Pages

VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 14 (15/06/2026)



VALE TODO O PEDAÇO - CAPÍTULO 14


criada e escrita por SINCE, FAFÁ, NOVELEX e LARICE


(CENA 01: CASA DE DONA BUCÊ/INT./NOITE)


Assustados e sem saber o que fazer, Larica e Ivanlac pegam os maços de dinheiro, um por um, e retiram da mala. Eles contam nota por nota, calculando o valor total.


Larica: 400 mil dólares! Tem 400 mil dólares dentro dessa mala.


Ivanlac: MEU DEUS, ISSO É MUITO DINHEIRO! (com sotaque cariucha) Isso é muito dinheiro, Larica! Acho que eu nunca vi tanto dinheiro na minha vida…


Larica: O que a gente vai fazer com esse dinheiro, Ivanlac? Eu nem sei de onde isso veio.


Ivanlac: Vamos ficar, né? Era a herança da sua filha, mas ela recusou e ainda sapateou em cima.


Larica: Não, Ivanlac. Esse dinheiro claramente não era do Cubinho, homem de Deus. Você acredita mesmo que o Cubinho teria uma mala cheia de dólares, mesmo não tendo onde cair morto?


Ivanlac: Se não era dele, é de quem então? Como essa mala veio parar aqui?


Larica: É isso que não faz sentido. Só pode ter acontecido um engano. Temos que achar o dono desse dinheiro e devolver.


Ivanlac: Devolver? Você está maluca? Tem certeza? Isso pode mudar nossa vida, nem vamos precisar trabalhar duro e vender bolo na praia!


Larica: Ivanlac, isso não é certo! A gente nem sabe a procedência desse dinheiro. A gente não sabe se esse dinheiro é sujo, se é de agiota... Eu não quero ficar com algo que não é nosso.


Ivanlac: E o que isso importa? Ele veio parar nas nossas mãos e não tem como ninguém descobrir que está com a gente. Pensa melhor! A gente pode investir esse dinheiro, você pode usar ele para abrir a fábrica que você tanto sonha…


Larica (irritada): Chega, Ivanlac! Eu não vou ficar com esse dinheiro! E para de tentar me manipular para conseguir o que você quer. Eu já me decidi e pronto! 


Larica vai até a gaveta e pega um saco de lixo preto. A moça coloca a mala dentro e começa a embalar. Ivanlac fica sem entender.


Ivanlac: O que é que você tá fazendo?


Larica: Ué, eu vou jogar essa mala no lixo da esquina. Aqui dentro ela não fica! Tomara que ela vá parar num lugar onde há pessoas que realmente precisam de dinheiro.


Ivanlac (desesperado): Olha só o que você tá fazendo, Larica! Você já pensou se esse dinheiro cai em mãos erradas? Vamos fazer o seguinte: a gente guarda esse dinheiro, esconde bem, onde ninguém possa achar. Enquanto isso, nós pensamos melhor sobre como nos livrar dele. 


Larica: De jeito nenhum! Não quero isso aqui em casa!


Ivanlac: Pensa bem, se alguém der falta desse dinheiro, nós estaremos com ele. Vamos aguardar, talvez alguém venha nos procurar, então nós entregamos ele. Vamos deixar na casa do Cubinho. Está vazia, a sua filha não quer saber de lá também. Ninguém vai ter interesse em procurar algo naquela casa. 

 

Larica: Tá… até que não é uma má ideia. Mas e se aquele peguete do Cubinho, o Rodnato, aparecer por lá e resolver abrir a mala? Se ele achar isso aqui?


Ivanlac: Que eu saiba, a única pessoa que está com a chave do apartamento é você. Rodnato não tem motivos para entrar lá, só escondermos bem.


Larica: Não confio… Mas pensando bem, você tem razão. É melhor esperarmos, mas escuta aqui. Se ninguém der falta desse dinheiro, a gente se livra dele e finge que nada disso aconteceu.


Ivanlac: Então vamos resolver isso de uma vez, antes que alguém saiba e isso vire uma catástrofe.


Larica termina de enrolar o saco de lixo na mala e carrega para fora do quarto. Na sala, os dois encontram dona Bucê e Viktney sentadas no sofá assistindo o Béstiqueique. Viktney penteia os pelos curtos da porquinha Danta com uma escova de cabelo.


Dona Bucê: Que isso aí, vocês estão indo aonde?


Larica: Estamos indo ocultar um corpo, não está vendo?


Dona Bucê: Tá pesado demais para ser a sem bunda e carne da Viktney, querida. É bolo mofado?


Viktney: Esse sacão de lixo não tem cheiro de nada, tem certeza que não quer falar o que está guardando, Larica? Bucê, sua velha arrombada, é melhor ser leve do que ser imensa e pesada igual você. 


Larica: São umas tralhas que eu tirei do guarda-roupas e resolvi jogar fora apenas. Eu e Ivanlac vamos aproveitar para dar uma volta. Que curiosas vocês são, hein!


Dona Bucê: Ui, não tá mais aqui quem falou, grossa! Complexada!


Larica: Tá me chamando de gorda? Enfim, tchau!


Dona Bucê: Se quiserem acabar o passeio num motel, eu conheço um bem barato aqui perto! 


Larica e Ivanlac saem com o saco de lixo na mão e a paciência MORTA ⚰️, enquanto Viktney e dona Bucê riem da cara de Larica.


Viktney: Foi lá com quem, dona Bucê? 


Dona Bucê: Eu tenho meus esquemas de pirâmide, querida. A surra em você que fica perdendo oportunidades. Tipo aquele bigodinho de puto.


Dona Bucê diz isso lambendo os lábios e coçando a região íntima.


Viktney: Tá com candidíase? Os lábios quase saindo pra fora, mortaaa.


Dona Bucê: Ah, vá pra porra.


Irritada, Dona Bucê se levanta do sofá, deixando Viktney na sala assistindo TV e rindo.


Viktney (em tom de deboche): Fica irritada não, daqui a pouco tá infartando, ouviu?


Dona Bucê volta para a cena, ela pega o seu chinelo e joga na cara de Viktney, que fica com a cara vermelha, desmaia e cai de cabeça no chão da sala. 


Dona Bucê: Pois se for possível, eu te mato primeiro… Ain Vibel, delícia! 🥵 


Viktney permanece desacordada no chão e Dona Bucê começa a se preocupar com a demora para ela levantar e lhe apressa.


Dona Bucê: Mulher acorda, eu não quero ser presa. Vamos, vamos, VAMOS!


De repente, a campainha toca. Dona Bucê se desespera e sem saída, vai atender. Chegando lá, se depara com Vibel, que está com um buquê de flores nas mãos.


Vibel: Oi dona! A Viktney está aí?


Dona Bucê: Ô bixinho, ela está sim! Mas meio que ela não está muito bem, sabe?


Vibel: Sério? Meu Deus, me permita entrar para ver como ela está!


Dona Bucê: Não! Viktney está tendo seu soninho de beleza. 


Vibel: Me desculpa, mas ela me prometeu que falaria comigo e aqui estou! Vou entrar sim, dona!


Dona Bucê: MENINO DESGRAÇADO DO DIABO, ENTRA NÃO!


Vibel: Sim.


Dona Bucê: Não.


Vibel: Sim.


Dona Bucê: Já disse que não, porra!


Vibel desiste da discussão, empurra Dona Bucê e entra dentro da casa, olhando para o corpo de Viktney caído no chão e fica em choque. Dona Bucê fica desesperada.


Vibel: Meu Deus…


Antes que Vibel pudesse fazer algo, Dona Bucê quebra uma vassoura em sua cabeça, fazendo o homem desmaiar.


Dona Bucê: Eita kkkk mds. Ai, tô lascada! Vou desmaiar também pra ninguém desconfiar. Depois falo que tomamos suco de maracujá.


Dona Bucê se deita ao lado deles e fecha os olhos, simulando um desmaio.


Dona Bucê: Ai.


(CENA 02: CASA DE CUBINHO/INT./NOITE)


No quarto do falecido, Ivanlac guarda a mala em cima do guarda-roupas e empurra o objeto até encostar na parede.


Ivanlac: Por enquanto, está um ótimo esconderijo, fora do alcance de pessoas baixinhas. Vamos deixar a janela fechada e trancar a porta do quarto, assim é menos chance de alguém entrar aqui e abrir isso.


Larica: Vai deixar tudo fechado, assim? Vai mofar tudo aqui dentro! Nem um feixe de luz entrando aqui dentro, nem uma gota de ar?


Ivanlac (irônico): O que você acha de deixar a mala pendurada na janela, então? Assim pega sol e o dinheiro não mofa.


Larica: Ai, tá bom! Enfim, problema resolvido!


Ivanlac: E essa cama de casal aqui, nós dois sozinhos…


Larica: Ai, meu bem, hoje não. Essa história do dinheiro me deixou muito tensa e eu estou cansada de passar o dia na rua vendendo bolo.


Ivanlac (beijando o pescoço da amada): Tem certeza?


Larica (mole): Não.


Larica se entrega aos braços fortes de Ivanlac e os dois caem juntos na cama, se beijando e tirando a roupa um do outro.


(CENA 03: CASA DE SOLANGE/INT./NOITE)


A campainha toca e SOLange abre a porta, recebendo Maria de Fafá que entra de mala e cuia.


SOLange: Que demora, chérri! Achei que tinha se perdido no meio do caminho.


Maria de Fafá (olhando ao redor): Que casa enorme, amiga! Arrasou, viu?


SOLange: Agora é sua também, chérri! To sentindo que a gente vai se dar muito bem morando juntas.


Maria de Fafá: Eu também!


SOLange: Aceita uma água, um cafézinho, um chá? 


Maria de Fafá: Já que você insiste! Eu aceito um cházinho.


SOLange vai para a cozinha fazer o chá, Maria de Fafá anda pela sala, observando cada canto da residência.


SOLange (com a voz distante): Ai, chérri! To tão feliz que você quis vir morar com a gente! Ainda mais que é mais um pra repartir o valor do aluguel…


Maria de Fafá: Você nem imagina o quanto eu estou feliz, querida!


Close em Maria de Fafá com um sorriso perverso no rosto, enquanto observa o porta-retratos com a foto de SOLange e João Mateus.


(CENA 04: CASA DE BUCÊ/INT./NOITE)


Larica e Ivanlac voltam para casa suados, descabelados e com as roupas amassadas. Ao entrarem na sala, eles se assustam com Vikitney, Vibel e dona Bucê deitados em posição fetal no chão. A cena piora com o cheiro do cocô que a porquinha Danta fez em cima do tapete.


Larica (apavorada): MEU DEUS, O QUE É ISSO AQUI? MEU DEUS, ELES MORRERAM! QUEM FEZ ISSO? 


Dona Bucê começa a gemer, dando sinal de vida.


Dona Bucê (sonhando): Ain, vai! Isso, vai! Enfia, bota, vai!


Ivanlac: Você por acaso sabe se ela fuma maconha, Larica?


Larica: Até onde eu sei, ela é assim de nascença mesmo. Coitadinha!


Porquinha Danta aparece vestindo uma mini saia brilhante e um lacinho rosa, e diz o seguinte:


Porquinha Danta: Ronc Ronc.


O casal se encanta pela porca, a câmera foca no rosto de Danta. A animal começa a comer os cabelos de Dona Bucê e Larica se enoja. 


Larica: É hoje que essa velha fica careca.


Dona Bucê acorda com a asmr da porca mastigando. 


Dona Bucê (se fazendo de sonsa): O QUÊ? QUEM? ONDE? MEU DEUS, ONDE ESTOU? MAS O QUE É ISSO AQUI? Ô SUA PORCA VAGABUNDA DO CAPETA


Ivanlac: Quem é seu fornecedor, Bucê? Essa parece que é da boa.


Dona Bucê: Quê?


No chão, Viktney começa a se mexer. Atordoada, ela abre os olhos lentamente e tenta se levantar.


Larica: O que foi que aconteceu aqui? Eu saio por vinte minutos e quando volto, parece que aconteceu um apocalipse zumbi.


Dona Bucê (olhando o relógio em seu pulso): Vinte minutos? Pelo visto a noite de vocês foi tão boa que o tempo passou voando.


Ivanlac (orgulhoso): Até porque eu aguento muito mais que vinte minutos!


Larica: Vamos, dona Bucê, a senhora não me respondeu. Quero saber o que houve aqui.


Dona Bucê (gaguejando): A-e-i-o-u…


Vikitney (confusa): Quando que o Vibel chegou aqui? E por que ele tá no chão?


Dona Bucê: No chão, novinha, novinha, novinha, novinha, no chão novinha, novinha, novinha.


Larica tira a cinta de sua cintura e bate no chão igual um chicote.


Larica: Eu vou ter que apelar, dona Bucê? A senhora não está me obedecendo.


Dona Bucê: Olha, Larica, então… é que… a gente bebeu muito suco de maracujá… eu coloquei muito açúcar…


Viktiney (furiosa): Que mentira dessa caquética! Essa velha desgraçada jogou uma chinela na minha cara! Eu podia ter morrido, sua louca!


Ivanlac: E o que aconteceu com esse homem aí?


Dona Bucê: Ele entrou dentro de casa sem minha permissão, eu achei que tinha matado a Viktney, ninguém podia saber do que eu tinha feito… eu tive que desacordar ele, peguei a vassoura e quebrei na cabeça dele. Por fim, eu fingi que desmaiei também, aproveitei para dormir.


Larica: Credo, dona Bucê, não sabia que a senhora era pescotapa.


Dona Bucê (séria): Larica, tem várias coisas que você não sabe sobre minha pessoa. Nós temos que arriscar nossa vida para poder sobreviver, sobrevivemos botando a vida em risco, riscos esses que arruinam independente do resultado.


Viktney: Maluca!


Dona Bucê: Uma mãe luta pelos direitos que os outros devem ter.


Larica: Que linda meu amor, você é muito criativa, dona Bucê. 


Dona Bucê (limpando as lágrimas): Que nada, Larica. É loucura minha, esquece que isso aconteceu, tudo bem?


Larica: Tudo bem, vou fingir que nada aconteceu… só não quero mais confusões entre vocês. E dê um jeito de acordar o rapaz.


Viktney (mordendo os lábios): Eu sei como fazer isso.


Viktney senta na cara de Vibel, em poucos segundos o homem começa a se debater desesperado e sufocado.


Larica: Menina, você vai matar ele!


Viktney levanta e Vibel começa a tossir, ofegante.


Vibel: Era você, gata? Se for pra morrer assim, eu aceito!


Dona Bucê: Levanta e vai embora, querido! Não viu a hora não?


Vibel (confuso): Desculpa! É que eu apaguei aqui e… Espera aí, foi a senhora que me apagou?


Dona Bucê: Eu? Ora, como ousa? Essa acusação não tem cabimento. Sou apenas uma jovem senhora frágil, mal tenho força nos braços para siriricar direito! Quem dirá apagar um homem assim… Forte, musculoso…


Viktney: Vai pra casa, Vibel. Amanhã conversamos melhor. 


Vibel: Ok, eu irei. Ora, cadê as flores que tinha trago para você?


A câmera foca na porquinha Danta, mastigando as flores com vontade.


SONOPLASTIA: 7 RINGS - ARIANA GRANDE


Imagens passeiam por todo o Rio de Janeiro, mostrando um novo dia amanhecendo. Pessoas correm no calçadão de Ipanema, um casal de idoso caminha à beira do mar, o Cristo Redentor começa a receber seus visitantes e o comércio movimentado da cidade abre para mais um dia agitado.


(CENA 05: CASA DE FRÉGIS/INT./MANHÃ)


Nô e Frégis estão sentados à mesa, comendo algumas coisas e tomando café enquanto conversam.


Nô: Como assim minha irmã foi embora dessa casa? Ela nem me avisou de nada. Você sabe pelo menos para onde ela foi?


Frégis: Não sei, ela saiu feito uma louca e me xingando como se eu tivesse cometido um crime. Talvez ela te ligue depois.


Nô: Nossa, que desgraça! E onde essa burra foi parar?


Frégis: Deve tá debaixo de algum viaduto por aí.


Nô: Minha irmã não é tão anta assim. Pelo contrário, ela é muito esperta. Ela não deve ter saído daqui à toa, sem tramar algo. Será que?


Frégis: O quê?


Nô: O pai dela morreu, né?


Frégis: Morreu? Não sei!


Nô: Eita, morreu não. É culpa sua! Eu tô doida por sua causa. Enfim, eu talvez saiba onde ela está, mas não te interessa.


Frégis: Ui, desculpa! Enfim, tô vendo que jajá você me abandona também…


Nô: Ai, coitadinho dele! Tem a Sin pra te fazer companhia, achei que você preferisse ela…


Frégis: E se eu preferir, vai ficar com ciúmes?


Nô: Quem tem ciúme de vagabundo, peixinho é.


Frégis: Quê?


Nô: Sei lá. Indo! Quero tirar essa história a limpo.


Frégis: Ô, ô, ô! Vai aonde?


Nô: Você é burro ou se faz de sonso?


Frégis: Sonso eu não sou! Poxa, tô te dando moral aqui.


Nô: Ótimo, então é burro. Eu vou ir em um lugar onde não te interessa, bebê.


Nô pega sua bolsa e sai de casa, Frégis fica confuso.


Frégis: Louca!


(CENA 06: AP. DE CUBINHO/INT./MANHÃ)


A câmera mostra Nô entrando na recepção do prédio e em seguida, dentro do elevador, perto dela, está uma idosa. O elevador para em um andar e as duas ficam paradas, sem se mexer.


Nô: Acho que é o seu andar, senhora!


Idosa: Quem disse?


Nô: Ué, você apertou o botão desse andar. Velho é fogo, né? Passa de uma idade e já começa a caducar.


Idosa: Tá me chamando de velha? Vê-se que não existe mais respeito nos tempos de hoje mesmo.


Nô: Chamei de velha, sim, e caduca ainda por cima!


A idosa dá uma bolsada em Nô.


Idosa: Mais respeito, menina! Eu tenho idade para ser sua avó.


Nô: Para avó tinha que ser mais nova, eu devia era te chamar de bisa, ou de tataravó. Eu sou novinha, meu bem, uma múmia milenar dessas não seria minha avó nunca!


Idosa: Você surtando por uma bobagem e a caduca sou eu? Pois, mesmo novinha, você já dá indícios de caduquice. E saiba você que eu tenho apenas 69 anos!


Nô: 69 anos de INSS, só se for!


Idosa: Quem vive de INSS é pobre fudido. Eu sou poderosa, e vivo das minhas riquezas que adquiri ao longo da vida.


Nô: Riquezas, é? 🤭


Idosa: Sim, sou fazendeira. Tenho muitos hectares de milho e soja no Mato Grosso. Além das fazendas de café em Minas Gerais.


Nô: Ahh querida, arrasou bonita! Vou te passar meu contato pra gente tomar um cafezinho na minha casa. 😊


Idosa: Eu não sei salvar contato, me ensina aqui fia.


Nô pega o celular da idosa e abre a conta bancária dela, mas vê o saldo da conta negativo.


Nô: Que velha safada! Você mentiu assim, na cara dura? Você tá é devendo, com o nome sujo no serasa.


Idosa: Não, fia! Essa é minha conta falsa para enganar pessoas falcatruas igual a você.


Nô (impaciente): E cadê a conta verdadeira?


Idosa: Na minha bucetinha, vem pegar!


Nô: Outra mentira, essa coisa que um dia já foi uma buceta só deve ter pelos brancos e um buraco frouxo enorme. 


Idosa: Viada!


Nô: Ai, tá bom, velha! Mas a pergunta que não quer calar é: esse é o seu andar ou não?


Idosa: Não! Pode fechar a porta desse trambolho.


Nô aperta o botão para fechar a porta e o elevador volta a subir. A idosa se põe na frente de Nô. O elevador para novamente, mas Nô não consegue descer, pois a velha está obstruindo seu caminho.


Nô (sem paciência): Com licença, minha senhora!


A velha permanece parada, se fingindo de surda.


Nô: Com li-cen-ça, mi-nha se-nho-ra!


A velha continua imóvel. Nô perde a paciência e arremessa a idosa no chão, ela olha para a velha e sorri.


Nô: Espero que não tenha fraturado sua bacia, sua morfética.


Nô lança um beijinho e se retira do elevador. A porta se fecha com a idosa lá dentro gemendo de dor, parecendo uma tartaruga de cabeça para baixo, sem conseguir se levantar. Nô se lembra que o elevador tem câmeras e volta para ajudar a velha. Ela vê que é tão podre e não tem segurança, e derruba a velha de novo.


(CENA 07: IMOBILIÁRIA SURUBANA/INT./MANHÃ)


Larica está acompanhada de Viktney, enquanto conversa com um corretor da imobiliária.


Corretor: Então imagino que seja esse imóvel aqui que a senhora se encantou.


Ele entrega uma foto a Larica, que olha com um sorriso no rosto.


Larica: É esse mesmo! Eu dei uma olhada e acho que consigo manter o aluguel do local.


Corretor: Ótimo! Então eu preciso do adiantamento do primeiro mês e também preciso que você assine aqui.


O corretor entrega uma pasta de documentos a Larica, que vai lendo e assinando cada um. Na última folha, Viktney também assina como testemunha. O corretor recolhe o contrato e entrega as chaves do local a Larica.


Corretor: Aqui está! A senhora já pode visitar e ocupar o imóvel.


SONOPLASTIA: CHEIA DE MANIAS - RAÇA NEGRA (INSTRUMENTAL)


Larica segura as chaves como se aquilo fosse uma joia. A mocinha sorri e abraça Viktney, as duas vibrando de alegria.


Viktney: Você conseguiu, Larica!


Larica: Eu consegui! Eu estou conseguindo, Viktney! E esse é só o início do meu sonho.


CONGELAMENTO EM LARICA


ENCERRAMENTO AO SOM DE CHEIA DE MANIAS - RAÇA NEGRA