O ÚLTIMO UIVO DOS LOBOS
escrita por Raquel Assunção
Abertura
Capítulo 11
Cena 1
Um vídeo se inicia, o conteúdo trata-se de uma reportagem antiga de meados dos anos 90.
Nele, uma repórter está em frente à uma delegacia.
A repórter: O caso de Jade da Costa teve novos desdobramentos. Hoje, Gregório de Medeiros, Honório Vázquez, e Lázaro Castanhari vieram prestar depoimentos acerca do suposto envolvimento na violência cometida contra a jovem.
Enquanto ela fala, vídeos da chegada dos três à delegacia são mostrados.
A repórter: Jade da Costa, de 20 anos, foi encontrada desacordada na noite do último dia 13, com sinais de violência física e sexual. Alegou não se lembrar de muita coisa, apenas que estava bêbada, testemunhas afirmaram que os três estiveram na mesma festa que ela frequentou.
Há um corte brusco.
Apartamento de Júlia. Cozinha. Int. Manhã.
Angélica, a mãe de Júlia, assiste ao vídeo enquanto toma seu café.
Angélica (apreensiva): Meu Deus… Esse inferno de novo não… Como isso voltou a circular ?
Cena 2- Delegacia. Escritório do Delegado Santana. Int.
Santana, Safira e Júlia acabaram de assistir ao vídeo, eles se encontram completamente chocados.
Delegado Santana: Meu Deus…
Safira: Mas eles são piores do que nós imaginávamos.
Júlia: Nossa… Mas do nada essa matéria voltou a circular ?... Pelo visto os três amigos escondem mais segredos do que parece. Eu vou investigar isso aí.
Cena 3- Escritório de Advocacia. Escritório da Dra Helena. Int.
Dona Mari e Miranda conversam com a advogada, hoje já uma senhora, prestes a se aposentar.
Dona Mari: É um privilégio para nós estarmos na presença de uma das maiores advogadas do Brasil.
Dra Helena: Ah, que prazer, queridas. Em que posso ajudá-las?.
Dona Mari: Sobre o caso Jade da Costa. Lembra-se ?
Dra Helena: Jade… Jade da Costa… Como me lembro.
Miranda: Nós ficamos sabendo que os três suspeitos pertenciam à elite, o caso foi abafado e um homem mais simples levou a culpa. Nós precisamos que a senhora nos conte tudo a respeito.
Dra Helena (sarcástica): Quanta sede ao pote, meu bem… Esse caso me marcou muito, foi o primeiro de grande repercussão que eu advoguei. O movimento feminista nos apoiou muito, a pressão das mulheres foi muito importante nessa época. Infelizmente, o caso depois foi abafado por forças maiores as quais eu detinha na época.
Dona Mari: Mas existia a possibilidade dos três suspeitos iniciais serem os culpados, não existia ?
Dra Helena: Com certeza. Eu tenho pra mim até hoje que eles eram culpados. Eles eram poderosos, de famílias com muita influência, o investigador do caso não seguiu adiante com a linha de investigação que os colocava no centro de tudo. Arrumaram um pobre diabo para culpar, surgiram provas contra ele e assim o caso seguiu. A atenção da mídia diminuiu drasticamente, em questão de semanas ninguém mais falava sobre o caso. Então, o tal do Jofre foi preso e o resto é história.
Miranda: Coitada, como ela ficou ? E a família dela ?
Dra Helena: A família dela ficou muito abalada, e ela foi destruída. Meses depois, enquanto o caso ainda estava em investigação, ela perdeu a razão aos poucos. A família decidiu internar. A pobrezinha morreu anos depois.
Dona Mari: Que tragédia… Nós estamos fazendo uma investigação particular. A senhora poderia nos dar o contato da família dela ?.
Dra Helena a encara desconfiada. Ela sente que há algo errado.
Cena 4- Apartamento de Lorena. Quarto de Lorena e Renan. Tarde. Int.
O quarto da falecida influenciadora é deslumbrante e transpassa sua personalidade expansiva. Uma leve mudança ocorreu no quarto: Loreta, na intenção de impressionar Renan, decorou com muitas pétalas de rosas o chão, e o teto está cheio de balões de coração.
Loreta aparece na porta do banheiro, usando um maiô, o que a verdadeira Lorena nunca usaria pois amava esbanjar sua barriga trincada. Renan entra no quarto, sendo pêgo de surpresa.
Renan: Meu Deus… Mas o que é isso, Lorena ?.
Loreta: Gostou ? Uma surpresinha para você.
Renan: O que deu em você? Nunca gostou dessas surpresas.
Loreta: Mas para marcar território é necessário, meu gostoso.
Loreta avança sobre Renan, eles começam a se beijar. “Jealousy Jealousy - Olívia Rodrigo” entra em cena, representando todo o sentimento de Loreta.
Renan carrega Loreta nos braços e a despeja na cama. Num corte, ambos estão sem roupa, ele por cima dela, os movimentos são intensos, rápidos, a expressão de Loreta denuncia o prazer que a dominou.
Loreta: Renan… Meu Deus.
Renan: O que foi ? Fiz algo errado, princesa ?
Loreta: Eu cansei.
Renan a olha sem entender.
Renan: Como assim, gata ? Você sempre teve disposição.
Loreta: Eu decidi fazer essa surpresinha porque você precisava relaxar, meu amor, mas agora dá licença tá ?.
Renan: Você mudou muito.
Ela sai da cama, veste sua calcinha e seu sutiã, no banheiro, a gêmea falsa se olha no espelho.
Loreta: Você conseguiu, garota. Tudo que era daquela vadia, agora é seu… Só meu.
Cena 5-Delegacia. Escritório de Investigações de Júlia e Safira. Int.
Bruna foi à delegacia contar o ocorrido a Júlia.
Bruna: Júlia ? Podemos conversar rapidinho ?
Júlia: Claro, mas seja rápida mesmo.
Bruna: Então… Acho que eu tenho uma informação importante sobre o caso do Gregório. No dia que ele estava hospedado lá, a Úrsula, uma amiga minha, ficou responsável por limpar o quarto dele, daí ela passou o aspirador né, então -
Júlia: Desenrola minha filha.
Bruna: Ela encontrou uma carta marcando um encontro no quarto dele. Depois, me disse que iria mudar de vida ou algo do tipo, aí ela me disse que ganhou muito dinheiro, me confiou a carta e sumiu no mundo, isso logo depois da morte do ricaço lá.
Júlia: Estranho isso. E cadê, a carta ?.
Bruna: Aí é que tá. Eu contei a alguns colegas meus lá do resort e quando eu fui procurar essa carta, ela tinha sumido.
Safira: Você acha que alguém lá de dentro poderia ter algum interesse no sumiço dessa carta ?.
Bruna: Eu acho que -.
Nesse momento, um policial invade a sala e chama as investigadoras para o escritório do Delegado, pois algo importante chegou.
Escritório do Delegado Santana. Int.
Júlia: E aí, Santana. O que chegou ?
Delegado Santana: O laudo do carro da influenciadora está pronto.
O instrumental “Luz Vermelha - Felipe Alexandre, Eduardo Queiroz” se faz presente.
Safira (apreensiva): Eita. Qual foi o resultado ?.
O delegado abre o laudo, inicia a leitura. Instantes depois, conclui:
Delegado Santana: Portanto, os freios foram cortados…
Júlia (chocada): Meu Deus… Mas quem teria interesse em assassinar a pobre coitada ?.
Safira: A Lorena, por mais fútil que seja, não acho que queria dar cabo da própria irmã e ainda mais pondo sua vida em perigo.
Delegado Santana: Meninas, vocês perceberam isso ? Já é a terceira pessoa que estava na festa que morre em circunstâncias suspeitas… O Gregório foi assassinado, o Yuri, que era um mero segurança, morreu em um misterioso acidente, agora a Loreta.
Júlia: Parece que todo mundo que esteve lá está com os dias contados…
Cena 7- Noite. Ruas no interior de Minas Gerais. Noite. Ext.
Num carro, Wagner e mais dois homens estão indo atrás da famosa jóia.
Wagner: Deve ser por aqui, destravem suas armas, não sabemos o que nos espera.
O carro estaciona numa estrada de terra. Um sítio aparentemente abandonado se impõe próximo à eles. O instrumental “Oculto- Guilherme Rios, Eduardo Queiroz” está presente. Eles abrem a porteira do local, andam ressabiados, a cada passo um olhar para trás. Então, entram na sala da casa.
Wagner (desprezo): Que casinha triste… Vamos nos dividir, cada um para um lado.
Os três caminham pela casa. Exploram, abrem armários, gavetas, reviram sofás e camas velhas.
Instantes depois, Wagner encontra uma caixa e chama por seus capangas, então abre a caixa de ferro usando um martelo para quebrar um cadeado. Minutos depois, a caixa foi aberta… Os olhos de Wagner brilham com o que vê, os capangas ficam extasiados com a beleza da jóia.
Capanga 1: Uma dessa resolveria todos os meus problemas.
Capanga 2: Isso deve valer mais que o PIB do Brasil.
Wagner (pegando na jóia, sentindo-a): Tão bonita… Tão valiosa… Tão histórica… Meu amigo lutou tanto por ela e finalmente eu a encontrei. (seus olhos transbordam de lágrimas e ele ri) Gregório, isso é por você!.
O capanga 2 explora um baú e encontra alguns documentos. Ele os entrega para Wagner, que estranha.
Wagner: Esse nome… O que ele fazia aqui ?
Ele tira fotos de tudo. Depois, os dobra e guarda em seu bolso.
Abruptamente, duas pessoas invadem o local. “Broken Glass” entra em cena, aumentando a tensão. Os cinco trocam tiros, Wagner tenta proteger a Das Juwel des Teufels como se fosse seu filho.
Os capangas de Wagner avançam contra os invasores. Ao saírem do cômodo em que estavam, os invasores se escondem em lugares estratégicos. Wagner tenta fugir com a jóia pelos fundos. O capanga 1 é atingido na cabeça ao ser pego por trás por um dos atiradores. Sozinho, o capanga 2 não desiste, e é atingido por um objeto de vidro na cabeça, perde o equilíbrio e cai no chão, uma figura o atinge com três tiros no torso.
Fora da casa, Wagner está escondido num celeiro, ele tenta ligar para Júlia. As duas figuras saem da casa atrás dele, enquanto ele parece surpreso ao reconhecer uma das pessoas. A tensão é palpável, Wagner soa e treme, sentindo na pele o medo de perder sua vida. As duas figuras se aproximam lentamente de onde ele está. Chegando ao celeiro, eles andam, revistam tudo. Parecem desistir. Wagner se alivia rapidamente, achando que conseguiu despistá-los.
Num súbito, ele é surpreendido.
Uma das figuras: Surpresa!
Corta para fora do celeiro, dois tiros são ouvidos. Palhas se enchercam de sangue. Chamas tomam conta do sítio. Em meio às chamas, as sombras de duas figuras são vistas andando para fora do local.
Encerramento

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