O ÚLTIMO UIVO DOS LOBOS
escrita por Raquel Assunção
Abertura
Capítulo 7
Cena 1- Delegacia. Escritório do Delegado Santana. Int.
A câmera sobrevoa pelas ruas movimentadas e frenéticas da formosa Belo Horizonte.
Corta para a fachada da Delegacia.
Em sua sala, o Delegado Santana lê relatórios e estuda outros casos. Júlia e Safira invadem a sala.
Júlia: Santana! Deram uma pista anônima sobre o Caso Gregório de Medeiros.
Safira: Liga para um juíz e pede um mandado de ordem e apreensão AGORA!.
Cena 2- Mansão Vázquez de Queiroz. Sala de Estar. Int.
Miranda, muito elegante, embora confusa, atende o comboio de policiais que vieram-lhe atazanar a tal hora do dia.
Miranda: Querida Júlia ? O que faz na minha humilde residência a essa hora ? Uai, eu chamava você para tomar um cafézin com pão de queijo outro dia.
Júlia: Nós viemos por um mandado de ordem e apreensão. (entrega a ordem expedida por um juíz para ela) Para que não desconfie. Vamos rapazes, tem muita sujeira embaixo do tapete.
Miranda fica chocada e sem reação. O instrumental “Oculto- Guilherme Rios, Eduardo Queiroz” segue a cena.
Em seguida, a cena segue com Júlia e Safira revirando o quarto de Miranda A cena continua com outros policiais buscando por qualquer coisa que a incrimine em outros cômodos da mansão. Na garagem, os policiais já estão desanimados, mas ainda tem uma última esperança; o carro de Miranda.
Júlia: Pode abrir, por favor, Dona Miranda ?.
Miranda: Como se eu tivesse opção. Nunca fui tão humilhada em toda minha vida! Que situação!.
Miranda abre o carro com a chave automática. Júlia e os outros policiais iniciam seu trabalho, alguns minutos se passam durante a verificação, até que algo chama a atenção da investigadora.
Júlia (chocada): Mas que porra é essa… ?.
Ela recolhe uma faca, envolta num saco plástico transparente. Os olhares da policial e a socialite se cruzam.
Júlia: O objeto será mandado para a perícia. O cerco está fechando para você, Miranda, acho bom se preparar para ver o sol nascer quadrado.
Miranda: Eu sou inocente ! Isso não é meu. Eu juro… Você tem que acreditar. Isso é um complô contra mim.
Júlia: Não é a mim a quem você tem que prestar contas, e sim a justiça.
Miranda (fora de si): É fácil você falar isso quando desde o princípio está mirando contra mim. Porque não foi o investigar os outros suspeitos, hein ? Sua investigadorazinha de quinta, incompetente como é deve ter dado a bucetinha pro seu superior pra conseguir essa promoção. Sinto longe o cheiro de vagabunda.
Júlia: A senhora está presa por desacato a autoridade.
Dois policiais avançam e algemam a “dama” que fica furiosa e quanto encara a investigadora.
Cena 3- Apartamento de Augustine. Sala de estar. Int.
Augustine e Lorena gravam um vídeo de publicidade, vários frascos com comprimidos estão espalhados pelo centro no meio da sala. Lorena, muito arrumada, faz a propaganda.
Lorena: Podem comprar sem medo! Eu tomei durante umas semanas e meus cabelos ficaram ma-ra-vi-lho-sos ! Divinos. Confiem na mamãe lolo, beijos.
Augustine (encerra a gravação): Corta! Acabou.
Logo, Augustine recebe uma ligação. Ela avisa a Lorena que terá que sair por uns minutos.
Lorena decide mexer sozinha no vídeo, mesmo que não sabia. Por um descuido, ela sai do arquivo, e quando tenta voltar para o vídeo da propaganda ela aperta em outro. Ao dar clique, o choque toma conta de si.
Cena 4- Delegacia. Entrada. Int.
Sob uma comoção de repórteres desesperados por registrarem a prisão da primeira suspeita do caso que chocou o país, Miranda entra na Delegacia algemada e com a cabeça abaixada. Logo está na sala do delegado Santana.
Santana: Dona Miranda, a senhora está presa. A sua situação só se complica.
Miranda: Complicada ? Eu posso estar humilhada e rebaixada, mas jamais cairei. E sabe porquê ? EU SOU RICA. RICA. E rico, meu bem, nesse país, não fica preso. Minha ficha é limpa, em meia hora eu tô livre.
Santana: Se eu fosse a senhora não ficaria tão tranquilo… O Yuri acabou de mudar o depoimento. Ele acusou você de o subornar para que desligasse as câmeras de segurança.
Corta para;
Sala de Depoimentos.
Yuri está claramente desesperado, seu advogado tenta o acalmar.
Yuri: Pode passar o papo pra eles; se eu ficar preso e o bagulho todo que eles armaram cair em cima de mim, eu não vou cair sozinho!.
Cena 5- Construtora Castanhari & Associados. Escritório do CEO. Int.
Lorena está deslumbrante sob um longo vestido de gala branco. Ela entra no escritório de Lázaro.
Lázaro (espontâneo): Lorena ? Que surpresa. Eu não estou em busca de prostitutas como o Gregório quando te abocanhou. O que te traz aqui ?
Lorena: Ah, Lázaro, há mais assuntos do nosso interesse do que você imagina.
Lázaro (ri com desprezo): Ai garotinha, você sempre foi patética mesmo. Fala logo o que você quer.
Lorena: Sobre a noite da morte do Gregório.
Lázaro teme o tom da conversa.
A cena segue em tom de mistério, o instrumental toma conta do diálogo, que não é revelado ao público.
Cena 6- Clínica Psiquiátrica. Jardins. Ext. Tarde.
O jardim é vasto, a grama verde toma conta. Pacientes passeiam, uns sozinhos, outros em companhia de familiares, ou acompanhados por cuidadores.
Nathália: Eu não entendo como isso aconteceu, minha filha… Foi tudo tão estranho. Estou com medo do Lázaro acreditar naquela sapo cururu e me abandonar de vez.
Doralice: Mãe, o que o vovô faria se soubesse o que nós fizemos ?
O instrumental “Facção - Eduardo Queiroz, Felipe Alexandre” toma conta da cena.
Nathália: Esqueça. É o melhor que fazemos.
Doralice (com dor): Eu não posso me esquecer… O meu verdadeiro pai morreu naquela noite.
Há uma intensa troca de olhares entre mãe e filha. Nathália põe o dedo indicador sobre os lábios de Doralice.
Cena 7- Mansão Vázquez de Queiroz. Porão. Int.
Honório, com medo do prejuízo que a prisão de Miranda vai causar à sua imagem, tenta encontrar algo que possa provar a inocência de sua esposa. Ele mexe numa caixa antiga. Revira. Abre algumas pastas. Finalmente algo lhe chama a atenção; uma certidão de nascimento. Lê rapidamente. O choque toma conta do homem. Tira algumas fotos antigas, registradas na década de 1990. Ao se dar conta do que está a sua frente ele começa a chorar.
Cena 8- Delegacia. Sala de Depoimentos. Int.
A tensão é palpável entre Miranda e Honório. A mulher logo percebeu o semblante do marido, como sempre foi submissa e pé no chão, ela não teve coragem de enfrentá-lo.
Honório (põe a pasta com os documentos e as fotos encontradas na mesa) O que tem a me dizer ? Infeliz.
Miranda (chorosa, com raiva): Eu faria tudo novamente. Se fiz o que fiz, foi pelo nosso nome, pela nossa posição. A Antônia recebeu tudo que precisava pra cuidar do bastardinho dela.
Honório: Eu amava ela. Teria me divorciado de você e ficado com ela e meu filho, filho esse que você nunca pôde me dar de tão seca que é. Eu só não entendo, Miranda, porque não fingiu uma gravidez e roubou o filho dela ? Teria sido inteligente da sua parte, e evitaria muita humilhação uma mulher incapaz de engravidar feito você.
Miranda (ri em meio às lágrimas): Se eu não poderia ser mãe, porquê você poderia ? Jamais criaria um bastardo como filho. E se você me humilhava por ser incapaz de engravidar, você também. “Olha lá, o homem que não tem filho, é um fracassado mesmo” (ela ri, cruel). Você foi e é um fracassado, e vai continuar sendo até o fim.
Honório: DESGRAÇADA. EU TE ODEIO.
Foco nos olhares cheios de tensão dos dois. O clima alí é de guerra declarada.
Cena 9- Cela da Delegacia. Int.
Num ambiente escuro e arrepiante, Yuri se encontra cheio de dúvidas, sentado num banco de cimento duro e cinzento, com a cabeça abaixada, se perguntando se valeu a pena. Seu advogado e Safira aparecem com uma notícia.
Safira: Yuri, cê está solto. Mas nem pense em sair da cidade, um passo em falso seu vai ser o suficiente para te prender.
Ela abre a cela e Yuri sai acompanhado por seu advogado.
Cena 10- No dia Seguinte. Resort Vila Real. Manhã. Ext.
Um carro preto e elegante adentra o resort. Sua chegada é impactante. Como numa cena digna de Hitchcock, a câmera nos revela as duas ocupantes do banco da frente; Dona Mari, dirigindo, e Miranda, no banco do passageiro.
O veículo estaciona e as duas saem do carro, indo em direção aos fundos do Hotel, as duas carregam bolsas, usam óculos de sol e luvas pretas. O instrumental “Oculto- Guilherme Rios, Eduardo Queiroz” acompanha a sequência.
Por outro lado, Yuri também está no resort, seus passos são apressados.
A câmera, em primeira pessoa, sobe as escadas de serviço com pressa. A porta de acesso à laje é aberta. A reação escandalosa de Yuri pode ser vista, embora não escutada pelo público. Um par de mãos usando luvas pretas pega uma pedra relativamente grande, aproveita-se que Yuri encontra-se de costas, e o ataca por trás, a pancada na cabeça é forte, dolorosa, o sangue começa a escorrer. Yuri perde a razão, começa a cambalear, vai ao abismo. O homem, forte e alto, não vê a mureta, tropeça nela e cai do prédio.
Yuri morre na hora em que atinge o chão. Forma-se sobre ele uma poça de sangue.
A câmera se aproxima do corpo. A cabeça desfigurada pela queda.

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