GATO & SAPATO - CAPÍTULO 34 (PENÚLTIMO CAPÍTULO)
web-novela criada e escrita por SINCERIDADE
CENA 01: MANSÃO TRAJANO/INT./MANHÃ
INSTRUMENTAL: SUSPENSE ETHEREO #1 - MU CARVALHO
Alyra se vira imediatamente para ela, assustada.
ALYRA (incrédula): O que foi que você disse?
VERINHA: É isso mesmo que você ouviu, querida. Fui eu! Eu matei o poderoso chefão! EU!
ALYRA (sem reação, quase sussurrando): Mentira… mentira sua… VOCÊ TÁ MENTINDO!
VERINHA (rindo, descontrolada): Eu queria estar! Ia facilitar muito a minha vida se isso fosse só mais uma das minhas loucuras, né? Mas não é! Eu matei o Olavo! E sabe por quê? Porque, muitos anos atrás, esse homem maravilhoso que você idolatrava tanto e que você chama de paizinho… matou o meu pai!
Alyra engole seco.
VERINHA (avançando, tomada pelo ódio): Meu pai me criou sozinho, Alyra. Sozinho! Ele trabalhava de dia, de noite, de madrugada… fazia bico, lavava carro, carregava saco de cimento… tudo pra botar comida dentro de casa e pagar o meu material da escola! Ele era tudo que eu tinha, pois minha mãe faleceu quando me pariu!
A voz falha, mas ela continua.
VERINHA: Aí, numa bela noite… o carro do seu paizinho apareceu. Ele tava bêbado e tava com pressa. Ele tava pouco se lixando pra qualquer coisa que não fosse o próprio umbigo. Ele atropelou o meu pai… e fugiu.
Rúbia leva a mão à boca.
VERINHA (gritando): ELE FUGIU! Não prestou socorro! Não chamou ambulância! Não fez nada! E sabe o que aconteceu depois? Nada! Absolutamente nada! Porque rico não vai preso nesse país! Rico paga advogado, paga polícia, juíz e segue a vida como se nada tivesse acontecido!
Ela ri, completamente histérica.
VERINHA: Enquanto isso, eu… eu fiquei sozinha. Sem pai, sem mãe, sem ninguém! Cresci comendo resto.
ALYRA (trêmula): Eu… eu nunca soube disso…
VERINHA (fria): Claro que não soube! Você tava ocupada vivendo a sua vidinha perfeita, dentro dessa mansão, sendo a filhinha querida do homem que destruiu a minha vida! (Pausa) Então eu fiz o que qualquer pessoa com sede de vingança faria.
ALYRA: O quê?
VERINHA: Me aproximei.
Ela aponta pra Alyra.
VERINHA: De você. A minha chegada na Bella Glamour foi toda planejada, amor. Eu estudei a sua vida desde muito cedo, e me aproximei de você toda sorrateira. E consegui o que queria.
Alyra estreita a sobrancelha.
VERINHA: Eu virei amante do Olavo, Alyra.
ALYRA: O quê?
VERINHA (com nojo): Aturei o cheiro dele, as mãos dele, as promessas ridículas que ele fazia depois do sexo… ouvi ele falar de você, da família, dos negócios… enquanto eu sorria e fingia que tava apaixonada. Pelo menos ele era um bom daddy.
Num misto de ódio e perplexidade, Alyra se aproxima e dá um tapa na cara da rival, que segura o rosto com a mão, mas resiste.
VERINHA: E EU CONSEGUI! Naquela noite, eu e seu pai combinamos de nos encontrar na empresa depois do expediente, como a gente sempre fazia. Mas ele não contava com a minha astúcia e foi, inocente, achando que seria apenas mais uma noite. (pausa) Eu peguei um revólver emprestado do meu primo e PUFF, ATIREI NO VELHO!
Alyra, fora de si, parte pra cima dela e lhe acerta um tapa violento. Verinha revida imediatamente e as duas começam a se estapear, trocando empurrões, puxões de cabelo e xingamentos.
ALYRA: SUA DESGRAÇADA! ASSASSINA!
VERINHA: VEM! VEM ME BATER! FOI POUCO O QUE EU FIZ COM O TEU PAIZINHO!
No meio da confusão, Rafael observa, paralisado e pensativo. Rúbia percebe. O vilão se afasta aos poucos e sobe a escada.
RÚBIA (grita): RAFAEL!
Ela vai atrás dele. No segundo andar, Rafael entra no quarto às pressas, abre gavetas, derruba objetos, puxa o que encontra pelo caminho. Rúbia surge na porta.
RÚBIA: O que você tá fazendo?!
Ele a ignora e rasga a colcha da cama, espalhando álcool sobre o tecido. Rúbia se aproxima, apavorada.
RÚBIA: Rafael… para com isso. Pelo amor de Deus… você tá louco?
Ele finalmente a encara.
RAFAEL (baixo): Se não vai ser eu quem vai ficar com essa casa, ninguém vai ficar!
Ele acende o isqueiro. Rúbia arregala os olhos.
RÚBIA: NÃO!
Ela tenta avançar, mas ele a empurra com força contra a parede, fazendo ela quase desmaiar. A chama toca o tecido e o fogo começa. Alyra sobe correndo ao sentir o cheiro de fumaça.
ALYRA: RÚBIA!
Atrás dela, Verinha puxa seu cabelo, tentando jogá-la da escada, mas Alyra se vira e empurra Verinha, que desmaia ao de desequilibrar. No quarto, as chamas já se espalham pela cortina. Rúbia tenta se levantar, tossindo, enquanto Rafael a olha, maquiavélico.
RÚBIA: VOCÊ VAI MATAR TODO MUNDO!
RAFAEL: É exatamente isso que eu quero!
Alyra entra no quarto e vê tudo. O fogo cresce a cada segundo.
ALYRA: MEU DEUS! OLHA O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO, SEU LIXO!
Ela corre até Rúbia e a ajuda a levantar. Parte do teto estala. Rafael, paralisado, saca um revólver da cintura e aponta para as duas.
RAFAEL: ACABOU!
INSTRUMENTAL: TENSO ORCH AA #2 - MU CARVALHO
Desesperadas, elas fecham os olhos esperando o pior, mas a arma dele falha. As duas fogem rapidamente dali, e ele vai atrás, furioso. Alyra e Rúbia tentam descer as escadas, mas um pedaço do teto em chamas cai diante delas. Encurraladas, elas olham para trás e se deparam com Rafael, no topo da escada, com o olhar totalmente psicótico.
RAFAEL (apontando a arma): Que ironia… a casa que vocês tanto querem tirar de mim, vai ser a casa que vocês irão morrer!
ALYRA: Você também tá aqui, seu imbecil!
RAFAEL: Começa a rezar, Alyra. Você vai ser a primeira. Minha arma agora não vai falhar.
Rúbia e Alyra fecham os olhos novamente, enquanto Rafael puxa o gatilho e se prepara pra atirar. De repente, Normélia surge atrás dele, com um taco de beisebol. Ela o golpeia, fazendo o vilão desmaiar.
NORMÉLIA: VAMOS QUERIDAS, ESSE NÃO É O FIM!
Com muito esforço, as três conseguem afastar a viga que bloqueava a escada e descem rapidamente, ainda tossindo com a fumaça que já toma a mansão. Cortamos para a cozinha. Com o fogo surgindo pelas paredes e a fumaça aumentando, a câmera se aproxima do registro de gás do fogão da cozinha, próximo ao fogo. Alyra, Rúbia e Normélia correm para a porta de saída, tentando escapar do fogo. Na escada, Rafael acorda, tossindo e fraco, incapaz de perseguir as três, enquanto Verinha segue desmaiada. Do lado de fora, as três alcançam o jardim, e param para recuperar o fôlego.
ALYRA: Tenho que ligar pros bombeiros…
Antes que consiga, o fogo atinge o gás da cozinha, provocando uma explosão devastadora que destrói a mansão inteira.
ENCERRAMENTO:

Nenhum comentário:
Postar um comentário