escrita por
SINCERIDADE
UM DIA DEPOIS…
CENA 01: AVENIDA/EXT./DIA
INSTRUMENTAL: Se Esqueceram do Fred - Alexandre de Faria
O carro surge do outro lado da curva, cada vez mais rápido. Um entregador atravessa a rua e, ao ver o veículo desgovernado, abandona a bicicleta na calçada e se joga pra trás.
MELINA: MISERICÓRDIA, O IRINEU VAI MATAR OS PEDESTRES!
Gael corre até a esquina e vê o carro descendo em direção a uma pequena feira montada na calçada. Dois feirantes conversam distraídos ao lado de caixas de frutas.
GAEL: Ô MOÇO, DÁ O FORA DAÍ!
O feirante se vira. Seus olhos se arregalam ao ver o carro avançando.
FEIRANTE: MINHA FEIRA!
MELINA: AS BANANAS, MEU DEUS, AS BANANAS!
Ao alcançar a esquina, eles vêm Irineu desviar de um automóvel estacionado e subir parcialmente na calçada. Um homem que saía de uma farmácia recua assustado.
O carro continua descendo, até que uma das rodas dianteiras atinge um monte de areia deixado por uma pequena obra na calçada. O veículo perde velocidade, atravessa a areia e para com uma sacudida contra uma barreira de madeira, sem atingir ninguém. Por alguns segundos, Melina e Gael ficam imóveis, tentando recuperar o fôlego.
MELINA: Uh…
GAEL: Meu Deus, que dia…
MELINA (se aproximando do carro): Irineuzinho, quase que você causa um apocalipse nessa cidade hoje… ai, a minha tia vai me esfolar viva!
PEDESTRE: Esse carro é de vocês?
MELINA: É meu. Quer dizer, é da minha tia.
PEDESTRE: Misericórdia, como foi que chegou nessa situação?
MELINA: Eu esqueci de puxar o freio de mão, senhor! Me perdoa!
PEDESTRE: Eu tô falando é do carro. Parece que saiu da idade média…
Melina encara o pedestre, sem graça, que se retira. Gael balança a cabeça.
GAEL: Você tem noção do perigo que isso foi? Alguém poderia ter morrido.
MELINA: Mas não morreu! Vamos trabalhar com os fatos. (P) Ai, fico pensando como a gente vai retirar esse carro daqui agora… a minha tia vai me arrancar os cabelos.
GAEL: Você é sempre assim?
MELINA: Assim como?
GAEL: Desse jeito!
MELINA: Olha, moço, eu não sei quem você é, não sei de onde você veio e, sinceramente, neste momento, não tenho a menor condição emocional de discutir, tá? Eu tenho uma cobrança pra fazer, um carro pra consertar e uma tia que vai arrancar meus dois braços quando souber disso.
Ela olha para o Irineu, encostado na calçada.
MELINA: E você, seu traidor, vai ficar sem gasolina até aprender a se comportar!
GAEL (rindo): Você é engraçada… qual o seu nome?
MELINA: Melina. E o seu?
GAEL: Gael.
MELINA (estendendo a mão): Prazer, Gael, me desculpe pelo episódio de hoje. Prometo que o próximo será indicado ao Oscar. Eu nem sei como te agradecer. Sério. Se você não tivesse corrido atrás do carro, eu não sei o que teria acontecido.
GAEL: Bom, pelo menos você não vai precisar de um advogado. Por enquanto.
MELINA: Não brinca com isso! Eu já tô vendo a minha tia me recebendo na porta de casa com uma pá na mão.
GAEL: Sua tia é tão assustadora assim?
MELINA: Eu não duvidaria.
Gael ri. Melina também acaba rindo, aliviada. De repente, ela dá um passo à frente e o abraça espontaneamente.
MELINA: Obrigada! De verdade!
Gael fica surpreso por um instante, mas corresponde ao abraço, sorrindo.
É nesse momento que um caminhão se aproxima e reduz a velocidade ao reconhecer Melina na calçada.
Ao volante está José Augusto. Ele olha para a frente, depois para o lado, tentando entender o que vê. Ele olha para Irineu parado junto à barreira, as caixas espalhadas e, por fim, Melina abraçada a um homem desconhecido. Seu sorriso desmancha rapidamente.
JOSÉ AUGUSTO: Melina?
Ele estaciona o caminhão e mais à frente, puxa o freio de mão e desce apressado.
JOSÉ AUGUSTO (se aproximando): Melina!
Melina se solta de Gael imediatamente.
MELINA (surpresa): José? Amor você não sabe o que aconteceu…
JOSÉ AUGUSTO: Quem é esse cara? Tá abraçando ele por quê?
MELINA: Amor, se acalma…
JOSÉ AUGUSTO: Me acalmar como? Eu penso que a minha noiva tá em casa, trabalhando, e na verdade ela tá no meio de uma avenida movimentada abraçada com outro homem…
GAEL: Não se preocupe, rapaz. Eu nem conheço ela. Apenas passava por aqui quando a lata velha que ela chama de carro decidiu morrer no meio da pista-
MELINA: Pode deixar que eu conto o resto! Eu esqueci o freio de mão do Irineu, amor! Esqueci! O Irineu quase faz uma catástrofe na avenida!
JOSÉ AUGUSTO (confuso): Como é que é?
MELINA: E o Gael se dispôs a me ajudar. Por isso abracei ele, apenas para agradecer a gentileza.
GAEL: Não teve gentileza nenhuma. Apenas fiz o que tinha de fazer.
JOSÉ AUGUSTO: Pera aí, Melina, você tá me dizendo que deixou o carro apagar no meio de uma avenida movimentada e esqueceu de puxar o freio de mão? Você podia ter matado alguém!
MELINA: Eu sei, José Augusto! Você acha que eu não sei? Eu tô apavorada
JOSÉ AUGUSTO: E porquê você não me ligou?
MELINA: E eu lá tive tempo pra isso?
JOSÉ AUGUSTO: Tá, chega. O importante é que você tá bem. Depois a gente resolve o resto.
Melina respira fundo, aliviada por finalmente encontrar um pouco de compreensão no noivo. José Augusto, porém, torna a olhar para Gael.
JOSÉ AUGUSTO: Mas me diz uma coisa: você conhece a Melina de onde?
GAEL: Já falei que não conheço. Meu carro tava atrás do dela quando a lata velha resolveu parar no meio da rua. Eu buzinei, ela desceu, a gente discutiu e, de repente, o carro começou a andar sozinho.
JOSÉ AUGUSTO (para Gael): Bom, de qualquer forma, obrigado por ter ajudado a minha noiva.
GAEL: Não precisa agradecer. Já disse que não fiz nada demais.
JOSÉ AUGUSTO: Fez, sim. Podia ter ido embora e deixado ela se virar sozinha.
GAEL: Não sou esse tipo de pessoa.
Os dois se encaram por um instante. José Augusto estende a mão, e Gael aperta.
MELINA: Pronto! Agora que vocês já se conheceram, apertaram as mãos, podemos resolver o problema do Irineu?
JOSÉ AUGUSTO: Vamos fazer o seguinte: eu vou dar uma olhada no carro, depois te levo pra resolver o que você precisa. Tá bom?
MELINA: Tá. Eu vou avisar a minha tia.
Enquanto isso, Gael se afasta em direção ao próprio veículo. Antes de entrar, ele olha pela última vez para Melina.
MELINA: Ai, meu Deus, eu tava esquecendo de você! Obrigada, tá? De verdade.
GAEL: Imagina…
Os dois se encaram por alguns segundos, até que Gael decide dar partida no veículo e sair dali. Melina acompanha a saída dele por um instante. José Augusto percebe.
JOSÉ AUGUSTO: Que foi?
MELINA: Nada.
JOSÉ AUGUSTO: Tá olhando o quê?
MELINA: Tô olhando a avenida, José
Augusto. Agora eu não posso mais olhar pra avenida?
JOSÉ AUGUSTO: Pode, ué.
MELINA: Então pronto!
JOSÉ AUGUSTO: É melhor a gente chamar o guincho mesmo. Enquanto ele não vem, eu levo você até sua casa no caminhão. Pode ser?
MELINA: No caminhão? Ai, que tudo! Posso dar um nome pra ele? Pensei em Geraldo.
José Augusto começa a rir. Eles caminham até o caminhão e saem em seguida.
CENA 02: CASA DE JURACI E MELINA/INT./DIA
INSTRUMENTAL: MUITO ESPERTINHA - DANIEL TAUSZIG
A porta se abre. Melina entra primeiro, carregando a bolsa e com a expressão de que deve muito. José Augusto vem logo atrás. Juraci está na sala, conferindo algumas contas do buffet. Ao ouvir a porta, levanta os olhos.
JURACI: Até que enfim! Melina, você foi buscar o dinheiro da caloteira ou resolveu abrir uma filial do buffet no caminho?
MELINA: Oi, tia. Que bom te ver também. Tá bonita hoje. Esse cabelo tá ótimo.
JURACI: Que foi que você fez?
MELINA: Eu? Nada!
JURACI: Quando você entra em casa elogiando meu cabelo, ou quebrou alguma coisa ou tá querendo dinheiro.
JOSÉ AUGUSTO: Boa tarde, dona Juraci.
JURACI: Boa tarde, meu filho. Você veio com ela? Aconteceu alguma coisa?
José Augusto olha para Melina. Melina olha para José Augusto. Os dois ficam em silêncio.
JURACI: Ah, não. Que cara é essa? Fala logo!
MELINA: Tia, antes de qualquer coisa, eu quero que você saiba que eu te amo.
JURACI: Desembucha, praga!
MELINA: Aconteceu um acidente.
Juraci pousa lentamente as contas sobre a mesa.
JURACI: Que acidente?
MELINA: Um acidente pequenininho.
JOSÉ AUGUSTO: Pequeno, não foi, não.
MELINA: Você tá ajudando muito, amor. Lindo.
JURACI: MELINA!
MELINA: Tá bom! Eu fui pegar o Irineu...
JURACI: O carro?
MELINA: Sim, o carro. E aí eu tava dirigindo, só que ele começou a engasgar...
JURACI: Você bateu o carro?
MELINA: Não exatamente.
JURACI: Como assim, não exatamente?
JOSÉ AUGUSTO: Ela esqueceu de puxar o freio de mão.
Juraci fica imóvel e pisca duas vezes. Ela olha para José Augusto, depois para Melina.
JURACI: Ela esqueceu o quê?
MELINA: Tia, eu juro que não foi por mal! Aquela sucata velha decidiu me deixar na mão no meio do trânsito… Um chato de galocha desceu pra me xingar e eu desci também pra xingar ele, quando foi que… o carro se movimentou e desceu o morro. A Bibi reversa.
JURACI: Como é que é? SUA MALUCA!
MELINA: Tia, não precisa gritar! Eu tô aqui, você tá aqui, o carro tá—
JURACI: O CARRO TÁ ONDE, MELINA?!
MELINA: Tá bem! Quer dizer, mais ou menos. Ele encostou numa barreira de madeira, mas ninguém se machucou! O gancho levou o Irineu…
JURACI: NINGUÉM SE MACHUCOU PORQUE DEUS DEVE TER OLHADO PRAQUELE CARRO E PENSADO: "ESSA MENINA JÁ DEU TRABALHO DEMAIS PRA HUMANIDADE!" Meu Deus, e lá se vai uma fortuna com o guincho… Eu vou te dar o que você merece!
Juraci tira um dos chinelos do pé e o ergue, mirando Melina.
MELINA: TIA, NÃO!
JURACI: VOCÊ PODIA TER MATADO UMA PESSOA! PODIA TER ACABADO COM O MEU BUFFET, PORQUE EU IA TER QUE VENDER ATÉ A GELADEIRA PRA PAGAR OS PREJUÍZOS!
MELINA: Mas não aconteceu nada disso!
JURACI: AINDA!
Juraci arremessa o chinelo.
Melina se abaixa rapidamente. O chinelo passa voando por cima de sua cabeça, faz uma curva inesperada ao bater na quina do sofá e acerta em cheio uma almofada, que cai no chão.
MELINA (apontando para o chinelo): Viu?! Até o chinelo sabe que eu sou inocente!
José Augusto vira o rosto, tentando segurar o riso e não consegue.
JURACI: E VOCÊ TÁ RINDO DO QUÊ, JOSÉ AUGUSTO? VOCÊ É CÚMPLICE!
JOSÉ AUGUSTO: Eu não fiz nada, dona Juraci! Eu cheguei depois! Cheguei e vi a Melina abraçando outro homem.
JURACI: O QUÊ?
MELINA: Não é bem assim tia,. Eu tava abraçando o Gael, que foi quem me ajudou. Sem ele, a tragédia teria sido bem pior.
JURACI: Pelo menos apareceu uma alma caridosa no meio dessa tragédia. Você agradeceu ao rapaz?
MELINA: Agradeci. Com um abraço. O José Augusto ficou com ciúme, mas depois entendeu!
JURACI: Ciúme? Minha filha, depois do que você fez com o carro, se o rapaz tivesse te pedido em casamento, eu mesma tinha levado você até o altar só pra me livrar de mais uma preocupação!
MELINA: TIA!
JURACI: E NÃO MUDA DE ASSUNTO! O dinheiro da dona Silvana, cadê?
MELINA: O carro desceu a rua, tia! Eu tive outras prioridades!
JURACI: VOCÊ SAIU DAQUI PRA COBRAR UMA DÍVIDA E VOLTOU COM UM CARRO DESTRUÍDO?
MELINA: Tecnicamente, o carro não tá destruído. Só tá precisando de alguns reparos.
Juraci tira o chinelo novamente.
MELINA: NÃO! TIA, O OUTRO JÁ DESVIOU! VOCÊ NÃO VAI TER A MESMA SORTE DUAS VEZES!
Juraci ergue o chinelo. Melina se esconde atrás de José Augusto, que levanta as mãos para se proteger.
JOSÉ AUGUSTO: Dona Juraci, calma!
JURACI: SAI DA FRENTE, JOSÉ AUGUSTO!
MELINA: AMOR, NÃO ME ABANDONA!
Juraci avança um passo. Melina se agarra às costas do noivo.
JURACI: MELINA, EU VOU CONTAR ATÉ TRÊS!
JURACI: UM!
MELINA: ZÉ, EU TE AMO!
JURACI: DOIS!
Juraci parte para cima dos dois, com chinelo em punho. José Augusto sai correndo para um lado e Melina para o outro.
JURACI: VOLTA AQUI, SUA DESGRAÇADA!
MELINA: EU TE AMO, TIA!
JURACI: EU TAMBÉM TE AMO! MAS EU VOU TE MATAR!
Juraci sai correndo atrás dos dois, com o chinelo nas mãos.
ABERTURA:
SONOPLASTIA: ME BALANÇOU - THIAGUINHO
Cortamos para imagens aéreas de São Paulo, logo em seguida, para a Lubiju.
CENA 03: LUBIJU/EXT./DIA
No estacionamento, Gael chega com seu carro e em seguida sai do veículo. Ele segue até a entrada da empresa quando se depara com Mimi, Verônica e Primavera saindo.
GAEL: Olá, dona Mimi. Como estão?
MIMI: Olá querido. Eu estou ótima, e você pelo visto, está atrasado, não é?
GAEL: Se eu contar o que aconteceu, vocês nem iriam acreditar.
MIMI (sorrindo): Melhor deixar pra próxima, lindinho. Quem sabe não deixa pra contar quando ver o seu holerite?
Primavera cutuca o cotovelo da mãe.
PRIMAVERA: Mãe!
GAEL: Bom, deixe eu entrar antes que eu perca o restante do expediente.
MIMI: Vai mesmo, chuchu, vai mesmo…
Primavera acompanha o rapaz com os olhos enquanto ele passa por elas. Mimi percebe e dá uma olhada de canto para a filha.
MIMI: Primavera, minha filha, jajá seus olhos vão saltar pra fora. Olhe menos.
PRIMAVERA (disfarçando): Eu? Tô olhando nada, mamãe!
VERÔNICA: Tá sim que eu vi.
PRIMEIRA: Ai, gente, mas o Gael é um pão… tô mentindo?
MIMI: Pão que atrasa ninguém compra, meu bem. Bom, vamos. Vamos que eu não vejo a hora de chegar na loja daquela mequetrefe e me sentir a rainha da Inglaterra humilhando a Eleonora. Ainda irei exigir champanhe e uvas frescas.
Elas riem e seguem até o veículo de Mimi.
CENA 04: ELEO/INT./DIA
A loja de Eleonora é elegante, com uma decoração sofisticada, móveis de design contemporâneo e peças cuidadosamente distribuídas pelo salão. Tons de bege, dourado e verde-escuro compõem o ambiente. Funcionárias organizam os últimos detalhes de uma vitrine enquanto Eleonora (Cláudia Raia), impecável, observa tudo com olhar crítico, segurando uma prancheta.
ELEONORA: Esse vaso está dois centímetros pra esquerda.
FUNCIONÁRIA: Mas, dona Eleonora, ele já está centralizado.
ELEONORA: Centralizado em relação a quê? À sua má vontade de trabalhar?
A funcionária ajeita o vaso.
ELEONORA: Melhorou. Não está perfeito, mas pelo menos agora não parece que o vaso está tentando fugir da loja.
A funcionária se afasta. De repente, pela porta de entrada, a câmera mostra em câmera lenta, Mimi, Primavera e Verônica entrando ali. Mimi entra de óculos escuros, bolsa de grife pendurada no braço e o queixo erguido. Primavera vem logo atrás, olhando as roupas com curiosidade. Verônica observa o ambiente.
Eleonora percebe a movimentação pelo reflexo de um espelho. Seu sorriso desaparece por um segundo. Ela fecha a prancheta devagar e se vira.
ELEONORA: Não acredito.
Mimi tira os óculos lentamente.
MIMI: Acredite, querida. Eu também tive essa reação quando vi a fachada do seu pequeno empreendimento.
Primavera prende a risada. Verônica disfarça, fingindo examinar uma arara de vestidos. A câmera intercala entre as três.
CENA 05: UNIVERSIDADE/INT./DIA
Inverno chega à faculdade depois de três semanas afastada. Ela carrega uma mochila e uma pasta com seus projetos de arquitetura. Antes de entrar, para diante da porta de vidro e ajeita a roupa, respirando fundo. Ela está nervosa. Não queria voltar, mas também não pretende abandonar o curso por causa dos outros.
Assim que atravessa o corredor, dois rapazes interrompem a conversa. Uma garota feia cutuca dois amigos e aponta discretamente para Inverno.
WHOZINHA 1: Gente... olha quem ressuscitou!
INSTRUMENTAL: BROTHERS IN DANGER - IURI CUNHA
WHOZINHO: Não acredito! O patinho feio voltou! Achei que ela tinha se cansado da mamãe pata e tinha se jogado no mar.
Os dois caem na gargalhada.
Inverno finge não ouvir e continua andando.
WHOZINHA 2: Inverno! Quer dizer… Ô, Inferno! A gente estava com saudade!
Inverno para por um instante.
INVERNO: Que bom. Eu não estava com saudade nenhuma de vocês
WHOZINHA 1: Nossa, que simpática! Três semanas longe e não melhorou nadinha.
WHOZINHO: Vai ver ficou esse tempo todo tentando descobrir como virar cisne ou tentando mudar essa cara feia.
WHOZINHA 2: Desiste. Tem coisa que nem cirurgia plástica resolve.
As risadas aumentam. Inverno aperta a alça da mochila e tenta seguir, mas whozinha 1 se coloca na frente dela.
WHOZINHA 1: Calma, esquisita! A gente só quer conversar.
INVERNO: Mas eu não quero conversar com vocês! Quando é que vocês vão entender que eu odeio vocês todos?
WHOZINHA 1: Ih, gente! Ela tá se achando!
WHOZINHO: É o quê? Agora que voltou, acha que virou gente? Patinho feio, feia! Tubarão martelo!
Inverno olha diretamente para ele.
WHOZINHA 2: Patinho Feio, não. Inferno! Combina mais com ela. É só aparecer que estraga o ambiente.
Os três gargalham. Whozinha 2 puxa a pasta dos braços de Inverno.
INVERNO: Me devolve!
WHOZINHA 2: Calma, quero ver o que a futura arquiteta produziu durante as mini férias.
Whozinha 2 abre a pasta e tira algumas folhas. Whozinho se aproxima para olhar os desenhos.
WHOZINHO: Nossa! Que projeto lindo! Isso aqui é uma casa ou um galinheiro?
Os três riem. Whozinha amassa uma das folhas e a deixa cair no chão. Inverno fica imóvel, olhando para o próprio desenho amassado. Paulinha (Débora Ozório), que estava observando tudo de longe, se aproxima.
PAULINHA: Saiam daqui agora e deixem ela em paz!
WHOZINHA: Ih, alá! Chegou a defensora dos pobres e oprimidos.
PAULINHA (seria): Eu já avisei que é pra deixar ela em paz. Vocês são surdos? Saiam daqui agora antes que a coisa fique feia pra vocês!
A câmera intercala entre eles.
CONGELAMENTO EM INVERNO.
ENCERRAMENTO:
