INTERNACIONAIS | CAP. 18 (20/03/2026)

INTERNACIONAIS | CAP. 18 (20/03/2026)


CENA 01: CONSTRUÇÃO ABANDONADA | EXT. | NOITE

[INSTRUMENTAL TENSO: Após matar e enterrar Wanda, Tati fica perdida e desesperada. Ela, indecisa, corre a procura de ajuda, a mulher surta com a chuva, trovões e principalmente por tirar a vida da sua melhor amiga. Ela corre até achar uma rua mais movimentada e urgentemente pede um Ureb]

[Tati]: (destruída, gritando) MEU DEUS, MEU DEUS! Que desastre, QUE INFERNOOOO. Quando que chega a merda desse carro imundo?

[Tati anda em círculos com a mão na cabeça, com medo e nojo de si. O instrumental aumenta até se encerrar]


CENA 02: CASA DE HOLANDA | SALA | INT. | NOITE

[Otávio está sentado no sofá, ele está menos choroso. O garoto pensa sobre o que Nayara falou]

[Otávio]: (pensativo) Minha mãe não morreu, Janeiro pode até ter morrido mas eu tenho certeza que ela não! Não faz nenhum sentido, simplesmente não tem como… Eu esqueci de perguntar sobre aquela página maldita! Ah, minha cabeça tá a mil. Maldição, maldita vagabunda, tenho que arrumar um jeito pra acabar com ela o mais rápido possível! Tá ficando perigoso isso, não vou ousar esperar mais tempo pra ela realmente fazer uma chacina. CHEGA!


CENA 03: CASA DE NAYARA | SALA | INT. | NOITE

[Nayara chega em casa, molhada e tranquila. Holanda olha com um olho torto e questiona]

[Holanda]: (preocupada) Ué, mulher? O que tu fez pra ficar tão mansa assim?

[Nayara]: (debochada, risonha) Ah, amanhã tu descobre, correndo atrás tu descobre! *risos*

[Nayara sobe as escadas, Holanda continua olhando para a vilã]

[Holanda]: Se ela fizer alguma coisa com o meu filho, vai se ver comigo!


CENA 04: CASA DE CRISTINA | QUARTO DE MARIA | INT. | NOITE

[Maria está deitada em sua cama, ela pensa e pensa várias vezes se deve mandar mensagem, a mocinha chega em uma conclusão]

[Maria]: Tá, vou arriscar 

[Ela puxa o celular rapidamente, entra no “Zip” e vai no grupo “Inter”]


MENSAGENS:

[Maria]:
Ei, vocês topam de sair no final de semana? Um lugar qualquer, tipo praça ou algo do tipo, sei lá

[Juan]:
Tudo bem! [EMOJI DE CORAÇÃO 5x]

[Martin]:
[EMOJI DE JOINHA]

[Pablo]:
ok

[Maria]:
Amooo, tá combinado então! A gente combina melhor o lugar depois, eu vou aproveitar e falar algumas coisinhas no dia

[Pablo]:
Que coisas?

[Maria]:
Explico melhor lá

[FIM DAS MENSAGENS]


[Maria]: Até esqueci que esse uruguaio existia, esse cachorro que me derrubou da escada. Vou me vingar ainda, peguei ranço desse demônio pois eu sei que foi de propósito, o mundo dá voltas e eu sei que vou conseguir o que quero, dê um sinal que vou conseguir, universo!

[Um trovão cai no momento em que ela termina de falar, Maria se assusta de início mas ri depois]

[Maria]: Já é o suficiente, obrigada… Aliás, quando que essas chuvas fortes acabam?


CENA 05: RUA | NOITE

[Tati ver o Ureb e corre atrás do carro de aplicativo]

[Tati]: (gritando) PARA AQUI, MOÇO! POR FAVOR!

[O carro para, ela abre o carro rapidamente e fecha a porta. O motorista estranha o jeito da mulher mas ignora logo depois]

[Motorista]: Precisa de algo, moça?

[Tati]: (tentando se acalmar) Tem água? Água, água potável pra beber, algo pra beber!

[Motorista]: Tem aqui, pega

[Tati pega a garrafa de água e bebe ela inteira]

[Tati]: Muito obrigada *respira fundo e se aproxima da janela, seus olhos estão arregalados, ela observa a chuva e pensa na Wanda*

[Motorista]: Está tudo bem? Quer dar uma passada no hospital?

[Tati]: Preciso de nada, estou muito bem

[Ela começa a pensar no que fez, ela se culpa mais ainda e sente mais suja do que nunca]

[Tati]: (OFF) Eu preciso contar isso tudo para a Maria, sei que não ficamos muito bem depois da briga dela com a Wanda, mas eu não tive culpa de nada, ela vai me entender, ela tem que me entender! Éramos melhores amigas, fizemos um pacto…


FLASHBACK:

CONSTRUÇÃO ABANDONADA | NOITE

[Wanda]: Para de falar merda, acompanhe meu raciocínio. Fizemos um pacto quando éramos novinhas, prometemos que ficaríamos juntos até a morte. Ela trocou a gente na primeira oportunidade que teve

[Tati]: (nervosa) É sério que sua justificativa é falar de algo que fizemos quando criança? Pelo amor de Deus, Wanda. Você cresceu e não amadureceu, eu tenho certeza que essa “traição” não é o motivo do problema. Você está criando algo maior do que deveria, ela que caçava nós pra sair também, nunca percebeu?

[FIM DO FLASHBACK]

[Tati]: (OFF) Agora eu fui hipócrita, mas e daí? Foi um pacto de amizade e vamos esperar até as nossas mortes para se quebrar! (SOM DRAMÁTICO)


CENA 06: CASA DE PABLO | QUARTO | INT. | NOITE

[Ele está com o celular na mão, ele manda mensagens para a Wanda]

[Pablo]: Será que ela já resolveu esse problema? Essa mulher inútil está demorando uma eternidade; eu deveria ter planejado isso com alguém melhor, alguém mais prestativo do que essa pessoa incrivelmente lenta. Espero que ela me responda logo; parece até que ela está morta.

 [Ele encara fixamente o celular, ignorando as mensagens que Karla está mandando no momento]


CENA 07: CASA DE KARLA | QUARTO | INT. | NOITE 

[Karla manda mensagens para Pablo, ele ignora a maioria, ela se preocupa]

[Karla]: Será que ele está bem? Eu achei que depois da festa e beijos, nós podíamos marcar alguma coisa ou conversar melhor…


CENA 08: CASA DE TATI | SALA | INT. | NOITE

[Tati quase arromba a porta, ela entra dentro de casa, está insana e desesperada por ajuda. Ela pega o celular e procura pelo contato de Maria que está bloqueado, ela larga o celular e coloca as mãos na cabeça, ela anda por todos os lados, pensando no que fazer. Tati grita e desaba no chão, ela chora e se abraça, a mulher procura por conforto no pior momento de sua vida. Conhecida por ser a mais correta e consciente do destruído trio de amigas, chora por matar uma e não ter mais contato com a outra, sufocada pelo medo e nojo de si mesma]

[Tati]: (chorando) Eu quero ajuda, eu quero, quero ficar em paz, quero morrer…

[Ela continua se lamentando no chão, lembra do passado na escola]


CENA 09: CASA DE CRISTINA | SALA | INT. | ANOITECER

[A noite chuvosa e deprimente se passa, agora é um dia aparentemente comum. Maria está mexendo em seu celular, apenas se ouve a mulher usando o “TocToc”. De repente alguém bate na porta]

[Maria]: Ué? Quem será que é? Eu não esperava visita hoje

[Ela caminha até a porta e Tati entra dentro de casa, Maria se assusta]

[Maria]: (nervosa) O que você está fazendo aqui? Hein? Não era para você estar junto com a perua da Wanda? Mudou de ideia? Sua falsa

[Tati]: Maria, sem confusões agora, por favor!

[Maria]: Ah, então você entra aqui sem pedir, sem avisar e quer calma? Me poupe, garota. Pode sair daqui, vai!

[Tati]: Maria, cala a boca e deixe-me explicar!

[Maria]: Tu disse “cala a boca"? Minha querida, tu não falou nem boa tarde, ô sua sonsa!

[Tati]: Maria, deixa eu falar! Por favor, é algo sério. Mantenha a calma

[Maria]: Desembucha, vai rápido!

[Tati]: Eu sempre me importei contigo e a Wanda, eu fiquei do lado dela para ela não se descontrolar e fazer o pior com você, entende? E pelo visto eu estava certa, ela queria fazer algo terrível contigo!

[Maria]: E o que ela queria, hein?

[Tati]: Vou direto ao ponto, ela queria te matar, Maria!

[Maria]: (espantada) É o que?

[Tati]: Mas eu não queria te ver morta, a gente ficou discutindo, não aguentei ela planejando isso e me colocando no meio. A Wanda falou do nosso pacto quando crianças, lembra? Eu fiquei furiosa, ela queria te sequestrar e levar pra uma coisa abandonada lá, tipo um prédio, apartamento, não sei! A querida me levou até lá e…

[Tati começa a chorar, mas ela está com um sorriso no rosto. Maria fica confusa]

[Maria]: (nervosa) E o que, Tati? E o que?

[Tati]: Eu te protegi, eu te salvei

[Maria]: O que você fez, Tati?

[Tati]: Era um lugar deserto, estava chovendo e escuro. Eu me aproveitei disso e joguei ela lá de cima

[Maria]: (incrédula) Como assim?!

[Tati]: Ahh, querida. Já tinha uma cova que ela mesma preparou, deixou a pá comigo e eu usei essa pá para enterrá-la. Quem cava a cova do próximo tem que tomar cuidado para não cair nela, não é? *risos*

[Maria]: (aborrecida) Você é idiota?

[Tati]: (confusa) Como assim? Eu fiz isso pro seu bem, fiz pelo nosso bem, pelo carinho que tenho por ti

[Maria]: Tinham tantos caminhos pra sair dessa rota e você escolheu o pior de todos? Você é maluca? Eu nunca esperei isso de você, tu virar uma assassina e ficar confessando seu crime na minha casa!

[Tati]: (alterada) MAS EU FIZ POR UMA BOA CAUSA, SUA DESGRAÇADA

[Maria]: (assustada) Por que tá levantando o tom? Você me respeita e fala direito comigo, assassina

[Tati]: Não ouse falar isso de novo, eu fiz pelo seu bem!

[Maria]: Falaram o que, assassina?

[Tati dar um tapa forte no rosto de Maria, a mocinha olha com ódio]

[Tati]: Olha aqui, você nunca mais me trate desse jeito, eu vim pedir ajuda e você não deixou nem eu terminar de falar. Por isso você terminou sozinha, você é suja, sem noção e uma burra!

[Maria]: Sozinha?

[Tati]: Sim sim, sozinha!

[Maria]: (furiosa) Sozinha meu ovo, tu é uma sonsa mesmo, sabe que a nossa amizade acabou por causa do ciúmes de vocês porque eu estava falando com os gringos lá. Você é idiota tal como a falecida que VOCÊ MATOU! Você é a mulher sozinha, perdeu as duas amigas, você é um fracasso, Tati. Se bem que você não está sozinha, sabe o porquê?

[Tati]: Por que, hein?

[Maria]: Porque você vai ter as minhas marcas em você!

[Maria começa a bater em Tati, a mocinha pega ela pelos cabelos e lhe dá vários socos na cara e na barriga. A mulher implora para ela parar mas Maria não para, a protagonista empurra Tati para fora de casa]

[Maria]: Isso é para você aprender a ser gente, saia daqui antes de eu falar para o mundo todo quem é você!

[Tati está ferida e chorando, ela olha para Maria com tristeza e arrependimento]

[Maria]: Não escutou, sua cadela? SAI DAQUI SUA VADIAAAAAAAAAA FRACASSADA!

[Tati corre chorando, Maria ajeita o cabelo e ri histericamente]

[Maria]: (satisfeita) É isso, fiz o meu trabalho. Coloquei ela em seu devido lugar, acabou os dramas!


CENA 10: RUA | NOITE

[INSTRUMENTAL TRISTE/IMPACTANTE: Tati corre, ela procura algum carro, ônibus, táxi, moto táxi. Apenas quer alguma coisa que faça ela sair do lugar onde está, além de querer sair do local, quer tirar a vergonha que sente no momento, a tristeza domina suas emoções. Tati procura algum sentido no andar, no desespero, uma luta interna e externa que aparenta não acabar tão cedo. Até que de repente ela se encontra com o passado na sua frente]


FLASHBACK: ESCOLA SAN MARINO | PÁTIO | INT. | TARDE

[Maria, Tati e Wanda estão juntas e sorridentes, a Maria pega duas pulseiras da mochila. As meninas ficam encantadas com ela]

[Maria]: Olha, eu disse que eu ia fazer *risos* Isso aqui é pra nunca tirar, ok?

[Wanda]: Óbvio que não!

[Maria]: Nossa amizade é para sempre, meninas. Isso aqui vai fortalecer ela mais ainda

[Tati]: Será mesmo? Isso é tipo um pacto, né?

[Wanda]: Simmm, um pacto de amizade *risos*

[Maria]: Exato *risos*

[Tati]: Então é isso, a gente nunca vai tirar, amigas!

[Wanda]: Viva nossa amizade

[Maria, Tati e Wanda]: Viva!

[Elas riem juntas, a felicidade delas é forte. Tati olha a cena na sua frente, ela chora mais e corre em direção a cena, ela se sente passar por isso de novo. Um homem olha ela correr e grita]

[Homem]: (gritando) MOÇA, CUIDADO!

[Tati volta para a realidade, achando que tinha procurado e achado ajuda, ela percebe que cortou seu destino. A câmera fica lenta, ela olha para o lado, sorri e fecha os olhos. A garota aceita seu destino, ela caiu em sua própria ilusão, não pode mais chorar, não tem como voltar atrás, Tati espera o carro lhe atingir. O carro lhe atropela e freia logo depois, a câmera volta à velocidade normal, uma multidão se reúne para ver a mulher caída no chão. O instrumental para]

[CONGELAMENTO E ENCERRAMENTO]

[O encerramento é silencioso, apenas tem o som de um coração batendo, perto do fim, ele para]