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A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 02 (06/10/2026)


 A FILHA DA MINHA MÃE - CAPÍTULO 02

CENA 01: CASA DE EFIGÊNIA/EXT./NOITE

Focamos no rosto de Santiago, assustado, intercalando com Efigênia, que permanece séria.

SANTIAGO: Para de falar besteira, Efigênia! A Outono é a pessoa mais importante da vida da Mimi, e por mais que ela tenha esse apreço todo por você, o fato é que a Mimi continua sendo a mãe dela.


EFIGÊNIA: Eu sei muito bem quem é a mãe dela, Santiago. Não precisa me lembrar disso. O que você parece esquecer é que, enquanto a Mimi vive ocupada com festa, loja, roupas e aquela guerra ridícula com a tal da Eleonora, sou eu quem fica com a Outono. Sou eu quem dá comida, quem troca a roupa, quem acalma a menina quando ela começa a chorar… Ela gosta de mim, e você sabe muito bem disso.


SANTIAGO: Mas isso não significa que você possa tirar ela da mãe, e de mim. Eu sou o pai dela.


EFIGÊNIA (séria): Eu posso, e se você não der um jeito o mais breve possível, eu vou fazer isso sim! E não tem ninguém no mundo que me impeça. (P) Ou melhor, você tem três opções: me assumir, não assumir e perder a sua filha, ou deixar com que a Mimi descubra que somos amantes da pior maneira possível. Você tem até o dia da festa pra escolher.


Efigênia encara o amante por alguns segundos até que abre a porta do veículo, saindo em direção ao portão de sua casa. Santiago permanece pensativo. Em seguida ele liga o carro e dá partida, indo embora.


CENA 02: CASA DE EFIGÊNIA E JURACI/INT./NOITE


Juraci (Cris Vianna) está sentada na cozinha, ouvindo rádio enquanto aguarda Efigênia chegar. Segundos depois, Efigênia entra pela porta e se aproxima da irmã, aos prantos. Juraci se levanta imediatamente, assustada.


JURACI: Misericórdia, o que houve? Tá chorando por quê, minha irmã? Meu Deus… Senta ai, se acalma. Eu vou pegar uma água pra você.


EFIGÊNIA (abalada): Não. Não precisa. Eu tô bem.


JURACI: Bem? Bem mal, né. Olha só o seu estado, Efigênia! O que houve? Fala logo, antes que eu morra de ansiedade.


Efigênia permanece em silêncio.


JURACI: Desembucha, praga! 


EFIGÊNIA: Eu fui humilhada.


JURACI: Humilhada? Ah, não vai me dizer que foi por aquela perua desqualificada. Pois pode deixar que eu vou lá amanhã mesmo acabar com a raça daquela ridícula.


EFIGÊNIA: Ela me chamou de imprestável, de incompetente. Tudo isso por causa de um vaso que os filhos dela quebraram. Ela gritou, me esculhambou, disse que eu não faço nada direito, ameaçou me demitir… eu tive que me ajoelhar pra ela não me mandar embora.


JURACI (incrédula): Pera aí, você fez o que?


EFIGÊNIA: Me ajoelhei. Você sabe que eu preciso desse emprego, irmã. 


JURACI: Você precisa é sair daquela casa. Eu já falei isso mil vezes. (P) Vai pro Centro comigo, arruma outro serviço, qualquer coisa... A gente dá um jeito, aluga um apartamento… Você não nasceu pra viver sendo pisada por gente rica.


EFIGÊNIA: Não é tão simples assim.


JURACI: É mais simples do que continuar desse jeito. Você lembra da nossa mãe? A mulher acordava antes do sol nascer, trabalhava na roça até o corpo não aguentar mais e nunca precisou se humilhar pra ninguém. A gente passou necessidade, dormiu no chão, comeu o que tinha, mas nossa mãe nunca deixou ninguém tratar a gente como inferior.


Efigênia baixa os olhos, limpando as lágrimas.


JURACI: Foi por causa dela que a gente veio pra São Paulo. Pra tentar uma vida diferente. E olha você agora, trabalhando numa mansão e chorando porque uma madame mal amada resolveu descarregar os problemas dela em cima de você.


EFIGÊNIA: Eu sei.


JURACI: Então esquece essa família, Efigênia. E esquece aquele homem também.


Efigênia olha para a irmã.


EFIGÊNIA: O Santiago não é qualquer homem.


JURACI: Pra mim é. E pra você deveria ser também. Ele é casado, tem uma família e, quando chega a hora de escolher, volta correndo pra mulher dele. Enquanto isso, você fica esperando.


EFIGÊNIA: Ele disse que vai me assumir.


JURACI (ri): Acorda, Alice! Homem que quer largar casamento não precisa de vinte e cinco promessas, precisa de uma atitude.


Efigênia enxuga o rosto.


EFIGÊNIA: Eu dei um prazo pra ele.


Juraci estranha.


JURACI: Prazo? Que prazo?


EFIGÊNIA: A tal festa que a Mimi vai fazer no próximo final de semana. Se o Santiago não tomar uma decisão até lá, eu vou embora.


JURACI: Ótimo! É isso mesmo que você tem que fazer.


EFIGÊNIA: Eu vou, mas não vou sozinha.


Juraci percebe a gravidade da expressão da irmã.


