GATO & SAPATO - CAPÍTULO 31 (09/02/2026)


 GATO & SAPATO - CAPÍTULO 31 (ÚLTIMA SEMANA)

web-novela criada e escrita por SINCERIDADE

CENA 01: MANSÃO TRAJANO/INT./MANHà

INSTRUMENTAL: TENSO LEVE AA #3 - MU CARVALHO 

Rafael continua segurando os braços de Rúbia com força, enquanto ela esperneia e grita, tentando atacá-lo.

RÚBIA (furiosa): SEU LIXO, EU VOU ACABAR COM A TUA RAÇA RAFAEL! VOCÊ VAI SE ARREPENDER DE TER NASCIDO! EU ODEIO VOCÊ!

RAFAEL (sarcástico): Você não é capaz de fazer mal pra uma abelha, Rúbia, quem dirá fazer algo contra mim! (pausa) Agora acabou, eu sou o novo dono desta casa. Sua mãe já não está mais entre nós pra te proteger, queridinha. 

RÚBIA: PORQUE FEZ ISSO? PORQUE TANTO ÓDIO DA MINHA FAMÍLIA, DA MINHA MÃE? 

RAFAEL: Eu não tenho ódio de ninguém, Rúbia. Eu apenas queria subir na vida, sabe? E você foi a vítima perfeita. 

RÚBIA: Você não tá sozinho nessa… tem alguém… tem alguém com você… QUEM É, SEU DESGRAÇADO?

RAFAEL: Verinha. Verinha é a minha amante. Eu e ela somos cúmplices, desde quando ela trabalhava pra Alyra na Bella Glamour. Foi ela quem me ajudou a acabar com a sua mãe.

Rafael aperta ainda mais os braços dela.

RAFAEL: Eu só fiz o que qualquer homem ambicioso faria, amor. A diferença é que eu tive inteligência. Violeta mandava, humilhava, pisava em todo mundo enquanto eu só fui mais esperto.

RÚBIA (baixa, inconformada): Doente… doente.. você é doente!

Num impulso de ódio, Rúbia ergue a perna e dá um chute com força em Rafael, que é pego de surpresa e recua alguns passos, soltando-a.

RAFAEL: Sua louca!

Aproveitando o momento, Rúbia se vira e sai correndo em direção a porta, desesperada.

RÚBIA (gritando enquanto corre): EU VOU PRA DELEGACIA! EU VOU CONTAR TUDO, RAFAEL! ACABOU PRA VOCÊ!

Rúbia alcança a porta, toca a maçaneta com a ponta dos dedos, mas não consegue abrir. Rafael a alcança por trás e puxa seus cabelos com violência. Rúbia grita de dor.

INSTRUMENTAL: TENSO ORCH AA #2 - MU CARVALHO 

RÚBIA: ME SOLTA! SOCORRO!

Ela se debate, tenta se virar, mas falha.

RAFAEL: Acabou o show. Agora você vai pra bem longe daqui, sua besta quadrada. Ninguém nunca mais vai conseguir te localizar. 

Rafael a segura com força, abre a porta e começa a arrastar Rúbia para a área externa.

RÚBIA (chorando): Pra onde você tá me levando? SOCORRO! SOCORRO, ME AJUDEM!

RAFAEL: Pode gritar a vontade, amor. Ninguém vai te ouvir!

Eles chegam até o carro. Rafael empurra Rúbia contra o veículo com brutalidade e abre a porta do passageiro. Ela tenta resistir, mas ele é mais forte. Rafael a joga para dentro e bate à porta com força. Rúbia chora, desesperada, batendo no vidro.

RÚBIA (gritando): ME TIRA DAQUI! RAFAEL, POR FAVOR! O QUE VOCÊ VAI FAZER COMIGO?

Rafael dá a volta no carro, entra no banco do motorista e liga o motor sem hesitar.

RAFAEL (frio, já sem paciência): Eu vou te levar pra um lugar que você vai amar, Rúbia. Com toda certeza você vai amar.

O carro arranca em alta velocidade, deixando a mansão para trás. Pela janela, Rúbia vê a casa se afastar, cada vez mais distante. Ela leva as mãos ao rosto, em pânico.

ALGUMAS HORAS DEPOIS…

CENA 02: FAZENDA/INT./DIA

INSTRUMENTAL: SUSPENSE ETHEREO #1 - MU CARVALHO 

O carro segue por uma estrada de terra longa, cercada por mato alto. Ao longe, surge uma fazenda antiga, isolada. Rúbia percebe onde está chegando e entra em pânico.

RÚBIA (desesperada): Onde é isso?! Para o carro agora, Rafael! Você não pode fazer isso comigo!

Rafael estaciona em frente à casa principal e desliga o motor com calma excessiva.

RAFAEL (frio): Pode descer. Chegamos.

Ele sai do carro e abre a porta do passageiro. Rúbia recua o corpo o máximo que consegue, grudando no banco.

RÚBIA: Não… não… isso é um sequestro! Isso é crime! EU NÃO VOU DESCER!

Rafael se inclina, encara o rosto dela.

RAFAEL: É melhor você colaborar.

Ele a puxa pelo braço. Rúbia chora, olha em volta, não vê ninguém, só o mato e a casa antiga. A porta da casa se abre. Surge uma mulher mais velha, simples, com  avental amarrado na cintura: a tia de Rafael, Ivone (Betty Faria).

IVONE: Então é essa a moça?

Rúbia arregala os olhos, ainda mais assustada.

RÚBIA (implorando): Por favor… me ajuda… eu tô grávida… esse homem é um lixo, ele matou a minha mãe!

A mulher observa a barriga dela por um instante, sem emoção.

TIA: Eu sei. Foi isso que ele me contou.

Rafael empurra Rúbia levemente para frente.

RAFAEL: Cuida dela, tia. Como combinado. 

RÚBIA: Tia?!

RAFAEL: Eu quero que a senhora cuide dela muito bem. Comida boa, médico quando precisar... O bebê tem que nascer forte. 

RÚBIA (em choque): Não… não, eu não vou ficar aqui! Rafael, por favor, eu te imploro! Por favor, me leva de volta! Eu não quero ficar aqui nesse mausoléu! SOCORRO! SOCORRO!

IVONE: Ih, minha filha, o meu vizinho mais próximo fica a cinco quilômetros daqui.

Rúbia se vira para Rafael, num último apelo.

RÚBIA: Rafael, pelo amor de Deus… pensa no nosso filho! Você vai mesmo fazer isso comigo?

Rafael evita encarar a barriga dela e mantém o olhar frio.

RAFAEL:Justamente por causa dele que você vai ficar aqui. Longe de polícia, longe de confusão, só não vai se ver longe de mim tão cedo.

RÚBIA (gritando): EU TE ODEIO!

Ele faz um gesto rápido para Ivone.

RAFAEL: Qualquer coisa, me liga, tia.

Ivone assente com a cabeça.

IVONE: Vai tranquilo, meu querido.

Rafael entra no carro, bate à porta e dá a partida. O carro se afasta levantando poeira. Rúbia corre alguns passos atrás dele, gritando, mas o som do motor some na estrada de terra. Rúbia fica parada, ofegante, em choque. Ivone segura o braço dela, sem brutalidade, mas com firmeza.

IVONE: Vamos entrar, queridinha. Tá frio, e você não pode passar nervoso desse jeito. Não faz bem pro bebê.

Ivone puxa Rúbia em direção à casa. A câmera se afasta da fazenda isolada, perdida no meio do nada.

CENA 03: DELEGACIA/INT./DIA

Alyra está sentada no chão da cela, encostada na parede, com os olhos fechados e rezando. De repente, o policial se aproxima da cela e ela se levanta, esperançosa.

ALYRA: Tem alguém querendo me ver?

POLICIAL: Sim. A liberdade.

ALYRA:Como assim?

O policial destranca a cela.

POLICIAL: Você está livre. As acusações contra você foram retiradas.

Alyra leva a mão à boca, sem acreditar.

ALYRA (emocionada): Livre? Mas… mas o quê que aconteceu?

POLICIAL: Uma mulher se apresentou agora há pouco e confessou o assassinato da Violeta da Paz Trajano. Assumiu tudo.

Alyra arregala os olhos, em choque.

ALYRA: Uma mulher? Quem? Quem fez isso?

O policial fecha a cela e guarda a chave.

POLICIAL: Giulia. Giulia Jolie.

ALYRA (incrédula): Como é que é?

CENA 04: MANSÃO TRAJANO/INT./DIA

SONOPLASTIA: SUPERMASSIVE BLACK HOLE - MUSE (INSTRUMENTAL)

De pernas cruzadas e abrindo um champagne, Rafael comemora sua vitória ao lado de Verinha na sala da mansão.

VERINHA: Eu disse que ia dar certo, mô. A Alyra presa, a Violeta morta, a Rúbia bem longe… tudo exatamente como planejamos.

Verinha se aproxima, senta ao lado dele.

VERINHA: Agora me diz uma coisa… e o bebê, hein? Vai crescer naquela fazenda horrorosa, cheirando a esterco, virando um caipira sem dente? 

Rafael solta uma gargalhada curta.

RAFAEL: Não fala assim… eu fui criado naquele lugar e não me tornei um caipira sem dente.

VERINHA (irônica): Virou coisa pior, né? Dono de mansão, cheio de dinheiro… e sem nenhum escrúpulo. 

Verinha se senta no colo dele, de frente a ele e começa a tirar sua gravata.

RAFAEL: Só sem escrúpulos?

VERINHA: Sem vergonha. Sem frescura. Sem medo de botar os outros pra correr. 

RAFAEL: E você sabia exatamente com quem estava se metendo. 

VERINHA: Sabia… e gostei. 

RAFAEL: Agora isso tudo aqui é nosso, meu amor! Só nosso!

VERINHA (grita pro alto enquanto está agarrada nele): EU TÔ RICAAAAAAAAAAAA!

O beijo entre eles se intensifica, a música sobe e a câmera se afasta.

CENA 05: FAZENDA/INT./DIA

A casa é simples. Panela no fogo. Galinhas cacarejam do lado de fora. Rúbia entra na sala, indignada, passando a mão pela barriga enquanto Ivone cozinha 

RÚBIA (histérica): Não! Não, não, não! Eu me recuso! Isso aqui é um castigo, uma penitência, um purgatório! Eu saí de uma mansão pra vir parar num cenário de filme de terror rural! Eu quero ir embora agora!

Ivone continua mexendo a panela.

RÚBIA: Eu não tenho internet, não tenho telefone, não tenho nada! Nem sinal de fumaça deve pegar aqui! Isso é lugar de gente? Isso é lugar de grávida?! 

Ivone prova a comida com a colher.

IVONE: É lugar de quem precisa ficar quieta.
Rúbia se vira, furiosa.

RÚBIA: QUIETA?! Eu perdi minha mãe, perdi minha casa, perdi minha vida e agora tô presa nesse fim de mundo fedendo a galinha morta e a senhora quer que eu fique quieta?

Ivone finalmente se vira, encarando Rúbia de cima a baixo.

IVONE: Respeite a casa.

RÚBIA (rindo nervosa): Casa?! Isso aqui é um cativeiro! E a senhora é o quê? A carcereira?

Ivone cruza os braços.

IVONE: Sou a mulher que tá garantindo que você e esse bebê fiquem vivos, minha filha.

Rúbia se aproxima, com lágrimas e ódio misturados.

RÚBIA: Às custas da minha liberdade! Às custas da minha sanidade! Eu quero ir embora! Agora! Hoje! Eu exijo! Aquele desgraçado do Rafael vai pagar caro por tudo o que tá fazendo!

Ivone caminha lentamente até um canto da sala. Pega uma espingarda velha, encostada ali como um objeto qualquer. Ela não aponta. Só segura. Silêncio. Rúbia empalidece.

IVONE (calma, firme): Aqui ninguém exige nada.

RÚBIA (assustada): A senhora… a senhora não teria coragem…

IVONE: Coragem eu tenho. O que eu não tenho é paciência. Sou profissional nisso.

Ivone coloca a espingarda apoiada na mesa, bem visível.

IVONE: O Rafael deixou tudo muito claro. Você fica aqui, come bem, faz os exames, dá à luz. Depois… ele decide o que faz com você e com a Criança. 

Rúbia começa a chorar, derrotada.

RÚBIA: Ele destruiu a minha vida… ele comprou a minha casa, ele me deu um golpe! Tem noção disso??

Ivone suspira.

IVONE: Chora o que tiver pra chorar. Mas não tenta fugir. Porque aqui… quem manda não é você. E nem eu.

Rúbia cai sentada na cadeira, soluçando.
Ivone volta para o fogão, como se nada tivesse acontecido. A câmera fecha em Rúbia, chorando.

ANOICETE
Imagens de São Paulo ao som de “Can’t Tame Her - Zara Larsson”.

CENA 06: DELEGACIA/INT./NOITE

Adelaide, presa numa cela com mais três mulheres, está debruçada sobre as grades, pensativa. De repente, um policial se aproxima.

POLICIAL: Tem visita pra você.

ADELAIDE (se anima, baixo): Será que é a Alzira?

CORTA PARA: DELEGACIA/SALA DE VISITAS

Adelaide entra algemada, abatida, mas tentando manter a pose. Do outro lado da mesa está Alyra.

ADELAIDE (surpresa): Alyra…

ALYRA (contida) Eu vim aqui pra entender… Porque, sinceramente, nada do que aconteceu faz sentido na minha cabeça. Eu fiquei dias presa, sendo apontada como assassina, sendo olhada como se eu fosse um monstro… e de repente, do nada, aparece você, uma mulher que eu mal conheço, dizendo que matou a Violeta no meu lugar. Então eu preciso que você me diga, olhando nos meus olhos, por que alguém faria uma coisa dessas. Por que alguém destruiria a própria vida… por mim. Eu sei que você não é a assassina da Violeta, Giulia. Disso eu tenho certeza.

Adelaide, se passando por Giulia Jolie, engole seco e respira fundo. As mãos tremem.

ADELAIDE: Porque eu não podia deixar você pagar por um crime que não cometeu.

ALYRA: Mas assumir um assassinato?! Você tem ideia do que isso significa? Tudo isso pra me livrar? A gente mal se conhece!

ADELAIDE: Você acha mesmo que eu não pensei em tudo isso? Você acha que eu não passei noites em claro, sabendo exatamente o que ia acontecer comigo no momento em que eu me entregasse? Eu sabia que estava assinando a minha própria sentença. Mas também sabia que existiam dores que eu já não conseguia carregar… e ver você sendo destruída era uma delas.

ALYRA: Você fala como se me conhecesse profundamente. Como se soubesse exatamente quem eu sou, o que eu sinto… E isso é o que mais me assusta nessa história toda.

Adelaide engole seco novamente. As lágrimas surgem.

ADELAIDE: Eu sei como você tenta parecer forte quando está quebrada por dentro. Sei como você disfarça a solidão com ironia.  Sei como a ausência de uma mãe te acompanhou a vida inteira como uma ferida aberta. Nada disso é coincidência, Alyra. Eu cheguei até você e não foi à toa. 

O coração de Alyra dispara.

ALYRA (sussurrando, abalada): Como… como você pode saber disso tudo? Como me encontrou e chegou até mim?

Adelaide respira fundo.

ADELAIDE: Eu sempre te conheci, Alyra. Desde sempre. Sempre.

ALYRA: Para… Para de falar assim…

ADELAIDE (voz embargada, mas firme): Eu me escondi atrás de outro nome, de outro rosto, de outra vida… Porque achei que era a única forma de te proteger. Mas quando te vi atrás das grades, eu entendi que fugir já não era uma opção.

Ela levanta o rosto, encarando Alyra.

ADELAIDE: Eu não me chamo Giulia Jolie.

Silêncio absoluto.

ADELAIDE (chorando): Meu nome é Adelaide.
Eu sou a sua mãe. (pausa) Eu tô viva, filha. 

Alyra se choca totalmente.

ALYRA (quase sem voz): Mãe…?

A câmera intercala entre as duas. Adelaide, completamente emocionada, e Alyra, com os olhos arregalados.

CONGELAMENTO EM ALYRA.

ENCERRAMENTO: 


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