GATO & SAPATO - CAPÍTULO 32 (10/02/2026)

 GATO & SAPATO - CAPÍTULO 32 (ÚLTIMA SEMANA)


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SINCERIDADE

CENA 01: DELEGACIA/INT./NOITE

INSTRUMENTAL: WHILE MY HARPEJI GENTLY WEEPS - MU CARVALHO 

ALYRA: Que brincadeira é essa? Fala que você tá brincando com a minha cara. Fala!

ADELAIDE (suspira, emocionada): É verdade. Sou eu, Alyra. Sua mãe. Adelaide. Eu não morri. (pausa) Eu lembro de você bebê, linda… quando você chorava eu sempre corria pra te pegar e fazer você ficar bem. Acredita em mim, Alyra. Sou eu. 

ALYRA: Não… não… você morreu! Você morreu naquele acidente! Você não é a minha mãe!

ADELAIDE: Eu sobrevivi naquele acidente. Eu fui vítima de um atentado, Alyra. Aquele acidente foi uma armação da Violeta. Ela cortou os freios do meu carro, achando que ia se dar bem ao lado de seu pai. E deu, não é? Depois que eu “morri”, eles se casaram e ela começou a viver nas sombras dele. 

ALYRA (lágrimas escorrem): Você tem noção do que é viver três décadas da sua vida sem uma mãe? Eu sofri muito! Eu sempre chorava a sua falta! Eu recebia muito amor do meu paizinho? Recebia, mas o amor de mãe é incomparável! 

ADELAIDE: Eu sei… eu sei, minha filha. Não existe um dia sequer em que eu não tenha pensado exatamente nisso. Trinta e cinco anos. Trinta e cinco anos que não voltam mais. Trinta e cinco anos em que eu devia ter enxugado suas lágrimas, penteado seu cabelo antes da escola, brigado quando fosse preciso e te defendido do mundo quando ele fosse cruel demais. Eu falhei com você, Alyra, mas eu sempre estive por perto… aquele robô, aquele clone da Violeta, era eu, filha. Nesses anos em que eu morei no exterior, eu me tornei uma grande empresária no ramo tecnológico e criei a Violinda justamente pra ficar mais perto de você.

ALYRA (chocada): Então era você?

ADELAIDE: Sim, filha. Era eu.

ALYRA (balança a cabeça, em negação):
Enquanto eu enterrava uma mãe… você construía um império. Enquanto eu sentia falta… você se escondia atrás de máquinas, de dinheiro, de tecnologia.

ADELAIDE (chorando): Eu juro que fiz tudo pensando em você… 

ADELAIDE: E tem mais uma coisa… talvez a pior de todas. Algo que eu venho carregando aqui no peito desde o dia em que aconteceu essa tragédia toda.

Alyra encara a mãe, ainda desnorteada, sem entender.

ADELAIDE: A Violeta não morreu, Alyra.

ALYRA (incrédula): Como é que é? Como assim… não morreu?

ADELAIDE (respira fundo): Um dia antes do atentado, eu resolvi acessar a Violinda pelas câmeras dos olhos dela. Queria observar tudo. E foi aí que eu escutei uma conversa do Rafael ao telefone.

Alyra se inclina, apreensiva.

ADELAIDE: Ele falava abertamente sobre a morte da Violeta e dizia que já tinha tudo planejado… que ia implantar um explosivo no carro dela. (pausa) Naquele instante, eu entendi que algo muito grave estava prestes a acontecer

Ela engole seco.

ADELAIDE: E ali… eu vi uma oportunidade. A chance de me livrar da Violeta de uma vez por todas.

Alyra arregala os olhos.

ADELAIDE: Liguei pra ela, me passando por Giulia Jolie e marquei um encontro num lugar afastado, longe de tudo. Quando ela chegou… eu me revelei.

ALYRA (tensa): Você… se revelou?

ADELAIDE (assente): Disse quem eu era e disse que estava viva. Que ela não tinha conseguido me matar. (pausa) A gente brigou feio. Gritamos, nos agredimos… foi ódio acumulado de anos. Até que, no meio daquela guerra, eu fiz uma proposta.

ALYRA: Que proposta?

ADELAIDE: Ofereci dinheiro. Muito dinheiro. Pra ela sumir das nossas vidas. Pra ir embora do país, desaparecer pra bem longe daqui.

Alyra prende a respiração.

ADELAIDE: Em troca… eu colocaria a Violinda no lugar dela, dentro daquele carro.

ALYRA (processando): Pera aí… você tá me dizendo que quem tava naquele carro era a robô? 

ADELAIDE: Sim. Eu combinei tudo com a funerária. O velório foi com caixão lacrado porque eu pedi e ofereci dinheiro a eles. 

Alyra se levanta, processando tudo enquanto anda de um lado para o outro. O silêncio toma conta do ambiente.

ALYRA (suspira): Bom, já que a merda já está feita, e eu não tenho tempo pra ficar chorando e me lamentando, eu vou te ajudar a sair daqui. Pode ficar tranquila. (pausa, encarando-a) Mas fique sabendo que eu ainda não te perdoei.
 
Alyra a encara com o olhar firme, enquanto Adelaide, abatida, fica em silêncio. Alyra se retira lentamente da sala de visitas, deixando sua mãe ainda sentada na cadeira.

DOIS DIAS DEPOIS…

Avançamos dois dias. O que aconteceu nesse período:

> Adelaide continua presa, porém Alyra começa a se mexer para provar sua inocência.
> Rúbia ainda continua na fazenda, sendo mantida longe de todos.
> Alyra conta a Janete, Silas, Amélia e Tina sobre Adelaide e eles se chocam.

CENA 02: FAZENDA/INT./DIA

Rúbia se encontra num quarto simples. A porta está trancada por fora. Rúbia anda de um lado pro outro, inquieta, segurando a barriga. O som de um carro se aproximando faz ela parar. De repente, porta se abre e Rafael entra, acompanhado por Ivone.

RÚBIA: Olha só… o dono da jaula veio visitar o bicho. Veio conferir se eu ainda tô viva?

RAFAEL (calmo demais): Você devia controlar esse tom e aprender a ficar no seu lugar.

RÚBIA: Meu lugar? Trancada? Sem telefone, sem chave, sem liberdade? Você me arrancou da minha vida, Rafael! Isso aqui é sequestro!

RAFAEL (se aproxima, ameaçador): Isso aqui é prevenção. Você anda nervosa, impulsiva… grávida, então, nem se fala. Uma palavra fora do lugar e tudo desanda. Eu não posso correr riscos.

RÚBIA (apontando pra porta): Riscos? Eu tô presa igual bicho, dependendo da boa vontade de estranhos… e ainda tenho que ouvir que quem tá correndo risco é você? 

RAFAEL: Pro seu bem e pro meu. E principalmente pro bem dessa criança. Porque se você continuar com essa língua solta, não sobra nada pra ninguém.

Rúbia engole o choro, respira fundo.

RÚBIA: Você sabe qual é o seu problema? Você se acha Deus. Acha que pode decidir quem vive, quem morre... Mas eu não sou um objeto seu. Eu sou gente. Eu sou mulher. E tô grávida do SEU filho!

RAFAEL: E é exatamente por isso que você tá aqui.

RÚBIA (se aproxima, confrontando): VOCÊ É UM DESGRAÇADO, É ISSO QUE VOCÊ É! EU ODEIO VOCÊ! SEU LIXO!

INSTRUMENTAL: SUSPENSE ETHEREO #1 - MU CARVALHO 

Rúbia cospe no rosto de Rafael, que revida com um tapa em seu rosto. Ivone leva a mão à boca, horrorizada. Rafael, com raiva, pega no pescoço de Rúbia, ameaçador.

RAFAEL: É melhor você ficar na sua e parar de querer me enfrentar!

Ele a solta e empurra de leve. Rúbia chora. Rafael se vira, irritado. Ele sai e tranca a porta com força.

ANOITECE.

CENA 03: FAZENDA/INT./NOITE

 Rúbia está sentada na cama, abatida, segurando a barriga. A chave gira lentamente na porta e Rúbia se levanta assustada. A porta se abre e Ivone entra, olhando para os lados, nervosa.

RÚBIA (desconfiada, cansada): Veio trazer comida… ou veio ver se eu ainda tô respirando?

Ivone fecha a porta atrás de si.

IVONE (sussurrando, urgente): Eu vim te tirar daqui.

Rúbia paralisa.

RÚBIA: O quê?

IVONE: Eu vi o que ele fez com você hoje. E aquilo… aquilo não me deixou dormir. Eu posso ser muita coisa, minha filha, mas cúmplice de crueldade eu não sou.

Rúbia começa a chorar, sem conseguir conter.

RÚBIA: Ele vai matar a gente se descobrir… você não conhece o Rafael como eu conheço.

IVONE (firme, porém emocionada): Conheço o suficiente pra saber que ele não tem limites. E é justamente por isso que você precisa sumir daqui antes que seja tarde demais.

Ela mostra a chave.

IVONE: Eu já preparei tudo. Tem um táxi esperando na estrada de terra, lá depois da porteira velha. O motorista é de confiança. Não faz perguntas.

Rúbia leva a mão à boca, tentando processar.

RÚBIA: A senhora tá arriscando tudo por mim. Por quê?

Ivone respira fundo, como quem carrega memórias antigas.

IVONE: Porque eu já fui você. Não grávida… mas presa numa vida que eu não escolhi, com um homem que achava que podia mandar até no meu respirar. Ainda bem que ele morreu! (faz sinal da cruz)  Eu não tive ninguém pra me abrir uma porta. E eu prometi pra mim mesma que, se um dia eu pudesse impedir outra mulher de passar pelo mesmo… eu impediria.

Rúbia segura a mão dela, emocionada.

IVONE: Eu também vou com você. Eu já vendi umas terras que eu tinha escondido desse povo. Eu vou mudar de nome, mudar de vida… e aquele desgraçado do meu sobrinho nunca mais vai achar a gente.

Rúbia abraça Ivone, emocionada.

IVONE (se recompondo): Agora vem. A gente não tem muito tempo.

CORTA PARA: FAZENDA/EXT./NOITE

As duas atravessam o quintal escuro. Rúbia olha para trás, com medo. Um táxi antigo está parado com o farol apagado. O motorista abre o vidro discretamente.

MOTORISTA:
São vocês?

IVONE: Somos. Pode levar.

As duas entram no carro rapidamente. Rúbia olha pela janela, tremendo.

RÚBIA (baixo, emocionada): Eu achei que ia morrer naquela casa… obrigada… obrigada por não ter me deixado sozinha.

Ivone segura a mão dela.

O táxi liga o farol e começa a se afastar pela estrada escura. Rúbia respira fundo, segurando a barriga.

RÚBIA (sussurrando para o bebê):
A gente vai ficar bem… eu prometo. E eu vou agora mesmo fazer algo que eu já devia ter feito há muito tempo.

CENA 04: CASA DE JANETE/NOITE

Enquanto todos dormem, Alyra está na cozinha, beliscando algo, enquanto pensa em Adelaide. De repente, alguém toca a campainha. Alyra levanta a cabeça, atenta.

ALYRA: Essas horas?

A mocinha se levanta da mesa e caminha em direção à porta. Quando ela abre, se depara com Rúbia, abatida.

ALYRA: Rúbia? Tá fazendo o que aqui?

RÚBIA: Alyra, eu… eu preciso muito da sua ajuda. 

Silêncio. A câmera alterna entre as duas.

CONGELAMENTO EM RÚBIA.

Encerramos o capítulo 32 ao som de "Shapeshifter - Alessia Cara" (tema de Rúbia).


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