O ÚLTIMO UIVO DOS LOBOS
escrito por Raquel Assunção
Abertura
Capítulo 14
Cena 1- Mansão. Área Externa da Piscina. Manhã. Ext.
A mansão é moderna, conta com pé direito alto e um gramado enorme. Dona Mari e Miranda surgem amedrontadas, guiadas por uma empregada. Ela as deixa frente à uma mulher; a câmera a apresenta com mistério. São reveladas suas mãos, sua boca e por fim seu sorriso debochado. A câmera revela Filipa.
Filipa: Queridas ! Nunca mais nos vemos. Como vão ?
Dona Mari: Filipa!
Miranda: Quantas saudades.
Filipa: O que vocês querem ?
Miranda e Dona Mari aproximam-se, cautelosas.
Dona Mari: Nós três podemos ser ótimas aliadas. Temos muitas coisas em comum.
Miranda: Ah, com certeza. Aqueles homens filhos da puta vão nos pagar!
Filipa: Aliadas em quê exatamente ?
Miranda(com ironia): Pra dar a buc-
Mari interrompe a amada.
Dona Mari: Nós três, juntas, podemos destruir o Lázaro e o Honório! Ajudaremos a concluir sua vingança… Jade da Costa.
Filipa se mantém calada, com seu olhar enigmático perseguindo cada expressão e movimento do casal.
Cena 2- Delegacia. Sala de interrogatórios. Int.
Loreta está frente à Safira, sendo interrogada.
Loreta (chorosa): Eu juro que não fiz nada, tudo isso é uma armação.
Safira: Confessa que você armou para assassinar a sua irmã e é a responsável pelo sequestro do Honório! CONFESSA.
Foco em Loreta, devastada pelas acusações.
Cena 3- Hospital. Quarto de Augustine. Int.
Augustine está deitada na cama, dormindo e com um braço enfaixado devido ao tiro de raspão que foi atingida. Uma enfermeira a observa enquanto bota mais soro.
Enfermeira: Pobrezinha, meu Deus. Deus cuida e abençoa essa mulher.
A enfermeira sai. A câmera foca no movimento da porta se fechando. Se aproxima da personagem. Um sorriso discreto, misturado de soberba e ironia, surge em Augustine.
Cena 4- Presidio Masculino. Sala privada de visitas. Int. Tarde
Mais horas se passaram, a tarde chegou. Imagens de ruas e carros correndo são mostradas. A fachada do presídio de impõe. Corta para Júlia e Safira em frente à um preso numa sala escura, sem muita iluminação.
Júlia: Umberto, nós precisamos da sua ajuda.
Umberto: Ajuda ? (ele ri) Em que posso ajudar vossa senhoria ?
Júlia (mostra uma foto): Você ajudou essa mulher com uma nova identidade, não foi ?
Umberto: O que eu ganho com isso ?
Júlia: Nada. Assim como não vai perder nada também.
Umberto: Porque vocês estão atrás dela ?
Safira: Ela foi presa. Disse que você ajudou a cometer um crime…
Umberto (tomado pela fúria): Essa filha da puta fez o quê ? Essa piranha vagabunda chegou toda mansinha, dizendo que precisava fugir, que iriam atrás dela e blablabla, aí eu fui e dei a identidade de Filipa Almeida pra essa vagabunda e agora ela vem e me faz isso ?
Júlia e Safira se olham, felizes pelo resultado do verde que jogaram.
Cena 5- Delegacia. Escritório do Delegado Santana. Int.
Santana acaba de ser informado sobre a descoberta das investigadoras, e procura o nome de Filipa na lista dos hóspedes do Resort Vila Real próximo ao dia do crime. O choque toma conta de si. “Diabólica - Eduardo Queiroz” aterroriza a cena.
Delegado Santana: Está aqui. Filipa Almeida. Ela se hospedou no resort no dia que o Gregório foi morto e fez o check-out no dia seguinte. FOI ELA.
Há um corte na cena. De repente, os policiais chegam à residência da verdadeira Jade da Costa, com um mandado.
Policial: Filipa Almeida está ?
Empregada: Não. Ela saiu faz umas horas.
Cena 6- Aeroporto. Sala exclusiva. Int.
Mari e Miranda estão sentadas, juntas, apreensivas. Filipa recebe uma chamada e se afasta para atender.
Filipa (ao telefone): Oi… O quê ? Era o que me faltava. Resolvo isso num instante. (desliga o celular) Queridas, não vou poder acompanhar vocês, surgiu um probleminha. Boa viagem!
Cena 7- Cativeiro. Int.
Angélica se encontra amarrada numa cadeira. Em sua frente está Filipa. O instrumental “Porões - Eduardo Queiroz” está presente de fundo.
Angélica: Pelo amor de Deus. Pra que isso ?.
Filipa: A sua filhinha está indo longe demais… Deveria ter matado ela quando tive oportunidade!
Angélica: Então foi você ?
Angélica parte pra cima de Filipa. Uma briga acalorada se inicia. Filipa veda os golpes da amiga com uma pancada com a arma na cabeça e ela cai desmaiada no chão.
Filipa liga para Júlia pelo celular de Angélica. A investigadora atende.
Júlia (ao celular): Oi ? Mãe ?
