VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 02 (26/05/2026)

 


 VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 02


criada e escrita por 

SINCE, FAFÁ, NOVELEX E LARICE 


 (CENA 01: RANCHO/EXT./NOITE)


Larica se levanta, olhando para toda aquela tragédia ocorrida em sua casa. Ela fecha os olhos do pai e vai até Emadeu. Cheia de receio, ela enrola o corpo em um tapete antigo e o arrasta para fora do casebre. Uma chuva se arma e começa a cair intensamente. Larica pega uma pá no quartinho e abre uma cova nos fundos do terreno. Ela empurra o corpo de Emadeu e cospe no buraco. Depois, a mocinha joga terra por cima. Ela, chocada, se lembra das filhas e corre até o quarto delas, mas não as encontra.


Larica (desesperada): Nôvelexiane? Maria? Cadê vocês? Onde vocês se meteram? Que brincadeira é essa? (Pausa) Ah, devem ter ido na casa das amigas…


Larica demonstra estar visivelmente abalada, sem condições de raciocinar direito.


(CENA 02: AEROPORTO DE RIO BRANCO/INT./NOITE)


SONOPLASTIA: IM LIED, IM SORRY - CHLOE QUISHA


A cena mostra o aeroporto lotado, com pessoas passando a todo instante. No meio delas, Nô e Maria de Fafá aguardam o embarque ansiosamente.


NÔ: Eu nem tô acreditando que finalmente vamos realizar o maior sonho de nossas vidas! Rio de Janeiro que nos aguarde, irmãzinha!


Maria De Fafá: Eu espero que você cumpra o combinado que a gente fez, lealdade acima de tudo. Não se esqueça disso.


Nô: Mas é claro, mo! Eu sou mulher de palavra. 


Maria de Fafá (pensativa): Às vezes fico com pena da mamãe, sabe? Ela lá sozinha, agora sem nada… sem casa… 


Nô: Ai, para de ser besta! A mamãe que se vire! Eu não tô nem aí. Além do mais, ela tem o vovô e o papai, eles estão acostumados a não terem nada. O que importa agora é a nossa paz! Quem decidiu seguir com a vida cafona foi ela 


Voz do aeroporto: Atenção, passageiros do vôo 284 com destino ao Rio de Janeiro. Embarquem imediatamente.


Maria de Fafá (comemorando): É a gente!!


A câmera acompanha as duas indo em direção ao portão de embarque. No próximo corte, elas já estão dentro do avião. Maria de Fafá observa a vista, pensando sobre a mãe. 


FLASHBACK (INÉDITO) - INÍCIO 


Larica: As contas do mês chegaram, filha… tá tudo tão difícil… eu não tenho um tostão pra pagar e seu pai também não. Espero que a gente vença um dia


Maria de Fafá segura a mão de Larica.


Maria de Fafá: Vai ficar tudo bem, mãe. Vamos vencer isso juntas.


FLASHBACK - FIM


Deslumbrada, Nô bebe um champanhe enquanto observa a vista maravilhosa da cidade. Ela não percebe a preocupação de Maria de Fafá, que está ao seu lado.


Nô (enquanto bebe): Ah, isso sim que é vida! Olha lá, que paisagem maravilhosa! Vai ficar mais linda ainda quando chegarmos ao Rio. (pausa) O que foi, que cara é essa? Não vai me dizer que se arrependeu.


Maria de Fafá (cabisbaixa): Me arrepender? (ela muda a expressão rapidamente) JAMAIS, BEBÊ! Ô AEROMOÇA, ME VÊ UMA CHAMPANHE AÍ! 


As duas começam a rir sem parar.


AMANHECE.


(CENA 03: CEMITÉRIO/INT./MANHÃ)


O caixão está no centro da capela do cemitério. Larica está aos prantos, jogada em cima do pai. Alessaura, sua amiga, a consola, fazendo carinho em suas costas. 


Larica (desesperada): Alessaura… minhas filhas sumiram, eu não sei mais o que fazer, elas não atendem. Meu marido também não deu notícias desde que saiu pra trabalhar… eu tô sem chão… 


Alessaura: Minha amiga, eu tenho algo pra lhe contar. As suas filhas foram vistas no aeroporto de Rio Branco, boatos que elas pegaram um vôo pro Rio de Janeiro. 


Larica: O que? E você só me conta isso só agora? Meu marido também estava lá, não é? Ele também sumiu… Eu não sei se vou suportar tudo isso. O mundo está desabando sobre a minha cabeça.


Alessaura: Só me disseram hoje também, não sei se era o momento mais apropriado para te falar isso, mas minha amiga, você pode contar comigo. Só que… o seu marido não foi visto com elas. Eu sinto muito.


Larica pega o celular do bolso e faz uma ligação. Ela liga três vezes para as filhas, mas só cai na caixa postal.


Larica: Elas não atendem… 


Alessaura: Calma, amiga. Elas devem dar notícias em breve.


