GATO & SAPATO - CAPÍTULO 29 (02/02/2026)


 GATO & SAPATO - CAPÍTULO 29 (ÚLTIMOS CAPÍTULOS)

criada e escrita por SINCERIDADE

CENA 01: CASA DE JANETE/INT./DIA

Alyra, Janete, Tina, Amélia, Alzira e Adelaide ainda se encontram na sala, todas chocadas com a morte de Violeta. De repente, alguém bate à porta. Amélia a abre e se depara com o policial, visto na cena anterior.

POLICIAL: Alyra Trajano está aí?

ALYRA (se levanta): Sou eu.

O policial entra, observando todas com atenção.

POLICIAL (mostrando o mandato): Senhora Alyra, a senhora está sendo presa temporariamente, suspeita de envolvimento na morte de Violeta da Paz Trajano.

INSTRUMENTAL: TENSO LEVE AA #3 - MU CARVALHO 

ALYRA (arregala os olhos): Presa?!

Todos se chocam.

POLICIAL (mostra a peruca rosa): Foi encontrado no jardim esse objeto, uma peruca rosa. Rúbia, a filha da vítima afirmou com toda convicção que ela pertence a você.

A câmera foca em Alyra, assustada, intercalando com todos os personagens em cena. Adelaide se desespera ao ver a filha passando por essa situação.

ALYRA (desesperada): Como assim? Que história é essa? Eu não tenho nada a ver com isso. 

JANETE: Pelo amor de Deus, seu polícia, a minha sobrinha é inocente!

POLICIAL: É melhor ninguém se meter. (pausa) Vem, você vai explicar essa história lá na delegacia, moça. 

ALYRA (chorando): Não, eu não vou!

ADELAIDE (se metendo): ELA NÃO VAI, VOCÊS NÃO VÃO LEVAR A ALYRA PRA LUGAR NENHUM!

JANETE: Vocês não vão levar minha sobrinha como se ela fosse uma criminosa! 

ALYRA: Eu não fiz nada… nada… isso é um engano, uma armadilha, eu não matei ninguém!

POLICIAL: A sua peruca diz o contrário. Vai negar que é sua?

ALYRA: Sim… sim, é minha, mas isso não significa nada!

Tina e Amélia tentam se aproximar.

TINA: Vocês vão se arrepender disso!

AMÉLIA: Isso é injustiça! SEUS IDIO- (Janete coloca a mão sobre a boca dela)

O segundo policial segura Alyra pelo braço.

ALYRA (gritando): NÃO! SOLTA! EU NÃO FIZ NADA!

Adelaide, se passando por Giulia Jolie, se agarra à filha.

ADELAIDE (aos prantos): Alyra, olha pra mim… olha pra mim… eu vou te tirar dessa, eu prometo! Isso não vai ficar assim. 

O policial consegue separar as duas. Alyra é puxada em direção à porta. Alyra fica pensativa sobre a fala de Adelaide, que cai sentada no sofá, em choque, chorando. Janete corre até a porta, mas já é tarde. Algemada, Alyra é colocada dentro do camburão, chorando muito. Adelaide leva a mão ao peito, respirando com dificuldade.

ADELAIDE (sussurrando, com ódio): Isso não vai ficar assim…

Na sala, todas choram, tentando encontrar uma saída.

JANETE: Isso é uma grande injustiça! Alyra não matou ninguém. Minha sobrinha é pura, nunca faria uma barbaridade dessas nem com a sua maior inimiga, a Violeta.

TINA: Quer dizer que a mulher explode dentro do próprio carro, aparece uma peruca jogada no jardim como se fosse figurino de escola de samba, e pronto: “ah, foi a Alyra”? Conta outra! Eu nasci à noite, mas não foi ontem, não!

JANETE (tentando acalmar): Tina, pelo amor de Deus…

TINA (apontando o dedo, sem paciência): Pelo amor de Deus nada, mãe! Isso aí é obra daquele capeta de terno que se chama Rafael! Foi ele, eu tenho certeza! (pausa) Pois eu vou lá agora mesmo dar o que aquele songomongo merece, ah se vou!

AMÉLIA (tentando acalmá-la): Tina, onde é que você vai? Tá ficando louca?

JANETE (chorando): Tina, minha filha, por favor… a Alyra tá presa, a gente tem que pensar direito…

TINA (mais firme ainda): Justamente por isso, mãe! Enquanto a Alyra tá lá, atrás das grades, pagando por um crime que não cometeu, aquele capeta tá lá na mansão, tomando uísque caro e pensando no seu próximo passo. Eu não aceito isso! Não engulo injustiça nem com água!

Ela aponta pra porta, decidida.

TINA: Esse tipo de homem só treme quando alguém bate de frente. E hoje quem vai bater sou eu.

Decidida, Tina bate à porta com força, saindo em direção a área exterior.

AMÉLIA (tentando impedir): Não! Tina volta aqui! (pausa) Ai, gente, se mexam! Eu não posso ir com ela, ele vai me reconhecer!!!

JANETE: Deixa, filha… ele não vai fazer nada com a sua irmã. 

CENA 02: MANSÃO TRAJANO/INT./DIA

Rúbia se encontra deitada em sua cama, depressiva. Rafael se aproxima e começa a alisar seus cabelos com as mãos.

RAFAEL (voz mansa, falso):Eu sei que tá doendo… perder uma mãe assim, de repente…
(pausa, suspira como se estivesse sofrendo) Se eu pudesse, amor, tomava essa dor pra mim. Juro.

Rúbia vira o rosto, fragilizada.

RÚBIA (fraca): Eu ainda escuto o barulho da explosão… toda vez que fecho o olho…

RAFAEL: Isso vai passar. Mas sabe o que não pode passar? A injustiça. (pausa, venenoso) Sua mãe foi assassinada. E quem fez isso precisa pagar.

RÚBIA: A Alyra… Eu nunca achei que ela fosse capaz… desgraçada… conseguiu acabar com a única pessoa que me amava de verdade…

RAFAEL (sussurrando): Agora é você e eu contra o mundo, meu amor. Eu vou te proteger e vou proteger nosso filho. A Alyra já causou estrago demais nessa família. E ela vai pagar. Ah, se vai!

De repente, ouve-se batidas fortes na porta principal. 

INSTRUMENTAL: SUSPFREUD - MU CARVALHO 

TINA (off, berrando): RAFAEEEEL! APARECE, SEU CAPETA DE TERNINHO!

Rúbia se assusta, senta na cama.

RÚBIA: Mas que gritaria é essa?!

Rafael se levanta, tenso.

RAFAEL: Que absurdo… 

Eles correm até o segundo andar, enquanto Tina continua esmurrando a porta. Rafael abre e recebe um tapa na cara de Tina.

TINA: DESGRAÇADO!!

RAFAEL: Você enlouqueceu?

RÚBIA: Quem é você?

TINA: QUEM SOU EU? ISSO NÃO IMPORTA AGORA! EU VIM ACERTAR AS CONTAS COM VOCÊ, RAFAEL! 

Tina avança mais um passo para dentro, sem nenhum medo. Rafael leva a mão ao rosto, incrédulo, ainda sentindo o tapa.

RAFAEL (tentando manter a pose): Você acabou de me agredir dentro da minha própria casa. Isso é invasão, agressão e loucura pura. Eu vou te denunciar agora!

TINA (rindo nervoso, irônica): Ah, então agora você virou cidadão exemplar? Porque até onde eu sei, quem explode carro da sogra não costuma reclamar de tapa na cara!

Rúbia fica paralisada, confusa, olhando de um para o outro.

RÚBIA: Como é que é?! Do que essa mulher tá falando, Rafael?

RAFAEL: Ela tá completamente fora de si, Rúbia. Essa gente da Alyra sempre foi assim… exagerada, agressiva, sem limite.

Tina aponta o dedo na cara dele, tremendo de raiva.

TINA: NÃO COLOCA A ALYRA NO MEIO DA SUA SUJEIRA! Ela tá presa por sua causa, seu canalha! Você armou tudo direitinho.

Rúbia engole seco.

RÚBIA (abalada): Você tá dizendo que o Rafael matou a minha mãe?

Silêncio pesado. Rafael encara Tina com ódio.

RAFAEL (frio): Meça suas palavras! Acusar alguém assim sem prova é crime.

TINA: Crime é o que você fez e ainda tá fazendo agora, manipulando essa menina como se fosse um joguinho de tabuleiro! Acorda, Rúbia! Você perdeu a mãe, mas se continuar do lado desse aí vai perder tudo… até você mesma!

Rúbia começa a chorar, confusa.

RÚBIA: PARA! PARA COM ISSO! Minha cabeça já tá um caos… eu não aguento mais!

Rúbia sobe a escada, chorando litros. Rafael perde o controle com Tina.

RAFAEL (gritando): SAI DAQUI AGORA!

Tina não recua.

TINA: Não saio enquanto você não parar de fingir que é santo! Você pode enganar o juiz, a polícia, o papa, a Cinderela, mas eu não! (antes de sair, sem olhar pra trás) A Alyra não vai cair sozinha. E você, Rafael… pode até ganhar agora, mas final feliz não é pra vilão.

Tina dá as costas, séria, e vai embora. Focamos no rosto de Rafael, furioso.

HORAS DEPOIS

CENA 03: PRESÍDIO/INT./TARDE

INSTRUMENTAL: SUPERTENSA 90 GRAUS - MU CARVALHO 

A câmera mostra o corredor da carceragem. Detentas gritam e batem nas grades a todo momento. No fim do corredor, surge Alyra, algemada, sendo guiada por uma carcereira até seu destino final. Alyra, abalada, tenta manter a postura, mas o medo fala mais alto.

CARCEREIRA (abrindo a cela, depois tira a algema de Alyra): É aqui. Se comporta.

Alyra entra, respira fundo e olha ao redor. A cela é simples. No fundo, sentada numa cama beliche, está uma detenta forte, tatuada, mascando chiclete com deboche. Ela observa Alyra dos pés à cabeça.

A detenta se levanta devagar.

DETENTA (se aproxima): Olha só… carne nova.

A câmera foca em Alyra, tensa.

CONGELAMENTO EM ALYRA.

ENCERRAMENTO: 








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