GATO & SAPATO - CAPÍTULO 28 (ÚLTIMAS SEMANAS)
criada e escrita por SINCERIDADE
CENA 01: MANSÃO TRAJANO/MANHÃ
INSTRUMENTAL: SUSPENSE ETHEREO #1 - MU CARVALHO
Alguns instantes depois da explosão, Rúbia sai desesperada da mansão e corre até a garagem, que está em chamas.
RÚBIA (chorando): MEU DEUS, A MINHA MÃE!
Ela tenta avançar até o carro em chamas, mas Rafael a segura forte, impedindo.
Rúbia se debate, chora, grita, enquanto o fogo continua queimando. Rúbia se solta dos braços de Rafael e cai de joelhos, diante da garagem em chamas. O calor é forte, o fogo estala, a fumaça sobe sem parar. Rafael tenta apagar o fogo com o extintor, mas falha propositalmente. Rúbia leva as mãos ao rosto, sem conseguir respirar direito.
RÚBIA (em choque, quase sem voz): Não… não… isso não pode estar acontecendo…
Rafael, fingindo desespero, pega o celular do bolso e começa a discar para o serviço de emergência. No próximo take, Rafael desliga o telefone e volta até Rúbia, abaixando-se ao lado dela.
RAFAEL (baixo, teatral): Os bombeiros estão vindo… o samu também… fica calma meu amor. Fica calma. Vai ficar tudo bem!
No próximo take, as chamas finalmente são controladas pelos bombeiros. A garagem fica coberta de fumaça e restos queimados. O carro de Violeta está completamente destruído. Os paramédicos, que já estavam a postos do lado de fora, se aproximam com cuidado. Um deles tenta chegar até o interior do veículo, mas logo recua. Os profissionais trocam olhares rápidos. Um deles caminha até Rafael e Rúbia.
PARAMÉDICO (profissional, contido): Sinto muito… mas não havia mais o que fazer.
Rúbia demora alguns segundos para entender.
RÚBIA (trêmula, ainda com esperanças): Como assim… não havia? QUE QUE VOCÊS ESTÃO QUERENDO DIZER COM ISSO?
PARAMÉDICO: Infelizmente a vítima veio a óbito. O veículo ficou em chamas por muito tempo. Nenhum ser humano suportaria tamanha dor.
Rúbia solta um grito e desaba de vez. O choro vem forte, descontrolado. Rafael a abraça apertado, aparentando dor, mas seu olhar é frio. Os paramédicos continuam o trabalho ao fundo retirando o corpo de Violeta do veículo, coberto por uma proteção preta. Rúbia, agarrada à camisa de Rafael, chora sem parar. De repente, uma viatura da polícia chega até a garagem e estaciona. Dois policiais saem do veículo e um deles se aproxima.
POLICIAL: Quem é o responsável pelo carro?
Rafael responde antes mesmo de Rúbia conseguir falar.
RAFAEL: Da vítima, minha sogra, a Violeta.
O policial anota algo, encarando o carro destruído.
POLICIAL: Vamos precisar fazer algumas perguntas. Isso não parece um acidente comum.
Rafael engole seco por um instante.
RAFAEL: Como assim, não parece comum? O senhor está suspeitando que o carro tenha sido sabotado?
POLICIAL: Certamente. Eu já vi vários casos como esse. Carro explodindo após alguém girar a chave, é sempre alguma bomba, um explosivo implantado.
RÚBIA: Então armaram contra a minha mãe, é isso? Não foi um acidente?!
POLICIAL: Vamos investigar. O perito vai olhar tudo. Mas já posso adiantar que eu tenho quase 100% de certeza que foi um assassinato. (pausa) Vem cá, a vítima tem algum desafeto, algum inimigo?
RAFAEL: Tinha sim… uma pessoa que odiava Violeta com todas as forças é a enteada dela, a Alyra. Alyra Trajano.
O policial anota, atento.
POLICIAL: Elas já chegaram a se ameaçar?
RÚBIA: Várias vezes. Minha mãe sempre disse que Alyra era capaz de qualquer coisa.
Rafael aperta a mão de Rúbia, firme, como apoio.
RAFAEL: E agora isso acontece... Justo desse jeito.
O policial fecha o bloco devagar.
POLICIAL: Então já temos um nome pra começar. A investigação vai atrás dessa Alyra imediatamente. Mas antes, vamos dar uma olhada no ambiente pra ver se encontramos algo. Vai ser coisa rápida, prometo.
CENA 02: ENTRADA DA MANSÃO/EXT./MANHÃ
Normélia, carregando duas malas gigantes, cruza a entrada do portão da mansão com um tamanco alto, quase caindo para trás. De repente, ela vê de longe o caixão de Violeta sendo colocado no porta-malas de um carro funerário e se assusta.
NORMÉLIA (atenta): Misericórdia… será que eu cheguei no endereço errado?
Ela dá mais dois passos, o tamanco escorrega. Normélia quase cai, se equilibra como pode, abraçada às malas.
NORMÉLIA: Jesus, segura essa perna, Normélia… primeiro dia não pode morrer também. (pausa) Nonô disse “vai ser puxado”, mas eu não imaginei nível apocalipse.
O jardineiro da mansão passa correndo.
NORMÉLIA: Oi… bom dia… ou… né… sei lá… meus sentimentos… parabéns… não sei mais como funciona isso.
FUNCIONÁRIO: A dona da casa morreu agora há pouco.
Normélia congela.
NORMÉLIA: Morreu… agora?
FUNCIONÁRIO: Agora. Explosão no carro. Estão suspeitando de assassinato.
Ele sai. Normélia fica parada, em choque. Olhando pras malas e pra mansão.
NORMÉLIA: Eu não acredito… eu mal cheguei e a patroa já foi embora.
Ela respira fundo, tenta se recompor, ajeita o cabelo.
NORMÉLIA: Primeiro dia de trabalho e já tem polícia, bombeiro, assassinato… Eu enfrentando tudo isso só pra lavar privada suja de gente mesquinha… SENHOR.
Ela pega o celular da bolsa, desbloqueia, encara a tela.
NORMÉLIA: Não… não vou ligar ainda. Vou parecer desesperada. (pausa) Mas eu estou desesperada.
Ela guarda o celular e dois segundos depois, pega de novo.
NORMÉLIA: Não vou ligar. Vou ser forte.
(pausa) Vou ligar só pra confirmar se é normal começar emprego em cena de crime.
Ela leva o celular ao ouvido, andando em direção à entrada da mansão, falando rápido, quase sussurrando.
NORMÉLIA: Alyra… sou eu. Cheguei. Tá tudo certo… tirando o pequeno detalhe de que a dona da casa explodiu. (pausa) Não, eu não tô exagerando. Tem polícia. Tem caixão. Bombeiro. Tudo. (pausa) Não, não é metáfora. Ela explodiu mesmo. Literalmente.
CENA 03: CASA DE JANETE/INT./MANHÃ
Na cena, Alyra acaba de saltar do sofá com o celular no ouvido, assustada. Janete, Amélia, Tina, Alzira e Adelaide, se passando por Giulia Jolie, que está tomando um cafezinho, se atentam.
ALYRA: Como assim, “morreu”?
AMÉLIA (curiosa): Morreu quem, minha filha?
INSTRUMENTAL: MELANCHOLIC MOOD - MU CARVALHO
ALYRA (aflita, andando de um lado pro outro, soldando o celular): A Violeta! A VIOLETA! Normélia me contou que o carro dela foi explodido por uma bomba e que estão suspeitando de assassinato.
Todos falam ao mesmo tempo.
AMÉLIA: Explodiu?!
TINA: Jesus misericordioso!
ADELAIDE: Que horror, hein? O mundo está perdido mesmo.
JANETE: Meu Deus… a mulher era um traste, mas morrer assim…
ALYRA: Eu tô chocada. A Violeta sempre foi uma pessoa horrível, que tentou de tudo pra tentar acabar com a minha raça. Mas eu não consigo ficar feliz com essa notícia.
AMÉLIA: A mulher era rica, esnobe, cheia de classe, e acabou morrendo explodida no próprio carro… o mundo é round and round mesmo.
ADELAIDE: A menina disse que foi suspeita de assassinato, é isso? Quem faria uma coisa dessas com a tal Violeta?
ALYRA: Tá na cara que foi o Rafael. Aquele desgraçado não vai descansar enquanto não destruir tudo o que resta em volta da gente. O próximo alvo é a Rúbia, depois o bebê que ela tá esperando, e por último, eu.
TINA: Calma, Alyra. Calma.
ALYRA (lacrimejando, inconformada): Você quer que eu tenha calma como, Tina? O Rafael é aquele tipo de pessoa que não mede esforços pra passar por cima dos outros, pra trair, enganar, roubar, e até matar se for possível. Eu não duvido nada que tenha sido ele. Tudo pra quê? Pra ficar com todos os bens que pertenciam a Violeta. (pausa) Ele comprou a parte da Rúbia na empresa, e agora, vai ficar automaticamente com a parte da Violeta!
ADELAIDE: Que monstro…
Alyra passa a mão no rosto, nervosa, andando pela sala.
ALYRA: Ele sempre quis tudo. Tudo! Dinheiro, poder, controle, status… e quando não consegue, ele destrói. E eu não duvido nada que a Verinha, a amante dele, esteja junto com ele nessa.
Janete se aproxima devagar, tenta acolher Alyra.
JANETE: Minha filha, você tá muito abalada.
Tina troca um olhar rápido com Amélia.
TINA: Mas se ele fez isso… ele não vai parar tão cedo, Alyra.
ALYRA: É isso que eu tô tentando dizer desde o começo! Agora ele não tem mais ninguém acima dele. Só a Rúbia. Mas ela é vulnerável, inocente, não entende muito sobre negócios…
AMÉLIA: É melhor você tomar cuidado pra essa história não respingar em você, Alyra.
horas depois…
CENA 04: MANSÃO TRAJANO/EXT./DIA
O jardim está isolado. Os policiais andam de um lado para o outro, analisando tudo com atenção. Um deles caminha entre os arbustos quando algo chama sua atenção. Ele se abaixa. No meio da grama, jogada ali como lixo, uma peruca rosa é encontrada.
POLICIAL 1: Ei… vem ver isso.
O colega dele se aproxima.
POLICIAL 2: Uma peruca? O que isso tá fazendo aqui?
CORTA PARA: INTERIOR DA MANSÃO/DIA
Rúbia está sentada, abatida, com os olhos inchados de tanto chorar. Rafael está de pé ao lado dela, aparentando preocupação. O policial se aproxima, segurando a peruca dentro de um saco plástico.
POLICIAL: Achamos uma pista. (mostrando a peruca) Reconhecem esta peruca?
Rúbia ergue o olhar devagar. Assim que vê a peruca rosa, seu rosto muda na hora. Ela se levanta imediatamente.
INSTRUMENTAL: CODE RED - EDUARDO QUEIROZ, GUILHERME RIOS
RÚBIA (trêmula): Isso… isso é dela. É da Alyra!
RAFAEL: Da Alyra?
RÚBIA: Claro!! Ela tava usando essa peruca no dia do nosso casamento, você não se lembra? É dela! É dela essa peruca! Desgraçada… foi ela! Foi ela quem deu o fim na minha mãe!
POLICIAL: A senhora tem certeza disso?
RÚBIA (fora de si): Absoluta! Eu vi essa peruca com meus próprios olhos! A Alyra invadiu a festa do meu casamento e ela tava usando isso daí!
POLICIAL: Invadiu?
RAFAEL: Exatamente, seu policial. Ela invadiu a nossa festa e até hoje não sabemos o motivo.
RÚBIA: Ela sempre odiou a minha mãe… sempre quis destruir tudo o que era nosso!
POLICIAL: Nesse caso, Alyra será chamada para se apresentar na delegacia imediatamente. Até que tudo seja esclarecido, ela passa a ser considerada a principal suspeita.
A câmera se aproxima lentamente do rosto de Rafael, feliz por dentro por se livrar da polícia.
CENA 05: CASA DE JANETE/INT./DIA
Alyra, Janete, Tina, Amélia, Alzira e Adelaide ainda se encontram na sala, todas chocadas com a morte de Violeta. De repente, alguém bate à porta. Amélia a abre e se depara com o policial, visto na cena anterior.
POLICIAL: Alyra Trajano está aí?
ALYRA (se levanta): Sou eu.
O policial entra, observando todas com atenção.
POLICIAL (mostrando o mandato): Senhora Alyra, a senhora está sendo presa temporariamente, suspeita de envolvimento na morte de Violeta da Paz Trajano.
INSTRUMENTAL: TENSO LEVE #2 - MU CARVALHO
ALYRA (arregala os olhos): Presa?!
Todos se chocam.
POLICIAL (mostra a peruca rosa): Foi encontrado no jardim esse objeto, uma peruca rosa. Rúbia, a filha da vítima afirmou com toda convicção que ela pertence a você.
A câmera foca em Alyra, assustada, intercalando com todos os personagens em cena. Adelaide se desespera ao ver a filha passando por essa situação.
CONGELAMENTO EM ALYRA.
ENCERRAMENTO:

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