VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 18

         



               VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 18


criada e escrita por SINCE, FAFÁ, NOVELEX e LARICE


(CENA 01: HOSPITAL/INT./TARDE)


De repente a enfermeira surge ao lado de Viktney, o médico entra logo atrás. Eles analisam dona Bucê e a enfermeira se distancia de Viktney e Larica.


Larica: E ai, doutor, como ela tá? 


Médico: Ela precisa descansar, está muito debilitada ainda. Mas fiquem tranquilas que ela não se encontra em estado grave mais. Provavelmente irá receber alta amanhã de manhã.


Viktney: Ai, graças a Deus! 


Médico: E onde está o homem que acompanhou a paciente na entrada?


Larica: Homem? Quando chegamos aqui não havia homem nenhum. Não é Viktney? 


Viktney: Sim, Larica. De que homem o doutor está falando?


A enfermeira aborda o médico repentinamente.


Enfermeira: Doutor, temos uma emergência, precisamos de você.


Médico: Bom, se me derem licença, tenho que ir. Mas fiquem tranquilas, a paciente está fora de risco.


O médico se retira da sala. Larica e Vik se encaram, confusas.


Larica (pensando alto): Será que o tal homem era ele? 


Viktney: Ele quem, Larica? 


Larica: Nada, meu bem. É melhor a gente ir, vamos arrumar as nossas coisas, tomar um banho… A noite vai ser longa. 


Dona Bucê geme, apertando os peitos. 


Dona Bucê: Uin.


(CENA 02: SHOPPING/INT./TARDE)


A cena mostra Ivanlac e Raquel sentados numa lanchonete de classe alta do shopping. Eles bebem um gole de café enquanto conversam.


Ivanlac: Eu sei que deve tá sendo difícil pra você, mas sempre tem uma luz no fim do túnel. Para todo mundo a vida é difícil, mas todos fazem o seu sacrifício pra melhorar.


Raquel: É difícil quando seus problemas vêm de dentro de casa. Eu tenho muitas desavenças com a minha mãe, ela sempre me reprimiu, sempre fez questão de me botar pra baixo, até meu próprio filho ela coloca contra mim, e eu não tenho estômago pra suportar tudo isso, sabe? Eu sempre me sinto frágil, vulnerável, não me encontro 1 segundo sequer em paz.


Ivanlac: Você já tentou encontrar um refúgio?


Raquel: Um refúgio? Como assim?


Ivanlac: É… Tipo algum lugar, ou alguma coisa que possa esvaziar a sua cabeça em paz. Algo que faça você botar tudo pra fora, expressar o que sente.


Raquel: Eu não sei…


Ivanlac: Não existe nada que goste de fazer, ou que você tem interesse em começar?


Raquel: Com você falando isso agora, algumas memórias brotaram na minha cabeça. Me lembrou de um hobby que eu tinha há alguns anos. Eu adorava pintar, sabe? Pintava quadros, aquarela. E isso realmente me deixava mais relaxada, mas eu parei depois que os problemas começaram a me dominar…


Ivanlac: E por que você não tenta continuar? Quem sabe, assim você não consegue descansar um pouco, sair desse poço de tristeza.


Sem perceber, Ivanlac põe sua mão sobre a de Raquel, que fica um pouco constrangida.


Raquel: Vou tentar. Talvez isso realmente me deixe melhor.


Ivanlac: Se você voltar a pintar, vou querer ver os seus quadros.


Raquel: Aí você já tá pedindo demais! Se ficarem bons, eu os mostro.


Ivanlac: Vou esperar o convite então.


Raquel: Nossa, eu aqui despejando os meus problemas e você me dando conselhos. É psicólogo por acaso? 


Ivanlac: Longe disso! Sou apenas um clt que trabalha na LCA. Vi que você precisava de ajuda e ajudei, não acho justo que uma mulher tão bonita como a senhorita fique chorando pelos cantos.


Raquel: Muito obrigada, sério! Há tempos que eu não conhecia alguém tão legal assim, tão atencioso…


Ivanlac (olhando o relógio): Nossa, eu tenho que voltar ao trabalho. Melhor eu ir, antes que arranje encrenca.


Raquel: Deixa que eu pago a conta. É o mínimo que eu posso fazer para retribuir a sua gentileza.


Ivanlac: Poxa, eu fico até sem graça de aceitar uma coisa dessas…


Raquel: Não fique, vá tranquilo!


Os dois se despedem e Ivanlac sai apressado do local. Raquel o observa com um olhar interessado, enquanto termina o seu café.


