INTERNACIONAIS | CAP. 17 (18/03/2026)


INTERNACIONAIS | CAP. 17 (18/03/2026)

CENA 01: CASA DE CRISTINA | SALA | INT. | TARDE

[Cristina olha no fundo dos olhos de sua filha. Ela espera uma resposta. Maria fica indecisa, e Martin curioso]

[Maria]: (frustrada) Eu preciso de um tempo pra pensar nisso. *OLHA PARA MARTIN* Você entende isso, não é? Eu me sinto sufocada nesta situação, eu tenho que respirar!

[Martin]: (calmo) Eu compreendo, minha filha. Esta visita foi uma confusão, me perdoem.

[Maria]: Tudo bem, eu entendo. *respira fundo* É melhor você ir pra sua casa.

[Martin]: Sim, vou indo agora. Tchau, Maria.

[Martin e Cristina se encaram, um instrumental dramático se inicia. Cristina tem um olhar sério, de desgosto. Martin se constrange, mas sabe que ela tem razão]

[Martin]: (sincero) Eu espero que a gente se veja outra vez para acertarmos as contas. Mais uma vez eu peço perdão.

[Martin se vira e vai embora, Cristina fecha a porta. Ela olha para Maria, em silêncio]

[Cristina]: Vai ficar calada, é isso?

[Maria]: E o que você espera que eu faça? Isso tudo tá preso aqui ó, na minha garganta. Eu tô entalada, não aguento mais!

[Cristina]: (indignada) Só queria um posicionamento teu, queria que ficasse do meu lado e se afastasse desse homem, ele não é flor que se cheire.

[Maria]: (exaltada) Olha aqui, se for pra você ficar falando merda no meu ouvido, saia de perto de mim. Eu não vou ficar escutando você dando chilique. Eu conheci o cara faz um mês, ele já me tratava como uma filha, me sentia acolhida e os caramba. Agora eu descubro que ele é meu pai!? Você nunca pensou em me contar? Quer que eu fique de boa, sabendo que ele era meu pai? QUER QUE EU ENGULA TUDO ISSO COMO SE FOSSE NADA? Eu não tive tempo nenhum pra racionar, mas eu vou agir sim viu! Não venha me apressar!

[Cristina]: Quando você for mãe, vai entender minha dor. Isso não é um problema que se resolve em um dia só, você era um bebê na minha barriga! Ele te deixou e te criei sozinha

[Maria]: Eu sei, mãe! Mas é que eu tô de cabeça quente, sabe? Eu preciso descansar, foi tanta coisa que eu só quero me deitar. Vocês podiam se encontrar e melhorar essa situação, podiam evoluir e consertar o passado

[Cristina]: Ô, vou pro meu quarto, não quero nunca mais tocar nesse assunto *CRISTINA CAMINHA ATÉ O QUARTO*

[Maria]: (falando sozinha) Pois eu vou tocar nesse assunto até ficar resolvido, são os meus pais nessa história. Tenho que conversar com o Martin, agora eu vou ver TV

[A Maria liga a televisão e senta no sofá, está passando um boletim na FlopTV]

JORNALISTA:
No fim desta tarde teremos muita chuva, ô que beleza! Chega de calor


CENA 02: CASA DE MARTIN | SALA | INT. | ANOITECER

[Martin está sentado no sofá, refletindo sobre o momento tenso na tarde. Ele está comovido com Cristina e Maria]

[Martin]: Ela tem seus motivos, eu não podia simplesmente fazer isto. Tem vezes que eu queria apagar este meu passado, foram tempos sombrios. Eu fico pensando como teria sido minha vida se eu tivesse assumido Maria como minha filha… Eu vou descansar, pensar e depois melhorar essa situação


CENA 03: CASA DE NAYARA | SALA | INT. | NOITE

[Nayara está furiosa e sentada no sofá, Joana está no quarto e Holanda sentada no sofá. A vilã olha para a mãe solteira]

[Nayara]: Ô, ei! OLHA

[Holanda]: Que foi, hein?

[Nayara]: Tá com a chave de casa?

[Holanda]: Que? Por quê?

[Nayara]: Tá ou não tá?

[Holanda]: Acho que tô, pra que tu quer minha chave?

[Nayara]: Vou fazer um negócio rapidinho. Você vai amar

[Holanda]: Mocreia, se você pôr a mão no meu filho, eu acabo contigo

[Nayara]: Me dê logo essa chave e deixa de drama

[Holanda]: *PEGA A CHAVE DE CASA E DÁ A NAYARA*  Me fale logo o que tu vai fazer

[Nayara]: Talvez amanhã tu descubras, querida. Vá ver TV *ELA SE LEVANTA E CAMINHA ATÉ A CASA DE HOLANDA*

[Holanda]: (confusa) O que deu nela dessa vez? Credo


CENA 04: CASA DE TATI | QUARTO | INT. | NOITE

[Tati mexe em seu celular, de repente uma mensagem chega, ela é de Wanda. A mulher se frustra e ler em voz alta]

[Tati]: (lendo a mensagem) “Você vai na construção? Eu estou indo lá agora”. Ai mulher, não enche

[Ela manda mensagem dizendo que está no caminho, ela envia e respira fundo]

[Tati]: Acho que vou de Ureb, mais fácil. Eu sou uma mulher culta que anda de Ureb, vou pedir logo. Mas o que a gente vai fazer no escuro e no meio da chuva? O mundo caindo, meu Deus 

[SOM DE TROVÃO EM FORMA DE TRANSIÇÃO]

CENA 05: CARRO DO UREB | INT. | NOITE

[Tati está dentro do carro, ela observa a chuva na janela. Ela está desesperada para sair daquele carro e conversa com Wanda]

[Tati]: Ô, moço. Pode parar aqui mesmo, valeu

[Motorista]: (preocupado) Tem certeza? Aqui é meio escuro e deserto

[Tati]: Pode confiar em mim? Valeu!

[A mulher desce do carro, ela está sem o guarda chuva, se protege da chuva com o casaco. Ela anda e vai até à construção abandonada]

[Tati]: Jesus, me proteja de qualquer mal que vier

[Tati começa a andar e encontra uma cova]

[Tati]: (nervosa) O que é isso? Meu Deus, isso é coisa dela?

[Wanda]: Talvez seja

[Tati]: (assustada) AI MULHER! Credo! Tem noção não?

[Wanda]: Ah, Tati. Você gostou da cova? É pra enterrar aquela vagabunda, a pá já está aqui também. Tudo preparado pra este grande dia

[Tati]: Você fala em uma frieza, me assusta

[Wanda]: Eu estou fria? Nunca! Estou sendo muito doce. Ela merece isso tudo e muito mais

[Tati]: Cala a boca e começa a falar, tá chovendo horrores

[Wanda]: Me siga, vamos subir

[Tati]: Subir nesse lugar podre? Capaz de desabar

[Wanda]: Pode confiar, eu já subi pra testar se tá bom. Chega de frescura e vem logo!


CENA 06: CASA DE HOLANDA | SALA | INT. | NOITE

[Otávio está vendo ClickTube na televisão, a porta se abre e ele rapidamente olha pra trás. Se encontra com Nayara]

[Otávio]: O que tu tá fazendo aqui?

[Nayara]: Ah, meu bem. Vim preocupada! Queria saber como você está, né? Então, está tudo bem?

[Otávio]: Estava, antes de você chegar

[Nayara]: A minha presença te incomoda? Que coisa feia de se falar, meu bem. Tua mãe não te ensinou a ter educação? Ah, você não tem mãe nenhuma, não é mesmo?

[Otávio]: Tenho sim, uma mãe maravilhosa, aliás, como ela está? Como você entrou aqui? Ela te deu a chave?

[Nayara]: Olha, eu vim até aqui pra ser grossa contigo. Mas eu me comovi porque eu fiz algumas coisas que podem te deixar decepcionado, sabe?

[Otávio]: Fala logo!

[Nayara]: Meu bem, enquanto sua mãe estava se arrumando pra se mudar na minha casinha, ela disse o motivo?

[Otávio]: (nervoso) Não, qual foi o motivo? Você fez o que pra ela mudar?

[Nayara]: Se acalma, querido. Eu vou ser direta, tá? Eu não quero que seu coração acelere, na verdade eu quero, mas tem que ter muita calma nessa hora

[Otávio]: (gritando) FALA LOGO, NAYARA!

[Nayara]: (espantada) Credo, garoto. Tá! Se tu quer tanto saber, a sua mãe e a melhor amiguinha dela eram apaixonadas naquele português que se mudou, né?

[Otávio]: Sim, e?

[Nayara]: Eu tive que dá um jeito, eu não aguentava ver aquelas duas mulheres se acabando pelo homenzinho, até eu fiquei apaixonada. Dei um fim nesta história frouxa, adivinha o que eu fiz

[Otávio]: Fala logo!

[Nayara]: Eu botei a tua mãe, a Joana e o portuga em um lugar mágico. Perguntei quem ia ficar com quem, ninguém decidiu e fiquei de saco cheio daquela bosta e atirei no queridinho!

[Otávio]: (desacreditado) Que?

[Nayara]: Sabe o que eu fiz depois? Fiz picadinho português na frente delas, obriguei elas a morarem comigo e calarem a boca! Agora todos acreditam que ele se mudou, eu me aproveitei disso. Gostou?

[Otávio]: *lacrimejando* Você está ficando maluca? Você matou o Janeiro?! VOCÊ É RETARDADA, GAROTA?

[Nayara]: A sua mãe também tá bem desobediente, quer dizer… estava! Sabe por quê?

[Otávio]: (chorando) POR QUÊ?

[Nayara]: Porque você está órfão de novo, ela está a sete palmos debaixo da terra! Boa noite, queridinho

[Otávio]: (gritando) Você só pode está brincando! SUA PUTAAAA! PIRANHA! *ELE CORRE PRA BATER NA NAYARA, NAYARA ABRE A PORTA E SAI DE CASA* DESGRAÇADAAAAAA! (reverb, som dramático, instrumental dramático)

[Otávio cai no chão, ele chora e fica sem forças pra pensar e falar]


CENA 07: CONSTRUÇÃO ABANDONADA | INT. | NOITE

[Wanda está no último andar da construção, ela espera Tati subir]

[Wanda]: (impaciente) Tati, querida, suba

[Tati]: Pera, mulher. Pronto! O mundo tá se acabando, olha essa chuva!

[Wanda]: Olha que vista linda! Só árvore, terra e água. Tudo escuro e deserto, um lugar perfeito pra gente executar

[Tati]: Wanda, você não acha que tá passando dos limites?

[Wanda]: Claro que não! Tati, você tem que aprender que todo remédio para falso é uma lapada

[Tati]: Não, tô falando sério. Qual a motivação disso tudo?

[Wanda]: Ué, não entendi. Você acompanhou isso tudo e não entendeu?

[Tati]: Não entendi o porquê do escândalo, éramos um trio de amigas. Você fez um surto por uma coisa pequena, claro que a Maria começou a dar mais atenção para aqueles machos, mas e daí? Não tem justificativa para isso que estamos fazendo, é crime!

[Wanda]: Para de falar merda, acompanhe meu raciocínio. Fizemos um pacto quando éramos novinhas, prometemos que ficaríamos juntos até a morte. Ela trocou a gente na primeira oportunidade que teve

[Tati]: (nervosa) É sério que sua justificativa é falar de algo que fizemos quando criança? Pelo amor de Deus, Wanda. Você cresceu e não amadureceu, eu tenho certeza que essa “traição” não é o motivo do problema. Você está criando algo maior do que deveria, ela que caçava nós pra sair também, nunca percebeu?

[Wanda]: (irônica) Nossa, querida. Não era você que era calminha? Está se tremendo de raiva

[Tati]: Wanda? Tu acha que tem como manter a calma nesta situação? Pelo amor de Deus, cara! Se toca, te manda e arruma algo pra fazer. Se você quer ser vilã de novela que não tem motivação aparente, não coloque meu nome nisso!

[Wanda]: Que foi, mulher? O que eu te fiz pra tu me tratar desse jeito? Vem cá, vem *WANDA TENTA SE APROXIMAR DE TATI PARA ABRAÇÁ-LA*

[Tati]: Chega! Sai de perto! *TATI LHE DAR UM TAPA, WANDA FICA FURIOSA*

[Wanda]: (exaltada) Você tá ficando maluca? Tá achando que é quem pra ficar me batendo?

[Tati]: Você extrapolou os limites, deixa de ser cínica, porra. Tá enchendo meu saco! Se você vier pra perto de mim eu faço coisa pior

[Wanda lhe dar um tapa na cara, ela tenta agarrar o pescoço de Tati]

[Wanda]: Olha só, me respeite! Você continua sendo a mesma vagabunda de sempre!

[Tati]: Wanda, tô falando sério, sai de perto. Inferno!

[Wanda]: Que medo é esse, mulher? Não estava levantando o tom agora há pouco? Você é muito cagona! Desgraçada assim tem que ter alguém pra guiar, para de escândalo e vamos prosseguir o plano!

[Tati]: (nervosa) Já deu pra mim! Isso foi demais, eu não aguento mais, Wanda. Você está me torturando, você é má! Um demônio na Terra!

[Wanda]: (surpresa) O que você está falando, Tati?

[Tati agarra Wanda, ela está furiosa. Wanda fica chocada com a atitude da amiga. Ela sufoca a mulher]

[Wanda]: (agoniada) Me solta agora, Tati! Vai logo, deixa de fazer cena!

[Tati]: CENA? CENA É O QUE VOCÊ VAI FAZER NO COLO DO CAPETA, IMPLORANDO PRA IR AO CÉU

[Wanda]: O que você está falando? Me solta!

[Tati]: Te solto sim, quer que eu te solte?

[Wanda]: (gritando) TATI, O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO?

[Tati]: (fria) Ah, você sabe! Não é seguro esse lugar, é escuro, deserto, cheio de bichos e mato. É melhor a gente sair daqui, você vai embora de outro jeito, vagabunda

[Wanda]: TATI ME SOLTA LOGO!

[Tati lhe dá um tapa na cara e manda ela ficar calada]

[Tati]: Você está realmente precisando de um toque, né? Amiga, você teve uma dedicação inteira pra tirar uma vida, mas esqueceu que quem cava a cova dos outros, acaba cavando a própria…

[Wanda]: (gritando) O QUE VOCÊ TÁ FALANDO? O QUE VOCÊ TÁ FALANDO? ME SOLTAAAA!

[Tati]: Claro, agora eu lhe faço esse favor

[Tati empurra Wanda, a mulher grita. A câmera acompanha a queda de vários ângulos, o grito fica em reverb. O instrumental fica mais tenso e alto. Depois de alguns segundos, a Wanda cai e a ficha de Tati também, ela matou sua melhor amiga]

[Tati]: (gritando) WANDA!

[Tati olha para baixo e vê o corpo de Wanda no chão, ela olha por um bom tempo e levanta a cabeça, olhando em direção à câmera. SOM DRAMÁTICO]

[SOM DE TROVÃO COMO TRANSIÇÃO: Tati começa a descer da construção abandonada até encontrar o corpo, ela procura a pá e a cova. Ela pega no corpo da amiga e coloca na cava, ela pega a pá e começa a enterrá-la]

[Tati]: (em transe) Me perdoa, meu Deus. Me perdoe, me desculpe, eu não queria isso *ELA SE AGACHA*

[A trovoada aumenta, a chuva fica mais forte]

[Tati]: (respira fundo, chorando e surtando) Me perdoa

[ENCERRAMENTO E CONGELAMENTO]: