GATO & SAPATO - CAPÍTULO 26 (26/01/2026)


GATO & SAPATO - CAPÍTULO 26 (ÚLTIMAS SEMANAS)

criada e escrita por SINCERIDADE

INSTRUMENTAL: DRAMÁTICO - MU CARVALHO 

Amanhece em São Paulo ao som do instrumental citado e imagens da cidade são exibidas.

CENA 01: HOTEL/INT./MANHà

A cena começa com Adelaide diante do espelho, finalizando os últimos detalhes do visual para o encontro com Alyra. Visivelmente ansiosa, mas também feliz, ela respira fundo. Logo atrás, Alzira a observa com atenção.

ADELAIDE (emocionada, encarando o próprio reflexo): Chegou o dia, Alzira… finalmente chegou o dia em que eu vou ver a minha filha depois de tanto tempo. (se vira para Alzira) Será que ela vai me reconhecer?

ALZIRA: Claro que não, minha amiga. Alyra te viu pela última vez quando tinha só três anos.

ADELAIDE: Eu tô com medo, Alzira… medo de deixar meus sentimentos escaparem. E se ela perceber que tem algo errado? E se desconfiar de alguma coisa?
Alzira se aproxima, segura as mãos de Adelaide, tentando acalmá-la.

ALZIRA: Calma. Agora é hora de respirar fundo e fingir que você vai se encontrar com alguém completamente desconhecido. (pausa) Pra Alyra, você é Giulia Jolie, uma digital influencer famosa. Adelaide, pra ela, está morta e enterrada.

As lágrimas escorrem pelo rosto de Adelaide. Alzira a abraça.

ALZIRA (enxugando as lágrimas da amiga):
Chega de chororô, vai borrar a maquiagem. Já tá na hora da gente ir.

ADELAIDE: Mas por que tanta pressa? A gente marcou só às onze…

ALZIRA: Pra você ter tempo de respirar, pensar, se preparar… antes de ver a sua filha. (vai em direção à porta) Vem, vamos logo.

Alzira segue até a porta. Adelaide fica parada no centro da sala, pensativa, olhando para um ponto fixo. No rosto, nervosismo, ansiedade e uma emoção difícil de conter.

CENA 02: MANSÃO TRAJANO/INT./MANHà

A mesa do café está farta. Rúbia está sentada, beliscando alguns alimentos. Rafael desce a escada, se aproxima por trás e lhe dá um beijo rápido na boca antes de se sentar.

RAFAEL: Bom dia, meu amor. Pulou da cama hoje, hein? (pausa, olhando em volta) Ué, cadê sua mãe?

RÚBIA: Mamãe saiu cedo. Disse que tinha uns assuntos pra resolver.

Rafael estranha o tom baixo de Rúbia. Observa melhor a esposa, que evita encará-lo.

RAFAEL: Aconteceu alguma coisa? Você tá tão quietinha…

RÚBIA (suspira fundo): Fico pensando nessa gravidez repentina… não sei se tô preparada pra assumir o posto de mãe. (pausa) Não tava nos meus planos ser mãe agora, sabe? Eu também fico com receio de você estar achando que eu quero dar o golpe da barriga em você.

RAFAEL (ri): Mas que bobagem, amor! Eu jamais pensei nisso. Isso nunca passou pela minha cabeça. (pausa) Claro que, as  nossas vidas jamais serão as mesmas depois que nosso filho nascer, já que é uma grande responsabilidade. Mas nada vai mudar, pode ficar tranquila. Se bem, que…

RÚBIA: Se bem que o quê?

RAFAEL: Algumas coisas vão precisar de uma organização a mais… dinheiro, bens, a empresa… ainda mais agora com um filho envolvido.

RÚBIA: Organizadas como?

RAFAEL: Amor, você e sua mãe não entendem bulhufas dessas coisas. Agora, a única pessoa que vai poder estar à frente dos negócios, sou eu. Eu não quero que vocês tenham uma má administração do dinheiro e percam tudo antes do nosso filho completar a maioridade. (pausa) A primeira coisa que vamos fazer antes dele nascer vai ser vender essa mansão.

INSTRUMENTAL: MELANCHOLIC MOOD - MU CARVALHO 

RÚBIA (arregala os olhos): Vender a mansão? Você enlouqueceu?

RAFAEL: Não, amor. Pelo contrário. Eu tô sendo bem racional.

RÚBIA (se levanta, nervosa): Essa casa é da minha família! Foi meu pai que construiu!

RAFAEL: Justamente por isso. (pausa, firme) Uma mansão dessas custa caro demais pra manter. Imposto, funcionários, reformas… é dinheiro escorrendo pelo ralo.

RÚBIA: Mas vender assim, do nada—

RAFAEL (interrompe): Não é “do nada”. É planejamento, meu amor. (se aproxima) Com o valor da venda, a gente investe melhor e garante o futuro do nosso filho.

Rúbia respira fundo, confusa.

RÚBIA: E pra onde a gente iria?

RAFAEL (já com resposta pronta): Pra um lugar mais seguro, mais discreto. Longe de curiosos, aproveitadores, da Alyra… Aquela doida vive rondando essa casa, criando confusão, aparecendo quando bem entende… Não é o tipo de ambiente que eu quero pro meu filho.

RÚBIA (pensa por alguns segundos): É… você tem razão. Mas antes, é melhor consultarmos a mamãe, não acha?

RAFAEL: Claro. Claro que sim! Violeta vai estar sempre sabendo de tudo. (Pausa) Bem, já vou indo pra empresa que hoje o dia tá cheio! 

O vilão beija a testa de Rúbia rapidamente e se retira. A filha de Violeta paralisa por alguns segundos, pensativa, até que se senta à mesa novamente. 

ABERTURA:


VINHETA DE INTERVALO (VOLTA):


CENA 03: APARTAMENTO/INT./MANHà

Verinha, que agora está morando no antigo apartamento de Rafael, se encontra sentada à beira da cama enquanto escuta o amante falar de seus planos.

VERINHA: Pera aí, momô, deixa eu ver se entendi… você tá querendo comprar a mansão da Violeta sem que ela perceba de nada, é isso?

RAFAEL: Exatamente. (Pausa) Se bem que, ela não vai perceber mesmo, já que vai ter partido dessa pra melhor. Essa é a nossa chance, Verinha!

VERINHA: E você já comprou o tal explosivo lá?

RAFAEL: Tá tudo encaminhado. Amanhã, assim que ela for sair de manhã, vai ter uma surpresinha. 

VERINHA: E como é que você vai implantar a bomba no veículo, querido? Não corre o risco de explodir a casa junto, não?

RAFAEL: Não. O carro da mansão fica estacionado numa área bem longe de onde circulamos. (pausa) Eu contratei alguns homens para fazer o servicinho pra mim hoje à noite, quando ela estiver dormindo.

VERINHA: Tá, mas voltando ao assunto da venda da mansão: o que você pretende fazer com isso?

RAFAEL: Ué, eu pretendo comprar a mansão no nome de um laranja, sem que a Rúbia saiba de nada. Eu já inventei uma desculpa pra ela dizendo que a gente vai se mudar pra dar um futuro melhor pra criança e ela acreditou. Mas assim que a casa for vendida e ela ficar sabendo que fui eu quem comprei, eu dou logo o pé na bunda e mando ela ir embora pra sempre.

VERINHA (se levanta, sarcástica e sedutora): Uau, que medo de você! 

Eles se aproximam e começam a se beijar trocando provocações sensuais. Em seguida, tiram a roupa e se jogam na cama.

VERINHA (arregala os olhos, interrompendo o clima): EU TENHO QUE TRABALHAR! 

ALGUMAS HORAS DEPOIS…

Ao som de “Stormy Weather - Etta James”, são mostradas imagens de São Paulo e em seguida, corta para a fachada de um restaurante luxuoso no centro da cidade.

CENA 04: RESTAURANTE/INT./MANHà

Sentadas numa mesa, Adelaide e Alzira trocam olhares constantes. A ansiedade é visível no rosto de Adelaide, que mal consegue disfarçar o nervosismo.

ADELAIDE: Será que ela não vem?

ALZIRA: Calma.

O tempo passa. Em cortes alternados, Adelaide olha o relógio, mexe na bolsa, respira fundo. Alyra ainda não chegou. Quando Adelaide já começa a perder a esperança e pensa em se levantar, Alyra surge triunfal pela porta.

INSTRUMENTAL: DRAMÁTICO - MU CARVALHO 

Ela então entra apressada, observando o ambiente à procura de Giulia Jolie. Adelaide a vê imediatamente. Seus olhos se enchem de brilho e emoção. As duas se encaram por alguns segundos. Adelaide, com a mão trêmula, acena discretamente. Alyra percebe e se aproxima.

ALYRA (sorrindo, ofegante): Mil desculpas pela demora, peguei um trânsito infernal. Mas que bom que ainda cheguei a tempo. (estende a mão) Prazer, Alyra.

As duas se encaram por alguns segundos. O brilho nos olhos de Adelaide ao rever a filha depois de trinta e cinco anos é visível.

CONGELAMENTO EM ADELAIDE.

ENCERRAMENTO: 



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