(CENA 03: CASA DE SOLange/INT./TARDE)


Maria de Fafá está deitada no chão ouvindo Lana del Rey no seu fone de ouvido gigatonico quando alguém toca a campainha. Ela pausa a música, se levanta e abre a porta, onde Nô espera para entrar.


Maria de Fafá: Desembucha cachorra, queria falar comigo?


Nô: Sim, mas num local mais reservado, ou você me garante que ninguém vai nos interromper aqui?


Maria de Fafá: A sonsa peidorreira fica na agência brincando de O Diabo Veste Prada até altas horas, o amiguinho dela com nome de peixe ainda não voltou de viagem, e acho difícil o cabeçudo do João Mateus aparecer aqui uma hora dessas. Então sim, eu garanto que ninguém vai nos interromper.


Nô (sentando no sofá): Ótimo, porque eu tenho um plano aqui batucando na minha cabeça, irmãzinha! Pode ser nosso passaporte para mudar de vida.


Maria de Fafá: Fala então.


Nô: Então, não sei se você sabe, mas a mamãe abriu um novo negócio. Ela agora é dona de uma confeitaria e uma fábrica de bolos. E isso tá me parecendo promissor, você tinha que ver a inauguração, tava lotado! Eu fui lá pra fazer o papel da filha arrependida né, assim eu já começo a dar meus primeiros passos nesse plano.


Maria de Fafá: Começa a falar desse seu bendito plano então, querida! Até agora você só deu rodeios falando da inauguração de um botequim xexelento.


Nô: Eu tenho que dar o contexto, né? Enfim, eu e Frégis estamos bolando um plano para tomar esse negócio das mãos da mamãe, transformar essa fábrica no suprassumo da confeitaria brasileira e ficarmos milionários. E aí, arrasei não é?


Maria de Fafá (rindo): Acha que tá vivendo numa fanfic, né, amore? Como você vai conseguir isso?


Nô: Vou me reaproximar da mamãe, até chegar ao ponto de ela passar tudo pro meu nome, simples! E o Frégis vai entrar nessa junto comigo. Vou tentar engatar um namoro entre ele e a mamãe, mas antes a gente precisa se livrar daquele namorado chato dela, né. Se você nos ajudar, tudo fica mais fácil.


Maria de Fafá: Você tá louca? Até parece que eu vou ajudar nesse seu plano ridículo, acha mesmo que a cabeça dura da boleira vai se separar daquele homem mequetrefe para ficar com o Frégis? Ela nunca vai te dar a fábrica, você vai perder a mão por não saber administrar, ela não é tão burra como você pensa.


Nô: Irmãzinha querida, nossa inteligência somada pode pensar em coisas impensáveis para conseguir o que queremos. Deixa de ser burra!


Maria de Fafá: Deixa de ser burra você, Nô. Apenas escute, recalcule a rota!


Nô: Então vai me ajudar ou vai ficar mandando no que devo e não devo fazer? Que tal tentar fazer ao invés de ser uma inútil como sempre e eu ter a atitude?


Maria de Fafá: Eu não vou sujar minhas mãos com essa história. Até por que a poderosa Taís Roitman já está se aliando comigo. Nô, vê se entende uma coisa: eu já estou praticamente casada com o João Mateus. Eu vou me casar com um bilionário!


Nô: E eu quero lá saber de Taís Roitman? Aquela velha metida a besta tá fazendo você de trouxa e você nem sabe se vai conseguir pegar o megamente! E daí que você vai se casar com um bilionário? O seu tá garantido, e o meu?


Maria de Fafá: Você é tão difícil de entender, parece que você foi a que mais puxou a burrice da mamãe. Nô, entenda uma coisa, a sua fúria não vai lhe trazer nada! Você agir feito uma louca do Brás, ser uma mulher impulsiva não vai lhe trazer nada além de fracasso seguido de fracasso.


Nô (descontrolada): VOCÊ NÃO ME CHAMA DE IMPULSIVA, EU NÃO SOU IMPULSIVA. A ÚNICA IMPULSIVA AQUI É VOCÊ QUE NÃO SABE APROVEITAR O QUE A SORTE DÁ PARA GENTE.


Maria de Fafá (rindo): Dá pra ver só por essa sua gritaria ridícula quem é a impulsiva descontrolada. Vai lá tentar dar golpe em pobre e, quando der certo, você me procura de novo. Pode ser assim?


Nô anda em direção à irmã, quase sufocando Maria de Fafá.


Nô: Quando eu conseguir pegar essa fábrica dos infernos produzindo o bolo que o diabo amassou, você vai vir pedir perdão enquanto lambe os meus pés, vai se arrepender dessas suas críticas fúteis e superficiais. Quero ver se você vai conseguir fazer duplinha com essa tal Taís Roitman, isso se ela não morrer primeiro com candidíase ou um tiro nas partes íntimas.


Maria de Fafá: Você vai me bater? É só isso que falta, Nô. Eu realmente não pensei que você seria assim, uma mulherzinha frágil que não aceita ser contrariada nem pelos aliados.


Nô: Eu só não faço nada com você pois sei que você vai se arrepender, agora posso dizer que o recado está dado. Quando eu ficar rica, venha mendigar esmolinha com a consciência pesada enquanto reza o pai nosso. Passar bem!


Nô sorri olhando fixamente nos olhos de sua irmã, ela se afasta de Maria de Fafá e sai da casa, deixando a cena. Maria de Fafá fica sem palavras, incrédula.


SONOPLASTIA: 7 RINGS - ARIANA GRANDE


São mostradas várias imagens do Rio de Janeiro no fim de tarde. Algumas pessoas correm pelo calçadão, outras aproveitam os últimos minutos de praia do dia, o trânsito infernal começa a lotar as ruas e avenidas, e a noite cai na cidade maravilhosa.


(CENA 04: AP. DE IVANLAC/INT./NOITE)


Larica chega em casa toda suada, grudenta, fedendo a bacalhau e exausta pelos acontecimentos do dia. Ivanlac está no sofá, só de camiseta e cueca, bebendo uma cerveja enquanto assiste a reprise de Traída na televisão. A mocinha se aproxima e beija o seu amado.


Ivanlac: Cansada, meu bem?


Larica: Exausta, querido! Vida de empresária não é fácil, viu! E você, como passou o dia?


Ivanlac se lembra de Raquel e da conversa que tiveram na cafeteria.


Ivanlac (escondendo): Hm… Normal, nada de incomum. Só trabalho, como sempre.


Larica: Tá bom. Vou tomar um banho, você vem?


Ivanlac: Já tomei, estou apenas te esperando para jantarmos juntos. Fiz um macarrãozinho ao alho e óleo, espero que você aprove. 


Larica: Ai amor, desculpa não ter te avisado, mas acabou ficando tão tarde lá na fábrica que eu acabei pedindo uma marmita de janta. Até porque eu estava planejando ir de lá direto pro hospital.


Ivanlac: Hospital? O que houve?


Larica: A dona Bucê foi atropelada hoje à tarde. Prometi que iria fazer companhia para ela e a Viktney no hospital essa noite.


Ivanlac: E você nem me avisou?


Larica: Ai garoto, eu tive que ir pra fábrica né, trabalhar.


Ivanlac: Esse é o problema, Larica, desde que você abriu essa porcaria de fábrica você só sabe trabalhar. É 24 horas por dia pensando nessa fábrica, nunca mais fizemos algo de divertido entre nós.


Larica: Deu pra ter crise de ciúmes agora, é? Até meu trabalho é um homem forte pra te ameaçar. Eu to correndo atrás do meu, querido! Nada nessa vida cai do céu, e não é por causa de homem que eu vou desistir de fazer o que eu quero. Agora eu vou tomar um banho e bater ponto naquele hospital, passar bem!


Larica entra no banheiro, decidida. Ivanlac, com raiva, amassa a lata de cerveja e arremessa contra a parede. Enquanto isso, Dra. Ásia jura vingança na cena que passa na televisão.


Dra. Ásia: Isto tudo está apenas começando!


(CENA 05: CASA DE SOLange/INT./NOITE)


SOLange arruma cada detalhe da mesa milimetricamente para o jantar. Maria de Fafá observa a moça organizar cada talher, cada prato, cada copo, cada taça.


Maria de Fafá: Que chique hein… não é todo dia que se recebe a sogra em casa, ainda mais quando a sogra é a dona Taís Roitman. Só acho que ela vai achar essa sua decoração tão cafona…


SOLange: Aí o problema é dela, chéri. Meu trabalho aqui é apenas dar um ótimo jantar, eu não vou mudar toda a decoração da minha casa só pra receber minha sogrinha querida. E outra, preparei isso tudo pra agradar o meu namorado, e não a mãe dele.


Maria de Fafá: Tá bom, chéri… depois não vem chorar falando que foi humilhada.


A campainha toca. SOLange vai correndo atender e, ao abrir a porta, se depara com seu namorado, acompanhado da mãe e da tia. Enquanto isso, Maria de Fafá dá os últimos ajustes em seu cabelo, olhando no reflexo do celular.


SOLange: Sejam bem-vindos! Vamos, entrem. 


Os três entram na residência. SOLange cumprimenta João Mateus com um beijo, enquanto Taís observa o local com um certo desconforto e um olhar esnobe. Maria de Fafá se aproxima dela como se fossem amigas de infância.


Maria de Fafá: Taís, querida, como vai?


Taís: Muito bem, querida. Muito obrigada. (olhando ao redor) E essa estátua de cavalo no meio da sala? Quem teve a ideia brilhante de colocar isso aqui?


SOLange: Euzinha. Não é simplesmente uma estátua, dona Taís. É algo que significa muito pra mim… 


Tia Tolyna percebe o desconforto e cutuca Taís com o cotovelo.


Taís (disfarçando): E quem disse o contrário, querida? Eu amei a estátua. 


SOLange: Bom, venham, podem se sentar e fiquem à vontade. Espero que eu não precise reforçar que não existe cerimônia aqui no meu apartamento, não é? Se sintam como se estivessem em casa.


Tia Tolyna: Minha querida, eu adorei a decoração do seu apartamento. Você tem muito bom gosto.


João Mateus se aproxima, abraçando SOLange por trás.


João Mateus: Mas é claro que ela tem bom gosto, tia…


Tia Tolyna ri, enquanto Taís esboça apenas um sorriso sem graça, julgando SOLange com o olhar.

Maria de Fafá encara os dois de longe, com um olhar cheio de inveja e raiva.

Taís puxa SOLange para conversar com uma certa intimidade, Tolyna e João ficam conversando.


João Mateus: A mamãe não comentou nada com você sobre o que está achando da SOLange?


Tia Tolyna: Ainda não. Mas eu considero isso um bom sinal. No news, good news.


João: Eu acho que ela tá simpática demais para o meu gosto. Você não reparou que desde que chegamos aqui, ela não proferiu um comentário desagradável!?


Tia Tolyna: Reparei! O que quer dizer que ela está se divertindo, está gostando. O que nem podia ser de outra forma, não é? A SOLange é uma flor! Vem cá, e vocês? É sério mesmo? Digo, será que um dia eu realizarei o sonho de ter uma norinha tão agradável que nem ela?


João: Não! Por enquanto não, tia. A gente nunca pensou em casamento não! Aliás, vocês só pensam nisso.


Tia Tolyna ri e João beija sua mão. Os dois continuam conversando. A cena mostra ao fundo, e logo após em close, SOLange e Taís conversando.


Taís: Quer dizer então que você vai sempre para Paris!?


SOLange: Quase sempre… quer dizer, quando tem verba, não é dona Taís?


Taís: Paris é vida! Eu morei lá por anos e sinto uma saudade enorme. (P) Pois eu achei uma graça esse seu apartamento, muito bonitinho. Eu tinha uma certa curiosidade em conhecer o seu quarto… Não acha impertinente da minha parte pedir isso, não é?


A cena corta e já mostra SOLange abrindo a porta de seu quarto e Taís entrando, olhando a decoração ao redor.


SOLange: Impertinente não, dona Taís. Eu acho assim um pouco estranho. Uma mulher como a senhora, que vive no mundo que vive, querer conhecer um quarto como o meu, só se eu pensasse que a senhora é uma socióloga. Mas não tem problema, eu mostro tudo com o maior prazer! 


Taís (sorrindo): Você não é nada boba, filhinha. Você sabe muito bem que não é no seu quarto que eu estou interessada. Eu gostaria era de ficar sozinha com você para termos uma conversa de alguns minutinhos.


SOLange encara Taís e sorri. As duas se olham. A cena corta para a sala novamente, Maria de Fafá, Tolyna e João Mateus estão conversando.


Tolyna: Quer dizer que você está iniciando uma carreira de modelo!?


Maria de Fafá: Estou sim senhora. Mas não sei se vou continuar, sabe? É tão difícil, um meio tão competitivo. Pensei até em deixar isso, talvez ingressar em alguma faculdade, ou-


João Mateus: Ou até se casar! Por que você já me confessou que se interessa em se casar. No fundo mesmo, tá pensando em casar.


Maria de Fafá: É claro que eu tô pensando em casar, acho que toda mulher pensa em se casar, não é? Mas para mim só quando aparecer o homem certo.


Tolyna: E sua família, querida? Você tem alguém? 


Maria de Fafá: Claro que eu tenho! Minha mãe, ela é uma mulher de costumes antigos, acho que daí puxei essa mentalidade. Inclusive, infelizmente ela não pôde vir pois está em Curitiba, em uma conferência do agronegócio. Ela é fazendeira…


João Mateus (surpreso): Olha só! Fazendeira… Então você não é tão pobre como eu pensava.


Maria de Fafá: Claro que sou, ué! Quer dizer… eu não tenho acesso ao dinheiro da minha mãe, ela sempre disse que eu teria que me esforçar muito para ter o que ela tem…  O dinheirinho que ela me manda mensalmente é pra sobreviver. Apenas. Eu tenho uma irmã aqui no Rio também, a Nôvelexiane. Ela gosta que a chamam de Nô. Uma figura!


Tolyna: E vocês moram separadas?


Maria de Fafá: Sim. Minha irmã ronca e peida muito sabe… decidi deixar ela sozinha pra ter mais liberdade. 


Todos na sala riem. A cena corta para o quarto de SOLange novamente. Taís está sentada na cama, e SOLange encostada na cômoda.


Taís: Eu sei que a sua ligação com o meu filho não é propriamente séria, mas eu queria ter uma conversa com você.


SOLange: Não sei o que a senhora está querendo chamar de ligação séria… pra mim é séria sim, quer dizer, ninguém pensa em se casar. Pra mim, tudo na minha vida é muito sério. Meu trabalho é sério, minha vida social é séria, minha vida afetiva é séria. Tudo é muito sério, apesar de eu tentar manter o bom humor.


Taís: Não, meu bem. Acho que partimos de um equívoco. Um equívoco de adjetivação. Não foi bem isso que eu quis dizer. Eu tenho ideia que vocês não têm intenção de se casar. Eu sei também que ele tem uma ligação, uma afeição muito forte por você, e você tem a cabeça no lugar então… Tenho um problema muito sério com meu filho, ele tinha um trato comigo de que quando terminasse os estudos, ia trabalhar de Paris  Eu até comprei um apartamento para ele.


SOLange: Sei… de frente para a Saint Louie. A senhora tem muito bom gosto.


Taís: Acho que podemos nos entender, apesar das nossas divergências políticas. Mas esse é um assunto muito perigoso, deveria ser banido das relações sociais. De qualquer jeito, eu tenho até amigas de centro esquerda. Aliás, eu adoro o seu cabelo.


SOLange: Ah, é mesmo? 🦥


Taís: Fica bem em você. Olha, eu acho que podemos ser amigas, SOLange. Você deve ser uma grande admiradora da França e da moda francesa.


SOLange: Eu gosto muito da França, se é isso que a senhora quer saber. Olha, se não fosse a barreira da língua, me sentiria como se fosse em casa.


Taís: A língua não é uma barreira, eu tenho muitas amizades no meio editorial na França. Uma amiga minha é dona de várias revistas, inclusive de moda. Daí eu pensei… eu poderia talvez conseguir para você um trabalho na França, numa revista famosa. Se você recebesse uma proposta de trabalhar na França, com um salário alto, séria no mínimo tentador?


SOLange: Tentador? Do jeito que a senhora está falando, eu toparia na hora, sem exitar.


Taís (rindo): Ótimo! Eu sabia que nós duas nos daríamos muito bem! Escute, não precisa comentar nada disso com o João Mateus, basta que você consiga que ele abandone essa ideia idiota de ficar no Brasil.


SOlange: Olha, dona Taís… eu não falei em momento algum que ia fazer conchavo com a senhora. A senhora perguntou se eu topava trabalhar na França, eu disse que topava, mas isso não tem a ver com o João. Ele não gosta de lá, e está decidido a morar aqui, no Brasil. Eu seria incapaz de tocar num assunto desse com ele. Eu moraria em Paris com o maior prazer, o João, não!


Taís: Mas é isso que eu estou dizendo a você. Suponhamos que você recebesse um convite. 


SOLange: Claro, se isso acontecesse nós falaríamos. Mas fica algo tão remoto, ninguém tá me convidando para ir pra Paris. E, produtora de moda e conteúdo competente por lá tem uma em cada esquina.


Taís: Não! Eu consigo isso pra você! Eu faço acontecer, meu bem!


SOLange: Se eu fizer conchavo com a senhora. Não deu pra entender ainda que eu não sou mulher de conchavo?


A câmera foca no rosto de Taís, passada, super gag. SOLange encara ela. As duas ficam frente a frente. O instrumental cresce.



CONGELAMENTO EM TAÍS 


ENCERRAMENTO AO SOM DE: FAZ PARTE DO MEU SHOW - CAZUZA