O último uivo dos lobos: Capítulo 6 - 29/01/2026

 O ÚLTIMO UIVO DOS LOBOS


escrita por Raquel Assunção 


                                              capítulo 6


Cena 1- Delegacia. Escritório de Investigações de Júlia e Safira. Manhã. Int.

A cena se inicia com a imagem aberta sobre o quadro de suspeitos e todas as informações sobre o caso. A câmera vai se afastando aos poucos, revelando Júlia e Safira tomando café enquanto discutem sobre o assassinato de Gregório de Medeiros.

Júlia: Como pode um acéfalo desses nos causar tanto problema. Esse homem era podre.

Safira: Muito, amiga. Eu não confio nem um pouco nesses amigos dele. Pra mim são tudo lobos numa matilha, um querendo se sobressair mais que o outro.

Júlia: Com certeza. E esse golpe que o Lázaro e o Honório planejavam é muito estranho. Eu tô começando a pensar que-

Safira: Que eles mataram o “amigo” para subir as ações da empresa ?.

Júlia: Exatamente. Primeiro, eles descobrem que o Gregório usava a Construtora para lavar dinheiro, eles pressionam o “amigo” e ele desiste do golpe. Segundo, eles fazem as ações da empresa irem abaixo e perder valor para recuperarem o poder acionário e chutarem o falecido, que Deus o tenha. Terceiro, eles colocam um comprador falso para comprar as ações, Gregório descobriu e desistiu de vender, então…

Safira: Eles o mataram.

Júlia: Mas uma coisa não se encaixa…

Safira: O quê ?.

Júlia: Se realmente os dois armaram o assassinato, porquê o Honório deixaria uma prova que incrimina diretamente a esposa dele?.

Cena 2- Construtora Castanhari & Associados. Escritório do CEO Lázaro. Int.

O escritório é luxuoso, quadros de artistas renomados reluzem sobre a luz do sol que invade o ambiente através da janela. Honório, que já havia sido anunciado, entra na sala.

Lázaro (indiferente): Seja direto, por favor. Não estou com paciência para suas firulas.

Honório (língua afiada): Não tive coragem anteriormente para lhe abordar sobre esse assunto, mas… Você quem matou o Gregório, não foi ?.

O instrumental “Imperador- Felipe Alexandre, Eduardo Queiroz” pesa o clima da cena.

Lázaro (surpreso): Eu não sei se me surpreendo mais por esse questionamento partir de você, ou pelo seu cinismo em me perguntar o que já sabe a resposta.

Honório (retruca): Eu não o matei… Não teria tamanho sangue frio. Já você…

Lázaro (irônico): Mas você deu indícios suficientes que poderia vir a pôr um fim de linha no Gregório. 

Honório (ameaçador): Não se atreva a tentar me acusar, ou tentar virar o jogo contra mim. Você sabe que eu não jogo para perder. 

Lázaro: Não seja por isso. Mas nunca mais ouse me afrontar com essa acusação! Nós fizemos o que fizemos porque era necessário para o bem da Construtora. O Gregório agora é carta fora do baralho.

Honório (inquisitório): É melhor que não tenha a ver com essa clara tentativa de envolver minha mulher nesse crime. Não seria bom me ter como inimigo…

Honório sai do escritório, Lázaro segue pensativo e sua expressão denuncia algo ainda oculto.

Cena 3- Hotel Fasano Belo Horizonte. Suíte. Int/Ext.

A música “Cobra- Rita Lee” acompanha a transição entre a cena anterior e a atual, onde são mostradas cenas do Bairro de Lourdes.

Dona Mari surge num enquadramento que a valoriza. Em frente ao espelho ela se olha vestida com um body azul escuro.

Dona Mari: Gostosa!

A madame vai até uma varanda espaçosa que tem visão para outras sacadas do próprio hotel, Mari aproveita para observar o movimento, quando se depara com uma cena inusitada.

Dona Mari (em choque): Não acredito ! (sorri) Que bicha safada! 

Ela começa a gravar com seu celular.

Corta para;

Suíte. Varanda. Ext.

A câmera se dirige para a cena captada pelo celular de Dona Mari; Rômulo e Gustavo, ambos sem camisa e muito à vontade, trocam afeto na sauna do quarto. Os dois saem e iniciam um ato libidinoso, Dona Mari cai aos risos enquanto grava.

Cena 4- Horas mais tarde. Apartamento de Lorena. Sacada. Ext.

A sacada reflete a fubanguice representada pela figura deprimente da influenciadora Lorena. Extravagante, falsa, e interesseira, ela grava uma ação publicitária para uma casa de apostas com Renan e Augustine.

Augustine (tirando fotos): Isso ! Arrasa.

Lorena: Chega! Eu estou cansada. Até para ser gostosa exige performance.

Lorena entra em casa, e se depara com Loreta na cozinha, que tem uma janela para a varanda, imitando os trejeitos dela.

Lorena (subindo o tom): Quem você pensa que é, puta mal paga ?

Loreta (tentando se defender): Eu estava rindo porque a cena estava engraçada, só isso, não se dê tanta importância.

Lorena dá um tapa no rosto de Loreta, com o impacto do golpe ela cai no chão, humilhada. Renan e Augustine vem ver o que está acontecendo.

Lorena (desprezo): Aí é o seu lugar. No chão. No lugar das fracas. Songamonga desgraçada. Para você aprender quem manda aqui. Se não aprende no sorriso, vai aprender na dor.

Loreta começa a chorar e encara a irmã com ódio.

Cena 5- Rua. Tarde. Ext.

Nathália está no seu carro, parada no trânsito, numa das ruas movimentadas da capital mineira. 

Curiosamente, o hotel onde Mari e Miranda se encontram é alí próximo. Nathália vê as duas saindo do hotel de mãos dadas, em clima de romance, e estranha a cena. A confirmação do que ela duvidava vem logo em seguida, quando Mari e Miranda se beijam, apaixonadas. Nathália fica completamente chocada.

Cena 6- Delegacia. Escritório do Delegado Santana. Int.

Júlia, Santana e Safira debatem acerca do assassinato de Gregório.

Júlia: Das duas uma, ou a Miranda é inocente, ou teve um cúmplice. Vejam, me acompanhem no raciocínio, é impossível ter sido cometido por apenas uma pessoa, portanto tiveram cúmplices. Todos estavam alcoolizados ou dormindo na hora do crime. Pela área onde ele foi morto, o mais crível é que alguém de dentro do próprio Resort esteve envolvido.

Santana: Até pode fazer sentido. Mas na hora do crime eles estavam recolhidos, Júlia, foi essa a ordem passada para eles.

Júlia: Nem todos estavam recolhidos. Alguns ficaram trabalhando.

Santana: O que me deixa mais intrigado é não termos encontrado a arma do crime.

Corta para;

O corte é brusco, vemos um ambiente escuro, iluminado apenas por uma lâmpada fraca. Yuri está sentado numa cadeira frente a outra pessoa que não é revelada. Uma caixa de madeira é posta na frente do rapaz.

Yuri: O que é isso ? Posso abrir ? (ele abre e fica surpreso) Meu Deus! Isso é… Foi com essa faca que vocês o mataram… Caralho. O que eu tenho que fazer com isso ?.

Cena 7- Início da noite. Mansão Castanhari Vasconcelos. Corredor. Int.

Nathália anda pelo corredor quando se cruza com a madrasta. As duas se confrontam.

Dona Mari: Já tomou a dose de hoje, Nathália? Cuidado hein, não vai ficar bêbada porquê dirigir embriagada nesse país de contenda é crime!

Nathália: Minha dose ainda não tomei… Mas o seu chá de buceta, você já tomou, não é ?

Dona Mari: Mal educada. Pentelhuda desgraçada. Vai lamber a rola seca daquele seu marido pra ver se sobe, porque deve ser difícil ficar excitado com uma alcoólatra como você.

Nathália (tom ameaçador): Sapatona dos infernos. Desde quando você come aquela nariguda da Miranda ? Eu vi vocês se beijando em público!

Dona Mari (em choque, mas tentando se controlar): Não sou só eu que tenho tendências homossexuais nessa casa… Você sabe o que -

Nathália (interrompe a madrasta): Cala a boca! Traidora não tem direito a defesa! Eu vou assistir a sua ruína. Eu venci o jogo, Mari, e você perdeu!

Dona Mari dá um tapa na cara de Nathália, que devolve com outro tapa.

Nathalia: Fim de jogo, Mari.

Nathália sai rindo.

Dona Mari (com sangue nos olhos): Isso não acaba aqui! 

Cena 8- Horas mais tarde. Restaurante Nobre. Int.

Renan está arrumado, perfumado, tudo para sua namorada Lorena. Quem chega é Loreta, fazendo-se passar pela irmã, deslumbrante, num vestido vermelho longo.

Renan: Lorena ? Você está incrível, meu amor.

Ela sorri, falsa e vitoriosa.

Loreta: Renan, seu bobo, eu sei que sou incrível, não precisa reafirmar.

A câmera foca nos olhos profundos de Loreta.

Cena 9- No dia Seguinte. Manhã. Mansão Castanhari Vasconcelos. Entrada.

O dia amanhece tempestuoso. O céu está nublado, com muitas nuvens cinzentas cobrindo o sol, que arrisca aparecer ao fundo. 

A mansão dos Castanhari está movimentada. Júlia chega em busca de investigar. “Don’t blame me- Taylor Swift” toca ao fundo, criando a atmosfera de injustiça.

Uma pequena ambulância está parada em frente a casa. Nathália, numa camisa de força e segurada por dois homens, sai da casa em estado de surto. Atrás dela vem Mari, machucada, Lázaro com semblante choroso e Doralice desesperada, Rômulo abraça a filha. Mari e Rômulo se olham, como se num acordo entre eles.

Júlia observa tudo, sem entender nada.





























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