HORAS DEPOIS…


(CENA 04: CASEBRE/INT./MANHÃ)


Larica está deitada em sua cama, pensativa e cansada, seus olhos vermelhos. Não havia dormido a noite inteira, limpando todos os vestígios do crime. Ela fecha os olhos e a cena volta à sua mente: o tiro, seu pai morto, Emadeu morrendo em suas mãos, seu corpo manchado pelo sangue, a cova aberta. Ela ouve uma caminhonete se aproximando e olha pela janela. Ao sair, se depara com Zé Antônio saindo do veículo e se aproximando.


Zé Antônio (confuso): Quem é tu? O que tá fazendo nas minhas propriedades? 


Larica (com raiva): Eu é que pergunto: o que você está fazendo nas minhas terras?


Zé Antônio (rindo): Suas terras? Essas terras são minhas! Eu as comprei ontem a noite e paguei um bom dinheiro por elas.


Larica da Paz fica confusa com a afirmação de Zé Antônio.


Larica (confusa): Como é que é?


Zé Antônio: Pelo visto a senhora está por fora dos últimos acontecimentos, então eu vou lhe explicar. Eu negociei essa terra com duas moças. Uma tinha o cabelo liso, moreno, até a altura dos ombros mais ou menos e uma cara de enjoada, implorou para que eu a chamasse de “Nô”. A outra, Maria de Fafá, eu acho que era o nome, bem parecida com a outra, mas um pouco mais discreta e um rosto sem expressão. Eu entreguei uma mala cheia de dinheiro com o valor imposto por elas dentro, porque elas preferiam em nota, e em troca elas assinaram este documento que passa todas essas terras para o meu nome.


Larica pega a escritura entregue por Zé Antônio, analisando o documento.


Larica (desesperada): Não, as minhas filhas não. Isso só pode ser uma piada, minhas filhas nunca fariam isso comigo. PARE DE MENTIR E FALE A VERDADE SEU GOLPISTA! AS MINHAS FILHAS JAMAIS SERIAM CAPAZ TANTO MAL À PRÓPRIA MÃE.


Larica da Paz bota a mão na cabeça, desolada. Lágrimas escorrem pelo seu rosto.


Zé Antônio: Sinto muito pela sua dor, mas a senhora terá que deixar o rancho. Agora essa propriedade pertence a mim e eu tenho meus direitos. Se você foi enganada, o problema é todinho seu.


Larica: E onde estão minhas filhas agora? Para onde elas foram?


Zé Antônio: Pelo pouco que eu pude entender da conversa entre elas, as duas foram pro Rio de Janeiro.


Larica: Rio de Janeiro?


Close em Larica gag.



ABERTURA:


VINHETA DE INTERVALO (VOLTA):


 SONOPLASTIA: 7 RINGS - ARIANA GRANDE 


(CENA 05: RIO DE JANEIRO/EXT./MANHÃ)


A câmera sobrevoa pelo Rio de Janeiro e em seguida, mostra o aeroporto da cidade. Milhares de pessoas passando pra lá e pra cá. 

Nô e Maria de Fafá desfilam por todo aeroporto. As pessoas olham para as duas que agem de maneira exótica. 


Maria de Fafá: Finalmente saímos daquela pobreza, daquele sítio mixuruca. 


Nô: Tá, mas agora temos que encontrar com o Frégis. Ele PROMETEU que ia esperar a gente aqui. 


Maria de Fafá: E se for golpe? Você e essa sua mania de ficar conversando com gente desconhecida por aplicativo de mensagens… e se ele for um velho? Um marginal? Eu já vou avisando que não vou pagar a hospedagem do hotel.


De repente, Frégis (Xamã), surge em meio a multidão com postura firme enquanto masca um chiclete. Nô o vê de longe e sorri enquanto ele se aproxima.


Nô: OLHA LÁ! É ELE! É O FRÉGIS! Ainda mais delicioso pessoalmente… 


Frégis se aproxima e as cumprimentam com um abraço em cada uma. 


Frégis: Como chegaram de viagem, meninas? 


Maria de Fafá: Muito bem, obrigada. 


Nô: A gente tem muita coisa pra te contar, Frégis!


Frégis: Deixa pra contar depois. O táxi tá esperando a gente lá fora.


Os três caminham para o exterior do aeroporto e entram em um táxi amarelo. O veículo parte dali rapidamente, indo em direção ao apartamento que Frégis alugou para as duas.


(CENA 06: CASA DE ALESSAURA/INT./DIA)


Larica está sentada à mesa, com a cabeça escorada nas mãos, pensativa. Suas malas estão espalhadas pelo local. Alessaura chega servindo uma xícara de café. 


Alessaura: E então, já decidiu o que vai fazer? Olha que minha casa é pequena, o máximo que eu posso oferecer é a casinha de ferramentas nos fundos para você guardar as suas tralhas.


Larica bebe um gole do café e faz uma careta.


Larica: Eu achando que meu dia não poderia piorar e chega você com esse seu café xexelento. Minhas filhas jamais fariam uma coisa dessas comigo, Alessaura. Eu tenho certeza de que elas só fizeram isso sob a influência daquele tal modelo que apareceu pela região, o Frégis. Minhas filhas são duas meninas muito boas, eu as criei com muito carinho e honestidade. Eu tenho que entender o porquê de elas fazerem isso, provavelmente as duas foram atrás do pai da Maria de Fafá no Rio, meu primeiro marido, o Cubinho.