JURACI: Efigênia... o que você tá pensando?


EFIGÊNIA: A Outono. Eu prometo, Juraci, que se eu não tiver o meu reconhecimento como mulher, eu vou roubar a Outono da Mimi e desaparecer do mapa. 


JURACI: Você ficou maluca? Isso é sequestro, você vai tá cometendo um crime.


EFIGÊNIA: Eu não tenho nada a perder. Eu já até combinei com um cara aí de fazer uma identidade falsa. Pra mim, e pra Outono. Ninguém vai achar a gente. 


JURACI: Mulher, você tá falando de pegar uma criança que não é sua e sumir com ela como se fosse uma mala! A Outono gosta de você, eu sei, mas isso não transforma você em mãe dela. E muito menos te dá o direito de decidir que ela vai embora porque você está sofrendo por causa do pai dela!


Efigênia começa a chorar novamente.


EFIGÊNIA: Eu só quero ser reconhecida, Juraci! É pedir demais? Eu passei anos escondida, engolindo desaforo, ouvindo promessinhas... Hoje eu cheguei no meu limite.


JURACI: Então mande o Santiago escolher! Se ele não escolher você, vá embora. Mas não coloque essa menina no meio.


EFIGÊNIA: E se ele não escolher?


Juraci encara a irmã, séria.


JURACI: Aí infelizmente, você vai ter que aceitar que acabou. 


Focamos no rosto de Efigênia, séria, intercalando com Juraci.


A cena corta para imagens de São Paulo, mostrando a cidade amanhecendo e anoitecendo diversas vezes. Alguns dias se passaram. A Mansão Fontanari está movimentada. Funcionários trabalham no jardim, aparando a grama, podando as árvores e cuidando dos canteiros de flores. Mais adiante, outro funcionário limpa cuidadosamente a piscina, enquanto outros dois contratados carregam caixas e objetos para dentro da mansão. Ao redor da casa, tudo está sendo preparado e organizado para a grande festa de Mimi.


CENA 03: MANSÃO FONTANARI/INT./MANHà


Mimi se encontra à mesa, junto com Santiago, enquanto Efigênia serve o café. O clima é agradável, porém o silêncio toma conta do ambiente. 


MIMI: Efigênia, cadê o meu pão com salame? Você sabe muito bem que eu adoro aquele pãozinho. Não adianta me trazer essas frescuras todas que vocês colocam nessa mesa, porque de manhã eu quero é pão com salame, café e pronto. Tem coisa mais gostosa do que isso?


EFIGÊNIA: Eu vou buscar, dona Mimi.


SANTIAGO: Eu não sei de onde vem tanta falta de classe.


Mimi olha imediatamente para o marido.


MIMI: O quê querido?


SANTIAGO: Me espanta uma mulher tão esnobe como você gostar de pão com salame. Isso é coisa de pobre.


MIMI: Cala a boca, imprestável! Eu prefiro mil vezes um pãozinho recheado com salame do que caviar. Da última vez que resolvi comer aquilo fiquei cinco horas seguidas no banheiro. E se você pensa que hoje vai estragar o meu dia, Santiago, pode ir tirando seu cavalinho da chuva, porque hoje nada me abala! Só se a songa da Eleonora aparecer na minha festa com uma peruca colorida.


SANTIAGO: Nem sei o porquê desta festa, se já teve o evento de inauguração da Lubiju.


MIMI: Ah, faça-me o favor! Eu não vou gastar o meu português com você pra explicar o óbvio. Cê sabe muito bem que é porquê os sócios não estavam presentes na inauguração.  Vai ser o evento do ano! Ai, mal posso esperar.


Efigênia se aproxima da mesa, colocando uma bandeja sobre a mesa. Nela têm dois pães com salame. 


EFIGÊNIA: Aqui está o que a senhora pediu, dona Mimi. Com licença. 


SANTIAGO: Mimi… eu preciso conversar com você à sós. 


MIMI: Que que é? Se for pra me pedir dinheiro emprestado, eu não tenho. Quer dizer, eu tenho, mas não vou te emprestar.


SANTIAGO: Não é isso. É coisa séria.


MIMI (se irrita): Ah, Santiago, logo agora que meu pão chegou? Você como sempre sendo um imprestável.


CENA 04: MANSÃO FONTANARI/INT./MANHà

Mimi e Santiago chegam ao quarto do casal para conversar. Do lado de fora, Efigênia sobe a escada discretamente, olhando para os lados para se certificar de que ninguém a vê. Ao chegar diante da porta, encosta o ouvido nela e passa a ouvir a conversa.

MIMI (impaciente): Vai, imprestável, fala logo o que você quer, que eu não tenho o dia todo. Preciso me arrumar pra festa, escolher meu vestido, conferir se está tudo pronto e, principalmente, descobrir se aquela cobra da Eleonora tá preparando alguma gracinha pra cima de mim.


SANTIAGO: Mimi, faz muito tempo que eu tô querendo te falar isso, mas a rotina meio que impede... Bem, você mesma vê que o nosso casamento já não é mais o mesmo. A gente vive brigando, trocando farpas um com o outro a todo momento, e parece que qualquer conversa entre nós dois acaba virando uma discussão.

MIMI: E você tá vendo isso só agora?

SANTIAGO: Eu não quero brigar.

MIMI: Então fala de uma vez. Você está querendo se separar, é isso?

SANTIAGO (firme): É. Eu quero me separar.

Mimi fica completamente imóvel por alguns segundos. Ela pisca, incrédula, como se estivesse tentando entender se realmente ouviu aquilo. Zoom dramático no rosto dela.

MIMI: Você quer o quê?

SANTIAGO: Eu quero me separar, Mimi.

MIMI: O quê? Ah, não. Não, não, não! Você não vai fazer isso comigo! 

Mimi começa a andar pelo quarto, completamente transtornada.

MIMI (revoltada): Você tá achando que é assim? Que depois de tantos anos de casamento você acorda, olha pra minha cara e simplesmente decide que não quer mais ser meu marido? Você acha que eu sou o quê, Santiago? Uma roupa velha que você enjoou e resolveu jogar fora?

Mimi começa a andar pelo quarto, completamente transtornada.


SANTIAGO: Mimi, se acalma.


MIMI: Não manda eu me acalmar, canalha! Você acabou de pedir o divórcio e quer que eu fique calma? Eu tenho uma festa pra organizar, uma loja pra cuidar, três filhos dentro dessa casa e você vem me dizer que nosso casamento acabou como quem anuncia que vai trocar de carro!


Mimi se aproxima e dá alguns tapas no braço e no peito de Santiago, tomada pela raiva.


MIMI: Fala a verdade, Santiago! Tem outra mulher! Não tem? Fala!


SANTIAGO: Não tem ninguém, Mimi! Para com isso!


MIMI: Tem sim! Eu sabia! Eu sabia que tinha alguma coisa! E já sei até quem é!


Santiago fecha os olhos, irritado.


MIMI: É aquela égua da Eleonora, não é? É ela! Aquela desgraçada passou a vida inteira querendo competir comigo e agora resolveu roubar o meu marido!


SANTIAGO: A Eleonora não tem nada a ver com isso!


MIMI: Ah, não tem? Então por que você tá tão nervoso? 


SANTIAGO:  Você tá acusando uma mulher que não tem nada a ver com o nosso casamento, mimi!  Isso não tem lógica.


MIMI: Você acha que eu sou idiota? Eu conheço aquela mulher! Eu sei muito bem do que ela é capaz. Ela não suporta me ver feliz, não suporta me ver bem-sucedida, e agora, de repente, meu marido decide que quer se separar de mim? Ah, Santiago, tenha dó!


SANTIAGO: Eu já disse que não existe outra mulher!


MIMI: Então por que você quer ir embora?


Santiago permanece em silêncio por alguns segundos.


SANTIAGO: Porque eu tô cansado, Mimi. Cansado das nossas brigas, dessa convivência, de viver dentro de uma casa onde qualquer conversa vira uma guerra.


MIMI: E você acha que eu também não estou cansada? Eu tô cansada há anos! Mas eu nunca cheguei aqui dizendo que queria acabar com a minha família!


SANTIAGO: Eu não quero acabar com a minha família.


MIMI: Quer acabar com o casamento, que é praticamente a mesma coisa!


Mimi respira fundo. Santiago permanece em silêncio.


MIMI: Mas já que você resolveu fazer isso justamente agora, tem uma coisa que você precisa saber.


SANTIAGO: O quê?


Mimi encara o marido por alguns segundos.


MIMI: Eu tô grávida.


Santiago fica completamente surpreso.

Do outro lado da porta, Efigênia arregala os olhos ao ouvir a revelação.


SANTIAGO: Gra… Grávida?


Ela respira fundo, mas logo muda de expressão.


MIMI: Só tem um problema.


SANTIAGO: Qual?


MIMI: Eu não quero esse filho.


Santiago fica completamente surpreso.


SANTIAGO: Como é?


MIMI: Eu não quero ter essa criança, Santiago. Eu descobri essa gravidez e, sinceramente, não consegui comemorar. Eu não estava esperando por isso, não quero passar por tudo de novo e não sei se estou preparada pra criar mais um filho.


SANTIAGO (firme): Mimi, você está assustada. No início é normal…


MIMI: Não. Eu estou falando sério. Eu não quero ter esse filho.


SANTIAGO: Mas eu quero.


MIMI: E daí?


SANTIAGO: Daí que essa criança é nossa. Eu não vou simplesmente aceitar que você tome uma decisão dessas no impulso porque está nervosa com a nossa situação.


MIMI: Eu não estou fazendo isso por causa da nossa separação! Eu simplesmente não queria engravidar agora!


Santiago respira fundo, ainda processando o que acabou de ouvir. Do lado de fora, Efigênia arregala os olhos ao ouvir tudo atrás da porta.


SANTIAGO: Você tem certeza que está grávida mesmo? 


Mimi para de andar.


MIMI: Como é que é? Você tá duvidando de mim, seu imprestável?! 


SANTIAGO: Eu não tô duvidando, Mimi. Faz quanto tempo? Quanto tempo que você tá esperando esse filho?


MIMI: Descobri semana passada.


SANTIAGO: E você me diz isso só agora? 


MIMI: Ah, vá te catar! Você mal para em casa… (P) Você é mesmo um otário, Santiago, é isso que você é! Enquanto eu tava aqui sofrendo com os enjôos, você provavelmente tava lá na cama com aquela galinha da Eleonora e rindo de mim pelas minhas costas… meu Deus… 


SANTIAGO: Você não sabe do que tá falando, Mimi! Eu não sei de onde você tirou que eu tenho um caso com a Eleonora, se eu nunca troquei uma palavra com ela. A guerrinha de ensino médio é só entre vocês duas. (P) Eu fico feliz pela sua gravidez. Fico feliz que vou ser pai de novo, pode ter certeza que eu vou dar tudo de bom que essa criança merece. Pode ficar tranquila.


MIMI: É só isso que você tem pra me dizer? Tem certeza, Santiago? Depois de tanto tempo juntos, eu fico é perplexa com essa sua frieza.


SANTIAGO: Desculpa… Eu sei que tenho estado distante. Mas isso não tem nada a ver com outra mulher, e muito menos com a Eleonora. Eu só não consigo mais continuar vivendo desse jeito, Mimi. E não quero que a nossa conversa de hoje vire mais uma briga interminável.


MIMI: E o que você pretende fazer, então?


SANTIAGO (respira fundo): Eu vou sair de casa.


Mimi fica paralisada.


MIMI: Como é que é?


SANTIAGO: Eu vou embora por um tempo. Preciso pensar, preciso colocar a cabeça no lugar e entender o que eu quero da minha vida. Mas isso não significa que eu vou abandonar você ou nossos filhos.


MIMI (alterada): Você acabou de descobrir que eu estou grávida e a sua solução é sair de casa?


SANTIAGO: Eu não quero continuar aqui fingindo que está tudo bem. Isso seria pior pra nós dois. Eu prefiro me afastar agora do que continuar vivendo dentro dessa casa como se nada tivesse acontecido.


MIMI (revoltada): E você acha que vai simplesmente pegar suas coisas e sair? E eu fico como? Grávida, sozinha, tendo que explicar pra todo mundo por que meu marido abandonou a própria casa justamente quando descobriu que vai ter outro filho?


SANTIAGO: Eu não estou abandonando vocês, Mimi.


MIMI: Tá, sim! Pode escolher as palavras que quiser, mas é exatamente isso que você está fazendo! Canalha!


SANTIAGO: Eu vou continuar cuidando de vocês. Só não vou continuar morando aqui enquanto a nossa relação estiver desse jeito.


MIMI: E quando essa criança nascer? Vai aparecer na maternidade, pegar o bebê no colo e depois voltar pra sua vidinha? Ah, mas não vai mesmo! (P) Pois pegue as suas tralhas e dê o fora daqui. Agora quem não quer sou eu!


SANTIAGO: Mimi, espera. Pelo menos até a festa.


MIMI:  Oi? Até a festa? 


SANTIAGO: Não é pela festa. É porque tudo já está organizado, os convidados estão confirmados, a família inteira vai estar aqui... Eu não quero que todo mundo descubra que nosso casamento acabou desse jeito, no meio de uma comemoração.


MIMI: Ah, então é isso? Você quer preservar as aparências?


SANTIAGO: Eu quero evitar um escândalo. Depois da festa, eu pego minhas coisas e vou embora. Se é isso que você quer, eu vou respeitar.


MIMI: Não. Você não entendeu. Eu não tô pedindo que você vá embora depois da festa. Eu tô mandando você ir embora agora!


SANTIAGO: Mimi, por favor. Espera só mais alguns dias. Eu não tenho pra onde ir, você sabe.


MIMI: CLARO QUE TEM! A casa da sua amantezinha tá toda arreganhada pra você entrar quando quiser. Vai lá, Santiago! Seja feliz com aquela capivara de aplique.


SANTIAGO: Para de ser louca! Eu já disse que não tenho amante nenhuma… quer saber? Eu vou, então. Qualquer coisa eu pago um hotel, alugo um apartamento, compro outra casa… mas não vou ficar aqui ouvindo desaforo!


Sério, Santiago, se vira, e anda em direção a porta. Efigênia, ouvindo os passos dele, desce a escada rapidamente. Mimi, alterada, segue o marido até o andar de baixo.


MIMI: VAI MESMO, IMPRESTÁVEL! VOCÊ É UM FRACOTE, SANTIAGO! EU ME ARREPENDO DE TUDO QUE VIVEMOS. LIXO!


Sem dar ouvidos a Mimi, Santiago segue andando em direção a porta. Mimi percebe que Santiago realmente vai sair e, ao invés de continuar atacando, muda de postura. 


MIMI: Santiago... espera.


Santiago para diante da porta, ainda segurando a mala.


MIMI: Não vai, Santiago! Não vai!


Ele se vira lentamente.


SANTIAGO: O quê?


Mimi se aproxima, agora bem menos agressiva.


MIMI: Não vai embora. Por favor.


Santiago fica surpreso com a mudança repentina.


SANTIAGO: Ué, mas você acabou de mandar eu sair daqui.


MIMI: Eu sei. Eu tava com raiva. Eu falei sem pensar.


SANTIAGO: E agora você quer que eu fique?


MIMI: Quero. Eu quero que você fique. Eu deixo você ficar até a festa.


Santiago olha para ela em silêncio. Efigênia observa a cena discretamente, escondida no corredor. Santiago abaixa os olhos para a mala.


