INTERNACIONAIS | CAPÍTULO 21 (22/09/2026)
ESCRITA POR NOVELEX
CENA 01: PRAIA DE IPANEMA | EXT. | TARDE
Holanda, Joana e Nayara saem correndo para ir ao posto. Após cansarem, ficam tontas, Nayara cambaleia e esbarra em uma mulher que quase cai no chão.
[Nayara]: Ô BIXINHO, meu Deus! Mil perdões, meu amor!
Nayara recupera o fôlego e finalmente vê em quem esbarrou, ela congela, a mulher que sofreu o esbarrão era Maria. Todos os personagens trocam olhares. Maria está perdida, ela não entende nada.
[Maria]: (confusa) Você?
Maria e Nayara se encaram por um longo tempo, os dois caminhos se cruzam depois de anos. As duas estão visivelmente chocadas, mas Nayara está mais nervosa que Maria. A mocinha sorri.
[Maria]: Mulher, mas quanto tempo sem te ver! Que mundo pequeno, a gente se encontrando na praia. Quem são essas aí?
[Nayara]: São amigas minhas, viemos dar um tibum na água. Quem são esses rapazes musculosos? São seus namorados?
[Maria]: Credo, Nayara. São meus amigos, cada um mais generoso que o outro.
[Nayara]: Ahn, sei. Tá bom, eu vou-
[Maria]: (cortando) Desculpa perguntar sobre isso, mas o seu caso teve algum andamento?
Nayara fica tensa, Maria arranca as palavras da boca da vilã de Jão Feliz. A mulher olha para o mar antes de responder, ela olha no fundo dos olhos da mocinha.
[Nayara]: Prefiro não comentar, que tal em um momento mais íntimo no futuro? Ah, que delícia é te ver novamente, amiga! Senti tanto a sua falta.
[Maria]: Então dê uma passada lá em casa! As portas estão abertas para você.
[Nayara]: Claro que passo lá, vamos combinar algum dia. Enfim, não posso deixar minhas amigas de lado, vou continuar meu caminho. Tchau, Maria.
[Maria]: Ué, mulher. Não vai ficar aqui? O único lugar agradável pra hoje, já que não está tomada pela multidão carioca, por que não fica próxima de nós?
[Nayara]: Eu não tenho intimidade com seus colegas, sou tímida. Eu acho melhor eu me recolher no meu canto junto com elas, minhas meninas.
[Maria]: Ah, se for assim… Tudo bem. Mas depois você me manda mensagem falando sobre aquilo? Enfim, siga seu rumo.
[Nayara]: Mando mensagem sim, se eu lembrar, claro. Tchau, Mari.
Nayara puxa Holanda e Joana que seguem o caminho, Maria desconfia de algo, sente um arrepio.
[Maria]: Eu nunca senti isso antes, que horror. Tô até suando frio.
[Juan]: Está tudo bem, Maria?
[Maria]: Claro! Não foi nada demais.
O núcleo paralelo se encontra em um estado eufórico, Nayara entra em pânico, algo até então inédito. Holanda e Joana tentam acompanhar o raciocínio da louca de Pedra, uma mulher que senta no cocô e diz: “Ai, que delícia!”.
[Joana]: O que houve, mulher? Nunca vi você tão sentida assim!
[Nayara]: (ofegante) Ai, nossa. Que loucura. Nunca senti meu coração acelerar assim, juro para vocês.
[Holanda]: Para de ser sonsa, Nayara! Conta logo o rolo que você tem como essa mulher, de onde vocês se conhecem? Que caso você tem?
[Nayara]: Não posso mais esconder isso de vocês, uma angústia tão forte aqui no peito…
[Joana]: Então diga logo, diga-me tudo e não esconda nada!
[Nayara]: Então deixe-me falar com calma, por favor.
CENA 02: CASA DE DONA SÍLVIA | COZINHA | INT. | TARDE
Dona Sílvia pega dois pães de forma e uma manteiga, ela parece cansada, como se estivesse sem forças. Ela olha para o lado e encara fixamente uma faca, a imagem fica alternando entre o olho dela e o instrumento afiado. O silêncio é quebrado por Otávio mais uma vez visitando a senhora. Ela vai até a porta e abre.
[Dona Sílvia]: Oi, meu querido. Tudo bem?
[Otávio]: Tudo bem, dona Sílvia. E a senhora?
[Dona Sílvia]: Tô bem, graças a Deus. Como você tá, garoto?
[Otávio]: De mal a pior, eu quero tanto, TANTO minha mãe morando comigo de novo.
[Dona Sílvia]: E você pode ter o que deseja, querido. Mas acho que o tempo vai ser muito lento se fizermos nada, precisamos agir, descobrir uma forma que faça essa Nayara sumir do mapa.
[Otávio]: Eu tenho um plano, não sei se é arriscado…
[Dona Sílvia]: E qual seria esse plano?
[Otávio]: E se fizéssemos uma mega fofoca? Tipo, falaremos pros vizinhos o que estamos passando e que em determinado dia vamos entrar naquela casa para tirar satisfação.
[Dona Sílvia]: Isso não é uma invasão? Tem certeza que isso não vai ser um fiasco?
[Otávio]: Relaxa, você acha que vão pensar nisso? O povo daqui é tudo sem noção, certeza que ninguém vai sequer reparar nos detalhes. O destino está em nossas mãos, vamos fazer acontecer e revelar para todos quem é aquela zinha.
[Dona Sílvia]: Sabe o que eu acho? Que será perfeito, já sabe em qual dia vai ser isso?
[Otávio]: Bom…
CENA 03: PRAIA DE IPANEMA | EXT. | TARDE
Maria ainda se encontra pensativa sobre a situação que passou com Nayara, Juan estala os dedos para tirar a personagem do mundo da lua.
[Juan]: Você está bem?
[Maria]: Claro, é que aquela situação mais cedo realmente me deixou confusa.
[Juan]: Você conhece aquela mulher?
[Maria]: Ela era minha vizinha, se mudou e eu nunca mais tinha visto ela.
[Juan]: Então, ela está bem e é isso que importa, né?
[Maria]: Você não entende, é que ela parecia fugir de mim, eu estava suando frio, um arrepio, uma energia pesada que nunca senti antes. Eu nunca tinha sentido isso e eu era tão próxima da Nayara.
[Juan]: Acha que ela tem algo a esconder? (P) Desculpa fazer tanta pergunta assim, você não está bem, é melhor eu-
[Maria]: (cortando) Tá de boa, você quer saber o que eu perguntei pra ela? Perguntei sobre uma coisa muito pesada que ela passou, vou te contar o que é.
Maria respira fundo.
[Maria]: Então, é o seguinte.
Enquanto isso, no núcleo paralelo.
[Nayara]: Eu nunca falei para vocês, mas antes de eu me mudar pra Jão Feliz, eu tinha uma vida conturbada, vivia em uma loucura. Se comparar a casa antiga com a minha casa atual, é como comparar um casarão com um barraco em Salvador. Era bem monótono, naquele momento eu estava namorando um boy chamado Gibraltar, ele era bem macho, másculo e gentil, era o que aparentava ser.
Holanda e Joana estão juntas segurando a mão, prestando atenção em cada detalhe da história.
[Joana]: E o que houve com vocês?
Nayara fica com um olhar vazio, triste.
[Nayara]: Eu engravidei, fiquei tão contente, mas o Gibraltar… não posso dizer o mesmo, ele ficou bruto, mas não um bruto que dava prazer, ele ficou fubango. Quando a criança nasceu, ele ficou cuidando com o maior desgosto do mundo, nosso filho, o Yuri, ele era a coisa mais fofa do mundo, uma benção.
[Holanda]: E o que aconteceu com ele? Você nunca tinha tocado no nome desse garoto.
[Nayara]: Durante 4 anos, vivia nas minhas mãos, com medo do pai. Mas teve um dia que eu saí para comprar frutas, voltei para casa e vi uma cena aterrorizante.
FLASHBACK:
Nayara chega em casa.
[Nayara]: Amores, cheguei!
A mulher não recebe nenhuma resposta, ela suspeita do silêncio.
[Nayara]: Vocês estão dormindo?
Nayara vai até o quarto e não encontra ninguém, de repente, escuta um barulho no banheiro e vai verificar.
[Nayara]: Amor, você está dando banho no neném?
Nayara abre a porta do banheiro e entra nele, lá dentro, Gibraltar está encarando a criança que não reage. A jovem fica confusa.
[Nayara]: O que aconteceu com ele?
O homem não responde, ela entra em pânico.
[Nayara]: O QUE VOCÊ FEZ COM ELE?!
[Gibraltar]: FALA BAIXO!
Ele se exalta, Nayara está desesperada.
[Gibraltar]: Ele estava chorando muito, eu estava com a cabeça quente e…
Gibraltar olha no fundo dos olhos da jovem. Ela descobre a resposta apenas pelo olhar.
[Nayara]: Você sufocou o nosso filho?! O NOSSO FILHO?!
[Gibraltar]: EU DISSE PRA VOCÊ PARAR DE GRITAR!
[Nayara]: SEU MONSTRO, DESGRAÇADO!
Nayara bate no homem, ele se enfurece e desfere um soco na cabeça da mulher que cai no chão. Ele se desespera e foge da cena do crime, ela fica jogada no chão e se aproxima da criança morta.
[Nayara]: (chorando) Meu filho, Yuri querido…
FIM DO FLASHBACK.
Nayara chora silenciosamente, Holanda e Joana olham para ela com remorso mas se recusam a abraçá-la. A vilã mostra seu lado sentimental e desaba em lágrimas, sozinha.
Do outro lado, Maria conta o que sabe da história.
[Maria]: Eu amava conversar com ela, era uma vizinha que eu tinha tanta conexão. Ela me contava histórias, perrengues, romances, era uma mulher que vivia de tudo mesmo. Lembro que a família dela era do interior, cujo a maioria era pistoleiro, ela morria de medo da própria família e que fosse obrigada a usar uma arma. Enfim, eu comecei a achar ela estranha quando começou a namorar um homem chamado Gibraltar, ele era agressivo, Nayara falava que ele era macho de verdade, amava seu cheiro e jeito de homem. Com ele teve um filho chamado Yuri, foi tão bizarro ver ela com aquele barrigão, o bordão da mulher era dizer que não queria ter filho porque criança era uma peste.
[Juan]: Mas onde entra o caso aqui?
[Maria]: Bom, ela viveu um relacionamento conturbado quando essa criança nasceu. Tinha horas que ela amava o homem, brigava com ele e depois ia cuidar da criança, gritava com o bebê e ia correr pros braços do Gibraltar. Acho que foi isso por uns 4 anos, até que um dia… Ai, dar uma angústia só de falar.
Juan segura as mãos de Maria.
[Juan]: Se não quiser falar, está tudo bem.
Maria olha para Juan, com segurança.
[Maria]: Em uma tarde, eu vi o desgraçado fugindo desesperadamente de moto. Depois, apareceu a Nayara desesperada com a criança no colo, gritava para todos que ele tinha asfixiado o garoto. Foi tão pesado, lembro perfeitamente da cena.
Maria luta para não chorar, ela abana o rosto e Juan lhe abraça.
[Maria]: Eu não entendo o fato dela ter fugido, será que ela olhou pra mim e lembrou desse crime horrível? Ela me tratava como uma irmã, éramos carne e unha.
[Juan]: Talvez ela não estivesse preparada, levou um susto ou achou que era alucinação. Até porque não é todo dia que você vê sua antiga vizinha na praia, não é?
Maria ri aos braços de Juan.
[Maria]: Pior que é verdade, né? Tá, agora me solta porque esse abraço tá muito apertado.
Pablo e Martin estão juntos, olham esse papo todo de longe.
[Pablo]: Esqueceram que existimos, não é possível.
[Martin]: Descansa, deixa os pombinhos terem o momento deles. Quero ver a hora que vão lembrar que estamos aqui esperando pra perguntar quem vai entrar no mar primeiro.
CENA 04: CASA DE DONA SÍLVIA | SALA | INT. | TARDE
Dona Sílvia toma café enquanto conversa com Otávio, sentados no sofá, eles batem papo sobre a vida.
[Dona Sílvia]: Eu já falei tanto de mim, né? Nem perguntei como está sua vida.
[Otávio]: O mesmo de sempre, tia. Mas acho estranho que tá bem calmo até, depois da loucura que foi esses últimos dias, acho suspeito. A escola segue sendo a melhor coisa pra mim no momento, depois eu vejo se vou soltar pipa com os moleques. Tenho que ver se aquela mulher deixa minha mãe me visitar, me preocupo toda hora com ela.
[Dona Sílvia]: Você vai contar pra ela do que planeja fazer?
[Otávio]: Acho que já contei
Otávio ri.
[Otávio]: Ai, tô tão desligado que até esqueço das coisas. Vou falar com ela depois. Vamos começar a fazer isso amanhã? De contar de vizinho para vizinho?
[Dona Sílvia]: Olha, por mim tá ótimo!
[Otávio]: Beleza, agora eu vou subir por cima dessa mulher. Vamos encurralar até ela contar toda a verdade, contar para todos a pessoa podre que é. Um brinde!
O jovem bate o dedo na xícara de café da Dona Sílvia. Os dois riem levemente.
CENA 05: CASA DE CRISTINA | QUARTO DE CRISTINA | INT. | TARDE
Cristina mexe em seus cabelos, ela olha uma gaveta e abre ela, lá estava uma foto dela e Martin juntos. A imagem mostra o olhar sério dela, ela pega a fotografia e tira foto dela com o celular.
[Cristina]: Acho que eu não posso apagar o passado, eu vou pensar sobre seu caso.
Cristina respira fundo.
[Cristina]: Eu quero te ver aqui novamente, na minha casa. Preciso olhar na sua cara e saber como foi a sua vida fora, se conseguiu a vida chique de ator que tanto queria ou se fracassou, o que é esperado. (P) Meu Deus, eu não sei se perdoo pela minha filha.
CENA 06: PRAIA DE IPANEMA | EXT. | TARDE
A cena mostra diversas cenas dos personagens. Maria, Juan e Martin na água enquanto Pablo olha tudo de longe, sentado abaixo do guarda-sol. Joana e Holanda se divertindo no mar depois do clima pesado, Nayara observa tudo com um olhar tenso. Depois dos personagens se divertirem no local, eles descansam. No núcleo principal, todos estão abaixo do guarda-sol, comendo bolo de ricota.
[Maria]: Nossa, que delícia! Queria um bolo de cocô depois disso. 🤭
[Martin] (quase engasgando com o bolo) Você não ia contar para eles sobre o que estamos passando, Maria?
Juan e Pablo ficam confusos. Maria olha nos olhos de Martin.
[Maria]: Poxa, o dia estava tão bom que eu até esqueci.
[Pablo]: Você vivendo de segredos, conta o que houve, Maria.
[Maria]: O senhor anda tão preocupado comigo, Pablo. Vou contar sim, não tenho nada à esconder, nenhum segredo. (P) Eu não sei se o Martin chegou a dizer para vocês, mas ele já foi um pai de uma menina, mas como o portuga é homem, óbvio que foi ausente. Mas anos depois, ele não esperava que o destino juntaria ele com a filha dele de novo, sabem quem é essa garota? Eu, Maria.
Martin fica envergonhado com o jeito que ela contou, Juan e Pablo ficam em choque.
[Maria]: O que foi? Mas foi isso mesmo que você fez, pelo menos agora tá mais presente que antes. Ninguém mandou você ter sido assim, oxe.
[Juan]: Eu queria aproveitar esse clima de revelação para dizer o que está entalado na minha garganta há tempos.
Juan se aproxima de Maria.
[Juan]: Maria, desde o primeiro dia que eu te vi, senti meu coração acelerar mais do que o normal. Eu senti que eu teria um ataque cardíaco no dia que te beijei na festa que você caiu da escada.
Pablo olha para o mar e começa a tossir.
[Maria]: Nossa, nem lembra disso. Prossiga.
[Juan]: Eu penso no seu olhar, no seu rosto, cabelo, na sua voz, no seu jeito de ser.
Juan ajeita o cabelo da mocinha, ela fica tímida.
[Juan]: Você aceita namorar comigo?
Maria sorri como a pessoa mais feliz do mundo, Martin espera pela resposta da sua filha, Pablo tosse ainda mais, ele pega a garrafa d'água que estava na bolsa e bebe tudo de uma vez.
[Maria]: Claro que sim!
Os dois se beijam, Martin assobia, a imagem foca no olhar doentio de Pablo, o vilão fica em silêncio enquanto olha com repulsa.
