O ÚLTIMO UIVO DOS LOBOS
escrita por Raquel Assunção
Abertura
capítulo 3
Cena 1- Mata próxima ao Resort. Manhã. Ext.
Gregório jaz morto da forma mais humilhante. Seu corpo está jogado de qualquer jeito numa mata, próximo ao Resort que havia alugado para comemorar seu aniversário. Foi encontrado nu, sem nenhuma roupa, o rosto desfigurado, os ferimentos espalhados pelo corpo inteiro.
A câmera vai se aproximando pouco a pouco. Carros da polícia preenchem o local. Além dos policiais, muitos curiosos e funcionários do hotel também se aglomeram. Peritos observam e tiram fotos de todos os detalhes.
Miranda está presente com Honório, Mari com Lázaro, Doralice com seu pai Rômulo, as gêmeas Lorena e Loreta, a primeira faz um escândalo, Augustine e Renan não demonstram se importar muito. Júlia olha cada um deles, o olhar de quem sabe por onde tem que começar a investigar.
Cena 2- Resort Vila Real. Entrada. Ext.
Verônica, a gerente do hotel, acompanha as investigadoras Júlia e Safira num breve tour pelo resort. Sempre impassível e gélida, a mulher tenta não demonstrar o nervosismo que a domina.
Verônica: Bom, por alí (aponta) vocês vão encontrar os jardins, que são bem longos, logo mais a direita, o salão de festas e eventos onde aconteceu a festa do Gre- (ela sente a voz falhar por um instante). Aqui à esquerda, em 30 metros, temos o estacionamento, mais distante, a área de lazer incluindo piscina, salão de beleza, sauna, arena para jogos,.. E à nossa frente, temos a nossa grande fortaleza, o hotel.
O enorme prédio se faz presente frente às autoridades policiais. A estrutura gigante e moderna, numa construção brutalista, se impõe como uma majestade. Os três andares com vidraçaria espelhada exprimem o luxo e o poder de quem alí se hospeda.
Um exuberante homem sai da porta automática de vidro da recepção; Renan. Ele e Júlia trocam olhares.
Renan: Júlia? O que você tá fazendo aqui ?.
Júlia (autoritária): Aqui eu sou Investigadora Júlia… Eu sou a responsável pela investigação da morte do ricaço aí.. (tem uma ideia de súbito) A propósito, vai se foder, babaquinha de merda.
Cena 3- Áreas do Resort. Ext- Int.
Safira e Júlia se dividiram em busca de informações sobre a noite anterior. Na cozinha, Safira conversa com alguns funcionários;
Safira: Vocês perceberam alguma coisa de errada, estranha, alguma briga ?.
Auxiliar de cozinha: Ah sim, teve briga sim senhora. A filha de um dos ricaços aí caiu no pau com a própria madrasta… Pois é, depois nós pobres que somos mal educados.
Corta para Lavanderia;
Safira: Vocês podem contribuir com qualquer informação… Qualquer mesmo, digo, alguns detalhes que para vocês podem ter passado despercebido, para nós, pode até resolver o caso.
Foco em Úrsula; estranha, insegura, temendo contar sobre o bilhete.
Úrsula: Aqui ninguém viu nada não, dona. Nosso trabalho é limpar a porqueira desse povinho.
Gardênia: Todos foram muito educados-
Bruna: Educados virgula né minha filha. Essa gente rica é um horror.
Gardênia: Continuando… Creio que nós não possamos ajudá-la, nosso trabalho vai até meados das 19h, depois nos recolhemos para descansar.
Safira: Ah, obrigada pela contribuição!
Cena 4- Lavanderia. Int.
Úrsula está pensativa enquanto lava alguns lençois do hotel.
Úrsula (subconsciente): Será que aquela carta tem algo a ver com a morte desse rico ?... Se tiver, eu posso subornar o culpado ?! Meu Deus! Sim, é isso! Minha chance de mudar de vida. Preciso investigar por conta própria.
Cena 5- Área de Convivência do Hotel. Int.
Miranda e Dona Mari conversam, levemente abatidas, usando roupas pretas com muita elegância, o que já é de praxe. Miranda usa um sobretudo longo e preto, botas pretas, e luvas brancas, Mari traja um vestido preto de mangas longas na altura dos joelhos, scarpin social, e echarpe no pescoço, para completar o look, um óculos aumenta o charme da mulher. “Facção- Eduardo Queiroz, Filipe Alexandre” toca ao fundo.
Miranda: Mari.. Essa morte do- (evita falar o nome) foi horrível… Será que foi acidental ? Ou assassinaram ele ?.
Dona Mari: Não vamos falar do inominável! Esqueçamos ele de uma vez por todas. Agora tá queimando nos infernos que é o lugar dele. Temos que dar um jeito de apagar as imagens da câmera de segurança que registraram nossa discussão.
As duas percebem Filipa fazendo checkout, com algumas malas. A mulher está serena e tranquila.
Miranda: Filipa ? Já vai embora, querida ?.
Dona Mari: Queríamos te conhecer mais.
Filipa: Pois é, ocorreu um probleminha, e eu tenho que resolver… Sou uma mulher de negócios, só vim pra descansar um pouquinho, sabe ? E agora que não vou ter paz com esse assassinato aí. Tchau, lindas, prazer conhecer vocês.
Filipa sai enquanto alguns funcionários levam suas malas.
Dona Mari: Assassinato ?
Cena 6- Refeitório. Int.
Doralice e Rômulo tomam café.
Rômulo: O ar está estranho. Esse crime horrível acabou com o clima.
Doralice: Já estava péssimo com a briga da mamãe e daquela cobra velha, agora então…
Rômulo: Por falar na sua mãe, ela tinha me dito que ia vir tomar café, até agora nada.
Doralice: Ah, ela estava meio mal…
Gustavo está servindo uma mesa próxima, Rômulo decide ir abordá-lo, Doralice estranha e os observa.
Rômulo: E aí? Noite movimentada, não ?.
Gustavo: E bota movimentada nisso. O amigo do seu genro morreu né, coitado.
Rômulo: Sim, nem sei o que dizer pra consolar o pobre… E você, tá ocupado demais aqui né, deixa eu ir terminar meu café pra você continuar trabalhando.
Gustavo: Não esquenta não pô, tá até tranquilo. Você gosta de corrida ?.
Rômulo: Gosto, porquê?.
Gustavo: A gente podia sair qualquer dia, o que acha ? Topa ?.
Rômulo: Claro, me passa seu número aí, e vamos combinar.
Cena 7- Mata próxima ao Resort Vila Real. Ext.
Alguns policiais fazem uma busca ativa por pistas que possam estar relacionadas com o assassinato de Gregório. Júlia, à frente do grupo, encontra algo que lhe chama a atenção.”Misterioso- Victor Pozas, Daniel Musy, Rafael Langoni” embala a cena.
Júlia (falando alto): Gente ! Aqui, encontrei algo.
Ela retira de seu bolso luvas e uma bolsa grande de plástico transparente. O objeto se trata de uma echarpe.
Júlia: Mas que coisa estranha… Será que tem a ver com o falecido ?.
Cena 8- Área de Segurança do Resort Vila Real. Int.
Júlia acompanhada por Safira e outros policiais chegam à sala de segurança prestes a dar início a perícia nas câmeras do local quando tomam uma surpresa.
Júlia: Opa amigão, eu sou Júlia, Investigadora da Polícia Civil, responsável pela condução do caso. Gostaria de ter acesso às câmeras de segurança.
Salomão: Claro, vamos ver no que posso ajudá-la…
Todos os presentes se dirigem à uma mesa próxima cheia de computadores e grandes monitores onde imagens das câmeras de segurança ficam expostas. Salomão começa a mexer nas câmeras, Júlia e Safira prestam atenção em todos os detalhes daquele dia.
Safira: Será que você podia pôr nas câmeras externas ? E seria melhor avançar para a noite também, poupa o nosso tempo. Depois vamos ter que checar essas câmeras mais umas mil vezes.
Salomão atende ao pedido da moça, mas uma surpresa toma conta de todos; as imagens das câmeras de segurança externas estão indisponíveis. O instrumental “Imperador- Eduardo Queiroz, Felipe Alexandre” muda o tom da cena.
Júlia: Que porra é essa ? Como as imagens estão indisponíveis ?.
Salomão (nervoso): Eu também não sei, dona.
Safira: Tem coisa aí.
Salomão volta às câmeras internas e avança para a noite. Novamente, o mesmo acontecimento se repete. Júlia troca olhares com Safira.
Salomão: Mas que merda ? Isso não devia ter acontecido… Vou falar com o Yuri, ele pode saber o que aconteceu.
Júlia: O assassino estava aqui… E está tentando apagar seus rastros.
A trilha sobe enquanto as amigas investigadoras se encaram. Ao mesmo tempo, a cena passa por uma transição poderosa para o enterro de Gregório.
Dias Depois. Cemitério. Manhã. Ext.
O instrumental segue presente. A manhã está nublada, o clima está frio. Todos os “amigos” de Gregório estão presentes em seu último adeus. De longe a mídia registra todos os detalhes da cerimônia.
A cena é muda, sem falas, apenas o instrumental ao fundo, num clima melancólico e ao mesmo tempo trágico.
Quem matou Gregório de Medeiros ?.
Não leve flores- Belchior toca com os créditos

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