QUATRO POR UM | CAP. 33 (12/11/2025) ANTEPENÚLTIMO CAPITULO

 Quatro por Um - Capítulo 33 (antepenúltimo capitulo)



uma novela de: 

Jacques LeClair


escrito por:

Jacques LeClair


Direção:

Allan Fiterman

Leonardo Nogueira


Elenco:

Letícia Colin como Anabel Royal

Marcello Melo Jr. como Rafael Royal

Renato Góes como Miguel Royal

Sheron Menezzes como Isabel Royal 


Elenco em ordem alfabética 

Ângela Vieira como Eleonora Bonfim Alcântara 

Christiane Torloni como Selma Royal

Dan Stulbach como Celso Alcântara 

Emílio Dantas como Jorge Passos 

Felipe Bragança como Marcos Muniz de Albuquerque 

Giovanna Cordeiro como Solange Alcântara 

Herson Capri como César Barbosa

Lilia Cabral como Suely Muniz de Alcântara 

Lucinha Lins como Eliete Royal

Marcos Palmeira como Higor Calmon

Maria Eduarda de Carvalho como Maria Carolina “ Carol " Muniz de Albuquerque 

Mariana Sena como Luisa Silva

Mel Maia como Bianca Pinheiro Royal

Paulo Betti como Antônio Marcos Albuquerque 

Paulo Lessa como Joel Bastos

Rayssa Bratilieri como Suelen Paz

Renan Monteiro como Rui Dantas

Ricardo Pereira como Dr. Bernardo França 

Selton Mello como Sérgio Santos

Sophie Charlotte como Josie Pinheiro 

Stella de Freitas como Norma Junqueira 

Suely Franco como Vilma Celestino

Valentina Herszage como Helena Royal 


Participações especiais

Cosme dos Santos como Amadeu Neves

Cristiane Pereira como Rita Anjos

Irene Ravache como Noelita Palmeira

Kadu Moliterno como Cassiano Dias

Renata Sorrah como Eunice

Othon Bastos como Paulo


Continuação do Capítulo anterior



Na cena, está Jorge, Anabel, Selma e Carmen


CARMEN: Jorge, cheguei o mais cedo que pude.


ANABEL: Pois se acha que com essa explicação, conseguirá me explicar alguma coisa, pode tirar seu cavalinho da chuva


SELMA: Vamos ouvir o que ele tem a dizer. Diga, filho.


JORGE: Pois bem. Eu sei que o que fiz foi tudo errado, principalmente em te esconder isso, Anabel. Mas eu tentei preservar a imagem dela.


ANABEL: Mas dela quem?


JORGE: Pode entrar, mãe.


Trilha: Eternamente - Eduardo Queiroz 


Eunice entra, causando espanto para Carmen.


CARMEN: Eunice? Você é a mãe do Jorge?


JORGE: Pois agora, de uma vez por todas, vou explicar tudo o que aconteceu.


CARMEN: Eu conheço a Eunice. Nos conhecemos lá naquele centro de recuperação… espera, você colocou a sua mãe em um centro de recuperação? Eu não acredito.


JORGE: Espera, porque eu vou explicar tudo. Sente-se, mãe.


EUNICE: Obrigada.


JORGE: Dona Carmen, dona Selma, Anabel. Eu queria falar algo acerca da minha mãe, que dará sentido a tudo o que aconteceu até o momento. Dona Carmen, o Otto, o seu marido… é o meu pai.


Trilha: O Passado - Eduardo Queiroz 

Zoom em Carmen


CARMEN: O que? Mas o que você está dizendo, Jorge?


EUNICE: Deixa que eu falo agora, filho. Carmen, eu não te conhecia antes daquela ocasião que nos encontramos. Mas o Otto me procurou há muitos anos. Vocês ainda eram noivos. Ele dizia para mim, que iria se separar de você para ficar comigo. Passaram-se meses, e engravidei do Jorge, e Ele sumiu. Ele aparecia esporadicamente, fazendo a mesma jura. Até que um dia, ele disse que casaria comigo, marcamos até a data do casamento. Mas ele me deixou no altar (voz embargada).


JORGE: Acalme-se, mãe, acalme-se.


SELMA: É babado …


CARMEN: O Otto fez tudo isso com você?


JORGE: A saúde de minha mãe agravou, e me obrigou a interna-la. Meu avô, descontente com toda a situação, disse que eu precisava agir, tomando o lugar que um dia foi dele. Porém, antes mesmo de tentar agir, ele morreu. E me obrigou a aparecer depois, naquele dia que fui contratado. O que eu não esperava, é que eu de fato amaria a Anabel, a ponto de me casar com ela não por interesse, mas sim por amor. 


ANABEL: Não adianta vim com todo esse discurso não, porque eu não me deixarei abalar. 


CARMEN: Eu não consigo crer … o Otto teve um filho, um filho!


EUNICE: Uma pena não ter nos conhecido antes.


CARMEN: E eu fui induzida a casar com um canalha daqueles, um canalha! Que ainda teve a coragem de abandonar o próprio filho. Isso é algo que eu não consigo conceber (ela sai chorando de tristeza)


JORGE: Bel…


ANABEL: Não adianta, Jorge, não adianta porque nada disso me convencerá. O que você fez comigo, foi imperdoável. Amanhã mesmo, cuidaremos dos detalhes do divórcio.


JORGE: Muito bem, como você preferir. Se você não quis me dar mais uma chance, eu não posso mais fazer nada.


ANABEL: Ainda bem que sabe. Vamos, mãe (ela pega a bolsa e sai. Selma sai também).


EUNICE: Me perdoe, filho. Eu não queria ser o estopim disso tudo.


JORGE: Fique em paz, mãe. A senhora não tem absolutamente nada a ver com isso.





Trilha: Crazy Little Thing Called Love - Michael Bublé 


Imagens do Rio são mostradas, levando para a kitnet onde Carmen está residindo. Carmen entra furiosa


Cena 02: Kitnet - Manhã - Interna


VILMA: Carmen, você já chegou. Já já tirarei o almoço. Hoje é arroz, feijão e frango.


CARMEN: Você não podia ter feito isso comigo. Você não devia! 


VILMA: Eu? Mas era o que dava pra comprar.


CARMEN: Você me traiu! Me traiu!!


VILMA: Eu? Mas eu não fiz nada.


CARMEN: Não é você, Vilma, eu estou falando com os meus pensamentos. Sabe o que Otto fez? Eu não vou dizer porque não tenho coragem de citar tanta canalhice. 


VILMA: Não diga que ele está vivo?


CARMEN: Está repreendido. Já não basta os problemas que ele me deu no passado, imagina no presente. Só de lembrar que eu chorei pela corte desse canalha, e depois descobrir o que ele fez… é de enlouquecer, de enlouquecer.


VILMA: Eu estou boiando, Carmen. Mas o que o Otto fez que te deixou assim?


CARMEN: Pois bem, eu vou dizer. Quando estávamos noivos, prontos para casar, ele já tinha uma mulher. E ainda disse que se separaria de mim, só pra se casar com ela. E o pior, eles ainda tiveram um filho (ela pega um quadro dele e joga longe)


VILMA: Um filho? Caramba! 


CARMEN: E sabe quem é esse filho? O Jorge.


Trilha: O Passado - Eduardo Queiroz 


VILMA: O que? O Jorge? Aquele seu contratado.


CARMEN: Isso mesmo. O Jorge. E pra piorar, a mãe dele, a amante do Otto, estava comigo no centro de recuperação. 


VILMA: Chega a ser inacreditável.


CARMEN: Pois é. 40 anos me enganando! 40 anos fingindo que me amava, mas no final ele amava era duas, ou até mais que não sabemos. 


VILMA: Eu vou pegar o almoço, você está nervosa.


CARMEN: Eu não quero comer nada. Eu quero ficar sozinha, um pouco. Nesse cubículo nem quarto direito eu tenho. Mas eu quero ficar sozinha, um pouco.


VILMA: Está bem. 


VILMA sai de cena. Começa a tocar: e Carmen encolhe-se no sofá, refletindo. Suas expressões mudam entre tristeza e raiva, e ela começa a passar mal. Carmen desmaia no chão.


Trilha: Nos Becos escuros - Sacha Amback 


VILMA: Carmen! Carmen, o que aconteceu? Meu Deus, o coração dela! Eu preciso fazer alguma coisa, urgente. (Ela pega o telefone e liga para uma ambulância) alô, alô? Preciso de uma ambulância urgente. É caso de vida ou morte! O endereço? Só um momento. (Ela sai a procura do endereço da casa, nervosa. Ela encontra) Alô? Ainda estão na linha? O endereço é esse …


O carro da ambulância chega a casa, levando Carmen. VILMA chora.


Cena 03: Mata - Manhã - Externa.


Trilha: Tensa Notre Dame - Iuri Cunha 


CELSO, desce de carro próximo a cabana onde Joel está residindo no mato. Ele desce com alguns suprimentos que ele pediu. Joel sai da cabana com um revólver apontado.


CELSO: Baixe essa arma, vim em paz. Eu trouxe tudo o que você pediu.


JOEL: Ótimo. E quem me garante que você não trouxe ninguém?


CELSO: Pode confiar em mim, porque eu não trouxe ninguém. Só que eu vim com uma dúvida. O que você tem a ver com a morte do Cezar?


JOEL: Caia fora daqui! Você já fez o que eu havia pedido.


CELSO: O que você fez, Joel? Você matou o Cezar?


JOEL: Saia daqui! (Da um tiro em direção a Celso, e erra)


CELSO: Está bem, não está mais aqui quem falou. 


JOEL: E saiba de uma coisa. Se eu imaginar que você avisou onde eu estava, eu atiro pra matar.


CELSO: Pode ficar tranquilo, que da minha boca não sairá nada…


JOEL: Eu acho bom assim. E você não vai de carro. 


CELSO: O que? 


JOEL: Você vai a pé. 


CELSO: Mas são quilômetros… 


JOEL: Eu não quero saber, você não vai com o carro. Ele ficará aqui, para quando eu precisar.


CELSO: Mas isso que você está fazendo é um absurdo.


JOEL: E ai de você se contar alguma coisa.


CELSO encara Joel de forma furiosa.


Cena 04: Hospital - Manhã/Tarde - Interna.


A maca com a Carmen caminha pelo corredor às pressas. VILMA fica nervosa. Uma enfermeira procura Vilma.


ENFERMEIRA: A senhora é Maria Helena Royal?


VILMA: Não… meu nome é Vilma Celestino. 


ENFERMEIRA: Aqui aparece a Helena como responsável legal pela paciente. Bom, mas falarei com a senhora, já que é a acompanhante. A situação da paciente não é nada boa. Ela teve um infarto, e esse já conta o terceiro. A senhora sabe o que significa?


VILMA: Não, não sei. O que?


ENFERMEIRA: Que ela pode não sair viva dessa vez. Ou com sequelas gravíssimas.


Close em Vilma, chocada.





Cena 05: Apartamento de Anabel - Tarde - Interno


SELMA: Eu acho que você foi grossa com o Jorge. Ele também foi enganado, tanto quanto você.


ANABEL: Não adianta. Não adianta continuar defendendo ele, eu não quero vê-lo nem pintado de ouro.


SELMA: É preciso tudo isso mesmo?


ANABEL: É. É preciso.


Cena 06: Sorveteria - Tarde - Interna 


HELENA: Precisamos fugir o quanto antes.


MARCOS: E você, já sabe como?


HELENA: Estou pensando. Mas se tentarmos por um avião particular?


MARCOS: Sem chances. Vão nos localizar. O jeito é irmos com identidade a falsas.


HELENA: Com câmeras de reconhecimento facial? 


MARCOS: Disfarçados, ora 


HELENA: Eu não sei … mas precisamos ir o quanto antes. A polícia está na cola.


Cena 07: Apartamento de Jorge - Tarde - Interna. 


Trilha: More Than Words - Extreme


JORGE está arrumando as malas. Eunice estranha.


EUNICE: O que você está fazendo, filho?


JORGE: Já está na hora de irmos, mãe.


EUNICE: Mas ir pra onde?


JORGE: Pra um outro lugar. Não deu certo, o plano que eu e o vovô montamos não deu certo. E sabe o que é pior? Eu me apaixonei pela Anabel. Isso torna insuportável a convivência. Eu estava pensando? Em irmos para a Itália. É, lá na Itália é um bom lugar. A comida lá é ótima, as paisagens lindas, e o melhor, distante de toda essa gente que só nos fez sofrer.


EUNICE: Mas filho, é realmente necessário?


JORGE: Mas é claro, mãe. É claro que é necessário. Olha, amanhã mesmo eu providenciarei as passagens. Não precisamos morar lá, mas quem sabe passar alguns anos. Nós temos cidadania italiana, por parte do vovô. Não teremos qualquer dificuldade.


Cena 08: Rua deserta - Fim de Tarde - Noite.


Solange caminha por uma rua deserta, temendo. Um carro, igual o de Celso, aparece. Seus vidros estão fechados.


SOLANGE: Graças a Deus. CELSO, que bom que você apareceu. Será uma ótima carona


Trilha: Tenso forca moo - Mu Carvalho (o vidro desce, e ela vê que é Joel. Seu rosto muda completamente)


SOLANGE: Mas o que você está fazendo aí? No carro do meu irmão?


JOEL: Vamos dar uma voltinha? (Ele desce do carro, e a agarra com força. Colocando dentro do carro)


SOLANGE: Me solta, Joel, me solta! Socorro!!!!!


Congelamento em Solange, dentro do carro. Encerramento ao som de Honesty - Billy Joel.








 

QUATRO POR UM | CAP. 32 (11/11/2025)

Quatro por Um - Capítulo 32



uma novela de: 

Jacques LeClair


escrito por:

Jacques LeClair


Direção:

Allan Fiterman

Leonardo Nogueira


Elenco:

Letícia Colin como Anabel Royal

Marcello Melo Jr. como Rafael Royal

Renato Góes como Miguel Royal

Sheron Menezzes como Isabel Royal 


Elenco em ordem alfabética 

Ângela Vieira como Eleonora Bonfim Alcântara 

Christiane Torloni como Selma Royal

Dan Stulbach como Celso Alcântara 

Emílio Dantas como Jorge Passos 

Felipe Bragança como Marcos Muniz de Albuquerque 

Giovanna Cordeiro como Solange Alcântara 

Herson Capri como César Barbosa

Lilia Cabral como Suely Muniz de Alcântara 

Lucinha Lins como Eliete Royal

Marcos Palmeira como Higor Calmon

Maria Eduarda de Carvalho como Maria Carolina “ Carol " Muniz de Albuquerque 

Mariana Sena como Luisa Silva

Mel Maia como Bianca Pinheiro Royal

Paulo Betti como Antônio Marcos Albuquerque 

Paulo Lessa como Joel Bastos

Rayssa Bratilieri como Suelen Paz

Renan Monteiro como Rui Dantas

Ricardo Pereira como Dr. Bernardo França 

Selton Mello como Sérgio Santos

Sophie Charlotte como Josie Pinheiro 

Stella de Freitas como Norma Junqueira 

Suely Franco como Vilma Celestino

Valentina Herszage como Helena Royal 


Participações especiais

Cosme dos Santos como Amadeu Neves

Cristiane Pereira como Rita Anjos

Irene Ravache como Noelita Palmeira

Kadu Moliterno como Cassiano Dias

Renata Sorrah como Eunice

Othon Bastos como Paulo


Continuação do Capítulo anterior


Cena 01: Apartamento de Cezar - Noite - Interna. 


Cezar está arrumando as malas, organizando tudo. Ele vai até a porta e abre, para colocar as malas lá fora. Ele lembra de pegar algo e entra. Helena entra.


HELENA: Para onde você está indo?


CEZAR: Para algum lugar. E o que você está fazendo aqui? Resolveu voltar, foi?


HELENA: Até parece que eu voltaria pra você. Só vim buscar o que restava das minhas coisas.


CEZAR: pegue logo, e adiante, porque já estou indo embora. (Helena sai)


um revólver dispara do lado de fora, e pega em Cezar, que cai morto no chão. 


Trilha: Na Trilha do Suspense - Sacha Amback 


HELENA: Cezar, não estou achando a minha bolsa… (ela vê o corpo morto) Meu Deus (grito) Cezar? Cezar, o que houve? Meu Deus, é sangue! (Grito)


Helena sai correndo do local, totalmente assustada com o que viu. Corte de imagem mostra a ambulância indo buscar o corpo.


Cena 02: Restaurante - Noite - Interna 


Trilha: Witchout You - Harry Nilsson (baixo)


MIGUEL: Que bom que você veio.


LUISA: O que você quer? Eu vim rápido, mas já sabendo que tenho pouco tempo.


MIGUEL: Tentarei ser breve. Eu já sei de tudo o que aconteceu, e desde já te peço desculpas pela forma como te tratei … chegou uma carta em minhas mãos, logo depois que você viajou, dizendo que deveríamos terminar tudo. Eu até trouxe a carta para você ler. Porém a Carol …


LUISA: Que Deus a tenha 


MIGUEL: Que Deus a tenha… enfim, a Carol confessou tudo, dizendo que foi ela e minha mãe que escreveu essa carta.


LUISA: E o que eu tenho a ver com isso?


MIGUEL: Eu vim te pedir desculpas…


LUISA: Está desculpado. Agora preciso ir.


MIGUEL: Espera, mas já?


LUISA: Eu te falei que estava com pressa.


MIGUEL: Mas ainda assim, tudo acabará desse jeito? Um tchau e acabou?


LUISA: Olha, Miguel, eu de fato senti algo por você, mas desde aquele dia que você me tratou mal, acabou. Eu não sinto mais nada, e nem pretendo sentir. Você acreditar em qualquer coisa que te disserem é de uma ingenuidade…


MIGUEL: Espera lá, mas foi você que sumiu sem falar nada. Se ao menos você tivesse me avisado, nada disso teria acontecido.


LUISA: Mas isso foi parte de um acordo entre eu e a Suely. O acordo para que eu trabalhasse com ela era justamente esse, de não contar nada. Meu Deus, como eu não notei isso antes.


MIGUEL: Agora está explicado… isso era tudo parte de um plano. Como eu pude ser ingênuo.


LUISA: Como eu pude ser ingênua? Eu não notei isso.


MIGUEL: Pois é… nós dois fomos enganados. O que eu não gostaria, Luisa, era de perder a sua amizade. Eu sei que te decepcionei, mas eu te peço que me perdoe.


LUISA: Mas eu já te perdoei.


MIGUEL: Mas eu não quero que apenas me perdoe. Eu peço que me aceite de volta…


LUISA: Como amigo?


MIGUEL: Não, dessa vez não mais como amigo. Mas como mulher! (Os olhos dela brilham. Ele se ajoelha com uma aliança) Luisa, você aceita ser a minha mulher?


Luisa fica parada, sem reação. Todos ao redor a observam.


LUISA: Eu… eu…


TODOS AO REDOR: Aceita! Aceita! Aceita!


MIGUEL: Você tem todo o tempo para pensar.


LUISA: Miguel, olha… (Miguel muda a feição) eu… aceito!


Todos comemoram, e os dois se beijam, a música toca no máximo.


MIGUEL: Pois agora, uma rodada de bebida pra todo mundo, por minha conta! (os dois se beijam)





Cena 03: Casarão Albuquerque - Noite - Interna.


Antônio entra pela porta da frente, triste. Suely percebe.


SUELY: O Que foi, meu amor? Não teve uma boa caminhada?


ANTÔNIO: Sabe, Suely, quando essas coisas nos acontece, fazemos todos os tipos de besteiras … e comigo não foi diferente.


SUELY: Mas o que você fez?


ANTÔNIO: Nada… deixa pra lá. Deve ser coisa da minha cabeça… tem café pronto?


SUELY: Tem. Só que está sem açúcar, porque a Carol não toma com açúcar, você sabe… digo, o café está sem açúcar.


ANTÔNIO: Sem problemas. Hoje eu prefiro um café amargo mesmo. Bem amargo.


SUELY: Sabe, Antônio. Tem horas que meu desejo é vender esta casa


ANTÔNIO: Porque?


SUELY: Porque este lugar me traz muitas lembranças. Boas, mas principalmente lembranças da Carol. Desde a porta de entrada até a saída, eu enxergo a minha filha em cada detalhe. Não sei se conseguirei ficar aqui por tanto tempo.


ANTÔNIO: Eu não te julgo, penso da mesma forma. Mas sabe o que me assusta?


SUELY: O que?


ANTÔNIO: O Marcos está quieto, calado, desde o dia da morte da irmã. 


SUELY: Ora, Antônio, mas era irmã dele. É o mais comum a acontecer.


ANTÔNIO: Eu sei. Mas os dois nunca foram próximos. 


SUELY: Eu acho melhor era você ir lá e tomar o seu café.


Cena 04: Apartamento de Celso - Noite - Interna. Helena entra em casa apressada e Eleonora percebe.


ELEONORA: Mas o que foi, Helena? Outra vez entrando apressada assim?


HELENA: Não é nada, Vó!


ELEONORA: Não me chama de Vó! Que coisa. (O celular de Celso toca) Celso! Seu celular está tocando. E está dando como número desconhecido.


CELSO: Espera que eu já atendo. Quem será que está me ligando a uma hora dessas? Alô?


Trilha: Tenso Drama Moo - Mu Carvalho 


JOEL: Celso? É o Joel.


CELSO: Mãe, consegue me deixar só?


ELEONORA: Era só o que me faltava. (Se levanta e sai)


CELSO: Joel? Mas onde é que você está? Já tem dias que você não aparece na empresa.


JOEL: Não é hora de falarmos sobre isso. Escuta, preciso da sua ajuda.


CELSO: Mas pra fazer o que? 


JOEL: Eu estou foragido, a polícia está atrás de mim.


CELSO: A polícia? Mas o que foi que você fez?


JOEL: Não é hora de falar sobre isso. Eu preciso de uma ajuda sua. Preciso que você traga comida aqui para o lugar onde eu estou.


CELSO: Mas eu nem sei onde você está.


JOEL: Eu te dou as coordenadas. O que eu preciso é que você venha para cá. 


CELSO: Você quer que eu me envolva nas suas loucuras? E se a polícia me pega?


JOEL: Se você não trouxer a comida, eu mando te matarem, se não eu mesmo vou atrás de você.


CELSO: Você não seria capaz…


JOEL: Não seria? Você não sabe do que eu sou capaz. Anda, traga logo, eu te mando as coordenadas.


CELSO: Eu peço pra alguém levar.


JOEL: Eu não quero que alguém leve. Eu quero que você venha trazer. 


CELSO: Eu posso ver… depois eu converso com você.


Cena 05: KitNet - Noite - Interna. Carmen está assistindo Tv.


CARMEN: Vilma, venha ver essa novela, está uma maravilha. Essa já é a última semana dela.


VILMA: Mas do que adianta eu ver uma novela que já está no fim?


CARMEN: Se você acompanhasse desde o início, não teria esse problema…


Entra um plantão jornalístico, e Carmen presta a atenção.


CARMEN: Um plantão jornalístico!


VILMA: Qual deve ser a desgraça da vez?


“O plantão jornalístico informa: acaba de falecer o empresário e um dos diretores do Grupo Royal. Cezar Barbosa, assassinado na noite deste dia." 


Trilha: Tenso Leve Aa - Mu Carvalho 


ISABEL: O Cezar?


RAFAEL: O Cezar?


ANABEL: O Cezar?


MIGUEL: O Cezar?


CARMEN: O Cezar?


VILMA: Quem é Cezar?





Trilha: Tenso Leve Aa - Mu Carvalho 


CARMEN: Como quem é Cezar, Vilma? Você não lembra dele. Meu Deus, como isso aconteceu?


VILMA: Como acontece com qualquer um. Atirou, morreu.


CARMEN: Incrédula estou. Gente, parece até que essas coisas acontecem só em filmes…


VILMA: Vai que estava envolvido em algo.


CARMEN: Você tem razão. Não é estranho que isso aconteça. Pois é. Pra morrer, basta estar vivo…


Trilha: Total Eclipse Of The Heart - Bonnie Tyler 


Imagens do Rio são mostradas, levando para o dia seguinte. 


Cena 06: Apartamento de Jorge - Manhã - Interno


Na cena, está Jorge, Anabel, Selma e Carmen


CARMEN: Jorge, cheguei o mais cedo que pude.


ANABEL: Pois se acha que com essa explicação, conseguirá me explicar alguma coisa, pode tirar seu cavalinho da chuva


SELMA: Vamos ouvir o que ele tem a dizer. Diga, filho.


JORGE: Pois bem. Eu sei que o que fiz foi tudo errado, principalmente em te esconder isso, Anabel. Mas eu tentei preservar a imagem dela.


ANABEL: Mas dela quem?


JORGE: Pode entrar, mãe.


Trilha:


Eunice entra, causando espanto para Carmen.


CARMEN: Eunice? Você é a mãe do Jorge?


JORGE: Pois agora, de uma vez por todas, vou explicar tudo o que aconteceu.


Encerramento no rosto de Jorge, ao som de Total Eclipse Of The Heart - Bonnie Tyler 










 

O PREÇO DA VIDA - CAPÍTULO 08 (10/10/2025)

 


O PREÇO DA VIDA 


criada e escrita por: Luccas Sanza 


Capítulo 08


CENA 01. PENSÃO DE CLARA. SALA. INT. NOITE.


Júlio fica estático. O sangue parece sumir do rosto. Na entrada, Edna — a mãe — surge com um sorriso cansado, mas cheio de ternura. Atrás dela, Fabinho equilibra duas malas e observa o amigo, meio sem jeito.


EDNA — Não vai me convidar pra entrar, filho? Hein?


JÚLIO — (ENGASGADO) Cla... claro, mãe. Que surpresa... ver a senhora aqui.


Edna entra devagar, observando cada canto da sala. A câmera acompanha o olhar dela: paredes simples, cheiro de comida, o rádio chiando um samba antigo.


Um ambiente modesto — mas acolhedor.


FABINHO — (TENTANDO ALIVIAR O CLIMA) Falei pra ela esperar, Júlio, mas cê conhece a dona Edna… Quando bota uma coisa na cabeça, não tem quem tire.


EDNA — (RINDO) Ah, Fabinho... eu só quis ver meu filho. Um mês longe e sem notícia!


Você me promete que vai trabalhar no Rio e depois some… Como é que uma mãe não se preocupa?


Júlio força um sorriso, evitando o olhar dela. O rosto dele está tenso, os olhos marejados.


JÚLIO — Eu... só tava resolvendo umas coisas, mãe.


EDNA — Resolvendo o quê, Júlio? Você disse que ia vir pro Rio pra conseguir o dinheiro da minha cirurgia. Que já tinha emprego certo, que tava tudo encaminhado.


Silêncio. O som da chaleira apitando na cozinha preenche o espaço.


EDNA — (MAIS SUAVE, COM TERNURA) Eu sei que não é fácil... mas não precisava se virar sozinho assim. Esses pólipos me atrapalham pra falar, pra cantar… Mas eu ainda sou tua mãe, meu filho. Não queria que você se matasse por minha causa.


A câmera se aproxima do rosto de Júlio.


Ele segura as lágrimas, tentando conter o nó na garganta.


JÚLIO — (BAIXO, QUASE SUSSURRANDO) Eu não tô me matando, mãe. Tô só... tentando fazer o que posso.


Edna o encara — há carinho, mas também uma pontada de desconfiança.


EDNA — (SÉRIA) E o que é, exatamente, que você anda fazendo?


Antes que ele responda, Clara aparece no vão da porta, enxugando as mãos no avental.


CLARA — Tá tudo bem, Júlio?


JÚLIO — (RÁPIDO) Tá sim, Clara. Essa é minha mãe, dona Edna. E o Fabinho, a senhora já conhece.


CLARA — (GENTIL) Prazer, dona Edna. Seja bem-vinda.


EDNA — (EDUCADA, DISFARÇANDO O DESCONFORTO) Prazer, minha filha.


CLARA — O jantar tá quase pronto. Se quiserem se acomodar, tem mesa posta lá dentro.


Clara volta pra cozinha. Edna acompanha o movimento com o olhar, desconfiada.


EDNA — Então é aqui que você tá morando? Uma pensão...



JÚLIO — É, mãe. A Clara é madrinha do Fabinho. Me ajudou quando eu cheguei.



EDNA — (ARQUEANDO A SOBRANCELHA) Ah... entendi.


Um silêncio espesso toma conta da sala.


Fabinho pega as malas e segue pro quarto, deixando mãe e filho a sós.


EDNA — (BAIXO, PORÉM FIRME) Júlio... você tá mesmo trabalhando, né? Nada errado... me promete.


Júlio segura o olhar dela por um instante.


O peso do que ele esconde é quase visível.


JÚLIO — (MENTINDO COM DOÇURA) Tô, mãe. Tá tudo certo. Eu prometo.


Edna o abraça, aliviada. Mas o rosto de Júlio, visto por trás do ombro dela, é um retrato de culpa.


A câmera fecha devagar no olhar dele — vazio, distante. O som do rádio aumenta, tocando um samba antigo de fundo.


Corte para:


CENA 02. PENSÃO DE CLARA. QUARTO DE CAMILLA. INT. NOITE.


O quarto está silencioso, abafado.


O ventilador gira devagar no canto, rangendo a cada volta, como se o tempo passasse mais lento ali dentro. Camilla está sentada na beira da cama, inquieta, as mãos apertadas entre os joelhos. Mel está de pé, encostada na parede, tentando entender o que acabou de ouvir.


MEL — Camilla… você tá me deixando nervosa. Quem é o pai, afinal?


Camilla demora pra responder. O olhar perdido, a respiração presa no peito. Ela abre a boca, hesita — e finalmente deixa escapar:


CAMILLA — O pai… é o Júlio.


Silêncio. Um silêncio espesso, quase sufocante.


O ventilador range mais uma vez, e o som parece ecoar pelo quarto inteiro.


MEL — (SURPRESA, MAS CONTIDA) O Júlio? O Júlio da pensão? Cê tá dizendo que… é ele mesmo?


Camilla levanta o olhar, com os olhos marejados, a voz trêmula.


CAMILLA — É ele, Mel. Eu juro. Eu tentei não acreditar, tentei negar pra mim mesma… mas eu sei. Eu sinto. E agora eu tô com medo… um medo que eu não sei nem explicar direito.


Mel se aproxima devagar, sem tirar os olhos dela.


MEL — Medo de quê? De ele não querer saber?


CAMILLA — De ele me rejeitar.


De olhar pra mim e não ver um filho — ver um peso. Eu sei o que é crescer com o vazio de um pai que vira as costas, Mel.


Eu vivi isso. Minha mãe passou a vida esperando um homem que nunca voltou. E agora… eu tô apavorada com a ideia de reviver isso tudo.


Ela segura a própria barriga, como se tentasse se proteger.



CAMILLA — Eu olho pra esse bebê e só penso que eu não posso deixar ele sentir o que eu senti. Mas o Júlio… Ele é um mistério. Sempre parece que tá escondendo alguma coisa. Às vezes, quando ele sorri, parece que por trás tem um abismo. E se ele descobrir e sumir, Mel? E se ele disser que não quer?


Mel suspira fundo, tentando pensar.


A tensão é tanta que até o ar parece mais quente.


MEL — (FALA LONGA, TENTANDO ACALMÁ-LA) Camilla, o Júlio é cheio de coisa que a gente não entende, é verdade. Mas ele não é cruel.


Ele tem um jeito torto, mas tem coração.


E, olha… se você esconder isso dele, vai carregar esse medo pro resto da vida. Você precisa contar.


Mesmo que doa, mesmo que ele não saiba reagir.


Porque você não tá sozinha — nem agora, nem depois.



Camilla respira fundo, lutando contra as lágrimas. O som do ventilador continua girando, ritmado, como um relógio impaciente.



CAMILLA — (BAIXA, QUASE SEM VOZ) E se ele disser que não quer esse filho?



MEL — (FIRME, OLHANDO NOS OLHOS DELA) Então ele vai ter que aprender a querer.


Porque esse filho existe. E você não vai deixar ninguém fazer você se sentir errada por isso.



Camilla fecha os olhos por um instante.


Uma lágrima escapa. Ela sussurra, com a voz embargada:



CAMILLA — Eu só queria que ele me olhasse… e visse amor. Não arrependimento.



A câmera se aproxima devagar do rosto dela, captando o brilho das lágrimas sob a luz amarela do abajur. O som do ventilador domina a cena.



Corte para:



ABERTURA (sonoplastia: Caju - Liniker, tema de Julio e Camilla)



CENA 03. PENSÃO DE CLARA. QUARTO DE CAMILLA. INT. DIA.


A sonoplastia da abertura ainda ecoa ao fundo — um piano distante, quase sussurrado. A luz do abajur amarela o quarto, criando sombras suaves nas paredes. O ventilador gira lento, fazendo o tempo parecer arrastar. Camilla está sentada na beira da cama. O olhar fixo no chão. As mãos inquietas.



Som. Batidas leves na porta. Ela demora um segundo antes de responder.


CAMILLA — Pode entrar.


A porta se abre. Júlio entra devagar, o rosto cansado, hesitante. Ele fecha a porta com cuidado, como se tivesse medo de acordar o silêncio.


JÚLIO — Clara disse que cê queria falar comigo… (BAIXO) Tá tudo bem?


Camilla levanta o olhar. Os dois se encaram.


Há algo preso entre eles — um ar de coisa não dita.


CAMILLA — Depende do que você chama de “tudo bem”.


Júlio dá um passo pra frente, preocupado.


JÚLIO — Aconteceu alguma coisa?


Camilla respira fundo. A voz sai baixa, quase um sussurro.


CAMILLA — Você lembra daquela noite? Aquela noite… em que tudo aconteceu entre a gente.


Júlio engole seco, o olhar se perde por um instante.


JÚLIO — Lembro.Como eu esquecer?


Camilla tenta sorrir, mas o sorriso morre antes de nascer.


CAMILLA — Desde aquele dia, minha cabeça não parou um segundo. Eu tentei fingir que não significou nada, que foi um momento… que a gente se deixou levar. Mas não foi só isso. Não pra mim.


Silêncio. O ventilador range. O som parece mais alto.


CAMILLA — E agora… tem uma coisa que eu preciso te contar.


Ela hesita. O olhar se perde. A respiração treme.


CAMILLA — Eu tô grávida, Júlio.


Júlio congela. A respiração falha. O tempo parece parar.


JÚLIO — (GRAVE, BAIXO) O quê?


CAMILLA — Eu tô grávida. Fiz o teste, mais de um. Todos deram positivo. E eu… tô completamente perdida.


O olhar dele vacila. Ele dá um passo pra trás, depois outro pra frente — sem saber o que fazer com o corpo.


JÚLIO — Meu Deus… (UM SILÊNCIO) Cê tem certeza?


CAMILLA — Tenho. E… eu sei o que você pode estar pensando. Mas eu não tô te cobrando nada, Júlio. Eu não tô aqui pra te obrigar a nada. Eu só não aguentava mais carregar isso sozinha.


A voz dela embarga. Ela continua, firme, mas com o coração exposto.


CAMILLA — Eu tenho medo, sabe? Medo de você olhar pra mim e ver um problema. Medo de você me virar as costas. Porque eu sei como é crescer sem pai.


Eu vi o que isso fez com a minha mãe, e… eu nunca quis repetir essa história. Mas parece que o destino gosta de brincar com a gente. Ela faz uma pausa. O ar parece pesado.


CAMILLA — Eu só queria que você soubesse. Que você ouvisse de mim. Porque, por mais confuso que tenha sido, aquela noite foi real. E eu senti algo de verdade.


Júlio abaixa a cabeça, respira fundo. Depois, lentamente, se aproxima.


JÚLIO — Camilla… (VOZ FIRME, MAS COM O PEITO APERTADO) Eu não sou o tipo de cara que foge. Eu posso tá cheio de erro, cheio de coisa mal resolvida… Mas eu não vou fingir que nada disso aconteceu. Eu não vou virar as costas pra você, nem pra esse filho.


Camilla o encara, emocionada.


CAMILLA — Cuidado com o que você promete, Júlio.


O mundo pesa diferente quando a gente tem alguém pra proteger.


JÚLIO — Eu sei. Mas eu quero tentar. Mesmo com medo. Mesmo sem saber como. Porque, desde aquela noite, eu não consegui parar de pensar em você.


Ela o encara, e os olhos dela marejam.


Por um instante, os dois se aproximam, quase se beijam. Mas Camilla vira o rosto, recuando.


CAMILLA — Não… não agora. Eu tô confusa. Preciso entender o que sinto, o que quero. E o que a gente vai fazer.


JÚLIO — Tá tudo bem. Eu espero.


Eles ficam em silêncio.


Um silêncio cheio de tudo que não conseguem dizer.


Júlio se levanta, encara ela uma última vez.


Som. A porta se fecha devagar.


Camilla permanece ali.


Olha pro vazio, depois apoia a mão sobre o ventre. O som do ventilador continua — constante, hipnótico. A câmera se aproxima, lenta, até o olhar dela.


Corte para:


CENA 04. COPACABANA PALACE. SUÍTE PRESIDENCIAL. INT. DIA.


Luz baixa, avermelhada. Um sax suave toca ao fundo. A câmera se aproxima de Odila, envolta em um robe preto de seda, deixando parte do ombro à mostra. Ela segura uma taça de vinho tinto — o reflexo do líquido desliza pelo vidro com a mesma lentidão do seu sorriso.


ODILA — Tô com saudade... não vai vir aqui, não? Hein, Júlio?


JÚLIO (voz no telefone) — Claro, meu amor... só vou avisar a minha mãe que preciso resolver um negócio... e já tô indo aí, minha princesa.


Odila encosta a taça nos lábios, olha para o espelho e sorri de canto — provocante. Um gole, um suspiro.


Corte para:


PENSÃO DE CLARA. CORREDOR


A câmera acompanha Júlio de costas, ele guarda o celular devagar no bolso, o rosto dividido entre o desejo e a culpa. Atrás da parede, meio oculta na penumbra, Edna observa — o olhar firme, traído, respirando fundo para não ser ouvida.


A tensão cresce. A trilha some. Só o som do coração de Edna — seco, acelerado.


CORTE RÁPIDO — FIM DO CAPÍTULO


A novela encerra seu oitavo capítulo ao som da sonoplastia: At lass - Etta James (Tema de Odila)