Alessaura: E o que você vai fazer a respeito disso?


Larica: Acho que eu já me decidi. Só tem uma coisa que eu poderia fazer nessa situação: ir para o Rio de Janeiro atrás das minhas filhas.


O instrumental cresce, a câmera foca no rosto de Larica da Paz, decidida.


(CENA 07: RIO DE JANEIRO/APARTAMENTO/INT./DIA)


Nô, Maria de Fafá e Frégis se encontram no corredor, prestes a entrar no interior do apartamento. Ele tira a chave do bolso e abre a porta do apartamento. Nô e Maria ficam admiradas com o luxo do ambiente e entram, encantadas com a casa nova.


Nô (olhando em volta): Meu Deus! Isso é mesmo um apartamento? Parece uma mansão.


Maria de Fafá: Bem melhor que aquele muquifo de onde a gente veio. Estou ansiosa pra tomar banho com rosas na banheira, ter internet ilimitada e contratar uma empregada pra fazer tudo pra mim. Lá no Acre a gente tinha que limpar até o chiqueiro daqueles porcos fedidos.

 

Frégis: E o melhor… fazer sucesso, meu amor. Nô, você tinha me dito que seu sonho é ser uma digital influencer, não é? 


Nô: Sim. A maior desse país, meu amor.


Frégis: Pois então, eu conheço uma pessoa que vai fazer você ser uma celebridade internacional. Eu já deixei tudo combinado com ela. Agora é só vocês marcarem uma conversa pessoalmente. 


Nô: Tô achando estranho tudo isso, sabe… você já deixou tudo arrumado, tudo pago, tudo combinado… tá querendo me comer? 


Frégis (se faz de sonso): Claro… que não… meu Deus… olha só, Maria, as coisas que sua irmã fala! Ficou doida, é?


Maria de Fafá: Não dá moral pra essa doida. Agora eu quero saber de mim. Você já deixou tudo arrumado pra ela, mas e eu? Eu também quero ser alguma coisa. Eu quero ser modelo! 


Frégis: Mas isso é ótimo! Vocês duas podem ser agenciadas pela mesma pessoa. Eu vou falar com ela agora! 


Ele retira o celular do bolso e faz uma ligação. Do outro lado da linha, está Sin (Dua Lipa), sentada em frente a um computador enquanto acaba de editar algumas fotos de uma modelo. Seu celular toca e ela atende imediatamente.


SIN: Oi honey, tudo bem? (P) Ah, sério? Que bom, ótimo! Eu posso sim, beijos… (P) Espero você na minha cama hoje. Bye, Darling.


A ligação termina e ela volta aos seus afazeres. Cortamos para imagens da cidade ao som de Nothing Breaks Like a Heart - Miley Cyrus.


HORAS DEPOIS…


(CENA 08: RIO DE JANEIRO/RODOVIÁRIA/NOITE)


Um ônibus para na rodoviária e os passageiros começam a desembarcar. No meio da multidão, está Larica da Paz, desolada e completamente sem rumo. Ela sai da rodoviária e pede um mototáxi.


Mototaxista: ELA COM AS MALAS NA MOTO, AI MEU SÃO JUDAS TADEU!


Larica: Deixa elas aí, só tem trapos mesmo.


Larica sobe na moto, decidida, e entrega o papel com o endereço de cubinho para o mototaxista.


Larica: Me leva pra lá.


O mototaxista dá partida na moto e os dois vão em direção a Tijuca, onde mora Cubinho.


Larica (OFF): Eu tenho que conversar com ele, o Cubinho vai me entender e ajudar a encontrar minhas filhas.


SONOPLASTIA: RIDE - LANA DEL REY


Cenas de Larica na moto, os cabelos ao vento, um semblante depressivo e com esperanças de reencontrar seu ex-marido. 


(CENA 09: RUA/NOITE)


A cena mostra Larica descendo da moto.


Larica: Eu não tenho nenhum tostão pra te pagar. Depois me liga que a gente resolve.


Mototaxista: Você é quem manda. Se quiser pagar de outro jeito… Fala ao seu ex marido que o “Ryan” está esperando ele voltar algum dia para conversar melhor


O mototaxista liga a moto e sai dali, deixando a mocinha no meio da rua. De repente, ela arregala os olhos.


Larica: MEU DEUS! O PAPEL! O ENDEREÇO FOI COM ELE! MEU DEUS, LARICA COMO VOCÊ É BURRA! E AGORA, ONDE É QUE EU VOU DORMIR?!


Perdida, ela começa a chorar e andar de um lado para o outro. Logo atrás dela, aparecem dois homens encapuzados e armados. Eles se aproximam.


Larica (inocente): Por favor, eu preciso saber onde-


Assaltante 1 (interrompendo): PASSA A BOLSA, TIA!


Assaltante 2 (forte sotaque carioca): PASSA AGORA MERMO OU NÓS VAMO ACABAR COM A COROA AQUI MERMO!


A câmera foca em Larica, desesperada.


CONGELAMENTO EM LARICA.


ENCERRAMENTO: