GATO & SAPATO - CAPÍTULO 33 (11/02/2026)

GATO & SAPATO - CAPÍTULO 33 (ÚLTIMA SEMANA)

web-novela criada e escrita por SINCERIDADE

CENA 01: CASA DE JANETE/INT./NOITE

Trêmula, Rúbia está sentada no sofá segurando um copo d'água enquanto é acolhida por Alyra, Janete, Amélia e Tina. Rúbia já contou tudo a elas sobre Rafael.

ALYRA: Eu disse! Eu tentei te alertar, Rúbia! O Rafael não presta. Ele é a pessoa mais desumana que eu conheci na minha vida. Ele não ama ninguém além dele mesmo.

RÚBIA (chorando): Eu sei… eu sei… eu fui burra. (pausa) Eu fui levada pra uma fazenda bem longe daqui e quase fui mantida como prisioneira pelo resto da minha vida. Ainda bem que a tal tia daquele monstro foi uma querida comigo e me deixou vir embora.

Janete se aproxima e acaricia o cabelo dela.

JANETE (indignada):
Isso é coisa de psicopata, minha filha…

Alyra se aproxima de Rúbia, segura seu rosto com delicadeza.

ALYRA (olhando nos olhos dela): Escuta uma coisa. Você não foi burra. Você foi apenas manipulada. E manipulação é uma arma silenciosa. Ele sabia exatamente onde tocar, o que dizer, como fazer você acreditar nas mentiras dele... Ele faz isso com todo mundo, e comigo não foi diferente.

Rúbia encara Alyra por alguns segundos… até que cria coragem. Ela se levanta devagar.

RÚBIA (voz baixa, embargada): Alyra… antes de qualquer coisa… eu preciso te pedir perdão.

INSTRUMENTAL: H.M - MU CARVALHO 

Alyra mantém o olhar firme, mas não diz nada.

RÚBIA (engolindo o choro): Eu fui injusta com você. Eu te julguei. Te ataquei de todas as formas junto com a minha mãe. Fiquei do lado de quem só queria nos destruir… e mesmo assim você tá aqui, me acolhendo e me escutando. Você não tinha obrigação nenhuma de me acolher agora. Depois de tudo que eu falei pra você, você podia muito bem virar as costas. E mesmo assim você tá aqui. 

Alyra finalmente se aproxima.

ALYRA (sincera): Eu fiquei com raiva de você, sim. Fiquei magoada. Doeu ouvir certas coisas vindo de você e da Violeta… doeu ver você me tratando como inimiga.

Rúbia baixa os olhos.

ALYRA (continua): Mas sabe o que doeu mais? Ver você se perdendo. Eu sabia desde o início que esse relacionamento entre você e o Rafael era apenas uma armadilha dele. Você apenas não queria enxergar.

Rúbia chora, emocionada

RÚBIA: Você me perdoa?

Alyra olha para ela por alguns segundos e a abraça.

ALYRA: Claro… tá tudo bem. Apesar de tudo, somos irmãs, não somos? Paizinho deve estar sorrindo lá do céu vendo essa cena.

Alyra enxuga as próprias lágrimas e se afasta um pouco, já pensando à frente.

ALYRA (decidida): Chega de chorar. Ele acha que ganhou, não acha? Acha que tirou você do caminho, e que venceu. 

RÚBIA (seca as lágrimas): Ele deve tá lá agora junto com a desgraçada da Verinha. Bebendo, comemorando… se achando os donos do mundo.

ALYRA: Amanhã a gente vai até aquela mansão de cabeça erguida e vamos destruir aqueles dois. Eles vão ter o que merecem.

AMÉLIA (preocupada): Vocês têm provas?

Rúbia pensa por um segundo.

RÚBIA: Eu não tenho gravação… mas é impossível o Rafael não ser considerado culpado por tudo o que fez. Eu tenho o endereço da fazenda. Tenho o nome da tia dele. E ele mesmo confessou que armou tudo com a Verinha. Vai ser fácil colocar aquele verme atrás das grades.

ALYRA: E eu tenho algo melhor. Informações que ninguém imagina que eu sei.

RÚBIA: O quê?

ALYRA: Deixa pra lá.

TINA: Vocês vão sozinhas? Não acham melhor acionar a polícia?

RÚBIA: Não. A gente vai gravar tudo e depois, sim, mostraremos à polícia. 

AMÉLIA: É isso. Girl Power porra!

Decididas, elas se entreolham. Alyra segura a mão de Rúbia, emocionada.

SONOPLASTIA: BEM QUE SE QUIS - PATRÍCIA DIEGUES
Ao som da música acima, amanhece em São Paulo. Mostramos imagens da cidade e depois, cortamos para a fachada da mansão Trajano.

CENA 02: MANSÃO TRAJANO/INT./MANHà

Na mesa, Rafael e Verinha bebem vinho e riem alto.

VERINHA: Eu ainda não acredito que conseguimos. A Alyra algemda, a Rúbia despachada pra roça, Violeta mortinha da Silva... Você devia dar curso.

Eles riem. Verinha para de rir e olha pra ele de lado.

VERINHA: Mas vem cá… Quando é que você vai me assumir, hein? Ou eu sigo sendo o Wi-Fi clandestino da sua vida? Funciona escondido e ninguém pode saber a senha?

Ele baixa a taça, impaciente.

RAFAEL: Assumir como?

VERINHA:  Ah, para! Não se faz de desentendido. Eu tô aqui do seu lado em tudo. Em tudo. Eu sei das suas sujeiras, eu ajudei em metade delas… e continuo sendo o quê? A cadelinha que fica sempre disponível?

RAFAEL (impaciente): Você sabe que não é simples.

VERINHA: Não é simples ou você não quer?

Silêncio. Ele se inclina na cadeira.

RAFAEL: Você fez porque quis. Ninguém te obrigou. Você sabia onde estava se metendo.

VERINHA (ri alto, histérica):  Ah, essa frase! Clássica! “Você sabia”. Claro que eu sabia, meu amor. Eu só não sabia que você era pão-duro até pra sentimento.

Ele se levanta.

RAFAEL: Não começa a fazer escândalo.

VERINHA (levanta também, exagerada): Escândalo? Eu? Imagina! Eu sou discreta! Só ajudei você a acabar com três pessoas e ainda tenho que me esconder de tudo e de todos, como se fosse uma sombra!

Ela aponta o dedo pra ele.

VERINHA: Você é covarde, Rafael. Corajoso pra destruir os outros, mas covarde pra assumir quem tá do seu lado. Você não ama ninguém!

Ele segura o braço dela.

RAFAEL (baixo, ameaçador): Cuidado com o tom.

Ela se solta bruscamente.

VERINHA: Ou o quê? Vai me despachar também? Me mandar pra uma fazendinha com vista pra cerca elétrica? Ou vai explodir o meu carro? (pausa) Se eu cair, Rafael, eu não caio sozinha! Eu te puxo pelo colarinho! Eu conto tudo! Tudinho!

INSTRUMENTAL: TENSO LEVE AA #3 - MU CARVALHO 

Furioso, Rafael pega uma faca que está sobre a mesa e parte pra cima de Verinha. Mas, de repente, a campainha toca. Ele vai até a porta atender enquanto Verinha fica paralisada, com medo. Ao abrir a porta, Rafael se depara com Alyra e Rúbia, lado a lado.

RAFAEL (arregala os olhos): Mas o que é isso? Que palhaçada é essa? 

RÚBIA: Surpreso em me ver aqui? Ou decepcionado porque o seu plano não deu certo?

RAFAEL: Como é que você conseguiu sair daquela fazenda? E você, Alyra, você não tava presa? Sua assassina! Você matou a Violeta!

Alyra dá um tapa no rosto de Rafael.

ALYRA: PARA DE SER CÍNICO, SEU CANALHA! 

RÚBIA: Não adianta mais tentar fazer o papel de bom moço, Rafael. Você mesmo me disse que foi tudo planejado por você… 

RAFAEL (engolindo em seco, tenso): Vocês… vocês não podem provar nada! 

ALYRA: Você não sabe da missa a metade do que está acontecendo, benzinho. Você tá com a corda aqui ó: no pescoço! Acabou pra você, otário! As suas armações, as suas mentiras, e o seu deboche estão no fim. Agora só falta você admitir que matou o meu pai!

Verinha surge como um vento, com as palavras prontas.

VERINHA: Não, querida… quem matou seu pai foi eu.

Alyra se vira imediatamente para ela, assustada. A câmera alterna entre os quatro.

CONGELAMENTO EM VERINHA.

Encerramos o antepenúltimo capítulo ao som de “Cara de Rica - Erikka” (tema de Verinha.)




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