INTERNACIONAIS (COMPACTO) - CAP. 03 (09/09/2026)

INTERNACIONAIS | CAP. 03 (09/09/2025)


CENA 01: CASA DE NAYARA | EXT. | MANHÃ


Nayara, Joana e Holanda estão conversando na porta de casa da Nayara. Ela está desesperada e implorando para as mulheres que desmistifiquem essa notícia.


[Nayara]: Por favor! Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo com vocês, mas por favor… Eu imploro!


[Joana]: Ai Nay, se acalme!


[Holanda]: Isso, continua assim, se humilhe… continue se humilhando para se salvar… Ai garota, nem relevante você é para ficarem te olhando de olho torto, e essa página é nova, né?


[Nayara]: Ô sua vaca defeituosa, todo mundo tem informação na mão aqui! A partir do momento que uma pessoa posta algo no aplicativo, todos ficam sabendo!


[Holanda]: Eita bebê, verdade.


[Joana]: Somos três mulheres, somos um trio totalmente feminino, juntas somos amigax, juntas somos mulherex… (sotaque carioca fortíssimo)


[Holanda/Nayara]: Trio?!


[Joana]: Olha, estamos em uma situação complicada, uma menina que está com os dias contados antes de ser morta por ser puta, aliás, será que não é exagero nosso? Até porque não tem problema ser piranha, só se fosse uma putinha trambiqueira.


[Nayara]: Vocês duas querem acabar comigo, não é? Uma de vocês criaram a página! *ela olha para Holanda*


[Holanda]: Olha para mim de novo que eu arranco seus olhos fora!


[Nayara]: Cachorra…


[Holanda]: Desequilibrada.


[Nayara]: Burra.


[Holanda]: Fedida.


[Nayara]: Puta!


[Holanda]: *rindo* Puta? Sou eu que está em um post de uma página de fofoca em que me chama de maior PUTA de Jão Feliz?


[Nayara]: Filha da… *ela tenta avançar em Holanda mas Joana a empurra*


[Joana]: Para com isso, brutamontes! Vamos agir como gente normal! Vocês não conseguem parar de ser infantis?


[Nayara]: Me ajudem amores! Eu vou… ir ao mercado, tenho que comprar um trocou lá. Que ódio! Me desejem sorte *Ela entra dentro de casa, pega o cartão e vai ao mercado, deixando as mulheres sozinhas, a porta da casa dela está aberta. Holanda que sempre foi curiosa de entrar na casa de Nayara, entra e fica olhando ao redor*


[Holanda]: Nossa! E a gente nunca tinha entrado na casa da dona… Ai meu Deus… a casa é enorme! Tô gag.


[Joana]: Sai daí mulher!


[Holanda]: Ok! Imagina se a gente estivesse aqui dentro antes, ai… que sensação estranha… parece que a gente vai fic- *Joana puxa Holanda*


[Joana]: Pronto mulher, vamos embora e feche a porta da casa


[Holanda]: Credo, Joana. Nem me escutou… euem *Holanda fecha a porta e vai embora com Joana*


Quando elas se vão, a câmera se vira a porta da casa de Holanda e dá um zoom pequeno e lento, instrumental tenso.


CENA 02: MERCADO | INT. | MANHÃ


Nayara está na fila, ansiosa para ir embora. À frente dela, uma senhora lhe olha com nojo. Nayara olha para trás e vê outras pessoas olhando com nojo. Ela fica desconfortável e fica em silêncio, tentando evitar qualquer confusão.


[Nayara]: (resmungando) Bando de vagabundo…


[Whozinha 1]: Seu bando, não é?


[Nayara]: (estressada) Que ouvido bom, né, senhora? Já já eu estouro seus tímpanos, sua velha filha da puta


Whozinha 1 fica em silêncio, fica com medo e vai embora.


[Nayara] *Olha para trás* E eu digo isso para todos vocês! Eu sei que vocês viram aquele post com FAKE NEWS! Todos me olhando com cara de bunda mas eu não ligo! Quero que todos vocês que querem meu mal por uma coisa simples e que machuca ninguém, uma coisa FALSA! E se eu realmente fosse puta? Qual o problema, hein? O que vocês tem com isso? Vão cuidar da vida de vocês! *Ela se vira* Já viu, moça? Obrigada… UMA BANANA PARA QUE VOCÊS, VELHOS, SE EXPLODAM E QUE VOLTEM AO ASILO QUE SAÍRAM! *Ela grita e vai embora do mercado, as pessoas vaiam e xingam*


CENA 03: CASA DE CRISTINA | SALA | INT. | TARDE


Maria está na sala, vendo televisão e mexendo no celular. Cristina sai do quarto e vai à sala.


[Cristina]: Você saiu ontem, né? Foi com aqueles tais de internacionais que você estava falando? Te cuida, viu? Vai que um deles cisma em ficar contigo, homem não é fácil


[Maria]: De novo isso? Bem, eu fui naquele restaurante lá, o LAFANOSIN… Foi quase um desastre, uma mulher surtada venho me dá um tapa *Cristina fica chocada* mas eu que não sou boba nem nada, devolvi com um puxão no cabelo e dei um tapão de volta *ela ri*


[Cristina]: Menina… fez isso com um monte de gente vendo? Que vergonha, Maria! Mas foi engraçado *ela ri* Meu Deus, garota! Cuidado *morrendo de rir*


[Maria]: *rindo* Ei, vou na praça, ok? Vou ver as meninas… Beijos, mãe!


[Cristina]: Tchau filha… Ai ai… ô palhaçada.


CENA 04: PRAÇA DELÍRIOS | EXT. | TARDE


Maria começa a falar sobre sua experiência na noite passada, Tati e Wanda se encaram e olham de volta para Maria.


[Maria]: Foi muito louco! O LAFANOSIN tem uma comida boazona! Mas moleque, uma doidona venho falar que eu tava pegando o Martin, o portuga lá e ela me deu um tapa! *elas fingem espanto* Eu puxei os cabelos delas e falei com ela: Me xinga de novo, vai! E lhe dei só uma lapada! *Maria ri*


[Wanda]: Nossa Maria, apanhou, foi? *Wanda ri*


[Maria]: Que é, hein? Tá rindo do que?


[Wanda]: Mil desculpas, é que… Enfim…


[Tati]: Fala Wanda, para de ser sonsa!


[Maria]: O que? Fala!


[Wanda]: Ai Tati, cala a sua boca, você acaba com a graça de tudo!


[Tati]: E eu lá tenho culpa do seu recalque? Você tem que se mancar e parar de ser sem noção, ridícula!


[Maria]: Opa! Que isso? Fala Tati!


[Tati]: Maria, a gente viu TUDO! E eu fiquei horrorizada, já a Wanda…


Maria e Wanda se encaram, Tati apenas olha o clima tenso.


[Wanda]: Ai Tati, para de caô! Fica falando essas coisas nada haver!


[Maria]: Para de rir, Wanda. Eu tenho que falar algo sério contigo agora…


Maria e Wanda se encaram, uma tensão paira no ar. Tati se afasta um pouco.


[Wanda]: Que é? Vai, fala…


[Maria]: Wanda, o que é isso? Nesses últimos dias você parece muito estranha! Não é só nesses últimos dias, reparei isso nos últimos meses, no início do ano! Mas não sei… Parece que ficou mais evidente agora! O que eu te fiz? *Maria olha para Tati* E você Tati? Tem nada para falar? Só vai ficar aí parada, fazendo pose enquanto escuta tudo calada?


[Tati]: Calma Maria!


[Wanda]: Cala a sua boquinha, Tati…


[Maria]: Tá esperando o que? Fala, Wanda!


[Wanda]: Você é sempre assim? Sonsa, dissimulada, arrogante… Egoísta.


[Maria]: Que? Egoísta? Arrogante? Que isso? Tá maluca?!


[Wanda]: Maluca não, muito pelo contrário, nunca estive mais lúcida que agora! Você não me faz de idiota nunca mais, Maria!


[Maria]: Eu não estou te reconhecendo, amiga, VOCÊ AINDA NÃO DISSE O QUE EU FIZ! *Ela grita* Mana? Qual é a dificuldade que você tem ao tentar apontar o que eu fiz? Tá escondendo algo? FALA TATI, SABE DE ALGO?


[Tati]: Para de insistir que eu sei de algo! Sei de nada!


[Wanda]: Sabe sim, sabe e não vai contar…


[Maria]: (confusa) Até você, Tati! É isso? É um complô contra mim? Mas gente (risos) Como eu vou melhorar se eu não sei o que eu fiz errado? Vocês são tão confusas! Querem saber? Eu vou indo, vou ir!


[Tati]: Não, Maria! Fica!


[Maria]: Tati, logo você? Você que sempre foi a mais racional entre nós, a maior santinha daqui! E você esconde algo de mim, mente para mim! Ficou sendo sonsa enquanto escutava tudo e negava participação ou que sabia de algo!... Nunca pensei que você iria me decepcionar… Nossa, cara! E Wanda, te cuide, tchau *Maria se vira e vai embora, Wanda ri e Tati fica quieta, arrependida*


[Wanda]: Que bom saber que você está do meu lado… Agora tente ver se consegue fazer ela voltar.


[Tati]: Foi você que fez ela ir! Fez ela se estressar! Vai lá se resolver! Mas por que você quer?


[Wanda]: Uma coisa que eu sempre quis, era ter alguém na minha mão… Apesar da Maria não ser burrinha, a gente podia voltar com o trio mas sermos tóxicos propositadamente, ser sincera e tals… *risos* Essa sonsa.


[Tati]: Já que aproveitou para ser sincera, Wanda. Você deveria fazer tratamento para cuidar dessa sua cabecinha surtada!


[Wanda]: Eu não te perguntei nada, se quiser te dou um tratamento especial agora!


[Tati]: Eu dispenso, tchau! *Tati corre para ir embora, Wanda apenas observa e sorri*


[Wanda]: É… muitas coisas para resolver.


CENA 05: RUA | EXT. | TARDE


Nayara está voltando para casa, cansada e humilhada. Ela canta no caminho e Otávio aparece em uma bicicleta e para de andar nela.


[Otávio]: Até parei de andar, medo de você se jogar na frente de novo… Aliás, e aquela postagem lá? Falando que tu faz programa.


[Nayara]: Ai garoto, não enche. Contigo eu nunca tive paciência, se afasta ou eu bato.


[Otávio]: Ameaça de novo… VAI!


Nayara coloca as compras no chão, ela anda em direção à Otávio. Ela corre e puxa um canivete do bolso e coloca perto do pescoço do adolescente.


[Nayara]: Eu já disse… *risos* Eu não tenho paciência contigo, não vou aturar tipos de pessoas como você! Tirando sarro de mim, deboches eu não SUPORTO! NÃO SUPORTO! *ela grita* Você é uma criança infernal, volta para a sua casinha agora se não eu furo os pneus e sua garganta lindinha… Eu prefiro ser presa e ter você MORTO! Prefere ver sua “mãezinha” chorando no seu funeral ou me deixar quieta? VAI! DESAPARECE.


[Otávio]: (desesperado) VOCÊ NÃO É NEM CAPAZ… SOCORR-! *Nayara tampa sua boca e coloca o canivete mais próximo ao pescoço*


[Nayara]: MOLEQUE… EU TE MATO… VAI EMBORA AGORA! VAI *Ela empurra ele e esconde o canivete, ele corre em direção à bicicleta e vai bem rápido para casa, ela ri e pega as sacolas* Aiii… Isso é só o início… Me sinto até mais leve… agora só piora… *risos*


Otávio entra correndo para dentro de casa, ele está completamente desesperado e assustado. Ele para por um momento e respira fundo, Holanda aparece.


[Holanda]: Oi filho, tudo bem? Que cara é essa


[Otávio]: (nervoso) Mãe, tá fazendo algo? Aliás, chegou cedo do trabalho…


[Holanda]: Para de fingir que aconteceu nada, para de esconder e me conte! O que aconteceu? *Holanda e Otávio se encaram, ele treme e recua*


[Otávio]: Eu nunca escondi nada de você, mãe. E você sabe disso!


[Holanda]: Tudo tem a sua primeira vez, fica parado aqui e me conte, AGORA!


[Otávio]: Eu não consigo esconder nada de você, mãe. Eu quase morri!


[Holanda]: O que? Como assim? Você está machucado?!


[Otávio]: Por sorte, não. Mas foi pior do que você imagina, mãe… Eu não caí de bicicleta, nenhum coleguinha ou amigo me bateu ou fez algo para me machucar *ele fica mais nervoso, treme* Tentaram me matar, mãe. TENTARAM ME MATAR 


*SOM DRAMÁTICO: A tensão paira no ar, Holanda ainda tenta raciocinar o que acabou de escutar, Otávio está nervoso*



CENA 06: CASA DE CRISTINA | SALA | INT. | NOITE


Cristina e Maria estão sentadas no sofá, elas conversam sobre coisas que ocorrem no cotidiano. Mas Maria toca em um tópico.


[Maria]: Né? Menina. Mas mãe, tenho uma coisa agora na minha cabeça… Ah! Acabei de lembrar! Eu sonhei que… tinha um cara lá, um belo homem, tinha um sotaque engraçado, acho que falava outra língua? Daí, ele começou a falar comigo e ele chorava, uma pessoa máscula chorando, sabe? Ai, socorro… AÍ ele falou que era o… meu pai *Cristina tosse, fica mais séria* Que cara é essa? É só falar sobre meu pai que você fica assim? Ô mãe, fala sério! Eu nunca soube muitas coisas sobre meu pai! Eu sempre tive curiosidade sobre quem é meu pai, eu nunca soube o nome dele, como ele era! Ele me abandonou, eu sei… Mas isso não é o bastante! Eu queria saber mais informações sobre ele, mesmo que eu não possa mais viver com ele e nunca irei vê-lo! Só se… ao menos… você tivesse uma foto


[Cristina]: (estressada) CALA A BOCA, MARIA! Você fala demais! Eu não consigo falar do seu pai sem ficar com uma angústia! Me dá enjoo! Você não sabe o quão difícil foi ver alguém que você amava ir para Portugal para realizar o sonho de ser ator, justificando que era jovem e NUNCA MAIS SABER NADA SOBRE ELE! *Ela grita, angustiada, nervosa. Maria se assusta*


[Maria]: Então… ele foi para Portugal? É isso… ele era português, não era? FALA! EU SEI QUE É DIFÍCIL! Mas poxa, é a pessoa que me fez, sabe?


[Cristina]: Eu te fiz, eu te criei!


[Maria]: É! Mas… *ela respira fundo, frustrada* O QUE CUSTA EU SABER QUEM É MEU PAI? O QUE CUSTA EU SABER SOBRE A MINHA FAMÍLIA? HEIN? ME FALA!


[Cristina]: CALE A BOCA!


[Maria]: CALA A BOCA É O CACETE! ME RESPONDE, MÃE! QUEM É O MEU PAI?!


[Cristina]: Eu já pedi para você calar a boca! *Ela dá um tapa na cara de Maria, SOM DRAMÁTICO*


[Maria]: (frustrada) Tudo bem! Tudo ótimo! É assim que você resolve as coisas?


[Cristina]: É assim que trato quem não respeita! Você não esqueça que EU SOU SUA MÃE! EU TE CRIEI E FALO DO SEU PAI QUANDO EU QUISER! Sabe que isso não me faz bem e me provoca! Saia da minha frente, saia! *Maria se levanta do sofá e vai ao quarto, em silêncio. Cristina segura o choro, pensa no que fez e fica olhando para o nada, pensando silenciosamente*



CENA 07: CASA DE DONA SÍLVIA | QUARTO DE MARCELA | INT. | NOITE


Otávio conta o que aconteceu na tarde para Marcela, ela mexe no celular e escuta Otávio. Fica horrorizada com cada palavra que sai em sua boca.


[Otávio]: E foi isso! Fiquei até impressionado que minha mãe deixou eu vir hoje…


[Marcela]: *rir* Meu Deus, você fala que a menina quase te matou e tu fala como se fosse nada? Homem… *risos. Ela navega pelo Gram e encontra um post, ela fica horrorizada ao ver seu rosto estampado* AMIGO, AMIGO! VEM VER ISSO! *Otávio se aproxima e ler junto com Marcela*


[Otávio]: Oxe? Que isso?


[Marcela]: Otávio, o povo daqui já me acha estranha, me olham de cara feia… Agora com essa notícia falsa… Meu Deus… “A menina que perdeu os pais, rodada e piranha. Escute os áudios e vídeos que comprovam tudo…” Amigo, eu tô morta!


CONGELAMENTO EM MARCELA


ENCERRAMENTO AO SOM DE “Soy Loco por Ti, America” de IVETE SANGALO