GATO & SAPATO - CAPÍTULO 35 (ÚLTIMO CAPÍTULO)
web-novela criada e escrita por SINCERIDADE
CENA 01: BELLA GLAMOUR/INT./DIA
Após conseguir todos seus bens de volta, Alyra, agora renovada e com roupa cara, sobe o elevador da Bella Glamour ao lado de Rúbia. O elevador se abre e as duas caminham pelo corredor da empresa sob os olhares curiosos dos funcionários, que cochicham entre si.
FUNCIONÁRIA 01 (baixo): Não é possível…
Alyra segue em frente, sem desviar o olhar.
CORTA PARA: SALÃO PRINCIPAL
Todos os funcionários estão reunidos. O burburinho toma conta do ambiente até que Alyra se posiciona à frente deles. Rúbia permanece ao seu lado.
Silêncio.
ALYRA: Eu imagino que essa seja uma surpresa pra muitos de vocês. Talvez até um choque. Afinal, até ontem, o que se dizia por aí era que eu era uma criminosa… que tinha perdido tudo… que a minha história tinha acabado.
Pausa.
ALYRA (continua): Mas a verdade sempre aparece. E hoje, eu tô aqui pra dizer que todas as acusações contra mim foram derrubadas… e que tudo aquilo que foi tirado de mim… voltou pras minhas mãos.
Os funcionários se entreolham.
ALYRA: A partir de agora, eu retomo oficialmente o comando da Bella Glamour, ao lado da minha irmã, Rúbia.
Murmúrios se espalham pela sala.
RÚBIA (emocionada): E dessa vez, ninguém vai conseguir tirar isso da gente.
Alyra segura a mão dela por um instante.
ALYRA: Eu sei que muita coisa aconteceu aqui dentro enquanto eu estive fora. Decisões foram tomadas erroneamente… e algumas pessoas se aproveitaram da situação para transformar essa empresa em algo que ela nunca foi. Num inferno.
Pausa.
ALYRA (firme): Mas isso acabou. A Bella Glamour volta a ser, a partir de hoje, uma empresa construída com trabalho, com dignidade, continuando o legado que meu pai deixou. E quem quiser continuar fazendo parte dessa nova fase, vai ter que entender uma coisa muito simples: aqui não tem mais espaço pra mentira, nem pra jogo sujo.
Ela encara a equipe.
ALYRA: Conto com vocês. Porque nós temos muito trabalho pela frente.
Alguns funcionários começam a aplaudir, fervorosos. Alyra e Rúbia trocam um olhar de cumplicidade.
MESES DEPOIS…
Ao som de “Trem das Onze - Sambô”, mostramos imagens de São Paulo. A câmera corta para o interior de uma igreja, onde está acontecendo o casamento de Silas e Alyra.
CENA 02: IGREJA/INT./DIA
Silas está no altar, visivelmente nervoso, ajeitando a gravata pela milésima vez. As portas da igreja se abrem. Alyra surge ao fundo, deslumbrante, ao lado de Adelaide. Amélia e Normélia aparecem emocionadas, agora felizes vivendo seu namoro. Janete, com os olhos marejados, é consolada por Jonas, seu namorado. Alyra percorre o corredor da igreja radiante. Silas a observa, completamente encantado, enquanto ela caminha lentamente em sua direção. Rúbia, sentada na primeira fileira, segura o choro, orgulhosa, com a barriga enorme. Tina cutuca Amélia, sussurrando algo que a faz rir em meio às lágrimas. Alyra finalmente chega ao altar, e Adelaide a entrega a Silas. Silas segura as mãos dela.
SILAS (baixo): Você tá linda.
ALYRA (sorri): Eu sei.
O padre inicia a cerimônia, e a câmera se afasta lentamente.
SONOPLASTIA: VOCÊ VAI VER - MAIARA & MARAÍSA
No próximo take, Alyra e Silas surgem saindo da igreja de mãos dadas, sob uma animada chuva de arroz. Os convidados aplaudem, sorriem e se aproximam para cumprimentá-los.
SONOPLASTIA: CAN’T TAME HER - ZARA LARSSON
Meses se passam novamente. Mostramos várias imagens de São Paulo ao som da música citada.
CENA 03: JANETE'S LANCHES/INT./DIA
A lanchonete está sendo reinaugurada novamente. O ambiente está completamente decorado. Janete, usando um avental, abre uma garrafa de refrigerante como se fosse champanhe.
JANETE: Eu esperei tanto esse dia… Minha lanchonete de volta! E dessa vez, ninguém vai me fazer fechar as portas.
Alyra, ao lado de Adelaide, observa tudo com um sorriso tranquilo.
ALYRA: Agora acabou. Não tem mais Violeta, nem Rafael, nem Verinha… e nem mais ninguém pra infernizar a nossa vida.
ADELAIDE: Sabe que eu tenho medo daquela vaca voltar? Eu espero muito que ela esqueça que a gente existe.
ALYRA: Violeta gosta de dinheiro, mãe. Ela não vai voltar tão fácil... Bom, ela eu não sei, mas o cafajeste do Rafael a essas horas deve estar queimando no quinto dos infernos. E a Verinha, coitada, tá lá naquele hospital até hoje com a cara enfaixada.
ADELAIDE: Eu fico com pena, sabe? Mas ao mesmo tempo, fico feliz. É, a gente lutou tanto, que merecemos essa felicidade.
Nesse momento, a porta se abre. Rúbia entra com seu bebê nos braços. Todos se viram imediatamente.
ALYRA (emocionada): Rúbia!
As duas se abraçam com cuidado por causa do bebê.
RÚBIA (sorri): Olavinho tava com saudades de você.
Alyra beija a testa do bebê.
ALYRA: Eu também tava morrendo de saudades desse meu menininho! Lindo!
RÚBIA: Bom… eu vim me despedir também. Eu tô indo viajar. Surgiu uma oportunidade de trabalho no mundo da moda… e eu preciso tentar. Quero respirar novos ares.
TINA: que Chique!
JANETE: Vai arrasar, minha sobrinha!
Alyra segura a mão de Rúbia.
ALYRA: Você merece recomeçar, minha irmã. Depois de tudo o que passamos… eu fico feliz por você, de verdade.
RÚBIA: Eu só sei que agora eu vou aproveitar essa viagem pra trabalhar e espairecer. Já chega de homem maluco querendo me prender em fazenda. Meu foco agora é esse aqui.
Ela beija a testa do filho.
RÚBIA: E quando eu voltar… quem sabe eu não abro minha própria marca? (pausa) Falando em recomeço… e você, hein, Alyra?
Alyra troca um olhar cúmplice com Silas.
ALYRA (sorri): Bom, eu também tenho uma novidade. (pausa) Eu tô grávida!
TINA: MENTIRAAAAA!
JANETE: Ai, meu Deus do céu!
Normélia começa a bater palmas, histérica.
NORMÉLIA: EU SABIA! EU SABIA!
Silas puxa Alyra pela cintura e a beija, emocionado.
ADELAIDE (leva a mão ao peito): Eu… eu vou ser vovó?!
ALYRA (rindo, com lágrimas nos olhos): Vai, mãe.
Adelaide abraça os dois com força, completamente emocionada.
JONAS (erguendo um copo de refrigerante):
Posso fazer um brinde? Um brinde… à gente. Às vezes a vida derruba, pisa, humilha, faz a gente duvidar de tudo… mas se tem uma coisa que eu aprendi olhando pra vocês é que sempre dá pra levantar. Nem que seja na base do ódio!
Todos erguem seus copos, brindando com felicidade. A câmera se afasta.
CENA 04: HOSPITAL/INT./DIA
Deitada na cama, Verinha está imóvel. Seu rosto está completamente coberto por faixas. Apenas os olhos ficam à mostra, arregalados. A médica entra, acompanhada por uma enfermeira.
MÉDICA (suave): Boa tarde, Vera Lúcia. Como você está se sentindo?
VERINHA (voz fraca, rouca):
Como se um caminhão tivesse passado por cima da minha cara… e dado ré. Vem cá, faz quanto tempo que eu tô aqui, hein? E porque esse negócio na minha cara?
MÉDICA: Tem uns bons meses que você está aqui. Você se feriu muito naquele incêndio, não se lembra? Mas calma que eu trago boas notícias. Hoje nós vamos retirar o enfaixamento. Mas eu preciso que você se mantenha calma, tudo bem?
VERINHA: Calma? Doutora, eu sobrevivi a um incêndio. Eu acho que calma já foi embora faz tempo.
A enfermeira posiciona um espelho sobre a mesinha ao lado, virado para baixo.
VERINHA (olhando): Pra que isso?
MÉDICA: Você vai querer se ver.
Um silêncio pesado toma conta do ambiente. A médica começa a retirar, cuidadosamente, as primeiras camadas de gaze.
VERINHA (tentando brincar): Se eu tiver virado o Freddy Krueger, vocês me avisam antes, tá?
Ninguém ri. A respiração de Verinha começa a acelerar.
VERINHA: Tá demorando demais… o que foi que aconteceu comigo?
A última faixa é retirada. A médica faz um leve gesto para a enfermeira virar o espelho. Ela vira. Verinha encara o próprio reflexo.
INSTRUMENTAL: TENSO LEVE #3 - MU CARVALHO
VERINHA (grita): AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Ela leva as mãos ao rosto, desesperada, ao ver seu rosto desfigurado.
VERINHA: NÃO! NÃO! NÃO! ESSA NÃO SOU EU! ESSA NÃO SOU EU!
MÉDICA: Vera, por favor, tente—
VERINHA: O QUE VOCÊS FIZERAM COMIGO?! O QUE VOCÊS FIZERAM?!
Ela joga o espelho longe. O objeto se espatifa no chão.
SONOPLASTIA: BEM QUE SE QUIS - PATRÍCIA DIEGUES
CENA 05: PARQUE IBIRAPUERA/EXT./FIM DE TARDE
O sol do fim de tarde ilumina as árvores do Parque Ibirapuera. Alyra caminha lentamente, com uma das mãos apoiada na barriga já visível. Silas está ao seu lado, segurando sua mão com cuidado, enquanto Adelaide vem do outro lado, observando tudo com um sorriso no rosto. Ciclistas passam ao fundo. O vento balança suavemente os cabelos de Alyra.
SILAS (baixo, encantado): Eu nunca imaginei que a paz fosse ter esse som…
ALYRA (sorri): Que som?
SILAS: O do silêncio.
Adelaide para por um instante, olhando Alyra.
ADELAIDE (emocionada): Eu perdi tantos anos… mas acho que Deus tá me dando a chance de viver tudo de novo agora. Ver você assim… formando a sua família… é como se o mundo tivesse se reorganizado dentro de mim.
Alyra segura a mão da mãe.
ALYRA: Você tá aqui agora, mãe. É isso que importa.
ADELAIDE (emocionada): Eu te amo, Alyra. Te amo muito.
ALYRA: Eu também te amo, mãe.
As duas se encaram, emocionadas. Silas observa a cena em silêncio, com um sorriso discreto no rosto.
SILAS (brincando, pra quebrar o clima): Eu tô adorando esse momento família… mas vocês podiam lembrar que eu também existo, né?
As duas riem.
ALYRA (puxa Silas pela mão): Vem cá, bobo.
Silas se agacha diante da barriga de Alyra.
SILAS (brincando): Escuta aqui, hein… nada de chutar a mamãe de madrugada igual jogador de futebol.
Alyra ri.
ADELAIDE:
Eu vou mimar tanto esse bebê…
ALYRA: Mãe!
ADELAIDE: Ué, esperei décadas pra ser avó!
Os três voltam a caminhar. A câmera se afasta.
SONOPLASTIA: ODETE ROITMAN - EDUARDO QUEIROZ, GUILHERME RIOS
CENA 06: AVIÃO/INT./NOITE
Violeta está sentada na primeira classe, elegante, com óculos escuros mesmo dentro do avião. Ao seu lado, seu marido, um senhor de aproximadamente 80 anos, segura uma taça de vinho com as mãos trêmulas.
VIOLETA (sorriso doce): Bebe tudo, meu amor… o médico disse que uma tacinha de vinho faz bem pro coração. Tá ansioso pra visitar sua fazenda de 50 mil hectares, hã?
O velho sorri, apaixonado.
MARIDO: Muito! (pausa) Você cuida tão bem de mim, Violeta… eu tive tanta sorte de te encontrar.
Ela observa enquanto ele bebe. Ele termina o vinho. Alguns segundos se passam.
VIOLETA (olhando pela janela):
São Paulo… quanto tempo, não é? (pausa) Eu juro que tentei seguir em frente. Juro que tentei esquecer tudo o que aquela garota me fez passar… mas certas feridas não cicatrizam. E se a Adelaide tá achando que eu me contentei com aquela mixaria que ela me deu, tá muito enganada!
Ela cruza as pernas, tranquila.
VIOLETA: Alyra pode estar vivendo a vidinha perfeita dela, mas ela não tem o meu perdão. E nunca vai ter.
De repente:
MARIDO: Violeta… eu… tô me sentindo estranho…
Ele começa a suar.
MARIDO: Meu peito… tá doendo…
Violeta se vira lentamente, como se tivesse sido interrompida.
VIOLETA (fingindo preocupação): Amor? O que foi? Amor?!
Ele começa a ofegar. Violeta levanta a mão imediatamente.
VIOLETA (histérica, falsa): AEROMOÇA! AEROMOÇA, PELO AMOR DE DEUS! MEU MARIDO NÃO TÁ BEM!
A aeromoça vem correndo.
AEROMOÇA: Senhora, o que está acontecendo?
VIOLETA (segurando o rosto dele):
Ele tava ótimo! A gente tava conversando, rindo… ele só tomou um golinho de vinho e começou a passar mal! FAZ ALGUMA COISA!
O marido tenta falar, mas só sai um som fraco.
MARIDO (fraco): Vi… o…
AEROMOÇA (no rádio):
Precisamos de assistência médica na primeira classe imediatamente!
Um homem ao fundo se levanta.
PASSAGEIRO: Eu sou cardiologista!
O burburinho aumenta. A maioria se levanta. No meio do caos… Violeta solta lentamente o rosto do marido. O médico se aproxima e começa a reanimá-lo, mas infelizmente o homem não resiste.
CARDIOLOGISTA (baixo): Perdemos.
AEROMOÇA: Senhora…?
Violeta demora alguns segundos para reagir. Então leva a mão à boca.
VIOLETA (dramática): Não…
Ela se levanta.
VIOLETA: NÃO! NÃO! ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO!
Ela abraça o corpo dele, chorando alto. Passageiros se comovem.
PASSAGEIRA: Coitada…
Mas enquanto está “abraçada” ao marido…
Violeta abre os olhos, calculista. Sua mão desliza até o bolso do paletó dele… e discretamente pega o celular. Ela se afasta, ainda chorando falsamente.
VIOLETA (soluçando): Eu… eu preciso avisar a família…
Ela se vira de costas e para de chorar. Desbloqueia o celular com o rosto dele, abrindo o aplicativo do banco. Seus olhos brilham com o saldo.
VIOLETA (sussurra): Obrigada pelo upgrade de vida, meu amor.
Ela faz a transação do dinheiro e respira fundo. Do lado de fora, o avião corta o céu rumo a São Paulo.
VIOLETA (voz off): Alyra… você achou mesmo que tinha acabado?
A cena congela no avião.
FIM.
ENCERRAMENTO:

Nenhum comentário:
Postar um comentário