Filipa: Errou. Aqui é Jade da Costa. A amiga da sua mãe que ela ajudou a vida inteira e sempre escondeu de você.
Júlia (chocada): O quê ? Jade ? O que você está fazendo com o celular da minha mãe ?
Filipa: Ela está aqui comigo. Mas infelizmente não pode falar porquê está… Impossibilitada. Se quer que sua mãe possa voltar a falar com você, é bom você parar o Delegado… Ou então vai sobrar pra sua mãe. Você quem escolhe.
Júlia: Não faz nada com a minha mãe, pelo amor de Deus. Eu faço tudo que você quiser, só deixe ela em paz.
Filipa: Que bom… Julinha, impeça o Santana de vir atrás de mim. A sua corrida contra o tempo começa agora!
Cena 8- Delegacia. Escritório do Delegado Santana. Int.
Júlia invade a sala do delegado às lágrimas, desesperada.
Júlia: Santana, pelo amor de Deus. Me ajuda.
Delegado Santana: O que foi ? Meu Deus, porque você está assim ?
Júlia: A minha mãe. Ela foi sequestrada. A Filipa sequestrou ela e me mandou impedir você de avançar com as investigações. Eu não sei o que fazer. Essa psicopata pode fazer qualquer coisa com ela. Eu tô desesperada.
O delegado a consola com um abraço.
Delegado Santana: Nós vamos resolver isso. Essa psicopata não vai muito longe.
Cena 9- Apartamento de Júlia. Sala de Tv. Int. Noite.
A noite já chegou, o céu está escuro numa visão assustadora. A aflição toma conta de Júlia, enquanto confere detalhes da casa procurando por algum sinal de que a mãe foi sequestrada em sua própria casa. A campainha toca.
Júlia: Renan ? O que você quer ?
Renan: Eu tô muito mal pelo que aconteceu… A Loreta, eu nunca imaginei que ela fosse capaz de fazer o que fez.
Júlia: Se você está mal, é problema seu. Eu tô ocupada, me deixa.
Renan: Poxa, Júlia. Eu tô vendo que você não está bem, o que aconteceu ?
Júlia: Eu ainda posso confiar em você ?
Renan: Mas é claro. Eu sempre estarei aqui
Júlia desaba em lágrimas. Renan a abraça.
Júlia: A minha mãe foi sequestrada. Eu não sei mais o que fazer.
Renan: Como assim ? Por quem ? Como isso foi acontecer ?
Júlia: É uma longa história.
Renan: Você já denunciou ? Não pode deixar isso assim…
Júlia: Eu pedi ajuda ao Santana. Ele está falando com uns contatos. Reza pelo bem estar da minha mãe.
Renan encara sua ex namorada. O olhar é forte, doce, os dois não resistem e se beijam.
Cena 10- Avião Particular. Int. Madrugada.
Dona Mari e Miranda estão sentadas uma em frente a outra. Apreensivas, sem notícias do que lhes pode ocorrer.
Dona Mari: Tudo isso está tão estranho.
Miranda: E se ela tiver armando a nossa morte? Se formos vendidas para o tráfico humano quando pousarmos ? Eu tô com muito medo.
Dona Mari segura nas mãos da amada. Sincera, doce, cheia de amor. Algo muda no tempo. O avião começa a dar sinais de que algo está errado. Por fora, vemos que ele está caindo.
Dona Mari: Você sabe rezar ?... Reza comigo. Tem que ter fé.
Miranda (a voz embargada): Eu não sei se acredito num Deus que parece brincar com o sofrimento da gente…
Dona Mari (chorando pela primeira vez): Eu queria tanto que tudo fosse diferente…
Miranda: Que Deus é esse que permite que os que se amam, se separem ?...
As duas aproximam seus rostos. Em meio às lágrimas, se beijam, emocionadas. O destino está traçado. Não há volta. O avião vai.
Cena 11- Dia Seguinte. Delegacia. Ext.
A câmera foca na fachada da Delegacia. O movimento está fraco. O dia está ensolarado como qualquer outro dia. O instrumental “ Tambores tensos do Maranhão - Iuri Cunha” está presente. Tudo está ocorrendo normalmente até que…
Uma explosão acontece. O fogo domina o prédio. Labaredas de fumaça preta tomam conta. Alguns pedestres gritam horrorizados. Cacos de vidro das janelas voam longe. A frente está destruída. Não é possível ver se há mortos ou sobreviventes no local. Logo, alguns transeuntes mais corajosos decidem invadir a Delegacia para tentar resgatar algumas vítimas.
Cena 12- Padaria. Int.
Júlia e Renan estão tomando café da manhã. A investigadora recebe uma notificação no celular e lê, então, se levanta.
Júlia: Renan, meu Deus. Aconteceu uma coisa tenebrosa. Uma bomba explodiu na Delegacia. Eu tenho que correr pra lá.
Júlia sai da padaria, Renan a segue. Já no estacionamento, Júlia está prestes a pôr seu capacete.
Renan: Júlia…
Júlia: Renan, depois, não tenho tempo.
Como num drible de futebol, Renan tira o capacete das mãos de Júlia e a acerta na cabeça. Ela desmaia, ele a arrasta até seu carro. Já dentro, ele está no banco do motorista e Júlia no banco do passageiro atrás, ele a olha por um instante.
Encerramento

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