INTERNACIONAIS - CAP. 22 (23/09/2026)

INTERNACIONAIS | CAPÍTULO 22 (23/09/2026)

ESCRITA POR NOVELEX


CENA 01: RUA | EXT. | NOITE


Em cima de uma loja abandonada, Maria chora desesperada, ela para de gritar por medo de ser flagrada cometendo o crime.


[Maria]: Não, não… Eu não fiz isso, NÃO FOI EU.


Maria corre para descer do local e abandona o corpo de Pablo que está entre os diversos sacos de lixo.


CENA 02: CASA DE HOLANDA | SALA | INT. | NOITE


Otávio olha a Nayara, ele tem um olhar de puro ódio, a vilã tenta mostrar um ar de superioridade, ela lança um ar venenoso para o jovem.


[Otávio]: O que você está fazendo aqui?


[Nayara]: Vim fazer uma visita, não está vendo? Olha, meu querido, nós já brigamos tanto, não é? Vim dar trégua.


[Otávio]: Eu quero nenhuma trégua, o que eu sinto por você é apenas puro nojo.


[Nayara]: Ah, faça-me um favor! Vamos esquecer toda essa história de uma vez por todas? Eu nunca fiz nada para você, pentelho. Aliás, você diz que eu fiz tanta coisa mas no final das contas você não tem nenhuma prova.


[Otávio]: Como eu não tenho prova se tudo isso simplesmente saiu dessa sua boca IMUNDA?


[Nayara]: Eu sou uma mulher mitomaníaca, você deveria saber disso. Enfim, que bom que terminou assim, saio daqui com a consciência limpa sabendo que tentei tirar nós dessa briga mas o alecrim que chora por tudo não quer paz, então não terá paz. Você não vai fazer drama para sua cuidadora depois.


[Otávio]: Eu não tenho cuidadora, eu tenho MÃE! Porque ao contrário da senhora, eu tenho amor materno, eu fui educado com muito amor e carinho. Tenho uma mãe maravilhosa que soube educar muito bem o seu filho. Acho tão triste você abrir essa sua boca para falar tanta merda, uma pessoa podre como você não merece paz, não merece perdão. Aliás, a consciência limpa? Depois de vir aqui nesse lugar, sequestrar três pessoas, MATAR e ESQUARTEJAR uma delas e sumir com o corpo? Acha justo ENVENENAR UM CACHORRO? Acha que deveria sair impune de seus crimes após pedir desculpas que não são nem um pouco sinceras? E tem outra, tenho certeza que você criou aquela página maldita, você destruiu a vida da minha amiga! VOCÊ ACHA QUE NÃO DEVE PAGAR POR TUDO ISSO?


[Nayara]: Eu não preciso pagar por nada, amor. Eu sou uma mulher livre para construir o meu próprio destino e o dos outros, aquela garota já se cortava toda, a culpa não é minha que você achou uma boa ideia fazer amizade com uma bomba-relógio.


[Otávio]: (gritando) DESGRAÇADA! LAVA A SUA BOCA PRA FALAR DA MARCELA.


[Nayara]: (gritando) FALA BAIXO COMIGO!


Nayara dá um tapa em Otávio. Ele revida com uma bofetada e a mulher fica indignada.


[Nayara]: Você me bateu?


Otávio fica em silêncio, Nayara fica com um ódio enorme no coração.


[Nayara]: VOCÊ ME BATEU?


Nayara puxa um revólver de sua bolsa e aponta para o jovem.


[Nayara]: (histérica) BATE, BATE DE NOVO PRA TU VER (P) VAI FICAR EM SILÊNCIO, VAI? COVARDE, VAI, VAI, REAGE.


Nayara ri como uma louca olhando o rosto do Otávio.


[Nayara]: É SÓ PUXAR UMA ARMA QUE O QUERIDO ABAIXA A GUARDA? VOCÊ É UM METIDINHO MESMO, IDIOTA!


Nayara tenta se aproximar do garoto e ele recua.


[Nayara]: NÃO DÊ MAIS UM PASSO ATRÁS SE NÃO EU ATIRO!


[Otávio]: ME MATA!


Nayara muda de expressão, fica confusa ao mesmo tempo que não se importa. O garoto bate no peito.


[Otávio]: ME MATA! VAI! METE BALA LOGO!


Nayara se prepara para atirar, no momento que ela vai puxar o gatilho, o garoto bate no revólver e derruba a arma no chão. Nayara rapidamente tenta pegar a arma e o adolescente foge para a cozinha, respectivamente a mulher corre atrás dele com a arma na mão.


[Nayara]: VOCÊ MORRE AGORA, SEU DESGRAÇADO.


Nayara encontra Otávio na cozinha, ele pega um facão e aponta para a vilã. Ele se encontra em pura tensão.


[Otávio]: VEM COM A BALA NO MEU PEITO QUE EU JOGO A FACA NA TUA GARGANTA!


[Nayara]: Onde é que esse mundo vai acabar? Uma criança levantando a mão para uma mulher? Deve ter sido bem educado pela retardada.


[Otávio]: VOCÊ NÃO OUSE FALAR DA MINHA MÃE! NUNCA MAIS VOCÊ VAI ABRIR A SUA BOCA PRA FALAR DELA, NEM DELA E NEM DE NINGUÉM.


Otávio bate o facão na arma, fazendo que ele voe para longe.


[Nayara]: ESSA DESGRAÇA NÃO PARA NA MINHA MÃO.


Nayara corre atrás da arma mas Otávio lhe empurra no chão, o garoto pega a arma e ela volta para pegar o facão. Eles se encaram, um aponta um revólver e a outra aponta a faca. 


[Nayara]: Você não tem a mínima coragem para atirar, meu bem…


Otávio olha em silêncio, cansado e tenso. Nayara ri e debocha.


[Nayara]: Uma criança igual a você não sabe manusear uma arma!


[Otávio]: Nascido e criado no Rio de Janeiro, acha mesmo que não sei usar uma arma?


[Nayara]: Então atira.


Otávio se concentra e Nayara espera pelo tiro.


[Nayara]: (reverb) ATIRA!


CÂMERA LENTA: Nayara anda em direção à Otávio, ele se decide e atira.


CENA 03: CASA DE KARLA | SALA | INT. | NOITE


Karla come uma barra de chocolate para conter a tristeza por estar sozinha, ela liga para sua amiga Beatriz que atende na hora.


[Karla]: Amiga, você pode vir aqui hoje?


[Beatriz]: Eu não posso ir agora, querida. Quem sabe amanhã? Tô morta de sono, vou dormir agora. Boa noite, Ka.


[Karla]: Tudo bem, boa noite, Bia. Me procure amanhã, não vou sair mesmo.


Beatriz desliga e Karla fica de frente para a televisão, a mulher lembra do ex-namorado que durou poucas semanas.


[Karla]: Eu vou aprender a me amar, vou me valorizar.


CENA 04: RUA | EXT. | NOITE


A imagem mostra Maria aparecendo e sumindo por conta das luzes piscantes do poste, fade in na mocinha andando sozinha pela rua, ela está se abraçando com o corpo dolorido e roxo. A mulher chora silenciosamente, ela está desengonçada, envergonhada, com medo.


[Maria]: (sussurrando) Me desculpa, meu Deus.


Maria apenas quer entrar na sua casa para tomar um banho e limpar a sua alma, ela se sente suja.


CENA 05: CASA DE CRISTINA | SALA | INT. | NOITE


Cristina e Martin tomam chá enquanto conversam.


[Cristina]: Eu estava precisando que o senhor colocasse uma câmera aqui em casa, senti um medo esses dias, sabe? Tive um sonho bizarro de invasão e desde então me sinto insegura. (P) Enfim, cadê Maria que não volta?


[Martin]: Estou começando a ficar preocupado.


[Cristina]: Já era para ter se preocupado a partir do momento que ela saiu dessa casa pra sair com aquele homem esquisito, você sabe o que ele fez com a minha filha, não é?


Maria abre a porta da casa, ela volta sem a alegria contagiante de sempre, ela está derrotada. Cristina e Martin estão visivelmente preocupados.


[Martin]: Maria, o que houve com você?!


[Cristina]: Está tudo bem?


Maria responde apenas com o olhar, um olhar vazio, ela caminha até o banheiro sem dizer uma palavra e sem deixar que ninguém encoste nela, ela tranca a porta. No banheiro, a jovem se olha no espelho e bota lentamente a mão tremente no rosto. Ela olha suas mãos tremendo, a imagem mostra o ponto de vista da mocinha. Em seguida, a mulher fica a olhar o próprio corpo, por fim, se olha aterrorizada no espelho.


[Maria]: Eu acabei com a minha vida. (P) Não só a minha.


CENA 06: CASA DE HOLANDA | SALA | INT. | NOITE


Nayara diz para Otávio atirar e avança em direção a ele, o jovem puxa o gatilho duas vezes mas ele fracassa nas tentativas de acertar a mulher. Eles disputam pela arma, Nayara consegue pegar e aponta para o jovem novamente, ela ajeita o cabelo que está tampando seus olhos, a vilã parece uma doida do centro.


[Nayara]: É melhor você rezar bastante, rezar BASTANTE! Porque eu vou pensar muito se eu devo envolver sua mãe nisso.


[Otávio]: NÃO!


[Nayara]: A titia Nayara tá ensinando para você que as ações têm consequências, se eu enfiar essa merda na boca dela e eu puxar o gatilho, a culpa vai ser sua, eu vou jogar o corpo no valão para deixar os jacarés comer, assim, você não vai ver nem o cadáver encardido dela.


Nayara desvia a arma e atira em um jarro de vidro ao lado de Otávio e ele grita de susto, ela ri loucamente.


[Nayara]: Mas que grito é esse? Meu Deus! (P) Tá, acho que descarregou a arma. Tchau.


Nayara guarda a arma na bolsa e sai delicadamente, a imagem mostra o jovem assustado.


[Otávio]: Que horror!


CENA 07: RUA | EXT. | NOITE


Na calada da noite, uma energia pesada domina as ruas escuras do Rio de Janeiro. Um vulto aparece repetidamente, ele vaga pelos lugares, ele procura um caminho em específico para chegar em seu destino final.


CENA 08: CASA DE KARLA | SALA | INT | NOITE 


Karla termina de comer sua pipoca doce, ela olha as últimas mensagens de Pablo, mas agora a mulher não olha com tristeza, ela olha com repulsa, nojo. Ela bloqueia o contato e guarda o celular, ela boceja, no mesmo momento alguém bate na porta pedindo por ajuda, ela se assusta.


[Karla]: Quem é?


A jovem fica indecisa, ela não sabe se deve abrir ou não a porta.


[Karla]: Será que essa pessoa está bem?


Karla abre a porta, quem entra dentro da casa é Pablo. O homem está ensanguentado e cheio de lixo, a mulher fica em choque.


[Pablo]: Meu amor!


[Karla]: O que você está fazendo aqui?


[Pablo]: Karla, me perdoa por todas aquelas palavras que eu te falei naquele dia. Eu me arrependo profundamente das coisas amargas que disse, eu estava com a cabeça nas nuvens, eu estava louco, MALUCO! POR FAVOR, VOLTA PRA MIM.


[Karla]: Você está bêbado? Por que você tá cheio de sangue? Que catinga horrenda! Você é doente, saia da minha casa!


[Pablo]: É uma longa história, isso tudo é culpa da Maria, a Maria que fez isso comigo!


[Karla]: Eu não acredito em nada que saia da sua boca, eu quero que você suma da minha frente agora (P) VOCÊ PODE SAIR, POR FAVOR?


Pablo muda o olhar, ele aperta o braço de Karla.


[Pablo]: Vocês, mulheres são assim, não é? Confusas, dramáticas, cascaveis! Vocês precisam de um homem para descartá-lo e tratá-lo como piada pro seu bando feminino. Mas comigo não vai ser assim, sabe porquê?


Karla se aproxima do homem, ela ergue a cabeça e tenta bater de frente.


[Karla]: Por que?


[Pablo]: Porque você não terá nenhuma história para contar, porque você não terá força.


[Karla]: O que eu tenho de sobra é força, eu resisto a tudo E NÃO VAI SER UM ESCROTO IGUAL A VOCÊ QUE VAI ME IMPEDIR DE ABRIR A BOCA!


Pablo fecha os punhos e bate repetidamente na cabeça de Karla, ela grita de dor e logo após ele sufoca ela. Karla não consegue falar, nem respirar. Pablo abaixa a cabeça lentamente como se estivesse em uma possessão, a mulher luta pela sua vida mas ela não consegue resistir. Talvez, seja o fim da linha. O fim da vida.


Enquanto a jovem é asfixiada, passa-se uma cena onde Karla conversa com Beatriz em uma praça.


[Karla]: Nunca deve-se confiar em qualquer homem, meu maior erro dessa vida foi me jogar nos braços de qualquer um. Me arrependo profundamente disso, eu queria mudar, queria ser diferente dessa mulher que sou agora. Mas eu sinto que em breve o homem certo virá aos meus braços, ficaremos felizes até o fim dos dias.


[Beatriz]: Amiga, você deu tanta sorte de não encontrar um homem perigoso. Eu te aviso toda hora, toma juízo e se cuida, essa raça é maligna, não é apenas homens mas as principais ameaças são eles, podem ser casados, abusivos e tudo de ruim que você pode imaginar. Eu espero tudo do bom e do melhor para as suas relações futuras, eu te amo tanto minha amiga.


Retorna na cena do sufocamento, as falas continuam.


[Beatriz]: (reverb) Eu estou do seu lado independente do que seja, na saúde ou na doença.


[Karla]: (reverb) Na morte.


Karla não resiste e fica sem ar nenhum, Pablo continua pressionando o pescoço por algum tempo até largar. Ele corre para a cozinha, bebe água e rouba alguns alimentos. A imagem mostra Karla jogada no chão, morta. A imagem mostra os olhos fechados dela, com uma lágrima caída.


CONGELAMENTO EM KARLA.


ENCERRAMENTO AO SOM DE FALAS.


[Karla]: (reverb)

Eu espero viver ao lado de alguém que me ame como você, Bia. Quero viver os meus sonhos, sou jovem e você sabe muito bem disso. Sei que vou voar bem alto, desejo profundamente que essas minhas asas não sejam cortadas nunca, elas já foram tão fragilizadas, talvez não demore muito para que cortem ela.