Enquanto isso, no núcleo paralelo.
Holanda está no mar, Joana e Nayara estão juntas abaixo do guarda-sol. Elas estão descansando.
[Joana]: Você vai entrar na água de novo?
[Nayara]: Daqui a pouco, depois vamos embora, né?
[Joana]: Por mim, tudo bem.
De repente vem o silêncio, depois de um tempo, ele é quebrado por Nayara.
[Nayara]: Eu queria ter aproveitado melhor meu filho, queria ter ficado com ele pra sempre.
[Joana]: Eu não sei o que eu penso dessa história, você chorou tanto contando isso mas quando era para falar do filho da Holanda, você enchia a boca para falar mal dele, mal da própria Holanda. Acho que a Holanda deve ter ficado mais mexida com essa história do que eu, já que ela sabe como é ser mãe, você querendo ou não. Não acha triste você maltratar alguém que por mais que saiba que você é essa pessoa maldosa, consiga ter o mínimo de empatia? Enfim, vou entrar na água, pense nisso sozinha.
Joana levanta e vai andando em direção ao mar, Nayara fica sem palavras.
Depois de um tempo, as mulheres voltam pra casa. No núcleo principal, os personagens estão saindo da praia.
[Juan]: Quando você chegar em casa, mande mensagem. Tchau, Mari!
Ela abraça ele e depois o jovem vai embora, Pablo aparece atrás da protagonista.
[Pablo]: Maria, eu queria saber se eu posso te acompanhar até em casa. Para conversarmos melhor, nem falei contigo direito hoje.
[Maria]: Ah, claro, pode ser.
Maria pega em seu celular e recebe uma mensagem da sua mãe, a mensagem diz: “Se você estiver com o Martin, diz para ele te acompanhar até em casa, eu queria falar com ele pessoalmente”.
[Maria]: Martin, você pode me acompanhar até em casa? Minha mãe queria falar contigo.
[Martin]: A Cristina está querendo falar comigo? Tá, tudo bem. Eu acompanho sim.
[Maria]: Ui, pelo menos não tenho nenhum risco, dois guarda costas me levando pra casa. (P) AI VAMOS CORRENDO, O ÔNIBUS.
CENA 07: RUA | EXT. | ANOITECER
Maria, Martin, Pablo caminham e conversam juntos.
[Maria]: Finalmente chegamos, Pablo me espere aqui, vou me arrumar rapidinho. Martin, entre.
Maria bate na porta e abre ela, entra ela e Martin. Eles encontram Cristina no sofá, a mulher esperava por eles. Pablo fica do lado de fora como um cachorro.
[Maria]: Oi mãe! Olha, eu vou sair rapidinho com o Pablo.
Maria olha para Martin.
[Maria]: Fica à vontade!
Maria corre para o banheiro, Cristina olha no rosto do homem.
[Cristina]: Temos tanta coisa para conversar.
[Martin]: Sobre o que exatamente?
[Cristina]: Eu acho que cheguei em uma conclusão sobre o que eu devo fazer entre você e nossa filha.
CENA 08: CASA DE NAYARA | SALA | INT. | NOITE
Nayara está sentada no sofá, em completo silêncio, ela olha para a televisão desligada, assim, vendo seu reflexo. Ela se vira e encontra Holanda, a vilã se levanta.
[Nayara]: Você pode me dá a chave da sua casa?
[Holanda]: (estressada) Olha, o que você quer com a chave da minha casa? Se for pra atormentar a cabeça do meu filho, sem chances!
[Nayara]: Calma! Eu preciso falar com ele, preciso me desculpar.
[Holanda]: (confusa) Conversar?
Holanda pensa duas vezes, ela respira fundo e se rende. Ela pega a chave e entrega para a mulher.
[Holanda]: Pense bem no que vai fazer, pense duas vezes antes de encostar um dedo no meu filho. Se eu souber de qualquer coisa, eu acabo contigo.
Ela sobe as escadas e vai ao quarto, Nayara fica parada por um tempo no meio da sala, depois ela corre até o quarto e abre a gaveta, dentro dela está um revólver.
[Nayara]: Ah, meu amorzinho… Hoje você vai escutar tanta coisa.
CENA 09: RUA | EXT. | NOITE
Maria e Pablo caminham juntos até uma loja abandonada que é relativamente longe de suas casas, eles conversam como bons amigos.
[Maria]: Eu fiquei tão surpresa como vocês quando descobri que o Martin é meu pai, foi o uó! Na verdade, eu nem ligo tanto para isso, o que importa é ele fazer o papel de pai. Enfim, vou ficar bem contente se ele deixar eu ficar beijando o Juan na frente dele sem frescura
Maria e Pablo riem.
[Pablo]: Eu tinha criado um conceito tão diferente sobre você, pensava que você era uma entrosa. Enfim, já estamos chegando nesse lugar?
[Maria]: Claro que sim! É bem aqui, suba as escadas!
Pablo e Maria sobem em cima de uma loja abandonada, lá tem uma vista linda, magnífica. Os personagens ficam encantados com a bela paisagem.
[Pablo]: Que encantador.
[Maria]: Sim! Tão lindo, amava vir quando eu era mais novinha, lembro que era bem frequentado.
CENA 09: CASA DE HOLANDA | COZINHA | INT. | NOITE
Otávio procura algo para fazer e comer, enquanto ele canta, escutasse alguém abrindo a porta.
[Otávio]: Mãe?
O jovem anda para olhar a porta e encontra com Nayara.
[Nayara]: Oi, bebê.
Nayara ri como uma louca, Otávio perde o sorriso que estava em sua cara.
CENA 10: RUA | EXT. | NOITE
Maria ainda olha para a paisagem com ternura, Pablo aparentava estar calmo, mas de repente essa calmaria some.
[Pablo]: Tão estranho como eles me trocaram, perdi meu charme por sua causa.
[Maria]: Uh? Como assim?
[Pablo]: (furioso) O Martin não me dá mais conselhos como um velho sábio, não me olha com os mesmos olhos desde aquele episódio no restaurante. O Juan não se deu mais a importância para mim, você roubou eles de mim!
[Maria]: O que você tá falando, garoto? Eu roubei nada de ninguém, eles quiseram vir até mim, se você não conseguiu chamar a atenção, não ponha a culpa em mim.
[Pablo]: Não ponha a culpa em mim? Como você ainda tem coragem de dizer isso? O Juan e eu éramos carne e unha, ele olhava pra mim com aqueles olhos e me perdia neles, esse brilho que tinha quando olhava pra mim, agora tem quando olha pra você. Você conseguiu o que queria, conseguiu pegar o mais próximo de mim. Com a sua inveja desgraçada, admiro até a sua coragem de ter consigo enfeitiçar eles. Você usou macumba, não é? Até porque uma crioula favelada como você deve usar uns exús para se proteger, sua magia negra não funciona em mim!
Maria dá um tapa na cara de Pablo, ele fica descontrolado e aperta as mãos da mocinha.
[Pablo]: Você não ouse tocar essas mãos sujas em mim!
Pablo bate em Maria, ela geme de dor, ele bate repetidamente na mulher, ela grita por ajuda.
[Maria]: ME LARGA! SOCORRO! SAI SEU MONSTRO!
Maria, toda dolorida, chuta as partes íntimas de Pablo, o rapaz geme de dor.
[Pablo]: AI! SUA DESGRAÇADA!
[Maria]: Eu não sou da umbanda, e mesmo que eu fosse, não seria motivo de vergonha. Sabe o que eu teria vergonha? De bater em uma mulher por ser um viado mal assumido! UM COVARDE, UM MISÓGINO!
Ela tenta respirar, o vilão tenta agarrá-la mas Maria desvia, ela olha para o lado e encontra uma barra de ferro. A mocinha corre e pega a barra de ferro.
[Maria]: (gritando) MALDITO!
Maria olha para Pablo com um ódio imensurável, ela grita e bate a barra na cabeça do Pablo, isso faz ele cair da loja. Sem grito, sem choro, sem nada. Maria chora descontroladamente e observa o corpo de Pablo sem sinal de vida. Ela solta a barra de ferro e ponha as mãos na cabeça
[Maria]: (chorando) Meu Deus! (P) MEU DEUS!
CONGELAMENTO EM MARIA.
ENCERRAMENTO AO SOM DE “SOY LOCO POR TI, AMÉRICA” DE IVETE SANGALO.