SANTIAGO: Está bem… Eu fico.


Mimi respira aliviada.


MIMI: Obrigada. Tá perdo ado.


Santiago deixa a mala no chão. Efigênia, ao ouvir a decisão, abaixa o olhar, decepcionada.


ABERTURA:


CENA 05: MANSÃO FONTANARI/EXT./DIA


Do lado de fora da mansão, Efigênia está em um orelhão na rua. Ela disca alguns números e faz uma ligação, visivelmente abalada e tentando conter as lágrimas.


EFIGÊNIA: Alô? Juraci? Irmã! Ainda bem que você atendeu…


JURACI (voz): Efigênia? Você ligando essa hora? Que voz de choro é essa, criatura? Aconteceu alguma coisa?


EFIGÊNIA: Aconteceu tudo, Juraci. Tudo! (P) O Santiago resolveu se separar da cobra maldita, mas ela tá grávida, Juraci! Grávida! Ela fez a cabeça dele e fez ele voltar! 


JURACI (voz): Grávida? Minha nossa…


EFIGÊNIA: E agora acabou. Eu não tenho mais esperança nenhuma de ter uma vida com ele. Ele vai continuar nessa casa sendo um cachorrinho de madame e eu vou continuar sendo a amante, a escondida, a iludida…


 JURACI (voz): Efigênia, você precisa sair dessa casa o quanto antes. Eu já te falei isso mil vezes.


EFIGÊNIA (com sangue nos olhos): Eu vou… eu vou, mas não antes de fazer o que eu tanto quero.


INSTRUMENTAL: PERIGO IMINENTE - DANIEL TAUSZIG, JADECO


JURACI (voz/preocupada): O que você tá pensando em fazer, Efigênia? 


EFIGÊNIA: Como você sabe, a jararaca vai dar um festão aqui hoje. Vai tá todo mundo. 


JURACI (voz): Sim, e?


EFIGÊNIA: Essa é a chance perfeita pra eu sumir do mundo com a Outono, Juraci! Eu vou tirar ela dessa casa e você vai me ajudar.


JURACI (voz): Você tá ficando maluca? Esse plano é cruel, Efigênia! E ainda corre o risco de você ir parar atrás das grades. Tira essa ideia da cabeça! Isso é maluquice! 


EFIGÊNIA: Eu não tô pedindo a sua ajuda, Juraci. Eu tô mandando. 


O instrumental sobe, cobrindo a voz de Efigênia, que continua contando seu plano a Juraci.


ANOITECE

Imagens de São Paulo são exibidas ao som de “Figura - Orlando Morais”.


CENA 06: MANSÃO FONTANARI/EXT./NOITE


A Mansão está completamente iluminada. Carros luxuosos chegam diante do portão, enquanto convidados elegantemente vestidos descem e são recebidos pelos funcionários. No centro do enorme jardim, um palco foi montado. A banda Titãs se apresentam e cantam “Epitáfio”, enquanto os convidados conversam, bebem e circulam pela festa. Mimi está na entrada da mansão, recebendo os convidados. Ela observa tudo com satisfação.


MIMI: Que luxo.


De repente, um carro para diante do portão. Mimi olha na direção da rua, tentando identificar quem chegou. 


MIMI: Quem é?


Um funcionário se aproxima discretamente e cochicha alguma coisa no ouvido dela. Mimi arregala os olhos.


MIMI: Ela veio?


O funcionário confirma com a cabeça. Mimi ajeita o cabelo, pega uma taça da bandeja de um garçom e abre um sorriso debochado.


MIMI: Então vamos receber a visita. Afinal, fui eu mesma que convidei.


O motorista abre a porta do carro. Eleonora desce elegantemente, vestindo uma roupa sofisticada e saltos altos vermelhos. Em câmera lenta, ela caminha em direção à entrada da mansão, enquanto Mimi a observa. As duas se veem e trocam um olhar intenso.


MIMI: Achei que você não teria coragem de aceitar o meu convite.


ELEONORA (enquanto abraça Mimi falsamente): Querida, coragem é o que não me falta. Aliás, me faltou sim, me faltou coragem pra recusar um convite de tão bom grado.


MIMI: Boba fui eu de achar que você não teria a cara de pau de aparecer aqui depois do desastre que foi na inauguração da Lubiju. 


ELEONORA: Desastre é essa sua mania de achar que todo mundo inveja você. Deve ser muito cansativo viver dentro dessa cabeça oca.


Mimi olha para ela de cima a baixo.


MIMI: Falando em cabeça... cadê a peruca rosa?


Eleonora imediatamente entende a provocação.


ELEONORA: Você ainda tá falando disso?


MIMI: Como eu poderia esquecer? Você apareceu na inauguração da Lubiju com aquela peruca ridícula, achando que estava irreconhecível.


ELEONORA: E não estava?


MIMI: Estava. Ninguém reconheceria uma aberração daquela.


Enquanto elas discutem, Bebel surge perto de Mimi, cumprimentando-a.


BEBEL: Olás!


MIMI: Que bom que você veio, amiga! Sabia que não iria me deixar sozinha numa noite como essa…


BEBEL: Jamais, mon amour. Eleonora… que prazer em ver você aqui, querida. 


ELEONORA (dando um beijinho na bochecha dela): Não seja falsa, linda. (P) Bom, já que fui convidada, estou indo apreciar essa festa magnífica de perto e roubar uns docinhos pra viagem. Beijos!

Eleonora se afasta das duas. Mimi pega mais uma taça da bandeja de um garçom, sem tirar os olhos da rival.

MIMI:  Prometo que vou me comportar hoje.

BEBEL: Ótimo, ótimo! Vamos, querida, quero ver o que você preparou. Suba.


MIMI: Bebel, antes de tudo  eu preciso conversar com você.


BEBEL: Claro, pode falar.


MIMI: Não pode ser aqui. É sobre o Santiago.


BEBEL: Vamos lá no seu quarto então, querida. Bota pra fora.


UMA HORA DEPOIS…


No centro do jardim, Mimi desfila pelo tapete vermelho indo em direção ao palco. Alguns convidados se levantam enquanto ela passa.  Ao chegar lá, ela sobe alguns degraus, pega o microfone de um assistente e se prepara para fazer um discurso.


MIMI: Atenção, meus amores! Eu prometo que vou ser breve, porque eu sei que ninguém veio aqui para ouvir discurso. Vieram para comer, beber e falar mal de mim pelas costas.


Alguns convidados riem.


MIMI: Mas como eu sou uma alma generosa, vou dar a vocês mais alguns minutos da minha ilustre presença.


Bebel aplaude exageradamente.


BEBEL: ARRASA MULÉ! (riso com tosse)


MIMI: Eu queria agradecer a todos que vieram. Amigos, conhecidos, pessoas que eu conheço há vinte anos e pessoas que eu conheci hoje e já considero íntimas porque elogiaram minha casa. Quero agradecer também aos funcionários que contratei especialmente pra essa festa, e que passaram dias trabalhando para que tudo estivesse perfeito…


Mimi olha para o jardim.


MIMI: E eu quero dizer uma coisa muito importante: essa festa não é só uma comemoração. Ela é uma prova de que, quando uma pessoa tem determinação, dinheiro e bom gosto, ela consegue fazer qualquer coisa.


Eleonora, no meio dos convidados, murmura:


ELEONORA: Que mentira, Leona.


MIMI: E já que estamos falando de coisas boas, eu quero agradecer especialmente à minha família. Mesmo com todas as dificuldades, mesmo com todas as diferenças, é por eles que eu faço tudo isso, pelos meus filhos que tanto amo. 


Ela respira fundo.


MIMI: E eu espero que eles cresçam sabendo que tudo isso foi construído pensando neles. Essa casa, essa família, tudo.


Mimi entrega o microfone a um funcionário.


MIMI: Agora sim. Chega de discurso. Chega de Mimi mimimizando. Vamos para a parte realmente importante dessa noite.


Ela olha para os funcionários.


MIMI: O BOLO!


Os convidados começam a aplaudir.


Do outro lado do jardim, alguns funcionários se movimentam para buscar o bolo. Mimi sorri largamente.


MIMI: Bora lá, amores, vão lá pegar o bolo, vamos, vamos! (P) São uns amores, gente.


Irritada, uma funcionária mostra o dedo do meio para Mimi.

Nesse instante, um “homem” encapuzado surge discretamente próximo ao portão lateral. É Juraci, completamente disfarçada, com roupa larga, um capuz cobrindo o rosto, uma voz artificialmente grave e com uma arma de brinquedo em mãos.


JURACI (voz grossa): QUAL QUI É A FITA, TIO?


Ela observa a movimentação, até que decide se aproximar com violência, apontando a arma para o alto.


JURACI (voz grossa, intimidando): ALÔ ALÔ COMUNIDADE, VAMO PARAR COM ESSE TEATRINHO MEQUETREFE AÍ? AGORA QUEM MANDA AQUI SOU EU, MORÔ? 


Os convidados se levantam, assustados. Mimi arregala os olhos.


MIMI: Mas que porra é essa?


JURACI (voz grossa): Ainda não pegou a fita, madame? Isso aqui é um assalto, falô? Se todo mundo aqui não colaborar, vai todo mundo morrer! 


Um burburinho se instaura no local. Alguns convidados paralisam, outros se escondem debaixo da mesa, e outros se desesperam.


MIMI: Assalto? E eu lá sou mulher pra ser assaltada, seu desgraçado? Você sabe quem eu sou pra entrar aqui como um idiota numa noite como essa? (P) SEGURANÇAS! SEGURANÇAS!


FUNCIONÁRIO: Dona Mimi, a senhora deu folga para os seus seguranças hoje, esqueceu?


MIMI: Pois então eu vou chamar é a polícia!


JURACI (voz grossa): A MADAMA DE MEIA-ESTATURA NÃO VAI CHAMAR NINGUÉM, MORÔ? SE TENTAR ALGUMA COISA, EU PEGO UM DESSES SEUS CONVIDADOS AQUI E FAÇO PICADINHO.


MIMI: Meia-estatura é a sua vó!


JURACI: Mais respeito com a falecida!


MIMI: E você respeita a minha altura, seu mal-educado! 


ELEONORA: Olha, Mimi, pelo amor de Deus... até numa hora dessas você consegue arrumar motivo pra falar de você? Mas é intragável mesmo…


MIMI: Olha aqui sua anta com estomatite, em nenhum momento eu pedi a sua opinião e nem pedi que abrisse essa sua boca suja. Então recolha a sua insignificância e vá pro raio que te parta.


ELEONORA: Você é uma grosseira! Isso é jeito de me tratar na frente dos seus convidados?


MIMI: Eu trato os cães como eles merecem.


ELEONORA: Ridícula!


MIMI: Ordinária!


ELEONORA: Palhaça! Colorida!


MIMI: Colorida vai ficar é essa sua cara quando eu meter os meus cinco dedos nela. Cretina.


Santiago, vendo a discussão acontecer, decide intervir. 


SANTIAGO: Parem de brigar, pelo amor de Deus! Chega. Chega com essa mesquinharia!


MIMI: Veio defender a sua amante, Santiago? 


Os convidados arregalam os olhos, chocados com o que Mimi acaba de falar.


INSTRUMENTAL: MARACATU WOLLINGER - RICARDO LEÃO 


ELEONORA (sem entender): Como é que é? Que história é essa?


MIMI: Ah, vai se fazer de sonsa agora, Eleonora? VAI SE FAZER DE TOLA AGORA, ORDINÁRIA?


Enquanto a discussão acontece, Juraci aproveita o momento de distração e vai em direção a porta principal da mansão. No jardim, Eleonora se levanta de onde está e segue em direção a Mimi, decidida a confrontar a inimiga, que segue de cabeça erguida.


ELEONORA: Você ficou maluca? Da onde tirou essa ideia de que sou amante do seu marido? Eu e Santiago se quer trocamos meias palavras. 


SANTIAGO: Mimi, pelo amor de Deus… Eleonora, não liga pra isso. A Mimi tá fora de si, do nada colocou essa ideia estapafúrdia na cabeça…


MIMI: Não venham tentar me calar vocês dois! Todo mundo aqui tem o direito de saber que meu marido tem um caso com a mulher que eu mais odeio nessa vida.  É isso mesmo, amorecos, essa bandida é a culpada pelos meus chifres! 


BEBEL: Amiga, tem certeza do que está dizendo? 


ELEONORA: Você ainda pergunta? É claro que ela não tem! Isso é uma calúnia, eu jamais teria a petulância de pegar Santiago. Ele é charmoso? É. Tem um peitoral irresistível? Sim, mas e daí? Ela tá falando isso porque ainda não descobriu a verdadeira amante e quer jogar a culpa pra cima de mim! 


MIMI: CALA A BOCA SUA IMBECIL! 


ELEONORA: Imbecil? Tem certeza que a imbecil aqui sou eu, amada? Você tá fazendo essa sua festinha virar um enterro, e essas acusações não passam de conversa fiada. Ou vai dizer que encontrou um fio de cabelo diferente nas roupas do seu marido e desconfia que é meu? Vê se cresce e aparece, aliás, crescer você não vai. 


MIMI: Fala a verdade, sucuri! Falaaaaa! 


Furiosa, Mimi avança sobre Eleonora e começa a lhe dar vários tapas seguidos. Para se defender, Eleonora puxa o cabelo da rival com força, arrancando parcialmente seu mega hair.


MIMI: DESGRAÇADA, ESSE EU COLOQUEI EM PARIS! 


ELEONORA: POIS VAI TER QUE COLOCAR OUTRO! 


A guerra continua. As duas se jogam no chão, numa luta corporal tensa, e ao mesmo tempo, cômica. Santiago tenta intervir, mas falha. Os convidados encaram a briga como se fosse um filme. Alguns riem, enquanto outros ligam para a imprensa. 


CENA 07: MANSÃO FONTANARI/EXT./NOITE


Numa rua afastada da mansão, a câmera mostra um carro velho estacionado ali. Dentro dele está Efigênia, disfarçada com uma peruca e de óculos escuros. Ela está impaciente, enquanto espera por Juraci.


EFIGÊNIA (olhando o relógio): Juraci, Juraci… não vai fazer a vaca ir pro brejo, hein…


CENA 08: MANSÃO FONTANARI/INT./NOITE

Juraci sobe a escada com cautela, enquanto segura o revólver de brinquedo e olha para os lados, atenta. Ao chegar ao andar de cima, ela acessa o corredor onde ficam os quartos. Ela caminha, olhando porta por porta, até que, ao passar por uma que está entreaberta, decide entrar. Ali estão Verão, Primavera e Outono. As duas primeiras dormem na cama maior, enquanto a caçula está no berço.

JURACI (aproximando-se com cautela): Ai, tem duas meninas aqui… Qual será a Outono? Ah, claro, é que está no berço, a mais nova… 

Após pensar diversas vezes, Juraci toma coragem e com muito cuidado, pega Outono no colo, tentando fazer com que a menina não acorde. 

JURACI (cochichando): Pelo amor de Deus, não acorda agora. 

Juraci se vira e, com Outono nos braços, consegue sair pelo mesmo lugar por onde entrou. No próximo take, ela já está descendo novamente a escada, indo em direção ao primeiro andar. Olhando para os lados, caminha até os fundos da mansão, que estão vazios, e avista a porta dos fundos, que dá acesso ao portão menor, próximo à rua. Lá, Efigênia espera pela irmã, com a chave do cadeado em mãos. Juraci surge com Outono no colo, e Efigênia se alegra ao vê-las.


EFIGÊNIA: Até que enfim!! Vem, vem rápido. 


Enquanto Juraci caminha até ela, Efigênia abre o cadeado. 


JURACI (seria, retirando o capuz): Você nunca mais me pede pra fazer uma coisa dessas. Nunca mais. 


Efigênia se emociona ao ver Outono. 


EFIGÊNIA (com os olhos brilhando, acariciando os cabelos de Outono): Outono, meu amor… finalmente… finalmente você vai sair desse inferno e vai viver a vida comigo! A partir de hoje eu serei a sua mãe, e você, a minha filha. 


JURACI: Vamo embora logo, mulher! Esqueceu que pode ter câmeras aqui? 


EFIGÊNIA: Relaxa, já me certifiquei de que não existe câmeras na mansão. A Mimi me disse um dia que câmera é uma coisa inútil, que não gasta seu dinheiro com coisas inúteis. 


JURACI: Mesmo assim, é melhor a gente sair daqui o quanto antes. Vamos. 


Apressadas, elas saem dali em direção ao carro. Efigênia lança um último olhar para a casa. 


EFIGÊNIA: Adeus, casa dos infernos. Santiago, Santiago, eu pagaria o que for pra ver a sua cara quando souber que eu não sou mulher de falar, e sim de fazer. Até nunca mais! 


Elas entram no veículo. Efigênia coloca Outono na cadeirinha, no banco traseiro, enquanto Juraci, ao volante, dá partida no carro, que logo desaparece pelas ruas.


CENA 09: MANSÃO FONTANARI/INT./NOITE


Finalmente, Santiago e alguns outros homens conseguem separar Mimi e Eleonora. As duas, ainda soltando faíscas, trocam acusações enquanto estão sendo seguradas. 


MIMI: SUA IMUNDA! Eu deveria ter acabado com a sua raça ainda no colégio. SUA ABUTRE! 


ELEONORA: VOCÊ AINDA VAI SOFRER MUITO NESSA SUA VIDA, MIMI! PODE ESPERAR QUE A TUA HORA VAI CHEGAR E EU NÃO VOU DEIXAR ISSO BARATO!  NÃO VOU!!


MIMI: Ah, você está me ameaçando?


Bebel se aproxima, apavorada. 


BEBEL: GENTE PAREM! VOCÊS ESQUECERAM QUE TINHA UM LADRAO AQUI NO JARDIM ATÉ AGORA POUCO??


Mimi arregala os olhos. 


MIMI: MISERICÓRDIA!


SANTIAGO: Meu Deus do céu… ele deve ter entrado pra dentro da mansão… as crianças estão lá! 


MIMI: O MEU TAPETE PERSA! O MEU TAPETE, ELE DEVE TER LEVADO! HELP! 


Começa um reboliço no jardim. Mimi, desesperada corre em direção ao interior da mansão, seguida por Santiago e pelos convidados. Eleonora, ainda com raiva, ajeita seu cabelo após a briga.


ELEONORA: Pois eu torço para que esse 

ladrão tenha feito a festa mesmo! Só espero que não tenha se deparado com as calcinhas freadas da Mimi por aí.


CENA 10: MANSÃO FONTANARI/INT./NOITE


Ao chegarem na sala, Mimi e Santiago percebem que tudo está em ordem e que o “ladrão” não roubou nada.


MIMI: Mas que ladrão de meia tigela é esse? Ele não se interessou pelo meu tapete persa? 


SANTIAGO (preocupado): Mimi, pelo amor de Deus! Isso não é hora pra pensar em tapete. Vamos lá ver como estão as crianças. 


INSTRUMENTAL: PERIGO IMINENTE - DANIEL TAUSZIG, JADECO


Eles sobem a escada apressadamente. No próximo take, já estão entrando e vasculhando tudo quanto é cômodo do andar de cima. Ao verem que tudo está em ordem como no primeiro andar, finalmente Mimi e Santiago chegam até o quarto onde estão as crianças. Ao ver que Verão e Primavera estão na cama, Mimi se alivia.


MIMI: Uh… eles estão aqui. 


Santiago se aproxima do berço, e vê que Outono não está ali. 


MIMI: Ai que bom que o infeliz não veio até aqui. Eles estão dormindo feito anjos…


SANTIAGO: Mimi… 


MIMI: O que será que aquela praga veio fazer aqui então? Roubar uns docinhos? Uir, que exótico.


SANTIAGO (Suando frio): MIMI!


MIMI: O que foi, inferno?


SANTIAGO: A OUTONO! A OUTONO NÃO TÁ NO BERÇO!


MIMI (sem acreditar, porém se aproxima): Brincadeira boba essas horas, Santiago? 


Ao chegar mais perto do berço, Mimi vê com seus próprios olhos que sua filha não está ali. Ela se desespera. 


MIMI: MISERICÓRDIA! A MINHA FILHA! AQUELE ESTRUME ROUBOU A NOSSA FILHA, SANTIAGO!!!


Mimi começa a sentir falta de ar, se segura em Santiago e desmaia. 


CONGELAMENTO EM MIMI.


ENCERRAMENTO: