VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 15

 

   

 VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 15

criada e escrita por SINCE, FAFÁ, NOVELEX e LARICE


(CENA 01: IMOBILIÁRIA SURUBANA/INT./NOITE)


Larica: É esse mesmo! Eu dei uma olhada e acho que, com muito suor, consigo manter o aluguel do local.


Corretor: Ótimo! Então eu só preciso que assine os documentos relacionados ao imóvel. Ah, e se não for pedir muito, gostaria de um adiantamento do primeiro mês.


O corretor entrega uma pasta de documentos a Larica, que vai lendo e assinando cada um. Na última folha, Viktney também assina como testemunha. O corretor recolhe o contrato e entrega as chaves do local a Larica.


Corretor: Aqui estão as chaves. A senhora pode ocupar o imóvel quando quiser.


SONOPLASTIA: CHEIA DE MANIAS - RAÇA NEGRA (INSTRUMENTAL)


Larica segura as chaves como se aquilo fosse uma joia. A mocinha sorri e abraça Viktney, as duas vibrando de alegria.


Viktney: Você conseguiu, Larica! Você conseguiu!


Larica: Eu consegui! E isso é só o começo, Viktney! Só o início do meu sonho.


Viktney: Isso merece uma comemoração! Pedi pro Vibel comprar uma cervejinha e levar lá pra casa. Vamos?


Larica: Mas é claro! Só você mesmo, viu. Não vejo a hora de me apossar do meu negócio.


Viktney: Amo, Larica! Dona de uma fábrica.


Larica: Minha futura fábrica, Vik.


As duas se levantam e se retiram do escritório.


(CENA 02: CASA DE BUCÊ/INT./MANHÃ)


Dona Bucê dá um abraço bem apertado em Larica.


Dona Bucê: Fico muito feliz por você,

Lariquinha. Quando você ficar rica e poderosa, não esquece de nós não, viu?


Larica: Pode deixar, Dona Bucê! O apoio que vocês me deram, em todo esse tempo que eu estou no Rio de Janeiro, não tem pedaço de bolo que pague o preço!


Vibel entra com algumas sacolas em mãos e umas cervejas.


Vibel: Foram aqui que pediram um brinde?


Vibel abre a garrafa, que voa e quebra a lâmpada da cozinha de Dona Bucê. As três, assustadas, saem de perto do local.


Vibel entrega a garrafa a Larica, que serve quatro taças e entrega uma para cada um. Eles finalizam com um brinde.


Viktney: Ah Larica! Que venha muito sucesso e muita prosperidade para esse novo negócio!


Vibel: E que conquistemos o sonho da casa própria! Já que eu quero muito me casar e ter muitos filhos!


Dona Bucê: E que venham rios de dinheiro para eu poder aprimorar minha coleção de consolos!


Larica: Muito obrigada, pessoal! Não sei o que seria de mim sem vocês. Bom, aproveitando o momento de reunião, gostaria de fazer um pedido especial para vocês. Como forma de agradecimento, queria você Viktiney e você Vibel como meus parceiros nesse novo negócio. Vocês topam trabalhar ao meu lado? 


Viktney: Você tá falando sério? 


Larica: Claro que eu tô! Juntos nós vamos conseguir crescer com mais força.


Vibel: Eu até estava afim de sair lá da padaria. Quer saber… eu aceito!


Viktney: Eu to dentro disso desde o início!


Dona Bucê: Ai Larica você não existe, eu fico até emocionada.


Viktney: Oh meu Deus! Que velha pick me, senhor!


Larica: Então vamos lá fazer um faxinão, deixar o lugar num brinco. E, mais tarde, vamos até a loja, quero a ajuda de vocês para encomendar os móveis.


Dona Bucê: Faxina? Minha filha, eu tenho joanete! Minhas costas estão entrevadas.


Vikitney: Engraçado que pra ficar em fila de lotérica a senhora não reclama né, deixe de história dona Bucê.


(CENA 03: AP. DO CUBINHO/INT./MANHÃ)


Ivanlac entra no elevador, ele fica confuso com a senhora caída e ajuda a levantá-la.


Ivanlac (preocupado): Tudo bem, senhora?


Idosa: Tudo bem? Você viu que eu estava aqui caída como uma defunta e ainda pergunta se estou bem? Você é besta, menino?


Ivanlac: Ah, sim. Entendo. A senhora passou mal?


Idosa: Veio uma descompensada, uma descontrolada, uma sem educação, uma mal amada, uma mulher que não nasceu de trepada boa, que não nasceu do prazer, espraguejada pela mãe! Ela veio e me jogou no chão!


Ivanlac (sussurrando): Eu teria feito o mesmo. Velha chata. Parece a dona Déa.


Idosa: O que você disse?


Ivanlac: Falei nada, minha senhora.


Idosa: Que senhora o que, senhora tá no céu!


Ivanlac: E é pra lá que a senhora vai daqui a pouco.


Um silêncio constrangedor predomina. Depois de um tempinho, Ivanlac finalmente se livra daquele cenário desconfortável. O mocinho respira fundo e resmunga.


Ivanlac: Perdi a oportunidade de dar uma rasteira naquela morta-viva.


Após caminhar até a antiga moradia do falecido Cubinho, ele encontra quem menos esperava.


Ivanlac: Nôvelexiane?


Nô está tentando arrombar a porta, ela escuta o chamado e imediatamente vira seu pescoço de avestruz. Ela tenta disfarçar a invasão.


Nô: Quem é você e como sabe meu nome? (P) Poderia parar de agir como uma besta e me ajudar a entrar! É que eu perdi a chave de casa e tô tentando entrar


Ivanlac (debochando): Ah, tentando entrar na sua casa?


Nô: Sim, na minha casa! Vem cá, por acaso você é idiota? Então, vai ficar parado feito uma múmia ou vai me ajudar?


Ivanlac puxa a chave da casa do defunto Cubinho, a Nô entra em choque.


Nô: Ah, como não pensei nisso, me desculpa. Você era um dos vários ativos que comiam ele, é isso?


Ivanlac: O que? Menina, vem cá, esse apartamento não era seu? (debochado) Tá falando de quem?


Nô (descontrolada): ME DÊ ESSA CHAVE!


Ivanlac: E quer tanto essa chave pra que? Agora eu que te faço a pergunta. Por acaso você é idiota?  


Nô: Escuta aqui, você me respeita. Vem cá, qual é a tua? Tá fazendo o que aqui?


Ivanlac: Ai você é realmente muito abusada garota. Esqueceu quem eu sou? Não poderia simplesmente deixar a memória do pai da tua irmã morrer assim. 


Nô finalmente entende a sacada, ela fica enojada.


Nô: Ah, você é o homem que come minha mãe? 


Ivanlac: Respeita a Larica! E você ainda não me respondeu, o que você faz aqui?


Nô: Vou abrir o jogo porque tenho certeza que a boca de sacola da minha mãe contou tudo para você. Você sabe se a minha irmã tá morando aqui?


Ivanlac: Não mora não, por que a pergunta?


Nô: Não te interessa, obrigada pela resposta. Eu não teria perdido o meu tempo se você tivesse falado logo. Tchau!


(CENA 04: CASA DE SOLANGE/INT./MANHÃ)


SOLange se encontra na mesa, tomando café enquanto ouve música em seu fone gigante. Em seguida, Maria de Fafá se aproxima, sentando-se à mesa.


Maria de Fafá: Bom dia, SOLange.


SOLange: Bom dia, cherri. Preparada pra mais um dia como modelo?


Maria de Fafá: Pra ser sincera, não. Hoje tô com uma preguicinha…


SOLange: Preguiça porquê, Cherri? A única coisa que você faz na vida é ir até a agência e coçar o rabo nesse sofá.


Maria de Fafá: Não tenho o direito de me sentir indisposta? Isso é opressão, tá? 


SOLange: Você tá de TPM, chérrie? Tá de chico. Ah não, isso não é woke.


De repente, a campainha toca. Maria de Fafá se levanta, peida, e chega até a porta. Ao abrir, se depara com João Mateus, segurando um buquê de flores.


João Mateus: Bom dia, Fafá! Que cheiro é esse?


SOLange (ao longe): É da torrada de queijo, amor! Entra!


João Mateus entra, cumprimenta Maria de Fafá e se aproxima de SOLange. Os dois se beijam intensamente de língua e tudo, se babando inteiros, enquanto Fafá fica com inveja.


SOLange: Que buquê lindo, amor. Mas não acha que já tá bom? Já é o terceiro essa semana. Acho que tem mais aqui do que no túmulo do Cubinho. Ai, desculpa Fafá. 


Maria de Fafá: Que ingrata você é, SOLange! 


João Mateus: É o meu jeitinhe, amor! Desabafo hetero… 🥹


SOLange: Ai, tá bom. Hoje é aniversário da sua irmã, não é?


João Mateus: Sim. E era exatamente sobre isso que eu queria falar com vocês, aproveitando que estão aqui.


SOLange: Quantos anos a Raquel tá fazendo? 


Maria de Fafá: Todos.


João Mateus: Bom, vai ter uma festa surpresa para ela! Só que não vai ter bebidas porque (P) Não preciso nem explicar, não é? 


Maria de Fafá: Ela é maria cachaceira, né? Fica tranquilo, a gente entende.


SOLange: É, meu amor. A gente super compreende. Não precisava nem entrar nesse mérito.


João Mateus: Você não quer levar a sua amiga aí?


Maria de Fafá (sonsa): Quem, eu?


João Mateus: Quem mais seria? Ainda mais que você tá morando com ela, né? Estaria fazendo o que dentro dessa casa? Coçando a bunda o dia inteiro.


Maria de Fafá: Bom, eu…


SOLange: Aceita, Fafá!


Maria de Fafá finge pensar em recusar, ela enfia o dedo no cabelo embolado, mas obviamente que a única opção possível para ela seria:


Maria de Fafá: Tá, tá. Eu aceito!


SOLange: Amo! 


SOLange e João Mateus se beijam, novamente se babando, e Fafá solta um pum para interromper.


Maria de Fafá: Epa, pum errado.


Maria de Fafá desfila até o banheiro e arruina o momento do casal.


HORAS DEPOIS…  


(CENA 05: MANSÃO ROITMAN/INT./TARDE)


Tia Tolyna está deitada no sofá, lendo revistas adultas da G Magazine como uma tarada. Raquel aparece na sala e Tolyna arremessa a revista na cara do gay Pimeugênio que sorri na hora.


Pimeugênio (gemendo): Nossa, que homem gatown!


Tia Tolyna: Feliz aniversário, minha querida!


Raquel: Muito obrigada, tia! Sinto que esse dia vai ser marcante, marcante na virada de chave da minha vida. Eu tô sentindo algo, pode até chamar de intuição, mas esse ano vai ser icônico na minha vida.


Pimeugênio: Vou ver no tarot, dona Raquel.


Tia Tolyna: E claro que vai ser positivo, garota! Você passa seu aniversário fora? Você tem dinheiro para gastar em algumas coisas na tarde, não tem?


Raquel: Tenho sim! Aliás, vou fazer uma caminhada para espairecer. Vou voltar lá pela tarde, eu acho…


Tia Tolyna: Acho ótimo! Você é jovem, bonita, atraente. Tem muito o que aproveitar ainda. Sabe, tenho muito orgulho de você, por ser uma mulher independente, de espírito livre.


Susuana (sussurrando): Espírito podre, só se for!


Raquel abraça tia Tolyna com carinho e se retira. 


Em seu quarto, Lucas sai do armário e vai atrás de Tia Tolyna, descendo a escada rapidamente.


Lucas: Tia do céu, mamis me bateu e perguntou quem é essa tal de Mix.

 

Tia Tolyna: Que? Mix não é aquela sua namoradinha do colégio?


Lucas: Ai, é aquela menina que encontrei na praia, meo! Afs meo, você é meio burrinha, né? Tia Tolynha!


Tia Tolyna: Sim sim. Verdade.


Lucas: Tia, você acredita que eu encontrei ela na rua? Eu sinto que ela é a mulher da minha vida. Eu sei que sou apenas um aborrecente privilegiado mas eu sinto que ela me faz mudar, sinto o que eu nunca senti na minha vida inteira. Ela faz eu sentir até o que eu sentia vendo Maçaneta! Tolyna, agora falando sério, sei que a senhora acha que sou uma piada. Mas o que eu sinto é algo que eu sei que não vou sentir por mais ninguém. O que você acha de eu chamar ela para a festa?


Tia Tolyna: Verdade, lindo. Acho que você deveria sim chamar a garota, quem sabe não rola algo? Bom, vamos preparar a festa para sua mãe, antes que ela volte. Vamos fazer o maior festão! Cadê aquela preguiçosa da Susuana pra ajudar a gente? 


Susuana (pegando a revista da mão da gay): Jesus, que horror! Essa casa virou o próprio quartinho da L… Bate na boca, Susuana! Vou ter que levar para o meu quarto essa revista…


Pimeugênio (louco pelo tesão): Solta isso, sua tararana. Volta aqui, cadela! 


De repente, alguém liga para a Tia Tolyna. Ela atende, sem ver quem é.


Tia Tolyna: Alô, quem é?


Taís: Alô, Tolyna? Como vai, minha irmã? Siriricando muito por aí nessa terra excomungada?  


Tia Tolyna: Taís, minha irmã? Você ligando numa hora dessa? Pensei que estivesse nos braços de um europeu gostoso.


Taís: Estou querendo saber como estão as coisas por aí. Raquel saiu da clínica, não é? Como está a recuperação?


Tia Tolyna: Não sabia que você se preocupava com a gente, estamos muito bem, obrigada. Não sei se recorda, mas hoje é aniversário da sua filha.


Taís: Eu sei, meu bem. Liguei justamente pra isso. Quero dar os parabéns a ela.


Tia Tolyna: Raquel não está. Mas eu transfiro seus votos de felicidade a ela, fique tranquila.


Taís: Oh, minha querida. Não me peça para ficar tranquila. Só quero a garantia de que minha casa não está no chão. Espero que esteja cuidando muito bem. 


Tia Tolyna: Estamos muito bem sim, obrigada. Ligou somente para isso?


Taís: Sim, e para dizer que eu aconselho você a ficar bem atenta hoje a noite, mon amour.


Tia Tolyna: Ué, por quê? Taís, que barulheira é essa aí?


Taís desliga. Do alto da mansão, vemos um helicóptero sobrevoando ao redor.


Tia Tolyna: QUE DESGRAÇA É ESSA?


Tia Tolyna sai lá fora, olha pro alto e vê o helicóptero sobrevoando seu jardim. O helicóptero é rosa, todo decorado com adesivos de coração.


Tia Tolyna (desconfiada): Não pode ser… 


O helicóptero sai sobrevoando pelos céus. Tolyna entra em estado de choque, Lucas vem logo atrás da tia-avó.


Lucas: O que aconteceu, tia Tolyna?


Tia Tolyna: Não sei, mas sinto que não é algo bom…


Pimeugênio (ouvindo da janela): Vê no tarot, dona Tolyna.


Tia Tolyna: CHEGA DE TAROT! VAI TRABALHAR, SUA CADELA! (P) Desculpa, Pimeugênio.


Susuana: Toma mais uma para a conta, bicha burra esquizofrênica.


Tia Tolyna: Ai gente, tô com os nervos à flor da pele. Tô precisando relaxar, viu.


Susuana: Que Deus te ajude, Tolyna.


Pimeugênio: Novela ruim essa bosta de à flor da pele, Jesus Cristo. Pedro Álvares Cabral nunca teria saído das caravelas se soubesse que essa obra demoníaca viria.


Susuana: Demoníaca? Deus, livrai-nos dessas gambiarras do satanás e de palavras profanas. Amém.


Pimeugênio dá um leve empurrão em Susuana.


Susuana: Saia porra.


Tia Tolyna: Tão com o tempo livre, né? Os balões da festa, as mesas e as comidas com certeza irão ficar prontas pela força da natureza!


Susuana: Vamos continuar trabalhando, dona! Vai, sua inútil. Você podia usar a mesma força de vontade que tem para rasgar as suas pregas!


De repente, o segurança vai até tia Tolyna para anunciar alguém.


Tia Tolyna: O que foi? É a Taís? A minha irmã tá aí, né? Fala que é ela, pode falar, eu tô pronta! Diga!


Segurança: É apenas o pessoal do buffet chegando.


Tia Tolyna: Mas já? Eu combinei às cinco! 


Segurança: São quatro e cinquenta e nove, dona Tolyna.


Tia Tolyna: Ah sim, o tempo ó, o tempo voa!


(CENA 06: CASA DE MIX/INT./TARDE)


Em seu quarto, Mix está com o celular na mão, recebendo diversas mensagens de Lucas. Ela respira fundo e quase arremessa o celular na parede.


Mix: Será que valia a pena fazer isso por dinheiro?


Mix responde todas as mensagens do Lucas, e evita responder o mais seco possível. Depois disso, ela vai até o contato de Prefeita Aurélio e liga para ele, depois de alguns segundos, ele atende.


Prefeita Aurélio: Oi, minha querida! Como tá indo o plano?


Mix: Prefeita, tem certeza que não quer aumentar o meu salário por fazer isso? Tô quase no meu limite, queria meter a porrada nesse garoto retardado.


Prefeita Aurélio: Calma, doida. Isso é demais até para aquele esquisito. Olha só, é só você cair na lábia louca dele! Não é tão difícil!


Mix: E por que VOCÊ não faz isso?


Prefeita Aurélio (gaguejando): Bom, então… A questão não é essa, a questão é que eu posso aumentar em 1% seu salário e tá resolvido, tá ok? Cuide bem dele, namore com ele o mais rápido possível se quiser. Transforme ele em homem.


Mix: Eu namorar com essa criatura? Isso o dinheiro não compra!


Prefeita Aurélio: Experimenta duvidar do poder da ganância, experimenta.


Mix: Vai no aniversário da Raquel?


Prefeita Aurélia: Eu estou cogitando ir nesse enterro, e você? Você foi convidada pelo Chucas?


Mix: Fui convidada sim, vou aproveitar disso para comer tudo que tem naquela casa.


Prefeita Aurélio: Qualquer informação que você souber e achar importante, conte para mim. Vou desligar, boa tarde


Mix: Tchau, Prefeita.


Prefeita Aurélio desliga a ligação, Mix recebe mais mensagens de Chucas e sai do quarto.


SONOPLASTIA: HOURGLASS - BALTHAZAR 

Mostramos imagens do Rio de Janeiro ao som da música acima.


(CENA 07: AGÊNCIA YESTERDAY/INT./TARDE)


Frégis está na sala de Sin, jogado na cadeira enquanto ela trabalha, concentrada.


Frégis: E aí, gostosa, tá afim de fazer algo diferente hoje?


Sin: Bem que eu queria, honey, mas já tenho compromisso.


Frégis: O que exatamente? Já me trocou por outro, é?


Sin: Honey, eu fui convidada pelo namorado da SOLange para ir na festa da Raquel Roitman. É óbvio que não vou faltar, né? 


Frégis: Raquel Roitman? Aquela doida que deu aquele show em Angra? 


Sin: Eu acho ela autêntica, sabe? Poderosíssima. Inclusive, gostaria de fazer um ensaio com ela na capa mostrando a força da bebida para uma mulher.


Frégis começa a rir descontroladamente. Sin acaba se desconcentrando e apaga todos os documentos da agência de 50 anos. 


Sin: PUTA MERDA! OLHA SÓ O QUE VOCÊ ME FEZ FAZER! OS DOCUMENTOS DA AGÊNCIA! 


Frégis: Que foi? 


Sin: EU APAGUEI OS DOCUMENTOS, SEU IDIOTA! OLHA SÓ! EU VOU SER DEMITIDA!


De repente, Nô surge na sala para fotografar. 


Nô: Olá, mores.


Sin: Nô querida, preciso que você me ajude aqui.


Sin se levanta para Nô se sentar no seu lugar, em frente ao computador.


Nô: O que quer que eu faça?


Sin (apontando): Clica nesse botão aqui. 


Nô, sem entender de tecnologias faz o que Sin pede.


Sin (fingindo estar perplexa): NÃO ERA NESSE, NÔ! MEU DEUS! VOCÊ EXCLUIU TODOS OS DOCUMENTOS DA AGÊNCIA! SOCORRO!


Nô: Que? como assim?


De repente, SOLange aparece na agência junto com Maria de Fafá. Nô fixa o olhar na irmã, Fafá discretamente levanta um sorriso malicioso.


Sin: SOLange, querida! Eu já estava indo, demorei muito?


SOLange: Ai, sei nem o que dizer, chérrie. Pensei que você já estava lá, somos tão atrapalhadas, atrasamos juntas!


Maria de Fafá discretamente chama Nô, a vilã vai até ela. Nô, a beira de explodir, questiona Fafá.


Nô: Fafá, onde você estava? Por que sumiu?


Maria de Fafá: Nô, tive que começar a agir! Não podia ficar estagnada naquela casa podre, já não suportava o cheiro de mijo do Frégis. Ele não goza mais como gozava antes! 


Nô: O leite dele é muito ralo, né? Fico embasbacada porque ele soube desde a primeira vez que trepamos  que eu gosto de engolir, ele é feito para mim. Mas não quero falar sobre Frégis! Onde você tá morando e o que você está fazendo com a SOLange?


Maria de Fafá: Eu tô morando com ela! A burra me acolheu lá depois que fiz o meu teatrinho de pobrezinha. O próximo passo é arrancar o noivo dela e finalmente conseguir o que eu quero: ser uma Roitman.


Nô: LOBAAAA! De onde a gente pegou tanta inteligência? Certeza que não foi de nenhum de nossos pais e sim da nossa avó Beth, aquela que matou 4 pessoas de uma vez só. Mas como é que você vai fazer isso, sua louca? Os Roitman é a família mais rica da cidade.


Maria de Fafá: Já disse que eu vou conseguir. Só questão de tempo. Bom, vamos disfarçar. Depois te mando mensagem. Aliás, eu não te mandei mensagem porque joguei meu celular no mar.


Nô: Sua louca! Mas por favor, não suma como fez novamente, me deixando desatualizada.


Sin: Vamos logo! 


Maria de Fafá: Depois a gente se fala, quando eu estiver na agência de novo. Tchau, Nô.


Maria de Fafá deixa Nô e vai embora, a irmã da vilã olha incrédula.


Nô: Somos geniais, amor.


SONOPLASTIA: CHAT DANS LA NUIT - DOPAMOON, ROMAIN MULLER


Ao som da música acima, cortamos para imagens do Rio de Janeiro ao entardecer. Nos céus, a câmera acompanha o helicóptero rosa se preparando para pousar no heliponto da LCA.


(CENA 08: LCA/HELIPONTO/EXT./TARDE)


Ao ver o helicóptero pousar, alguns funcionários se aproximam e abrem a porta. Quem sai de lá é Taís Roitman (Alessandra Negrini). A empresária é ajudada por eles e desce elegantemente num salto alto preto. Seu vestido agarra no helicóptero fazendo com que seja cortado e ela fique seminua, mas ela continua. Ela caminha e, do alto, olha para a cidade, com repulsa.


Taís (retirando os óculos escuros): Terrinha de índios… pode avisar que Taís Roitman está de volta.


Funcionário: O táxi está esperando a senhora lá embaixo, dona Taís. Já irei levar suas malas.


Taís: É a sua obrigação, Valdemar.


Funcionário: Não me chamo Valdemar senhora. 


Taís: Ai, estou com dor de cabeça! É o ar desse lugar nojento.


O funcionário abaixa a cabeça e começa a descer as malas da vilã. Ela continua a olhar a paisagem em volta, séria.


(CENA 09: MANSÃO ROITMAN/EXT./JARDIM)


Raquel chega cansada de tanto pedalar, e é recebida por uma multidão composta por convidados e familiares no jardim. A mulher se emociona e começa a chorar. Ela abraça Tia Tolyna, demonstrando gratidão.


Raquel: Não acredito nisso, tia… eu nem sei como agradecer… 


Lucas: Não tem o que agradecer, mãe. Fizemos isso tudo com muito carinho pra senhora…


Raquel: Amo muito vocês… 


Enquanto Raquel discursa, sem que ninguém perceba, um bolo de 10 metros é levado até a mesa que está dentro da mansão. Todo mundo fica sem entender o que está acontecendo.


Tia Tolyna: Mas o que é isso? De onde saiu esse bolo, Pimeugênio? 


Pimeugênio: Eu não sei dona Tolyna, ninguém me avisou nada sobre isto.


Tia Tolyna: Isso tudo tá tão estranho…


Pimeugênio: Por que, dona? A senhora acha que o bolo está pequeno?


Tia Tolyna: Nada demais! Não vamos estragar o momento da Raquel.


Raquel (finalizando o monólogo): E obrigada por terem vindo nesse dia que para mim é tão especial! Eu tô toda molhada, gente isso não se faz!


Todos que estão no jardim, com exceção da Raquel, aplaudem. A câmera foca em Maria de Fafá, que aplaude enquanto admira João Mateus. 🫦


Maria de Fafá: Ai, Fafá. Esperar também é um modo de ataque. Esse homem vai ser meu!


Susuana observa aquilo tudo com um sorriso malicioso no rosto. Ela está comendo alguns doces escondidos. 


Susuana: Que delícia esses docinhos, no convento não tinham desses.


Raquel: Agora vamos todos entrar na casa, não é? Ou vamos ficar aqui respirando o ar puro?


Tia Tolyna (indo até João Mateus): João! Ai, querido, sua irmã está tão feliz… ela vai ficar mais ainda quando ver o bolo que você encomendou pra ela.


João Mateus: Bolo? Que bolo, tia? Eu não encomendei bolo nenhum.


Tia Tolyna: Não foi você? Gente, então isso deve ser alguma surpresa do Rodnato, né? (Chamando Pimeugênio) Querido, peça para levarem o bolo pra dentro de casa, vamos todos para a sala de estar.


Pimeugênio: Sim senhora, patroinha.


Todos os convidados caminham para dentro da mansão, alguns comentam no fundo, outros limpam a gordura dos salgados na roupa. 


Dentro da mansão, Raquel sobe as escadas e caminha até o seu quarto. Lá ela pega algo proibido, uma garrafa de whisky, trancada à sete chaves no armário e amarrada por correntes de ferro.


Raquel: Ha, bebê. Hoje a noite é uma criança. Vou ser feliz como nunca fui. É só um golinho…


Raquel bebe um litrão de whisky. Ela mistura com gin e licor. Em seguida, ela pega um copao e mistura batida de morango e vira tudo goela abaixo. A cachaceira pega uma garrafa de tequila e enfia desesperada na boca. 


Raquel (falando sozinha): É só um golinho, só para matar a vontade.


Na sala, as pessoas estão na expectativa de encontrar a aniversariante para comemorar o dia especial e partir o bolo. De repente Raquel surge murmurando do alto da escada, ela está totalmente descabelada e com a maquiagem borrada, segurando uma garrafa de cachaça vazia.


Tia Tolyna (desesperada): Não é possível…


Ninguém esperava ver Raquel naquela situação novamente.


Tia Tolyna: Isso só pode ser um pesadelo…


Maria de Fafá: Estava demorando. Olha a cachaceira!


Os convidados começam a rir e gritar “cachaceira!” “olha lá a cachaceira!”.


Susuana: Eita, agora que pega fogo mesmo.


Pimeugênio: Meu Deus, dona Raquel…


Sin: Oh my, honey! Shes so crazy!


Frégis: Que porra é essa?


SOLange: Ai, tadinha, gente…


João Mateus coloca a mão no cabeção, ficando desolado ao ver a irmã naquele estado. 


João Mateus: Raquel, o que você fez? 


Frégis: Não tá óbvio? Olha na mão dela, essa beberrum se embebedou.


Raquel: Eu vou até vocês, calma!


Raquel desce um degrau na escada e cambaleia, quase caindo.


Raquel (rindo): Ui.


Tia Tolyna: CUIDADO RAQUEL VOCÊ VAI CAIR!


Raquel: Eu vou contar até três, e desço até aí.


Raquel (gritando): UM! DOIS…


De repente, ao contar três, Raquel tropeça nos pés podres e rola escada abaixo. Ao mesmo tempo, Taís sai de dentro do bolo, achando que a contagem regressiva era pra ela. 


Um instrumental de violinos cresce. Raquel rola e fica de joelhos perante a mãe. A expressão de Taís muda da água pro vinho, encarando Raquel com desgosto. A cachaceira murmura.


Raquel: Mamãe? Pronta pro close, senhora Roitman.


Todos ficam perplexos com a presença de Taís ali. Um silêncio ensurdecedor se instaura no ambiente.


CONGELAMENTO EM TAÍS ROITMAN


Encerramento ao som de Chat Dans La Nuit - Dopamoon, Romain Muller.