali.
MIMI: Ai que bom que o infeliz não veio até aqui. Eles estão dormindo feito anjos…
SANTIAGO: Mimi…
MIMI: O que será que aquela praga veio fazer aqui então? Roubar uns docinhos? Uir, que exótico.
SANTIAGO (Suando frio): MIMI!
MIMI: O que foi, inferno?
SANTIAGO: A OUTONO! A OUTONO NÃO TÁ NO BERÇO!
MIMI (sem acreditar, porém se aproxima): Brincadeira boba essas horas, Santiago?
Ao chegar mais perto do berço, Mimi vê com seus próprios olhos que sua filha não está ali. Ela se desespera.
MIMI: MISERICÓRDIA! A MINHA FILHA! AQUELE ESTRUME ROUBOU A NOSSA FILHA, SANTIAGO!!!
Mimi começa a sentir falta de ar, se segura em Santiago e desmaia.
INSTRUMENTAL: TAMBORES DA GUERRA - ALEXANDRE DE FARIA
Já na sala, Santiago e Mimi estão rodeados de várias pessoas que já estavam presentes na festa e por dois policiais que foram chamados. Mimi, desolada, é consolada por Bebel no sofá.
MIMI (chorando): A minha filha, Bebel! A minha Outono! Aquele energúmeno não tinha esse direito.
BEBEL: Tenta ficar calma, minha amiga. A gente vai encontrar a sua filha.
POLICIAL 1: Pode ficar tranquila que a viatura está rodeando o bairro em busca de alguma pista. O bandido não deve ter ido muito longe.
SANTIAGO (andando de um lado pro outro): Pelo amor de Deus… porque um ladrão de galinhas teria interesse em sequestrar uma criança inocente? A minha filha…
MIMI (fica seria abruptamente) FOI ELA!
Mimi se levanta.
MIMI: FOI ELA, FOI AQUELA MALDITA! A ELEONORA TÁ POR TRÁS DISSO TUDO! É claro! Meu Deus! Policiais, por favor, fazem alguma coisa. A minha filha tá nas mãos daquela sebosa!
BEBEL: Mimi, se acalma. Sair acusando os outros sem provas é tão grave quanto o sequestro da Outono.
SANTIAGO: Eu não acho que a Eleonora teria essa coragem.
MIMI: MAS É CLARO QUE TEM, SEU INÚTIL! ELA QUER ME DERRUBAR, AQUELA CAPETA QUER TUDO QUE É MEU, E AGORA QUER A MINHA FILHA!
Mimi se senta novamente, levando as mãos à cabeça e desabando.
MIMI (chorando): Minha Outono… deve tá chorando agora, sentindo frio, fome… Ai meu Deus, proteja a minha filha.
CENA 02: CASA DE JURACI/INT./NOITE
Efigênia se encontra em seu quarto, arrumando suas malas apressadamente. Juraci está na cozinha, segurando Outono nos braços enquanto cantarola para ela. A criança está bem, sem chorar.
JURACI: Mas você é muito linda, meu amorzinho! Fico impressionada com a sua beleza. (olha no relógio, inquieta) EFIGÊNIA, anda rápido aí, mermã! A gente precisa sair dessa casa o quanto antes.
Efigênia surge com duas malas em mãos, com o semblante decidido.
EFIGÊNIA: Prontinho. A partir de hoje a gente se muda daqui, e nunca mais, nunca mais aquela família vai saber onde a Outono está. (Sorri para a criança, se aproximando) Não é, meu amorzinho? Quem é a filha mais linda que eu tenho? É a Outono!
JURACI: Ah, não exagera. A Outono não é a sua filha.
EFIGÊNIA: Não era. A partir de hoje é sim, e acabou.
JURACI: As vezes me sinto culpada por ter ajudado você nessa loucura, sabe? Eu sou uma pessoa direita, com a ficha limpa, e aí, do nada, tô metida num sequestro de uma criança. É mole?
EFIGÊNIA: Ninguém vai saber que foi a gente. Eu planejei tudo nos mínimos detalhes, e é melhor a gente ir logo antes que o Santiago chegue aqui.
JURACI: Você acha que ele já desconfia?
EFIGÊNIA: Pior que eu já tinha ameaçado ele de roubar a Outono… Mas eu confio em Deus e ele não vai permitir que essa criança seja encontrada. A partir de hoje vamos começar uma vida nova, e a Outono não vai mais ter esse nome.
JURACI: Que?
EFIGÊNIA: Você acha mesmo que vou deixar um nome tão comum assim por aí? É melhor ela ter outro nome, outros documentos, outra vida. Outono agora é Melina. (P) Agora vamos!
Apressadas, elas saem pela porta da frente e entram no carro, saindo dali para sempre.
ABERTURA:
CENA 03: MANSÃO FONTANARI/INT./NOITE
MIMI: Cadê aquela incompetente da Efigênia pra vir me trazer uma água? EFIGENIAAAAAAAA!!!
FUNCIONÁRIA 1: Dona Mimi, a Efigênia já foi embora há muito tempo.
MIMI: Como assim foi embora? Quem deixou? Pois ligue pra ela e manda ela voltar imediatamente! Eu hein.
SANTIAGO (pensando alto): Não é possível…
MIMI: O que foi, Santiago? Não é possível o que?
FLASHBACK - INÍCIO
EFIGÊNIA (séria, limpando as lágrimas): [...] se você não tiver coragem de assumir que somos amantes, Santiago, eu vou tirar da Mimi a única coisa que realmente importa. A Outono.
SANTIAGO: Como é que é?
EFIGÊNIA: É isso mesmo que você ouviu. Se não largar o casamento pra ficar comigo, eu vou sumir com a sua filha e nunca mais você vai achar a gente!
FLASHBACK - FIM
Santiago, sem saber o que fazer, resolve tomar uma atitude, saindo da sala apressadamente. Mimi estranha.
MIMI: Onde você tá indo, Santiago? Mas que loucura é essa?
SANTIAGO (sério): Eu vou e já volto, Mimi. Eu preciso que você confie em mim.
MIMI: Não tô entendendo. Seja mais claro.
SANTIAGO: Eu não posso te falar, mas já adianto que eu sei de uma pista que você me levar até a Outono. (P) Pode ficar tranquila, Mimi, que até amanhã de manhã eu estou de volta, com a Outono nos braços.
MIMI: Pista? Mas que pista é essa, Santiago? Posso saber? (P) SANTIAGO, SANTIAGO VOLTA AQUI, SEU IMPRESTÁVEL!
Sem dar importância a Mimi, Santiago sai em direção a área externa da mansão, apressado e correndo contra o tempo. Ele já ligou os pontos de que Outono pode estar com Efigênia.
CENA 04: RUA/EXT./NOITE
INSTRUMENTAL: TAMBORES DA GUERRA - ALEXANDRE DE FARIA
A cena mostra o movimento constante de veículos nas ruas de São Paulo. No meio do trânsito, Santiago trafega pela avenida com o semblante inquieto.
SANTIAGO: Efigênia, Efigênia… eu prometo que se eu te achar, eu te mato.
Aproveitando que o sinal está vermelho, ele leva sua mão até o banco do passageiro e pega seu telefone rapidamente. Ele disca alguns números e coloca o telefone no ouvido, esperando a pessoa do outro lado atender.
EFIGÊNIA (voz): Que surpresa, Santiago! Achou a falta da sua filha ai? Pode ficar tranquilo que ela tá em ótima companhia.
SANTIAGO (furioso): DEVOLVE A MINHA FILHA, SUA DESGRAÇADA! (P) Olha aqui, Efigênia, você pode ir se preparando porque sua vida vai virar um inferno a partir de agora! Eu tô indo até a sua casa e se você não colaborar, eu vou contar pra todo mundo que foi você quem roubou a minha filha. Inclusive pra polícia.
EFIGÊNIA (voz): Você acha que eu sou tão burra a ponto de ficar esperando a polícia bater na minha porta? Eu já tô bem longe da minha casa, Santiago. Eu vou recomeçar ao lado da Outono, e ninguém vai me impedir. A partir de hoje você não tem mais três filhos.
SANTIAGO: Para com essa maluquice, Efigênia! Vamos conversar, vamos resolver isso da melhor maneira possível… você sabe que eu te amo.
EFIGÊNIA (voz): Se amasse já teria largado a Mimi a muito tempo. Agora é tarde.
SANTIAGO: Eu tô indo até a sua casa, e vou ficar lá te esperando até você aparecer.
EFIGÊNIA (voz): Pois espere sentado.
O sinal fica verde e Santiago avança com o carro. Efigênia encerra a ligação na cara dele, que se enfurece mais ainda.
SANTIAGO: Essa mulher quer acabar com a minha vida!
Ele joga o telefone sobre o banco do passageiro, mas, tomado pela raiva, pega o aparelho novamente e tenta ligar para Efigênia.
SANTIAGO: Atende, desgraçada, atende agora essa merda!
Enquanto o telefone chama, Santiago segue dirigindo sem perceber que, na faixa ao lado, um carro se aproxima em alta velocidade. O motorista tenta reduzir a velocidade ao perceber o cruzamento, mas Santiago continua avançando. O veículo surge repentinamente em sua lateral e quando Santiago finalmente percebe e tenta frear, já é tarde. O carro do marido de Mimi é atingido violentamente na lateral, fazendo ele perder o controle do veículo, até capotar diversas vezes e parar. O silêncio é ensurdecedor. A câmera se aproxima lentamente, mostrando Santiago desacordado dentro do carro e com ferimentos graves.
CONGELAMENTO EM SANTIAGO.
ENCERRAMENTO:
