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A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 07 (14/10/2026)

 


 A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 07


escrita por 

SINCERIDADE


UM DIA DEPOIS…


CENA 01: AVENIDA/EXT./DIA


INSTRUMENTAL: Se Esqueceram do Fred - Alexandre de Faria 


O carro surge do outro lado da curva, cada vez mais rápido. Um entregador atravessa a rua e, ao ver o veículo desgovernado, abandona a bicicleta na calçada e se joga pra trás.


MELINA: MISERICÓRDIA, O IRINEU VAI MATAR OS PEDESTRES!


Gael corre até a esquina e vê o carro descendo em direção a uma pequena feira montada na calçada. Dois feirantes conversam distraídos ao lado de caixas de frutas. 


GAEL: Ô MOÇO, DÁ O FORA DAÍ!


O feirante se vira. Seus olhos se arregalam ao ver o carro avançando.


FEIRANTE: MINHA FEIRA!


MELINA: AS BANANAS, MEU DEUS, AS BANANAS!


Ao alcançar a esquina, eles vêm Irineu desviar de um automóvel estacionado e subir parcialmente na calçada. Um homem que saía de uma farmácia recua assustado. 

O carro continua descendo, até que uma das rodas dianteiras atinge um monte de areia deixado por uma pequena obra na calçada. O veículo perde velocidade, atravessa a areia e para com uma sacudida contra uma barreira de madeira, sem atingir ninguém. Por alguns segundos, Melina e Gael ficam imóveis, tentando recuperar o fôlego.


MELINA: Uh…


GAEL: Meu Deus, que dia…


MELINA (se aproximando do carro): Irineuzinho, quase que você causa um apocalipse nessa cidade hoje… ai, a minha tia vai me esfolar viva!


PEDESTRE: Esse carro é de vocês? 


MELINA: É meu. Quer dizer, é da minha tia.


PEDESTRE: Misericórdia, como foi que chegou nessa situação? 


MELINA: Eu esqueci de puxar o freio de mão, senhor! Me perdoa!


PEDESTRE: Eu tô falando é do carro. Parece que saiu da idade média…


Melina encara o pedestre, sem graça, que se retira. Gael balança a cabeça.


GAEL: Você tem noção do perigo que isso foi? Alguém poderia ter morrido.


MELINA: Mas não morreu! Vamos trabalhar com os fatos. (P) Ai, fico pensando como a gente vai retirar esse carro daqui agora… a minha tia vai me arrancar os cabelos.


GAEL: Você é sempre assim?


MELINA: Assim como?


GAEL: Desse jeito!


MELINA: Olha, moço, eu não sei quem você é, não sei de onde você veio e, sinceramente, neste momento, não tenho a menor condição emocional de discutir, tá? Eu tenho uma cobrança pra fazer, um carro pra consertar e uma tia que vai arrancar meus dois braços quando souber disso.


Ela olha para o Irineu, encostado na calçada.


MELINA: E você, seu traidor, vai ficar sem gasolina até aprender a se comportar!


GAEL (rindo): Você é engraçada… qual o seu nome?


MELINA: Melina. E o seu?


GAEL: Gael. 


MELINA (estendendo a mão): Prazer, Gael, me desculpe pelo episódio de hoje. Prometo que o próximo será indicado ao Oscar. Eu nem sei como te agradecer. Sério. Se você não tivesse corrido atrás do carro, eu não sei o que teria acontecido.


GAEL: Bom, pelo menos você não vai precisar de um advogado. Por enquanto.


MELINA: Não brinca com isso! Eu já tô vendo a minha tia me recebendo na porta de casa com uma pá na mão.


GAEL: Sua tia é tão assustadora assim?


MELINA: Eu não duvidaria. 


Gael ri. Melina também acaba rindo, aliviada. De repente, ela dá um passo à frente e o abraça espontaneamente.


MELINA: Obrigada! De verdade!


Gael fica surpreso por um instante, mas corresponde ao abraço, sorrindo.

É nesse momento que um caminhão se aproxima e reduz a velocidade ao reconhecer Melina na calçada.

Ao volante está José Augusto. Ele olha para a frente, depois para o lado, tentando entender o que vê. Ele olha para Irineu parado junto à barreira, as caixas espalhadas e, por fim, Melina abraçada a um homem desconhecido. Seu sorriso desmancha rapidamente. 


JOSÉ AUGUSTO: Melina?


Ele estaciona o caminhão e mais à frente, puxa o freio de mão e desce apressado.


JOSÉ AUGUSTO (se aproximando): Melina!


Melina se solta de Gael imediatamente.


MELINA (surpresa): José? Amor você não sabe o que aconteceu… 


JOSÉ AUGUSTO: Quem é esse cara? Tá abraçando ele por quê? 


MELINA: Amor, se acalma…


JOSÉ AUGUSTO: Me acalmar como? Eu penso que a minha noiva tá em casa, trabalhando, e na verdade ela tá no meio de uma avenida movimentada abraçada com outro homem… 


GAEL: Não se preocupe, rapaz. Eu nem conheço ela. Apenas passava por aqui quando a lata velha que ela chama de carro decidiu morrer no meio da pista- 


MELINA: Pode deixar que eu conto o resto! Eu esqueci o freio de mão do Irineu, amor! Esqueci! O Irineu quase faz uma catástrofe na avenida!


JOSÉ AUGUSTO (confuso): Como é que é?


MELINA: E o Gael se dispôs a me ajudar. Por isso abracei ele, apenas para agradecer a gentileza. 


GAEL: Não teve gentileza nenhuma. Apenas fiz o que tinha de fazer.


JOSÉ AUGUSTO: Pera aí, Melina, você tá me dizendo que deixou o carro apagar no meio de uma avenida movimentada e esqueceu de puxar o freio de mão? Você podia ter matado alguém!


MELINA: Eu sei, José Augusto! Você acha que eu não sei? Eu tô apavorada 


JOSÉ AUGUSTO: E porquê você não me ligou? 


MELINA: E eu lá tive tempo pra isso?


JOSÉ AUGUSTO: Tá, chega. O importante é que você tá bem. Depois a gente resolve o resto.


Melina respira fundo, aliviada por finalmente encontrar um pouco de compreensão no noivo. José Augusto, porém, torna a olhar para Gael.


JOSÉ AUGUSTO: Mas me diz uma coisa: você conhece a Melina de onde?


GAEL: Já falei que não conheço. Meu carro tava atrás do dela quando a lata velha resolveu parar no meio da rua. Eu buzinei, ela desceu, a gente discutiu e, de repente, o carro começou a andar sozinho.


JOSÉ AUGUSTO (para Gael): Bom, de qualquer forma, obrigado por ter ajudado a minha noiva.


GAEL: Não precisa agradecer. Já disse que não fiz nada demais.


JOSÉ AUGUSTO: Fez, sim. Podia ter ido embora e deixado ela se virar sozinha.


GAEL: Não sou esse tipo de pessoa.


Os dois se encaram por um instante. José Augusto estende a mão, e Gael aperta.


MELINA: Pronto! Agora que vocês já se conheceram, apertaram as mãos, podemos resolver o problema do Irineu?


JOSÉ AUGUSTO: Vamos fazer o seguinte: eu vou dar uma olhada no carro, depois te levo pra resolver o que você precisa. Tá bom?


MELINA: Tá. Eu vou avisar a minha tia.


Enquanto isso, Gael se afasta em direção ao próprio veículo. Antes de entrar, ele olha pela última vez para Melina.


MELINA: Ai, meu Deus, eu tava esquecendo de você! Obrigada, tá? De verdade.


GAEL: Imagina…


Os dois se encaram por alguns segundos, até que Gael decide dar partida no veículo e sair dali. Melina acompanha a saída dele por um instante. José Augusto percebe.


JOSÉ AUGUSTO: Que foi?


MELINA: Nada.


JOSÉ AUGUSTO: Tá olhando o quê?


MELINA: Tô olhando a avenida, José 

Augusto. Agora eu não posso mais olhar pra avenida?


JOSÉ AUGUSTO: Pode, ué.


MELINA: Então pronto!


JOSÉ AUGUSTO: É melhor a gente chamar o guincho mesmo. Enquanto ele não vem, eu levo você até sua casa no caminhão. Pode ser?


MELINA: No caminhão? Ai, que tudo! Posso dar um nome pra ele? Pensei em Geraldo.


José Augusto começa a rir. Eles caminham até o caminhão e saem em seguida.



CENA 02: CASA DE JURACI E MELINA/INT./DIA


INSTRUMENTAL: MUITO ESPERTINHA - DANIEL TAUSZIG 


A porta se abre. Melina entra primeiro, carregando a bolsa e com a expressão de que deve muito. José Augusto vem logo atrás. Juraci está na sala, conferindo algumas contas do buffet. Ao ouvir a porta, levanta os olhos.


JURACI: Até que enfim! Melina, você foi buscar o dinheiro da caloteira ou resolveu abrir uma filial do buffet no caminho?


MELINA: Oi, tia. Que bom te ver também. Tá bonita hoje. Esse cabelo tá ótimo.


JURACI: Que foi que você fez?


MELINA: Eu? Nada!


JURACI: Quando você entra em casa elogiando meu cabelo, ou quebrou alguma coisa ou tá querendo dinheiro.


JOSÉ AUGUSTO: Boa tarde, dona Juraci.


JURACI: Boa tarde, meu filho. Você veio com ela? Aconteceu alguma coisa?


José Augusto olha para Melina. Melina olha para José Augusto. Os dois ficam em silêncio.


JURACI: Ah, não. Que cara é essa? Fala logo!


MELINA: Tia, antes de qualquer coisa, eu quero que você saiba que eu te amo.


JURACI: Desembucha, praga!


MELINA: Aconteceu um acidente.


Juraci pousa lentamente as contas sobre a mesa.


JURACI: Que acidente?


MELINA: Um acidente pequenininho.


JOSÉ AUGUSTO: Pequeno, não foi, não.


MELINA: Você tá ajudando muito, amor. Lindo.


JURACI: MELINA!


MELINA: Tá bom! Eu fui pegar o Irineu...


JURACI: O carro?


MELINA: Sim, o carro. E aí eu tava dirigindo, só que ele começou a engasgar...


JURACI: Você bateu o carro?


MELINA: Não exatamente.


JURACI: Como assim, não exatamente?


JOSÉ AUGUSTO: Ela esqueceu de puxar o freio de mão.


Juraci fica imóvel e pisca duas vezes. Ela olha para José Augusto, depois para Melina.


JURACI: Ela esqueceu o quê?


MELINA: Tia, eu juro que não foi por mal! Aquela sucata velha decidiu me deixar na mão no meio do trânsito… Um chato de galocha desceu pra me xingar e eu desci também pra xingar ele, quando foi que… o carro se movimentou e desceu o morro. A Bibi reversa.


JURACI: Como é que é? SUA MALUCA! 


MELINA: Tia, não precisa gritar! Eu tô aqui, você tá aqui, o carro tá—


JURACI: O CARRO TÁ ONDE, MELINA?!


MELINA: Tá bem! Quer dizer, mais ou menos. Ele encostou numa barreira de madeira, mas ninguém se machucou! O gancho levou o Irineu…


JURACI: NINGUÉM SE MACHUCOU PORQUE DEUS DEVE TER OLHADO PRAQUELE CARRO E PENSADO: "ESSA MENINA JÁ DEU TRABALHO DEMAIS PRA HUMANIDADE!" Meu Deus, e lá se vai uma fortuna com o guincho… Eu vou te dar o que você merece!


Juraci tira um dos chinelos do pé e o ergue, mirando Melina.


MELINA: TIA, NÃO!


JURACI: VOCÊ PODIA TER MATADO UMA PESSOA! PODIA TER ACABADO COM O MEU BUFFET, PORQUE EU IA TER QUE VENDER ATÉ A GELADEIRA PRA PAGAR OS PREJUÍZOS!


MELINA: Mas não aconteceu nada disso!


JURACI: AINDA!


Juraci arremessa o chinelo.

Melina se abaixa rapidamente. O chinelo passa voando por cima de sua cabeça, faz uma curva inesperada ao bater na quina do sofá e acerta em cheio uma almofada, que cai no chão.


MELINA (apontando para o chinelo): Viu?! Até o chinelo sabe que eu sou inocente!


José Augusto vira o rosto, tentando segurar o riso e não consegue.


JURACI: E VOCÊ TÁ RINDO DO QUÊ, JOSÉ AUGUSTO? VOCÊ É CÚMPLICE!


JOSÉ AUGUSTO: Eu não fiz nada, dona Juraci! Eu cheguei depois! Cheguei e vi a Melina abraçando outro homem.


JURACI: O QUÊ?


MELINA: Não é bem assim tia,. Eu tava abraçando o Gael, que foi quem me ajudou. Sem ele, a tragédia teria sido bem pior.


JURACI: Pelo menos apareceu uma alma caridosa no meio dessa tragédia. Você agradeceu ao rapaz?


MELINA: Agradeci. Com um abraço. O José Augusto ficou com ciúme, mas depois entendeu!


JURACI: Ciúme? Minha filha, depois do que você fez com o carro, se o rapaz tivesse te pedido em casamento, eu mesma tinha levado você até o altar só pra me livrar de mais uma preocupação!


MELINA: TIA!


JURACI: E NÃO MUDA DE ASSUNTO! O dinheiro da dona Silvana, cadê?


MELINA: O carro desceu a rua, tia! Eu tive outras prioridades!


JURACI: VOCÊ SAIU DAQUI PRA COBRAR UMA DÍVIDA E VOLTOU COM UM CARRO DESTRUÍDO?


MELINA: Tecnicamente, o carro não tá destruído. Só tá precisando de alguns reparos.


Juraci tira o chinelo novamente.


MELINA: NÃO! TIA, O OUTRO JÁ DESVIOU! VOCÊ NÃO VAI TER A MESMA SORTE DUAS VEZES!


Juraci ergue o chinelo. Melina se esconde atrás de José Augusto, que levanta as mãos para se proteger.


JOSÉ AUGUSTO: Dona Juraci, calma!


JURACI: SAI DA FRENTE, JOSÉ AUGUSTO!


MELINA: AMOR, NÃO ME ABANDONA!


Juraci avança um passo. Melina se agarra às costas do noivo.


JURACI: MELINA, EU VOU CONTAR ATÉ TRÊS!


JURACI: UM!


MELINA: ZÉ, EU TE AMO!


JURACI: DOIS!


Juraci parte para cima dos dois, com chinelo em punho. José Augusto sai correndo para um lado e Melina para o outro.


JURACI: VOLTA AQUI, SUA DESGRAÇADA!


MELINA: EU TE AMO, TIA!


JURACI: EU TAMBÉM TE AMO! MAS EU VOU TE MATAR!


Juraci sai correndo atrás dos dois, com o chinelo nas mãos. 

ABERTURA:



SONOPLASTIA: ME BALANÇOU - THIAGUINHO 


Cortamos para imagens aéreas de São Paulo, logo em seguida, para a Lubiju.



CENA 03: LUBIJU/EXT./DIA


No estacionamento, Gael chega com seu carro e em seguida sai do veículo. Ele segue até a entrada da empresa quando se depara com Mimi, Verônica e Primavera saindo.


GAEL: Olá, dona Mimi. Como estão?


MIMI: Olá querido. Eu estou ótima, e você pelo visto, está atrasado, não é? 


GAEL: Se eu contar o que aconteceu, vocês nem iriam acreditar.


MIMI (sorrindo): Melhor deixar pra próxima, lindinho. Quem sabe não deixa pra contar quando ver o seu holerite?


Primavera cutuca o cotovelo da mãe.


PRIMAVERA: Mãe! 


GAEL: Bom, deixe eu entrar antes que eu perca o restante do expediente.


MIMI: Vai mesmo, chuchu, vai mesmo…


Primavera acompanha o rapaz com os olhos enquanto ele passa por elas. Mimi percebe e dá uma olhada de canto para a filha.


MIMI: Primavera, minha filha, jajá seus olhos vão saltar pra fora. Olhe menos.


PRIMAVERA (disfarçando): Eu? Tô olhando nada, mamãe!


VERÔNICA: Tá sim que eu vi.


PRIMEIRA: Ai, gente, mas o Gael é um pão… tô mentindo?


MIMI: Pão que atrasa ninguém compra, meu bem. Bom, vamos. Vamos que eu não vejo a hora de chegar na loja daquela mequetrefe e me sentir a rainha da Inglaterra humilhando a Eleonora. Ainda irei exigir champanhe e uvas frescas.


Elas riem e seguem até o veículo de Mimi. 


CENA 04: ELEO/INT./DIA


A loja de Eleonora é elegante, com uma decoração sofisticada, móveis de design contemporâneo e peças cuidadosamente distribuídas pelo salão. Tons de bege, dourado e verde-escuro compõem o ambiente. Funcionárias organizam os últimos detalhes de uma vitrine enquanto Eleonora (Cláudia Raia), impecável, observa tudo com olhar crítico, segurando uma prancheta.


ELEONORA: Esse vaso está dois centímetros pra esquerda.


FUNCIONÁRIA: Mas, dona Eleonora, ele já está centralizado.


ELEONORA: Centralizado em relação a quê? À sua má vontade de trabalhar? 


A funcionária ajeita o vaso.


ELEONORA: Melhorou. Não está perfeito, mas pelo menos agora não parece que o vaso está tentando fugir da loja.


A funcionária se afasta. De repente, pela porta de entrada, a câmera mostra em câmera lenta, Mimi, Primavera e Verônica entrando ali. Mimi entra de óculos escuros, bolsa de grife pendurada no braço e o queixo erguido. Primavera vem logo atrás, olhando as roupas com curiosidade. Verônica observa o ambiente.

Eleonora percebe a movimentação pelo reflexo de um espelho. Seu sorriso desaparece por um segundo. Ela fecha a prancheta devagar e se vira.


ELEONORA: Não acredito.


Mimi tira os óculos lentamente.


MIMI: Acredite, querida. Eu também tive essa reação quando vi a fachada do seu pequeno empreendimento.


Primavera prende a risada. Verônica disfarça, fingindo examinar uma arara de vestidos. A câmera intercala entre as três.


CENA 05: UNIVERSIDADE/INT./DIA


Inverno chega à faculdade depois de três semanas afastada. Ela carrega uma mochila e uma pasta com seus projetos de arquitetura. Antes de entrar, para diante da porta de vidro e ajeita a roupa, respirando fundo. Ela está nervosa. Não queria voltar, mas também não pretende abandonar o curso por causa dos outros.

Assim que atravessa o corredor, dois rapazes interrompem a conversa. Uma garota feia cutuca dois amigos e aponta discretamente para Inverno.


WHOZINHA 1: Gente... olha quem ressuscitou!


INSTRUMENTAL: BROTHERS IN DANGER - IURI CUNHA


WHOZINHO: Não acredito! O patinho feio voltou! Achei que ela tinha se cansado da mamãe pata e tinha se jogado no mar.


Os dois caem na gargalhada.

Inverno finge não ouvir e continua andando.


WHOZINHA 2: Inverno! Quer dizer… Ô, Inferno! A gente estava com saudade!


Inverno para por um instante.


INVERNO: Que bom. Eu não estava com saudade nenhuma de vocês 


WHOZINHA 1: Nossa, que simpática! Três semanas longe e não melhorou nadinha.


WHOZINHO: Vai ver ficou esse tempo todo tentando descobrir como virar cisne ou tentando mudar essa cara feia.


WHOZINHA 2: Desiste. Tem coisa que nem cirurgia plástica resolve.


As risadas aumentam. Inverno aperta a alça da mochila e tenta seguir, mas whozinha 1 se coloca na frente dela.


WHOZINHA 1: Calma, esquisita! A gente só quer conversar.


INVERNO: Mas eu não quero conversar com vocês! Quando é que vocês vão entender que eu odeio vocês todos?


WHOZINHA 1: Ih, gente! Ela tá se achando!


WHOZINHO: É o quê? Agora que voltou, acha que virou gente? Patinho feio, feia! Tubarão martelo!


Inverno olha diretamente para ele.


WHOZINHA 2: Patinho Feio, não. Inferno! Combina mais com ela. É só aparecer que estraga o ambiente.


Os três gargalham. Whozinha 2 puxa a pasta dos braços de Inverno.


INVERNO: Me devolve!


WHOZINHA 2: Calma, quero ver o que a futura arquiteta produziu durante as mini férias.


Whozinha 2 abre a pasta e tira algumas folhas. Whozinho se aproxima para olhar os desenhos.


WHOZINHO: Nossa! Que projeto lindo! Isso aqui é uma casa ou um galinheiro?


Os três riem. Whozinha amassa uma das folhas e a deixa cair no chão. Inverno fica imóvel, olhando para o próprio desenho amassado. Paulinha (Débora Ozório), que estava observando tudo de longe, se aproxima.


PAULINHA: Saiam daqui agora e deixem ela em paz!


WHOZINHA: Ih, alá! Chegou a defensora dos pobres e oprimidos.


PAULINHA (seria): Eu já avisei que é pra deixar ela em paz. Vocês são surdos? Saiam daqui agora antes que a coisa fique feia pra vocês!


A câmera intercala entre eles. 


CONGELAMENTO EM INVERNO.

ENCERRAMENTO: