VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 12

 VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 12


criada e escrita por SINCE, FAFÁ, NOVELEX e LARICE


(CENA 01: POUSADA/QUARTO DE LARICA/INT./NOITE)


Maria de Fafá: Meu pai… ele morreu.


Larica se mantém calada por alguns segundos, a ficha não caiu, ela entra em estado de choque.


Larica (chocada): O Cubinho… morto?


Larica olha fixamente para sua filha, seus olhos estão arregalados. A mulher ainda tenta distinguir o que Maria de Fafá acabou de falar.


Larica: Não, não é possível!


Maria de Fafá: Como você já deve saber, ele sofreu um infarto. (com a voz embargada) Papai não resistiu… 


Larica: Mas o Cubinho era tão saudável… CERTEZA QUE FOI CULPA DO CIGARRO! CIGARRO MALDITO, EU AVISEI PRA ELE PARAR! Eu não posso acreditar!


Maria de Fafá: Seja lá o que for, eu vim até aqui somente para te dar essa notícia. Preciso ir agora.


Larica: Espera! Você não sente nada em relação a isso tudo? Não consegue sentir nem um pingo de remorso?


Maria de Fafá: Remorso? Ah, por favor, me poupe! Eu não vou cair nessa chantagem emocional barata. Quer me fazer ficar triste? Quer me fazer desistir de conquistar os meus sonhos?


Larica: Não, eu só quero te fazer enxergar.


Maria de Fafá (cortando): Logo você? Eu não preciso da sua ajuda, muito menos dos seus conselhos. Eu sinto muito que tudo tenha acontecido dessa forma, sinto mesmo! Mas o que eu posso fazer, não quiseram ficar do meu lado.


Maria de Fafá vira as costas e sai dali rapidamente. Larica da Paz se emociona com as palavras de Maria de Fafá e acaba desmaiando. Ivanlac surge, e desesperado, tenta acordar a amada a todo custo. Corte. No próximo take, a mãe de Fafá e Nô já está mais calma, encostada no colo de Ivanlac e com um copo d'água na mão.


Larica (triste): Me diz, por favor, que tudo o que aconteceu foi um pesadelo horripilante, e que nada disso aconteceu.


Ivanlac: Oh meu amor, eu gostaria muito te dizer isso, mas infelizmente…


Larica (desabando em choro): Oh, Ivanlac. O Cubinho não merecia um fim desse. Apesar de seus problemas, era um bom homem, tinha o sonho de tocar internacionalmente. Eu tô devastada. Nem quero imaginar como vai ser o velório, meu Deus, que tragédia! Oh my god!


Ivanlac: Não pensa nisso agora, toma a água e se acalma. Nós vamos voltar pro Rio hoje. Não tem mais o que possamos fazer aqui.


Larica: Eu não sei o que seria de mim sem o seu apoio, num momento como esse…


Ivanlac: Você sabe que além de ser seu namorado eu sou seu companheiro, pro que der e vier.


Larica: Eu já disse que me amo? Não falei comigo.


Ivanlac escuta errado, ele fica confuso


Ivanlac: Você nunca disse que me ama, mas pode dizer agora.


Larica (forte sotaque do interior acreano) : Ué desgraça, deixa de ser tarado, cabeça de pocã.


Ivanlac cai na gargalhadas e Larica fica vermelha de vergonha.


(CENA 02: CASA DE DONA BUCÊ/INT./NOITE)


Viktney escuta batidas na porta e atende, ela se depara com Vibel. Os olhos do rapaz brilham, enquanto ela faz uma expressão de desinteresse.


Vibel: Vikzinha, meu bem. Eu queria conversar com você.


Viktney: O que você quer, Vibel? A nossa última conversa não foi muito agradável, você sabe muito bem. E eu estou cheia de coisa pra fazer. Então, por favor, seja breve.


Vibel: Eu sei muito bem que não fui muito sutil, mas eu queria que você entendesse, eu não sou muito bom com as palavras, mas tenho coisas a dizer. Enfim, vou parar de falar e te mostrar.


Vibel puxa a porquinha de trás das costas e mostra para Vikitney. 


Vikitney: Meu Deus, Vibel! Que lindinha! Você está me dando ela?


Vibel: É claro! O nome dela é Dantezinha.


Vikitney: Ainda veio amarrada num lacinho, só porque sou garota coquete. Ain, Vibel, muito obrigada. Acho que fui dura demais com você.


Vibel: Você não viu nada do que é duro ainda 😏.


Viktney: Eita… Ué, mas como você encontrou ela?


Vibel: Então, foi no caminho de vinda pra cá.


Viktney: Que? Como assim? Você roubou ela?


(FLASHBACK: RUA/NOITE)


Vibel caminha pela rua, ele escuta sons estranhos vindo da caçamba de lixo.


Vibel (pensando): Ué? Virei esquizo? Eu tô escutando coisas, me sinto perseguido. Ai meu Deus, vão me matar!


O homem se vira e tenta se defender do que é desconhecido, ele luta e acerta ninguém. Ele respira um pouco e continua o seu trajeto.


Vibel: Nossa, bizarro.


Vibel se distrai, tropeça e cai no chão, ele se enfurece e olha o que lhe causou o tropeço. O que causou a sua queda foi uma porca.


Porquinha Danta (sendo porca): Ronc Ronc!


Vibel: Nossa, de quem esse bicho é? É macho ou fêmea? Meu Deus, a Vikzinha vai amar esse bichinho!


Vibel pega a porca e olha em seus olhos, o rapaz sente seu coração derreter.


Vibel: É coisa do destino, a partir de hoje, eu sou seu pai. Eu te batizo como Porquinha Danta.


(FIM DO FLASHBACK)


Viktney: Você é meio doido, não acha? Mas muito obrigada pela porca, Vibel… Eu fico até sem palavras por essa atitude, fico sem jeito.


Vibel: Ah, que nada. É isso que um homem deve fazer a uma mulher, não acha?


Viktney: Sim sim, você é um macho de verdade. Você quer algo em troca disso?


Vibel: Só um pedido mesmo, queria que você pudesse…


Viktney: Pudesse o quê?


Vibel (gaguejando): S-s-sair…


Vibel tosse tuberculosamente demais e Viktney bate em sua nuca, o tapa é tão forte que o homem cai no chão. A mulher coloca as mãos na boca e depois grita.


Viktney: VIBEL! Meu Deus, me desculpe!


Vibel (dolorido): Tudo bem, não senti nada! Foi só um tombo


Viktney: Me desculpe de verdade! Eu realmente não-


Vibel (cortando): Você quer sair comigo?


O silêncio predomina, Vibel fica vermelho e Viktney pensa. Ela ajuda a levanta o rapaz.


Viktney: Era isso que você queria dizer? Claro que sim! Mas olhe só, apenas quando eu tiver tempo, tá? Não me apresse nem nada, por favor.


Vibel: Claro que sim, princesa. Ô, prometo que volto para te ajudar a cuidar da Danta!


Porquinha Danta: Ronc Ronc


Vibel: Claro, filha. Eu volto pra te ver sempre!


Viktney (preocupada): Que bom, Vibel. Mas você vai ir sozinho? Tem certeza?


Vibel: Não precisa se preocupar, não tem perigo nenhum me esperando, não é? Enfim, tchau


Viktney: Agradeço de novo, Vibel. Sou muito grata a você


Viktney beija a bochecha de Vibel, o rapaz sorri e se despede. A câmera mostra Dona Bucê como um espírito obsessor, ela viu a cena inteira.


Dona Bucê: Vagabunda.


Viktney (assustada): AII! MEU DEUS, BUCÊ! TÁ REPREENDIDO!


Dona Bucê cai na gargalhada e Viktney se enfurece, a Bucê se joga no sofá enquanto morre de rir.

 

SONOPLASTIA: ISTO AQUI O QUE É - CAETANO VELOSO


Um novo dia amanhece, intercalando imagens entre a capital fluminense e a praiana Angra dos Reis.


(CENA 03: AEROPORTO DE ANGRA/PISTA/MANHÃ)


Prefeita Aurélio se prepara para viajar, suas malas estão dispostas ao seu lado, sendo uma delas idêntica a outra que Rodnato, de óculos escuros, segura.


Prefeita Aurélio: Então quer dizer que o tal do seu amigo artista não vem? Foi aquele que teve um infarto ontem à noite?


Rodnato (abatido): Ele mesmo, infelizmente não resistiu… Daqui eu vou direto pro velório.


A voz de Rodnato falha e Prefeita revira os olhos, entediado. 


Rodnato: Eu até te devolveria essa mala agora, mas as coisas dele ainda estão aqui, tenho que entregar a família dele.


Prefeita Aurélio: Por mim, pode jogar essa porcaria no lixo. É apenas uma mala do Paraguai, comprei na lua de mel do meu casamento com a Raquelzinha, não quero lembranças desses tempos sombrios. Dessa aqui eu também vou me livrar…


Diz Prefeita apontando para a mala gêmea disposta ao seu lado. No horizonte, Raquel surge andando na direção dos dois.


Prefeita Aurélio: Ai, ninguém merece!


Raquel: Bom dia, benzinho! Ia viajar sem se despedir de mim?


Prefeita Aurélio: Tá muito calminha para quem aprontou aquele barraco na festa ontem.


Raquel: Só estou decidida! Apenas vim te avisar que, quando você voltar de viagem, temos um compromisso.


Prefeita Aurélio (confuso): Compromisso? Eu não estou lembrado de nenhum compromisso, não!


Raquel: Você não sabe ainda, querido! É a assinatura do nosso divórcio. E como nos casamos em comunhão parcial de bens, e você era um pé rapado quando nos casamos, tenho direito a metade do que é seu. Aproveite!


Prefeita Aurélio: Ah, mas não vai mesmo! Eu provo que você é uma cachaceira ridícula. 


Raquel: Eu não quero que você fale desse jeito comigo, não aguento mais escutar a sua voz e ver a sua boca abrir apenas para falar coisas fúteis!


Prefeita Aurélio: De que jeito, “cachaceira”?


Raquel: Ah não, agora chega!


Raquel parte para cima do homem, o derrubando no chão, Rodnato tenta apartar a briga e a tira de cima de Prefeita. Raquel não se contenta, pega a mala de Rodnato e bate na cabeça de Prefeita com a mala, depois a jogando em cima da outra. Rodnato finalmente consegue contê-la, enquanto a testa de Prefeita jorra sangue.


Prefeita Aurélio: Você é uma bêbada histérica! MALUCA!


Raquel: E isso fica como um aviso, não se meta mais comigo. Deve ser por isso que o Chucas tem medo de está com você, você é um machista, um homem podre! Queria eu que ele não fosse seu filho, que ele fosse um bastardo, assim seria melhor do que ser filho seu, ter seu sangue podre, esse sangue desgraçado! A vida ainda vai te ensinar muitas coisas, o karma vem. Você vai se arrepender de tudo que fez e vai fazer, ingrato.


Raquel sai, furiosa. Prefeita se levanta do chão e pega a mala, que a mulher jogou na sua cabeça, e o restante das outras.


Prefeita Aurélio: Vou indo antes que aconteça outro infortúnio comigo. Até mais, priminho!


Prefeita Aurélio carrega suas malas para dentro do jatinho, e senta no banco, esperando a partida.


Prefeita Aurélio: Até mais, país miserável!


ABERTURA 




VINHETA DE INTERVALO (VOLTA):


(CENA 04: HOTEL/QUARTO DE FRÉGIS/INT./MANHÃ)


Nô observa a praia pela janela, enquanto Frégis arruma suas malas para voltar para sua casa.


Nô: Por mim a gente ficava mais um tempo aqui, Angra é tão… Chique, classuda. Amo praias de gente rica!


Frégis: Você fala como se frequentasse todas, né?


Nô: Ai, não enche! Vou ver com a Sin se a gente não tira umas fotinhos na beira do mar antes de irmos embora, para postar no meu perfil.


Frégis: E a sua irmã, cadê-la?


Nô: Cadela é a sua mãe! Ela está no enterro daquele pianista mequetrefe que infartou, não sabia que a Fafá era tão emotiva assim. Espero que não apareça nenhum gay lá porque vai ser o maior perrengue


Frégis: Eu ouvi vocês falando ontem, na mesa, que ele era pai dela, algo assim…


Nô: Pai? A Fafá filha de um pianista fudido daqueles? Acho que você está alucinando, mô!


Frégis: Sério? Ai então me passei, vixi rapá.


Sin entra no quarto, sem cerimônia, interrompendo a conversa dos dois.


Nô: Mas que mal educada! Sua mãe não te ensinou a bater na porta, não? E se estivéssemos pelados?


Sin: Grandes coisas, honey! Nada do que eu já não tenha visto…


Diz Sin, mordendo os lábios enquanto olha para Frégis. Nô fica chocada com a audácia


Nô (debochando): Você queria me ver pelada? Vou dançar pelada aqui na sua frente para você ver um negócio…


Sin: Honey, eu não quero ver documentário da floresta amazônica não. Eu queria algo mais clean, sabe? Deixa essas coisas para a mãe natureza


Nô: Ah, pois pelo visto você se importa demais com a natureza. É de natureza que você precisa? POIS AQUI A NATUREZA.


Nô pega um vaso de planta, pega a terra na mão e começa a jogar em Sin, a mulher se desespera e Frégis começa a rir, depois de gargalhar, o homem padrão começa a tentar interferir no ataque de Nô.


Sin: Você é retardada, garota?


Nô: Eu te dei o que deseja, nada mais além disso. Vai pedir ajuda pro MEU homem aqui? NÃO VAI PORQUE EU NÃO DEIXO ELE FAZER ISSO!


Frégis: Venha aqui, Sin-


Nô (cortando): NÃO VAI FALAR COM ELA NÃO, AQUI ELA NÃO FICA. SAIA DAQUI, VAI, VAI!


Sin: Amor, nós se vemos depois tá? Se vemos na cama. E você, Nô, nos vemos na praia para o ensaio.


Sin sai do quarto, deixando a cena. Nô, uma mulher histérica, pega um facão na cozinha e joga na porta.


Nô: Enfim, vou ter que tirar minhas fotos do mesmo jeito…


(CENA 05: CEMITÉRIO/INT./DIA)


A procissão com o caixão de Cubinho segue até o seu túmulo, onde o falecido é enterrado. As pessoas se reúnem em volta da cova enquanto o padre faz uma reflexão. Larica, abraçada em Ivanlac, chora nos braços do seu amado incessantemente. Rodnato, com os olhos inchados de tanto chorar, se ajoelha, desesperado. 


Rodnato: Eu nunca mais vou sentir ele dentro de mim 😭👰


Padre: Queridos irmãos e irmãs…


Mulher: Irmões e irmxs também gente, cadê a inclusão nessa bodega?


Padre (continuando): Hoje nos despedimos de Cubinho, um homem com um nome exótico, mas com a alma plena. A sua missão na terra foi cumprida de maneira abrupta, mas no céu o tempo não existe e eu tenho certeza de que Cubinho descansa nos braços de Deus.


Larica (chorando, com um cigarro nas mãos): Eu falei pra ele parar de fumar! Eu falei! 


De longe, Maria de Fafá observa tudo atrás de uma árvore. O Padre continua falando, a filha de Cubinho não esboça nenhum sentimento, ela se mantém fria enquanto todos do cemitério se lamentam. O caixão é colocado na cova e enterrado pelos coveiros em seguida. A câmera se afasta lentamente do local, mostrando do alto a multidão se retirando dali. Na saída do local, Rodnato aborda Larica e Ivanlac.


Rodnato: Bom dia! Meus sentimentos a vocês! Você é a Larica, não é?


Larica: Sim, eu mesma! E você era o peguete do Cubinho, né? Peguete, namorado, noivo, marido, sei lá eu!


Rodnato: Sim, vamos falar “amigos”. Acho mais correto.


Larica: Amizade colorida? Acho bem moderno, amo!


Rodnato: Bom, indo direto ao assunto. Cubinho já tinha comentado algumas vezes comigo que vocês tiveram uma filha juntos, não é?


Larica: Sim sim, mas ela não pôde vir, uma situação complicada… Enfim, do que se trata?


Rodnato: É que, bem, ela é a única herdeira, e eu estou com todas as coisinhas dele…


A voz de Rodnato falha mais uma vez e ele abaixa a cabeça. Larica e Ivanlac se entreolham, constrangidos, enquanto o homem se recompõe.


Rodnato: Enfim, coisas que pertencem a filha de vocês, por direito. Teria como a gente ir para outro lugar, para conversar melhor?


Larica: Sim, vamos para a minha casa. Assim tomamos um cafézinho e conversamos melhor.


Rodnato: Então vamos!


(CENA 06: CASA DE BUCÊ/INT./MANHÃ)


Larica coa o café num tecido com a logo da Calvin Klein estampada. Ivanlac fica pensativo enquanto vê a cena.


Ivanlac: Esse coador é igualzinho a uma cueca que eu perdi no meu guarda-roupas…


Larica: Impressão sua, more!


Rodnato entra na casa, carregando uma mala e uma ecobag cheia de coisas. Ele bota em cima da mesa.


Rodnato: Essas são algumas coisas que ele deixou. As que estavam comigo, no caso… E essa era a mala que ele tava levado para Nova York. Eu dei uma olhada, tinha algumas roupas, partituras e três caixas de cigarro com um isqueiro. E essa é a chave da casa dele.


Rodnato entrega o chaveiro para Larica.


Larica: Muito obrigada, moço! Agradeço por tudo, você que está sofrendo mais com essa perda.


Rodnato: Nada! Ver as coisinhas dele, assim… Isso, aqui, ele amava isso!


Rodnato pega uma caixinha que estava na sacola e entrega a Larica. A mulher abre e se depara com um consolo com as cores do arco-íris em degradê. Rodnato se emociona, Larica apenas fecha a caixa e devolve para a sacola.


Larica: Bom, acho que vou deixar para que minha filha veja o que tem aqui, né? Afinal, ela é a dona disso tudo. Mais uma vez, obrigada! Vejo que você amava muito o Cubinho…


Rodnato: Ainda amo… A ficha ainda não caiu. Acho melhor ir para casa. Vou me trancar no quarto e botar o Ultraviolence em looping no volume máximo enquanto choro. Até mais!


Larica e Ivanlac: Até!


Rodnato se retira, cabisbaixo. Larica pega a mala e a sacola e leva para o seu quarto, botando os objetos embaixo da cama.


Larica: Tudo vai ficar bem guardadinho aqui, enquanto a Maria de Fafá não vem buscar. 


Ivanlac: Você nem ofereceu o cafézinho pro homem.


Larica: Amo, assim sobra mais para nós!


Os dois correm até a cozinha, para tomar o café. Dona Bucê brota no corredor, andando a passos silenciosos para ninguém a notar. Ela entra no quarto de Larica, se agacha, e pega a caixinha do consolo nas coisas de Cubinho.


Dona Bucê: Acho que a mocinha não vai sentir falta dessa preciosidade.


Ela volta para o seu quarto, de fininho, e se tranca no cômodo.


(CENA 07: MANSÃO ROITMAN/INT./TARDE)


Tia Tolyna coça sua bunda e cheira, de repente seu telefone começa a tocar sem parar. 


Tia Tolyna: Ai que encheção de saco! Logo agora que eu tava vendo umas fotinhas daquele gostoso…


Sem vontade alguma, ela atende o telefone e solta um peido antes de começar a falar.


Tia Tolyna: Alô…?


Taís Roitman (voz): Ai… ui… desse jeito não, Ricardinho, quero fazer aquela outra posição… tá vendo? O seu amiguinho sabe muito mais do que você… Ai, isso, vai, ui, ahh. Ah, oi, Tolyna, minha irmãzinha querida.  Mil perdões por isso, é que estou numa festinha aqui em Paris. 


Tia Tolyna: Taís? Você me ligando uma hora dessas? Você não me faz uma ligação já tem dez meses!


Taís (voz): E desde quando você precisa de uma ligação minha, meu bem? Acho que só a problemática da minha filha já preenche a minha ausência.


Tia Tolyna: Não fale assim da Raquel! 


Taís (voz): Olha, eu não te liguei pra falar de ninguém, muito menos da bebum. O negócio é o seguinte, querida: irei retornar ao Brasil o quanto antes. Quando você menos imaginar, estarei pousando no heliponto da LCA. Bye. AHHHHH, ISSO VAI- 


Antes mesmo que Tolyna possa falar algo, Taís finaliza a ligação. 


Tia Tolyna: Que doideira… pelo menos agora eu posso ir pro quarto fazer aquelas coisinhas….


Sem tia Tolyna perceber, Susuana aparece atrás dela feito um espírito obsessor.


Susuana: Que coisinhas, dona Tolyna?


Tia Tolyna (assutada): SUA PESTE, QUASE ME MATA DO CORAÇÃO! 


Susuana: Você vai me bater?


Tia Tolyna: Mania feia de ficar atrás dos outros feito uma múmia paralítica. Vai lá lavar as roupas fedidas do Lucas e me deixa em paz!


Estressada, Tia Tolyna sobe as escadas rapidamente e Susuana fica parada no meio da sala, pensartiva.


Susuana (pensando): Eu ainda vou descobrir que coisinhas são essas que ela faz dentro do quarto, e vou ter essa puta nas minhas mãos.


(CENA 08: PRAIA/EXT./TARDE)


SONOPLASTIA: NOTHING BREAKS LIKE A HEART - MILEY CYRUS


Nô se prepara para o ensaio de fotos, ela começa a olhar a vista do mar e admira.


Nô: Cadê a desgraça daquela roupa maldita? Aliás, esse mar estava bonito, mas agora essa água azul maldita está me dando uns nervos. SERÁ QUE NÃO TEM COMO APRESSAR AS FOTOS, POR FAVOR?


Sin tenta não perder o brilho, ela pega uma caixa com a roupa que Nô deverá usar.


Sin: Calma, Darling! Vamos tirar agora, mas primeiro olhe para essa roupa baladeira que arrumei para essa foto que abalará o Brasil todo!


Sin abre a caixa e mostra a roupa para Nô. Trata-se de um vestido vermelho com cauda redonda, detalhes fechados e o decote com alça. A modelo olha com nojo para a roupa e sorri, sarcástica.


Nô (falsa): Olha, Sin. Eu admiro muito seu trabalho, gosto muito de você, acho você incrível, uma mulher delicada, habilidosa, linda, empoderada, dona de si e dos outros, uma verdadeira princesa, sabe?


Sin: Já acabou, Jéssica? Pede logo o que você quer-


Nô (cortando, séria): Troca.


Sin: Excuse me? Trocar o que?


Nô: Essa roupa, troque agora! Esse vestido é horrível, medonho! Você acha o quê? Que eu vou usar isso logo aqui, em Angra? Uma cidade praiana e eu vestindo esse lixo de vestido fechado? Você acha que estamos no século passado pra eu vestir essa bosta?


Sin: É assim que você age em ambiente de trabalho, querida? Aliás, não vou trocar essa porcaria nem que você pague. Eu dei minha vida para encontrar algo que abalaria a todos, então você vai aceitar essa roupa, me escutou? Agora toma, toma toma. Pega logo essa roupa e vista-se, darling. Let's Go!


Nô: Você está aqui para me servir, eu pago pelos seus serviços! Pouco me importa se você está cansada, faça agora! EU TÔ MANDANDO!


Sin: E eu recebo pouco para te aturar.


Nô: O QUE VOCÊ FALOU? REPETE, REPETE O QUE VOCÊ FALOU!!! REPITA


Sin: Honey, é isso mesmo que você ouviu. Não preciso ficar aturando patricinha mimada, meu bem. Quer fazer seus chiliques? Saia da agência!


Nô: OLHA AQUI, Ô SUA VAGABUNDA-


Nô é interrompida por um som de tiro vindo de perto. As mulheres se calam  


Nô: Isso foi um peido?


Sin começa a gritar de desespero.


Sin: MEU DEUS É TIROOOO, CORRAM! LET'S DANCE, HONEY!


Nô: AIN SOCORRO GENTE SE ABAIXA!


Sin: Wow, nem no leito de morte você para de ser histérica, anta histérica.


Um tiro acaba passando a milímetros de Nô, que também se desespera e começa a correr. 🏃‍♀️ 


A cena fica em câmera lenta, um drama começa a surgir, a bala atravessa de raspão, fazendo com que um fio de cabelo de Nô fosse cortado. As respirações aumentam, todos ofegantes.


Nô (ofegante): PLEASE LORD, ME FAÇA UM FAVOR! QUE ESSA BALA PERDIDA ACERTE BEM NA BUCETA DAQUELA PROSTITUTA QUE NÃO SABE ESCOLHER UMA ROLA- OPA, ROUPA! SE BEM QUE NEM ROLA, NÉ!


Nô e Sin se encaram. Elas, olhando uma nos olhos da outra, começam a rezar.


Sin: Holly molly of Jesus, rogai for us my God, please, God, please. Ain help my Lord ain help.


O instrumental cresce, todos ficam em choque. Eu tô babada, tô gag, dizia Nô. 


CONGELAMENTO EM SIN.


ENCERRAMENTO: