GATO & SAPATO - CAPÍTULO 28 (30/01/2026)


 GATO & SAPATO - CAPÍTULO 28 (ÚLTIMAS SEMANAS)

criada e escrita por SINCERIDADE

CENA 01: MANSÃO TRAJANO/MANHà

INSTRUMENTAL: SUSPENSE ETHEREO #1 - MU CARVALHO 

Alguns instantes depois da explosão, Rúbia sai desesperada da mansão e corre até a garagem, que está em chamas.

RÚBIA (chorando): MEU DEUS, A MINHA MÃE! 

Ela tenta avançar até o carro em chamas, mas Rafael a segura forte, impedindo.
Rúbia se debate, chora, grita, enquanto o fogo continua queimando. Rúbia se solta dos braços de Rafael e cai de joelhos, diante da garagem em chamas. O calor é forte, o fogo estala, a fumaça sobe sem parar. Rafael tenta apagar o fogo com o extintor, mas falha propositalmente. Rúbia leva as mãos ao rosto, sem conseguir respirar direito.

RÚBIA (em choque, quase sem voz): Não… não… isso não pode estar acontecendo…

Rafael, fingindo desespero, pega o celular do bolso e começa a discar para o serviço de emergência. No próximo take, Rafael desliga o telefone e volta até Rúbia, abaixando-se ao lado dela.

RAFAEL (baixo, teatral): Os bombeiros estão vindo… o samu também… fica calma meu amor. Fica calma. Vai ficar tudo bem!

No próximo take, as chamas finalmente são controladas pelos bombeiros. A garagem fica coberta de fumaça e restos queimados. O carro de Violeta está completamente destruído. Os paramédicos, que já estavam a postos do lado de fora, se aproximam com cuidado. Um deles tenta chegar até o interior do veículo, mas logo recua. Os profissionais trocam olhares rápidos. Um deles caminha até Rafael e Rúbia.

PARAMÉDICO (profissional, contido): Sinto muito… mas não havia mais o que fazer.

Rúbia demora alguns segundos para entender. 

RÚBIA (trêmula, ainda com esperanças): Como assim… não havia? QUE QUE VOCÊS ESTÃO QUERENDO DIZER COM ISSO? 

PARAMÉDICO: Infelizmente a vítima veio a óbito. O veículo ficou em chamas por muito tempo. Nenhum ser humano suportaria tamanha dor.

Rúbia solta um grito e desaba de vez. O choro vem forte, descontrolado. Rafael a abraça apertado, aparentando dor, mas seu olhar é frio. Os paramédicos continuam o trabalho ao fundo retirando o corpo de Violeta do veículo, coberto por uma proteção preta. Rúbia, agarrada à camisa de Rafael, chora sem parar. De repente, uma viatura da polícia chega até a garagem e estaciona. Dois policiais saem do veículo e um deles se aproxima.

POLICIAL: Quem é o responsável pelo carro?

Rafael responde antes mesmo de Rúbia conseguir falar.

RAFAEL: Da vítima, minha sogra, a Violeta.

O policial anota algo, encarando o carro destruído.

POLICIAL: Vamos precisar fazer algumas perguntas. Isso não parece um acidente comum. 

Rafael engole seco por um instante.

RAFAEL: Como assim, não parece comum? O senhor está suspeitando que o carro tenha sido sabotado? 

POLICIAL: Certamente. Eu já vi vários casos como esse. Carro explodindo após alguém girar a chave, é sempre alguma bomba, um explosivo implantado.

RÚBIA: Então armaram contra a minha mãe, é isso? Não foi um acidente?! 

POLICIAL: Vamos investigar. O perito vai olhar tudo. Mas já posso adiantar que eu tenho quase 100% de certeza que foi um assassinato. (pausa) Vem cá, a vítima tem algum desafeto, algum inimigo? 

RAFAEL: Tinha sim… uma pessoa que odiava Violeta com todas as forças é a enteada dela, a Alyra. Alyra Trajano. 

O policial anota, atento.

POLICIAL: Elas já chegaram a se ameaçar?

RÚBIA: Várias vezes. Minha mãe sempre disse que Alyra era capaz de qualquer coisa.

Rafael aperta a mão de Rúbia, firme, como apoio.

RAFAEL: E agora isso acontece... Justo desse jeito.

O policial fecha o bloco devagar.

POLICIAL: Então já temos um nome pra começar. A investigação vai atrás dessa Alyra imediatamente. Mas antes, vamos dar uma olhada no ambiente pra ver se encontramos algo. Vai ser coisa rápida, prometo.

CENA 02: ENTRADA DA MANSÃO/EXT./MANHà

Normélia, carregando duas malas gigantes, cruza a entrada do portão da mansão com um tamanco alto, quase caindo para trás. De repente, ela vê de longe o caixão de Violeta sendo colocado no porta-malas de um carro funerário e se assusta.

NORMÉLIA (atenta): Misericórdia… será que eu cheguei no endereço errado?

Ela dá mais dois passos, o tamanco escorrega. Normélia quase cai, se equilibra como pode, abraçada às malas.

NORMÉLIA: Jesus, segura essa perna, Normélia… primeiro dia não pode morrer também. (pausa) Nonô disse “vai ser puxado”, mas eu não imaginei nível apocalipse.

O jardineiro da mansão passa correndo.

NORMÉLIA: Oi… bom dia… ou… né… sei lá… meus sentimentos… parabéns… não sei mais como funciona isso. 

FUNCIONÁRIO: A dona da casa morreu agora há pouco.

Normélia congela.

NORMÉLIA: Morreu… agora?

FUNCIONÁRIO: Agora. Explosão no carro. Estão suspeitando de assassinato.

Ele sai. Normélia fica parada, em choque. Olhando pras malas e pra mansão.

NORMÉLIA: Eu não acredito… eu mal cheguei e a patroa já foi embora.

Ela respira fundo, tenta se recompor, ajeita o cabelo.

NORMÉLIA: Primeiro dia de trabalho e já tem polícia, bombeiro, assassinato… Eu enfrentando tudo isso só pra lavar privada suja de gente mesquinha… SENHOR.

Ela pega o celular da bolsa, desbloqueia, encara a tela.

NORMÉLIA: Não… não vou ligar ainda. Vou parecer desesperada. (pausa) Mas eu estou desesperada. 

Ela guarda o celular e dois segundos depois, pega de novo.

NORMÉLIA: Não vou ligar. Vou ser forte.
(pausa) Vou ligar só pra confirmar se é normal começar emprego em cena de crime.

Ela leva o celular ao ouvido, andando em direção à entrada da mansão, falando rápido, quase sussurrando.

NORMÉLIA: Alyra… sou eu. Cheguei. Tá tudo certo… tirando o pequeno detalhe de que a dona da casa explodiu. (pausa) Não, eu não tô exagerando. Tem polícia. Tem caixão. Bombeiro. Tudo. (pausa) Não, não é metáfora. Ela explodiu mesmo. Literalmente.

CENA 03: CASA DE JANETE/INT./MANHà

Na cena, Alyra acaba de saltar do sofá com o celular no ouvido, assustada. Janete, Amélia, Tina, Alzira e Adelaide, se passando por Giulia Jolie, que está tomando um cafezinho, se atentam. 

ALYRA: Como assim, “morreu”? 

AMÉLIA (curiosa): Morreu quem, minha filha?

INSTRUMENTAL: MELANCHOLIC MOOD - MU CARVALHO 

ALYRA (aflita, andando de um lado pro outro, soldando o celular): A Violeta! A VIOLETA! Normélia me contou que o carro dela foi explodido por uma bomba e que estão suspeitando de assassinato.

Todos falam ao mesmo tempo.

AMÉLIA: Explodiu?!

TINA: Jesus misericordioso!

ADELAIDE: Que horror, hein? O mundo está perdido mesmo.

JANETE: Meu Deus… a mulher era um traste, mas morrer assim…

ALYRA: Eu tô chocada. A Violeta sempre foi uma pessoa horrível, que tentou de tudo pra tentar acabar com a minha raça. Mas eu não consigo ficar feliz com essa notícia. 

AMÉLIA: A mulher era rica, esnobe, cheia de classe, e acabou morrendo explodida no próprio carro… o mundo é round and round mesmo.

ADELAIDE: A menina disse que foi suspeita de assassinato, é isso? Quem faria uma coisa dessas com a tal Violeta?

ALYRA: Tá na cara que foi o Rafael. Aquele desgraçado não vai descansar enquanto não destruir tudo o que resta em volta da gente. O próximo alvo é a Rúbia, depois o bebê que ela tá esperando, e por último, eu. 

TINA: Calma, Alyra. Calma.

ALYRA (lacrimejando, inconformada): Você quer que eu tenha calma como, Tina? O Rafael é aquele tipo de pessoa que não mede esforços pra passar por cima dos outros, pra trair, enganar, roubar, e até matar se for possível. Eu não duvido nada que tenha sido ele. Tudo pra quê? Pra ficar com todos os bens que pertenciam a Violeta. (pausa) Ele comprou a parte da Rúbia na empresa, e agora, vai ficar automaticamente com a parte da Violeta!

ADELAIDE: Que monstro… 

Alyra passa a mão no rosto, nervosa, andando pela sala.

ALYRA: Ele sempre quis tudo. Tudo! Dinheiro, poder, controle, status… e quando não consegue, ele destrói. E eu não duvido nada que a Verinha, a amante dele, esteja junto com ele nessa.

Janete se aproxima devagar, tenta acolher Alyra.

JANETE: Minha filha, você tá muito abalada. 

Tina troca um olhar rápido com Amélia.
TINA: Mas se ele fez isso… ele não vai parar tão cedo, Alyra.

ALYRA: É isso que eu tô tentando dizer desde o começo! Agora ele não tem mais ninguém acima dele. Só a Rúbia. Mas ela é vulnerável, inocente, não entende muito sobre negócios… 

AMÉLIA: É melhor você tomar cuidado pra essa história não respingar em você, Alyra.

horas depois…

CENA 04: MANSÃO TRAJANO/EXT./DIA

O jardim está isolado. Os policiais andam de um lado para o outro, analisando tudo com atenção. Um deles caminha entre os arbustos quando algo chama sua atenção. Ele se abaixa. No meio da grama, jogada ali como lixo, uma peruca rosa é encontrada.

POLICIAL 1: Ei… vem ver isso.

O colega dele se aproxima.

POLICIAL 2: Uma peruca? O que isso tá fazendo aqui? 

CORTA PARA: INTERIOR DA MANSÃO/DIA

Rúbia está sentada, abatida, com os olhos inchados de tanto chorar. Rafael está de pé ao lado dela, aparentando preocupação. O policial se aproxima, segurando a peruca dentro de um saco plástico.

POLICIAL: Achamos uma pista. (mostrando a peruca) Reconhecem esta peruca?

Rúbia ergue o olhar devagar. Assim que vê a peruca rosa, seu rosto muda na hora. Ela se levanta imediatamente.

INSTRUMENTAL: CODE RED - EDUARDO QUEIROZ, GUILHERME RIOS

RÚBIA (trêmula): Isso… isso é dela. É da Alyra! 

RAFAEL: Da Alyra?

RÚBIA: Claro!! Ela tava usando essa peruca no dia do nosso casamento, você não se lembra? É dela! É dela essa peruca! Desgraçada… foi ela! Foi ela quem deu o fim na minha mãe!

POLICIAL: A senhora tem certeza disso?

RÚBIA (fora de si): Absoluta! Eu vi essa peruca com meus próprios olhos! A Alyra invadiu a festa do meu casamento e ela tava usando isso daí! 

POLICIAL: Invadiu?

RAFAEL: Exatamente, seu policial. Ela invadiu a nossa festa e até hoje não sabemos o motivo. 

RÚBIA: Ela sempre odiou a minha mãe… sempre quis destruir tudo o que era nosso!

POLICIAL: Nesse caso, Alyra será chamada para se apresentar na delegacia imediatamente. Até que tudo seja esclarecido, ela passa a ser considerada a principal suspeita.

A câmera se aproxima lentamente do rosto de Rafael, feliz por dentro por se livrar da polícia.

CENA 05: CASA DE JANETE/INT./DIA

Alyra, Janete, Tina, Amélia, Alzira e Adelaide ainda se encontram na sala, todas chocadas com a morte de Violeta. De repente, alguém bate à porta. Amélia a abre e se depara com o policial, visto na cena anterior.

POLICIAL: Alyra Trajano está aí?

ALYRA (se levanta): Sou eu.

O policial entra, observando todas com atenção.

POLICIAL (mostrando o mandato): Senhora Alyra, a senhora está sendo presa temporariamente, suspeita de envolvimento na morte de Violeta da Paz Trajano.

INSTRUMENTAL: TENSO LEVE #2 - MU CARVALHO 

ALYRA (arregala os olhos): Presa?!

Todos se chocam.

POLICIAL (mostra a peruca rosa): Foi encontrado no jardim esse objeto, uma peruca rosa. Rúbia, a filha da vítima afirmou com toda convicção que ela pertence a você.

A câmera foca em Alyra, assustada, intercalando com todos os personagens em cena. Adelaide se desespera ao ver a filha passando por essa situação.

CONGELAMENTO EM ALYRA.

ENCERRAMENTO: 


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