A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 17 (03/11/2026)

 

A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 17


criada e escrita por

SINCERIDADE 

CENA 01: CATIVEIRO/EXT./MADRUGADA 

Verão encara os dois homens, completamente assustado. 

VERÃO: Vocês estão falando sério? Vocês vão matar duas meninas por causa de dinheiro? É isso mesmo?

SEQUESTRADOR 1: Ih, olha lá! O playboy tá preocupado com as mina!

VERÃO: É minha irmã, seu desgraçado! Eu não vou sair daqui sem ela!

OTÁVIO: Verão, calma. Não provoca os caras.

SEQUESTRADOR 2: Tá vendo? O tiozinho aí é mais esperto que você. Aprende com ele, parceiro.

O segundo sequestrador dá uma risada debochada. O primeiro mantém a arma apontada para Verão por mais alguns segundos. Depois, abaixa o braço e começa a rir também.

SEQUESTRADOR 1: Relaxa, mano! Tamo brincando, caralho!

Verão fica sem reação e continua olhando para ele, sem acreditar no que acabou de ouvir.

VERÃO: Brincando?

SEQUESTRADOR 2: É, pô! Cês ficaram tudo com essa cara de enterro! Qual foi? A gente não mata ninguém assim, não. Relaxa.

OTÁVIO: Isso não tem graça nenhuma. 

SEQUESTRADOR 1: Tá bom, tá bom. Chega de gracinha. Cadê a grana?

Otávio olha para a mala no chão.

OTÁVIO: Tá tudo aí. Tem exatamente o valor que vocês pediram.

SEQUESTRADOR 2: Então abre, mané.

Otávio se abaixa lentamente, abre a mala e mostra os maços de dinheiro. Os dois homens se aproximam, sem tirar os olhos deles

SEQUESTRADOR 1: Aí, sim! Agora estamos conversando.

VERÃO: Eu quero ver minha irmã. Primeiro vocês soltam as duas, depois levam o dinheiro.

SEQUESTRADOR 2: Cê tá querendo exigir  demais.

OTÁVIO: Ele só quer ter certeza de que elas estão bem. Não custa nada vocês mostrarem as meninas.

Os sequestradores trocam olhares. Um deles faz sinal para o comparsa, que entra no casebre. Alguns instantes depois, o segundo homem reaparece na porta, acompanhado de Inverno e Paulinha.

VERÃO: Inverno!

INVERNO: Verão! Meu irmão! 

Ela tenta correr na direção do irmão, mas o sequestrador segura seu braço.

VERÃO: Solta ela! Não precisa mais disso! A gente trouxe o dinheiro!

SEQUESTRADOR 1: Calma, caralho! Ninguém vai sair correndo agora.

Otávio respira fundo, olhando para as duas.

OTÁVIO: Está tudo bem, meninas. Nós viemos buscar vocês.

INVERNO (chorando): Verão, eu pensei que fosse morrer…

VERÃO: Tá tudo bem, Inverno, fica tranquila. Eu tô aqui. (P) Solta ela, rapaz! Vocês já conseguiram o que queriam.

O segundo sequestrador olha para a mala e faz um sinal para o comparsa. O primeiro finalmente solta o braço de Inverno, mas continua com a arma em mãos.

SEQUESTRADOR 1: Vai lá, então. Mas sem gracinha!

Verão se aproxima da irmã e a abraça apertado. Inverno desaba em choro, agarrada ao irmão.

INVERNO: Eu fiquei com muito medo, Verão...

VERÃO: Eu sei, minha irmã. Mas acabou. Você vai voltar pra casa agora. Tá tudo bem.

Paulinha observa a cena, ainda assustada. Otávio se aproxima dela.

OTÁVIO: Você consegue andar?

PAULINHA: Consigo... Eu só quero sair daqui.

Verão segura a mão de Inverno e começa a se afastar. Otávio acompanha os três, mas, antes de deixar o local, olha para os sequestradores.

OTÁVIO: Espero que vocês tenham juízo e não voltem a fazer uma coisa dessas.

SEQUESTRADOR 2: Vai embora, tio! Já pegou o que veio buscar!

 Os quatro seguem em direção ao carro. Inverno olha para trás uma última vez, ainda assustada. Verão abre a porta para a irmã entrar e, em seguida, ajuda Paulinha.

VERÃO: Vamos sair daqui. A mamãe precisa saber que você está bem.

A câmera se afasta enquanto Verão entra no carro e dá partida.

CENA 02: MANSÃO FONTANARI/INT./MADRUGADA 

Sonolentas, Mimi e Primavera estão sentadas no sofá, angustiadas, esperando por notícias.

MIMI: Será que eles conseguiram negociar? 

PRIMAVERA: Não sei… essa história não tá me descendo, sabe? A Inverno não é de sair de casa. E quando sai, simplesmente é sequestrada? Muito estranho.

MIMI: Estranho que ninguém viu ela sair… eu mesma nem me dei conta.

PRIMAVERA: Ah, mãe, a senhora nunca se dá conta de nada que se refere a Inverno, né? Você nunca tá nem aí pra ela.

Mimi abaixa os olhos.

MIMI: Você acha que eu não me arrependo? Eu já tenho tanta coisa na cabeça, Primavera… Mas quando ela voltar, eu vou fazer diferente. Eu vou conversar com ela e tirar essa história de sequestro a limpo.

De repente, a porta se abre. Otávio entra, seguido de Verão, Inverno e Paulinha. Mimi e Primavera se levantam imediatamente.

MIMI: Minha filha!

Mimi caminha até Inverno e a abraça. Ela corresponde ao abraço, ainda abalada. Mimi acaricia seus cabelos, mas logo se afasta, tentando conter a emoção.

MIMI: Você está bem? Machucaram você? Meu Deus, olha o estado dessa menina!

INVERNO: Eu tô bem, mãe. Só quero tomar um banho e dormir. Não aguento mais essa noite.

PRIMAVERA: Você quase matou a gente de preocupação!

Primavera abraça a irmã com força.

INVERNO: Desculpa, Primavera.

VERÃO: O importante é que ela voltou. A gente conseguiu trazer as duas pra casa.

MIMI: Graças a Deus! Eu não sabia mais o que fazer! (olhando para Otávio) Você não imagina o quanto eu agradeço. Não sei como retribuir tudo isso.

OTÁVIO: Não precisa agradecer, Mimi. Eu faria tudo de novo.

Mimi segura as mãos dele, emocionada.

MIMI: Você foi um anjo na nossa vida hoje.

Paulinha permanece um pouco afastada, constrangida. Primavera se aproxima.

PRIMAVERA: E você é a Paulinha, não é? A amiga da Inverno?

PAULINHA: Sou, sim. Prazer.

VERÃO: Ela estava com a Inverno quando tudo aconteceu.

PAULINHA: Foi horrível, horrível... Eu ainda não consigo acreditar que a gente passou por aquilo.

INVERNO: Eu achei que a gente fosse morrer...

Mimi olha para a filha, sensibilizada.

MIMI: Não fala uma coisa dessas, filha. Você está em casa agora.

PAULINHA: Dona Mimi, será que eu poderia dormir aqui hoje? Eu não tenho condições de voltar pra casa depois de tudo isso. Ainda estou muito assustada.

MIMI: Claro que pode, querida! Nem precisava pedir. Você vai ficar aqui o tempo que precisar.

PAULINHA: Obrigada. De verdade.

MIMI: Vou pedir pra prepararem um quarto pra você.

Primavera olha para as duas jovens, desconfiada.

PRIMAVERA: Pera aí. Tem uma coisa que eu não entendi… Onde vocês estavam? Como foram parar nas mãos daqueles homens?

Inverno olha rapidamente para Paulinha. As duas trocam um olhar discreto.

PAULINHA: A gente tinha ido a uma festinha da faculdade. Uma coisa simples, sabe? Quando estávamos voltando, já na rua, aqueles homens apareceram. Foi tudo muito rápido. Eles mandaram a gente entrar no carro e não deram chance de reagir.

VERÃO: Mas você não me disse nada dessa festinha, Inverno.

INVERNO: Foi de última hora, Verão. A Paulinha me chamou e eu resolvi ir. Nem deu tempo de avisar ninguém.

VERÃO: Você podia ter mandado uma mensagem, pelo menos.

MIMI: Chega, gente. Ela acabou de passar por um trauma. Não vamos ficar interrogando a menina agora.

PRIMAVERA: Ninguém tá interrogando, mãe. Só queremos entender o que aconteceu.

MIMI: E vamos entender. Amanhã mesmo vou procurar a polícia e exigir uma investigação. Quero saber quem são esses criminosos e como tiveram coragem de fazer isso com a minha filha!

Paulinha se apressa em responder.

PAULINHA: Não precisa, dona Mimi. Sério. Eles já pegaram o dinheiro e deixaram a gente ir embora. Acho melhor esquecer isso.

MIMI: Esquecer? Como assim esquecer? Eles sequestraram vocês!

INVERNO: A Paulinha tem razão, mãe. Eu não quero passar por tudo aquilo de novo. Só quero ficar quietinha, descansar e tentar esquecer essa noite.

VERÃO: Mas eles podem fazer isso com outras pessoas. A gente não pode simplesmente deixar pra lá.

INVERNO: Por favor, Verão. Eu não quero mais falar sobre isso.

MIMI: Está bem. Mas isso não vai ficar assim. Ninguém mexe com uma Fontanari e sai impune.

Paulinha abaixa os olhos, disfarçando a tensão. Inverno aperta discretamente a mão da amiga.

MIMI: Agora vão descansar. Eu quero todo mundo dormindo. E você, Paulinha, considere esta casa sua.

PAULINHA: Obrigada, dona Mimi.

Mimi abraça novamente Inverno. A jovem fecha os olhos, ainda abalada. Primavera observa a irmã, enquanto Verão troca um olhar desconfiado com Otávio.

OTÁVIO: Bem, eu vou embora. 

MIMI: Não, Otávio! Você não vai embora assim, a essa hora. Depois de tudo que fez pela minha família, merece pelo menos descansar um pouco.

OTÁVIO: Eu agradeço, mas não quero incomodar. Já tá todo mundo precisando de uma boa noite de sono.

MIMI: Incomodar? Você salvou a minha filha! Acho que posso oferecer uma cama em troca, não acha?

PRIMAVERA: A mamãe tem razão. Ficar dirigindo por aí a essa hora não é uma boa ideia.

VERÃO: Pode ficar, Otávio. Amanhã você vai embora com calma.

Otávio olha para Mimi, que espera uma resposta.

OTÁVIO: Bom... se vocês insistem, eu aceito. Mas só por esta noite.

MIMI: Ótimo! Vou pedir para prepararem um quarto.

Mimi sorri e segura o braço dele. Otávio corresponde ao sorriso, satisfeito com a proximidade conquistada. Verão acompanha a irmã e Paulinha em direção à escada. Primavera vai atrás para mostrar o quarto à Paulinha. Mimi permanece na sala com Otávio.

MIMI: Mais uma vez, obrigada. Você não faz ideia do quanto isso foi importante depra mim.

OTÁVIO: Eu só fiz o que qualquer pessoa faria.

Os dois se encaram firmemente. Os rostos deles se aproxima, até que se beijam intensamente. A câmera se afasta.

SONOPLASTIA: ELA - DE MARIA

Ao som da música citada acima, mostramos imagens de São Paulo amanhecendo. Em seguida, cortamos para a fachada do Hotel Rosewood. 

CENA 03: HOTEL ROSEWOOD/INT./MANHà

Entre os lençóis, Lili dorme profundamente. Otávio abre a porta com cuidado, e se aproxima dela em seguida. 

OTÁVIO (puxando o edredom): Psiu! Ei, princesinha, acorda! 

Lili acorda com os chamados dele. Atordoada, ela o encara, ainda sonolenta.

LILI: Mas o que é isso? Que horas são?

OTÁVIO: Oito da manhã. 

LILI: Oito da manhã? E você chegou só agora? Onde é que você se meteu, Otávio? Eu cansei de te ligar ontem a noite e você simplesmente cagou pra mim.

Otávio dá um sorriso sem graça, sentando-se na beirada da cama.

OTÁVIO: Se eu te contar… 

Corte. No próximo take, os dois já estão sentados à mesa tomando café e conversando. Otávio já contou para ela sobre o sequestro.

LILI: Pera aí, deixa eu entender. A filha mais nova da Mimi foi sequestrada e você salvou a patricinha, é isso?

OTÁVIO: Exatamente. Depois da festa, eu me senti obrigado a ir consolar a Mimi por aquele desastre, e quando a gente conversava, o celular dela tocou. Era um dos sequestradores. Ele pedia dinheiro, dizendo que não era pra comunicar a polícia… e então, eu me propus a ir com o Verão até o cativeiro.

LILI: Não acredito! Mas porquê sequestraram ela? 

OTÁVIO: Provavelmente é só pela grana mesmo. Mimi é famosa, milionária. É claro que uma hora ou outra, isso iria acontecer.

LILI: E você tá bem? Eles te machucaram?

OTÁVIO: Não, não. Eu tô ótimo!  Confesso que fiquei com medo de morrer, mas tudo correu perfeitamente bem. Até bem demais… 

Otávio dá uma pausa e abre um sorriso discreto. Lili estreita os olhos, desconfiada.

LILI: Como assim?

Otávio se inclina sobre a mesa, como quem vai contar um segredo.

OTÁVIO: Eu beijei a Mimi.

Lili arregala os olhos, incrédula.

LILI: VOCÊ O QUÊ?

OTÁVIO: É isso mesmo. Eu beijei a Mimi. Aproveitei que ela estava grata, me elogiando e lasquei um beijão naquela boquinha de veludo. 

Lili começa a rir, empolgada, e se levanta da cadeira. 

LILI: Mas isso é perfeito! Meu Deus, é impressionante a forma que tudo está a nosso favor, né? Parece que o universo está do nosso lado. 

OTÁVIO: O próximo passo é pedir aquela velha em casamento e PIMBA! Entrei na família.

LILI: Não, não, amorzinho. O nosso próximo passo é outro. Eu descobri uma coisa muito importante. Talvez, a mais importante dessa história toda.

OTÁVIO: Como assim? Tá falando do quê?

Lili volta a se sentar, inclinando-se na direção dele. 

LILI: Digamos que… bem, digamos que eu descobri quem é a verdadeira Outono. 

OTÁVIO: O quê? Cê tá brincando, né?

LILI: Otávio, ontem na festa, um pouco antes de acontecer aquela confusão toda, eu acabei esbarrando em uma das donas do Buffet. Ela deixou cair uns copos de whisky no chão e eu me dispus a ajudar. Quando eu ergui o pescoço, eu vi que ela tava usando o colar com o símbolo da fênix. O mesmo amuleto que a filha da Mimi usava quando sumiu.

OTÁVIO: Você tem certeza? Isso é muito grave, Lili. Se essa moça é a verdadeira Outono, ela está a um passo de descobrir suas origens.

LILI: Pois é. E a gente não pode deixar isso acontecer, de maneira alguma.

Otávio passa a mão pelo queixo, pensativo.

OTÁVIO: Tá, mas e como que a gente vai impedir que essa moça volte a se aproximar da Mimi depois daquele vexame? Não sei se você sabe, mas a Mimi vai entrar com um processo contra o Buffet. Elas vão se reencontrar muito mais do que imaginam.

LILI (pensativa): Eu vou dar um jeito. Eu vou investigar a fundo a vida dessa menina. Deixa comigo, Otávio. Se depender de mim, a única Outono que vai reaparecer na vida da Mimi, será eu. A gente não pode deixar tudo desmoronar agora. Ainda mais se você conseguir se tornar o noivo da velha.

Os dois se encaram, cúmplices.

HORAS DEPOIS…

CENA 04: MANSÃO FONTANARI/INT./DIA

Inverno e Paulinha estão na cozinha. Inverno prepara um lanche para as duas enquanto sua amiga está sentada à mesinha, pensativa.

INVERNO: Nem acredito que a gente tá viva depois de tudo. Eu não sei, juro que não entendo como aqueles homens chegaram até a gente.

PAULINHA (abaixa o olhar, fingindo culpa): A culpa foi minha. Eu não devia ter te levado naquele lugar, Inverno. Aquela região é perigosa, cheia de crimes, eu não pensei muito bem. Me perdoa.

INVERNO (interrompendo o que está fazendo e olhando para a amiga): Você não tem culpa nenhuma, amiga. Os únicos culpados de tudo são aqueles marginais.

O celular de Paulinha vibra sobre a mesa. Ela se assusta discretamente, pega o aparelho e o desbloqueia, indo até o aplicativo de mensagens em seguida. Na tela, aparece uma mensagem de Fabinho.

MENSAGEM (FABINHO): E aí, tá tudo bem com você e a patricinha? Não deixa ela meter a polícia no meio disso, pode pá? Se não vai sobrar pá tu.

MENSAGEM (PAULINHA): Fica tranquilo, eu não vou deixar. Ninguém desconfiou de nada. E você, trate de me mandar a minha parte da grana o mais rápido possível. 

Ela bloqueia o celular e o deixa sobre a mesa. Inverno percebe a mudança no comportamento da amiga e a observa com curiosidade. 

INVERNO: Falando com o crush?

PAULINHA: Nada! É a minha mãe. Ela está super preocupada comigo.

Paulinha encara Inverno, sorrindo falsamente. A câmera foca no rosto dela, revelando suas intenções maquiavélicas.

CONGELAMENTO EM PAULINHA.