INTERNACIONAIS - CAP. 20 (14/09/2026)


INTERNACIONAIS | CAPÍTULO 20 (21/09/2026)

ESCRITA POR FAFÁ e NOVELEX


CENA 01: CASA DE NAYARA | SALA | INT. | NOITE


Joana permanece com a arma apontada para Nayara.


[Nayara]: Vai, anda! Vire mulher e atire!


[Holanda]: Joana, pelo amor de Deus, você não vai estragar sua vida por causa dessa cachorra, né? Abaixa essa arma logo.


[Nayara]: (debochada) Eu sabia que você não teria coragem. Você sempre foi uma fraca, uma covarde. Jamais conseguiria fazer uma loucura dessas.


[Joana]: (gritando) CHEGAAAAAAA!


Joana começa a puxar o gatilho enquanto grita, mas, para a sua surpresa, a arma não dispara nada. Holanda fica em choque observando a cena e Nayara começa a rir histericamente.


[Nayara]: (rindo) Você jurou que eu tinha deixado uma arma carregada no meu armário com duas tontas morando na minha casa, né?


Joana abaixa a arma, frustrada.


[Nayara]: Agora devolve meu revólver, vai! Nem pensar que eu vou te deixar sair com ele daqui.


Joana, revoltada, devolve a arma para Nayara


[Nayara]: Uma pena que vocês são duas ingratas, tentam me matar na NOSSA casa, né? Que amizade falsa! Não consigo mais confiar em vocês, só por causa disso, eu vou ficar mais insuportável. A culpa é sua, Jô.


Nayara entra no seu quarto e tranca a porta


[Holanda]: Mulher, você enlouqueceu? Nem consigo pensar no que essa maluca vai querer fazer com você agora.


[Joana]: Pena que aquela arma estava descarregada, eu adoraria estourar a cabeça daquela vagabunda. Mas não se preocupe, Holanda, porque eu vou dar um jeito de prender essa vaca antes que ela faça alguma coisa contra mim. Tô pouco me lixando para a próxima punição que ela dará para nós duas! Eu quero acabar com ela, agora, nessa vida.


CENA 02: CASA DE CRISTINA | INT. | SALA | NOITE


Cristina está no sofá lixando suas unhas enquanto assiste uma edição do Big Lacre Brasil. Maria entra em casa, com os olhos vermelhos e cara de morte.


[Cristina]: (assustada ao perceber a filha chorando) O que houve, Maria? 


[Maria]: (aos prantos) Ai mãe, você não vai acreditar. A mulher que foi atropelada lá perto do bar… Era a Tati…


A voz de Maria falha e ela desaba a chorar ainda mais. Cristina abraça a filha, confortando-a.


[Cristina]: Ah, minha filha. Eu estou aqui, tudo bem? O importante é saber se ela está bem, sabe mais alguma coisa sobre o que aconteceu?


[Maria]: (voz embargada) Nada! Eu não sei nadinha de nada! E pensar que nós tínhamos brigado ainda hoje…


[Cristina]: Não se culpe por isso, minha filha! Acho melhor você ir deitar e dormir. Amanhã é um novo dia, você vai estar mais calma e talvez nós tenhamos mais notícias.


[Maria]: (arrumando a postura) Você tem razão. E também amanhã eu tenho um encontro marcado com os internacionais, melhor eu estar bem disposta.


Maria não consegue conter as lágrimas, ela tenta não chorar. A mocinha se afasta do abraço e coloca a mão em seu rosto.


[Maria]: Eu preciso me deitar, acalmar a cabeça e dormir. Não estou com cabeça para falar… Boa noite


Maria sai de cena e vai ao quarto, Cristina volta a sentar no sofá e assistir o Big Lacre Brasil, mas com peso na consciência.


CENA 03: RIO DE JANEIRO | MANHÃ


É mostrada uma sequência de cenas do dia amanhecendo na cidade maravilhosa. Pessoas correm à beira da praia, outros jogam vôlei na areia. Ônibus, carros, motos, pedestres e ciclistas compõem o trânsito caótico da grande cidade.


CENA 04: CASA DE PABLO | QUARTO | INT. | MANHÃ


Pablo está se admirando no espelho, ele analisa cada parte de seu corpo e depois finalmente fica parado. Ele sorri.


[Pablo]: Eu vou ir com outro mindset, eu sou alguém melhor, eu sou um uruguaio exemplar. Preciso me desculpar e ser bom, ser o bem!


O celular dele começa a vibrar, ele pega e descobre que Karla está ligando.


[Pablo]: Vai ser difícil se acostumar com esse mindset.


Pablo atende.


[Pablo]: O que foi?


CENA 05: CASA DE KARLA | SALA | INT. | MANHÃ


Karla está estressada enquanto liga para seu ficante, ela quer tirar satisfações.


[Karla]: (nervosa) Ah, agora o bonito resolve atender? Olha aqui, que relacionamento é esse que o homem não fala com a mulher? (P) Como assim a culpa é minha? Você está me chamando de CHATA?! Pelo visto você não me ama, é isso? Então se você quer dá um tempo na nossa relação, você dê o tempo que for necessário, eu cansei! Eu pensei que vocês estrangeiros tinham mais respeito que os brasileiros, mas a toxicidade dos homens é universal! BOÇAL!


Karla desliga a ligação com ódio, ela se segura para não arremessar o telefone. Ela se perde na raiva e decepção, a mulher começa a lacrimejar


[Karla]: Eu não consigo acreditar nisso, não consigo! QUE ÓDIO!


Karla se joga no sofá, ela pega uma almofada e coloca em sua face.


CENA 06: CASA DE CRISTINA | QUARTO DE MARIA | INT. | MANHÃ


Maria acorda após uma longa noite de sono. A mocinha levanta, penteia seus lindos cabelos e os prende. Se veste com um shortinho jeans, um top branco e uma sandália bege. Ela passa batom vermelho fatal em seus lábios e faz um delineado babado no canto do olho. A protagonista para em frente ao seu espelho e começa a fazer diversas poses enquanto se admira.


[Maria]: Minha nossa! Como você é linda! Nada melhor do que vencer o luto bem arrumada e pronta para a diversão.


Ela manda um beijinho para o seu reflexo e se retira do quarto


CENA 07: CASA DE CRISTINA | SALA | INT. | MANHÃ


Cristina está tomando café e comendo um pão com geleia enquanto assiste vídeos no kwarai pelo celular. Maria chega e se senta com ela à mesa.


[Cristina]: Ui, vai pra onde desse jeito? Toda arrumada, cheirosa, maquiada…


[Maria]: (pegando um pão) Ué, eu não disse pra senhora que eu ia me encontrar com os internacionais hoje?


[Cristina]: Mas eu achei que pelo o que aconteceu…


[Maria]: O que aconteceu, aconteceu, fica no passado. Eu pensei e decidi que tenho que seguir em frente.


[Cristina]: E o… aquele homem vai estar lá?


[Maria]: O meu pai? Sim, vai, por quê?


[Cristina]: Nada não, só curiosidade.


[Maria]: Tô pensando em contar para eles sobre o ocorrido, sabe?


[Cristina]: Acho que você não precisa falar isso para ninguém, filha. 


[Maria]: Mãe, eu sei que a sua mágoa é maior do que tudo. Mas você não pode apagar a sua história e nem a minha história! O Martin foi um grande canalha no passado mas ele-


[Cristina]: (cortando) Você não precisa ser palestrinha, já entendi! Se você quer apoiar aquele crápula, você apoia. Eu não sei como você tem coragem de chamar aquele genitor de pai, você é muito ingênua, é boba! Eu cuidei de você com tanto amor e carinho, não existe possibilidade nenhuma que ele tenha mudado depois de reaparecer após 20 anos! Esse desgraçado não veio nem para te procurar! 


[Maria]: (frustrada) EU JÁ ENTENDI! Mas o passado já passou, eu não sou alguém que guarda mágoa, não sou amarga, mãe! Pelo amor de Deus, eu quero viver no presente! Reconstruir uma história que poderia ter começado há tanto tempo. Você sabe que o meu sonho sempre foi ter um pai do meu lado, ao menos queria que ele falasse comigo de novo por uma última vez e isso aconteceu! Então você leve a sua mágoa contigo, eu não quero que você se intrometa na minha história com o Martin. NÃO QUERO!


Maria se exalta e Cristina lhe encara com uma expressão de surpresa. A mocinha percebe e tenta relaxar os nervos.


[Maria]: (calma) Eu só quero que você entenda que mesmo com ele ao meu lado, eu nunca vou te abandonar, entende? Eu entendo muito bem que ele foi um merda, mas eu quero mudar tudo. Eu queria unir a nossa família, mãe. (P) Eu exagerei falando nesse tom, vou indo antes que eu perca o brilho.


Maria se ajeita e sai de casa, Cristina olha para o nada. Ela pensa e repensa sobre sua história.


CENA 08: CASA DE DONA SÍLVIA | SALA | INT. | MANHÃ


Depois da morte de sua neta, a casa de dona Sílvia nunca mais foi a mesma. A idosa está sentada em seu sofá, deprimida e sozinha. Ela pega seu celular e procura uma pessoa em seus contatos, a pessoa em questão é sua irmã Josefa.


[Dona Sílvia]: (aflita) Acho que eu deveria avisar antes que seja tarde, estou achando que não vou resistir…


A senhora começa a ligar para sua irmã, depois de alguns segundos, ela liga. A Josefa está de óculos e com um vinho na mão.


[Josefa]: (alegre) Olá, minha irmã! Tudo bem? Faz tempo que tu não me liga, poxa!


[Josefa percebe o semblante triste de Sílvia, ela fica comovida]


[Josefa]: (preocupada) Tudo bem?


[Dona Sílvia]: Olha, é uma coisa muito complexa que tenho que falar… 


[Josefa]: Fala logo, mulher. Tá me deixando nervosa já!


[Dona Sílvia]: Sinto muita falta de você, espero que você volte antes de eu fazer alguma merda, certeza que se eu te falar, você nunca mais olha na minha cara, é algo difícil de se dizer. Apenas volte pro Brasil se puder, eu te amo muito


[Josefa]: Sílvia, o que você pretende fazer?


[Dona Sílvia]: Algo que toda mulher faz de melhor, uma vingança, uma confusão, uma desgraça. Eu quero justiça


[Josefa]: O que fizeram contigo para você querer se vingar? Sílvia, você tá me assustando!


[Dona Sílvia]: Eu te conto melhor quando você puder voltar, já disse que não tenho coragem de falar em chamada. Beijos, tchau


[Josefa]: (confusa) Mas Sil-


Dona Sílvia desliga a chamada na cara da irmã, a senhora respira fundo e passa a mão no próprio rosto, acariciando ele.


[Dona Sílvia]: Dias de guerra não é só com jovem não, tem cota pra velha também…


Alguém na porta chama pela senhora, ela abre e encontra Otávio.


[Otávio]: Eu vim aqui te visitar, está tudo bem contigo?


[Dona Sílvia]: Ah, tá o mesmo de sempre. Entre!


Otávio entra dentro da casa, Dona Sílvia e o jovem começam a conversar.


CENA 09: CASA DE JUAN | SALA | INT. | MANHÃ


Juan se ajeita enquanto manda mensagem no grupo “Internacionais” no Zip. Ele está entusiasmado.


[Juan]: Hoje eu me declaro, espero que saia exatamente como eu planejei. Estou confiante, vai dar certo!


Mostram-se cenas de flashback, são de todos os encontros que os dois personagens tiveram.


FLASHBACK:


Maria esbarra em Juan, eles se assustam.


[Juan]: ¡Ah, Chica! Olha por onde anda!


Maria e Juan se olham no fundo da alma, uma forte conexão é sentida naquele exato momento. Os personagens se estressam mas logo depois os nervos se acalmam. A sensação é de paz.


[Maria]: (envergonhada) Me desculpe! Eu realmente deveria ter prestado mais atenção… mais… 


Maria encara Juan de cima à baixo, analisando cada detalhe do seu corpo. A mulher se perde em seus pensamentos, um momento de confusão mental.


[Maria]: (encantada) Atenção…


FIM DO FLASHBACK


[Juan]: O destino já estava escrito para nós dois, eu senti isso naquela hora. Bom, agora vou indo completar esse caminho, vou fazer minha parte!


CENA 10: CASA DE NAYARA | SALA | INT. | MANHÃ


Nayara finalmente sai de seu quarto, Joana olha a performance debaixo das escadas. A vilã de Jão Feliz aparenta está calma e leve.


[Nayara]: (cantarolando) Amor, se for por seus carinhos, se for por seus beijinhos…


[Joana]: Ratazana do capeta.


[Nayara]: O que disse, querida?


[Joana]: Nada, vossa majestade.


[Nayara]: Ô, cê tenta fazer deboche não porque isso não cola contigo. Sabe no que você,  senhora Jô, é boa? Você é maravilhosa na cozinha, então vá lá lavar as louças que não lavei ontem e faça a comida você mesma. Aliás, se quiser eu posso fazer a comida, não confio nas mãos de uma retardada que não soube segurar uma arma para tentar me matar!


[Joana]: Já acabou? Não vou fazer nada que a senhora pediu, não sou empregada de ninguém, tá? Que isso fique bem claro, não seguirei ordens de uma ASSASSINA!


[Nayara]: (debochada, rindo) Oh, querida. Você tá muito rebelde pro meu gosto, minha filha! Agora volta pro seu quarto e se tranca lá enquanto escuta uns rocks pesados.


[Joana]: Vou sim, isso é bem melhor que ficar olhando para sua cara mal lavada!


Joana, enojada, silenciosamente se aproxima de Nayara.


[Joana]: Queria saber o que faz seu coração ser de pedra, o que te faz tão podre, o que você leva da vida sendo uma mulherzinha, uma garotinha doente, imatura, desumana. Eu realmente espero que um dia você consiga repensar suas atitudes, que tente reverter tudo de ruim que fez na sua vidinha miserável, mas claro, na cadeia. Isso se o dano que você fez for reversível.


Joana vai até o quarto sem olhar para trás, Nayara fica tocada e se zanga, por alguns segundos, se consegue ver uma pessoa e não um monstro. Holanda aparece por trás da vilã e lhe olha com curiosidade, ela fica confusa com a recaída da louca.


[Holanda]: Nayara, o que houve?


Nayara olha para trás, assustada e com medo.


[Nayara]: Eu preciso falar algo que Joana me fez repensar, um pecado no qual eu me arrependo amargamente. Mas eu não sei se devo contar para você e nem sei se alguém merece saber. (P) Talvez mais tarde você saiba.


Nayara sai de cena e vai até o quarto, Holanda fica parada no meio da sala, essa cena é vista de cima, um silêncio ensurdecedor que se torna desconfortável e insuportável.


Enquanto isso, no quarto de Nayara:


A mulher anda em círculos, ela pensa se deve ou não arriscar contar uma coisa muito importante da sua vida, uma coisa íntima que pode mudar a rota da relação entre ela,  Holanda e Joana. Depois de tanto pensar, ela toma uma decisão.


[Nayara]: (determinada) Agora é a hora, chegou o dia.


Nayara sai do seu quarto e vai até o de Holanda.


[Nayara]: Querida, se arruma porque vamos à praia!


[Holanda]: Você tá louca? Tá não, né? Sempre foi doida, mas eu não vou sair não!


[Nayara]: Linda, você não tem outra escolha. E não é pra só dar um tibum na água salgada, é para eu me sentir a vontade para contar uma coisa a vocês, olha, não me sinto bem falando disso aqui, dentro da nossa casa. Bem, espero você na sala! Vou chamar a Joana.


Nayara sai correndo e deixa Holanda confusa, interessada no que Nayara esconde.


[Holanda]: Ela parecia mais tensa que nunca, o que tem de tão grande nessa história?


CENA 11: PRAIA DE IPANEMA | EXT. | TARDE


Maria chega no famoso calçadão, no mesmo posto onde estão Juan, Martin e Pablo. Todos estão visivelmente felizes em se ver novamente, até o Pablo tá feliz em ver Maria, algo novo.


[Maria]: Beleza, será que vamos conseguir pelo menos respirar nessa multidão aqui?


[Juan]: Claro que vamos, não viemos aqui à toa. 


[Pablo]: Bem, acho que devemos procurar um lugar antes que essa praia fique mais cheia.


[Martin]: Vamos andando logo, tô ansioso pra sentar, andei bastante, tô cansado!


[Maria]: Calma gente! Vamos então…


Próximo deles, um trio de mulheres andam bem tensamente. Elas são Holanda, Joana e Nayara.


[Nayara]: Ai, acho que por aí ali é um bom lugar pra ficar, vamos!


[Joana]: CALMA MULHER, ESTAMOS ANDANDO SEM PARAR FAZ HORAS. NÃO AGUENTO MAIS


[Holanda]: VAMOS CORRER PRA PEGAR LOGO UM LUGAR BOM NESSA MALDITA PRAIA


Holanda, Joana e Nayara saem correndo pra ir ao posto. Após cansarem, ficam tontas, Nayara cambaleia e esbarra em uma mulher que quase cai no chão.


[Nayara]: Ô BIXINHO, Meu Deus! Mil perdões, meu amor!


Nayara recupera o fôlego e finalmente ver em quem esbarrou, ela congela, a mulher que foi esbarrada era Maria. Todos os personagens trocam olhares. Maria está calma, ela não entende nada.


[Maria]: (confusa) Você?


CONGELAMENTO EM MARIA


ENCERRAMENTO AO SOM DE “SOY LOCO POR TI, AMÉRICA” de IVETE SANGALO: